TAL QUÍMICA – SÓ AGRADECE CAPÍTULOS 5 e 6

5°Capítulo (Bernardo)

Desculpa se eu não sou perfeito

Eu sei que está no seu direito

Mas nunca quis te magoar

Eu guardo dentro do meu peito

Aquilo que você me disse

Tudo que jogou

E o seu jeito de olhar

E o mar

De toda essa maneira

Não há

Parece brincadeira

E quer levar de volta tudo que eu já sei amar

Ainda espero ver você voltar

Eu sei que é cedo pra continuar

Mas eu não vacilei

Não, não tem motivo para me deixar

E tudo que eu te dei

Guarda com carinho, eu sei que vai lembrar

Entendo se é melhor pra você

Eu sei que vai doer

Mas não cultivo a dor agora

(Motivos, Leash)

 

A noite passada tinha sido extremamente perfeita! Após passarmos o dia inteiro na praia do Paraíso, fomos para a famosa boate que o Gael não deixava ninguém esquecer que existia. Tudo bem que não foi nada perfeito ver um Mané dando em cima da minha garota. Se a Isa pudesse escutar os meus pensamentos tenho certeza que reviraria os olhos e diria que eu não sou o seu dono. E ela tem razão… ela sempre tem.

Minha vontade era de ir falar para aquele palhaço que a Isa estava acompanhada, mas ela foi mais rápida do que eu. E quer saber, se não fosse por causa do meu “ciúme”. Coisa que eu não tenho. Ela não teria me provocado daquele jeito na pista de dança. Dançando sem tirar os olhos dos meus. E que dança! Se dependesse de mim, o ritmo latino embalaria muitas manhãs, tardes e noites, se a minha pequena estivesse ao meu lado para dançar, que fique bem claro.

Eu estava quase acordando, mas não queria. Só que eu escutei o hino do gigante da Colina tocando. Aquela música só poderia estar vindo do meu celular. Isso significava que o Vinícius estava me abusando logo cedo. Porra! Tinha que ser flamenguista mesmo, esse mala. A propósito o toque do meu celular era especialmente para o Vini. Já que ele praticamente respirava Flamengo. No meu celular o assunto seria diferente. Quem acredita sempre alcança. Só para constar o safado colocou o hino do time rubro negro em minha “homenagem”.

Peguei o celular no criado mudo. Eu sei que a canção era maravilhosa, mas a Isa não precisava acordar tão cedo.

–Fala, mano!

–Bernardo, eu fiz besteira. Estou aqui em baixo com a galera tomando café. Preciso da sua ajuda.

–O que foi que aconteceu? –Eu fiquei preocupado. Vinícius era o meu irmão de consideração. Um dos caras que eu mais admirava.

–Eu e a Cecília brigamos.

–Eu vou tomar banho. Desço em cinco minutos.

–Só mais uma coisa. –Ele prosseguiu. –Não vem com a Isa. –Ele estava ficando louco. –Depois do que ela disse ontem, não duvidaria se ela me matasse hoje.

–Estou chegando.

Quando o assunto era fazer merda eu e o Vinícius éramos os campeões. Mas desde que ele começou a namorar a Cecília, o cara se aquietou. Antigamente nossos pais iam direto à sala do diretor. Ora era eu que me metia em confusão e o Vinícius ia me salvar. Ora acontecia o contrário. Eu precisava ajudar o meu irmão, só esperava que o que ele tivesse aprontado não fosse grave.

Deixei um bilhete ao lado da Isa. Ela precisava saber o que estava acontecendo. Não éramos um casal de esconder nada um do outro, não mais.

Assim que cheguei ao refeitório, encontrei Vinícius com a cabeça baixa. Marcela estava bastante agitada. Acho que ele sairia direto para um hospital caso ninguém fosse lhe salvá-lo.

–Ainda bem que você chegou. –Ele falou quando eu puxei a cadeira para me sentar com eles.

–O que você aprontou Vinícius?

–Ele simplesmente foi um idiota que SE acha no direito de mandar na Cecília. –Marcela falou com muita raiva.

–Eu não me acho nesse direito.

–Não? Então por que você surtou quando ela disse que não dançaria com o cara porque em PRIMEIRO lugar ELA não queria? –Marcela continuava puta da vida.

Ele ficou calado. Provavelmente pensando no que iria dizer.

–Você não sabe nem o que falar. Sinceramente não vou ficar aguentando olhar para a sua cara. –Marcela foi em direção ao jardim, Alice e Vic lhe acompanharam.

–Você está totalmente fodido! –André disse. –Quando uma dessas meninas sofrem as outras tomam a dor para si. Já tive umas experiências desse tipo e não foi nada legal.

–Não é porque eu continuo sentado aqui, que eu aprovo a sua atitude. –Gael disse sem tirar os olhos de Vinícius. –Eu quero ver a sua explicação agora.

–Fala logo, porra! –Eu estava ficando estressado.

–Ontem, depois que você e a Isa foram embora, eu e a Cecília continuávamos dançando. Eu fui pegar cerveja para a gente. Mas quando voltei vi que tinha uns caras perto das garotas. –Ele esfregou os olhos, visivelmente cansado. –Um deles queria dançar com a Cecília, e ela disse que não queria. O palhaço perguntou o motivo de ela recusar. E o idiota aqui disse que a garota tinha namorado e por isso ela não dançaria com ele.

–E vocês brigaram por isso? –Eu fiquei sem entender.

–Ela disse que não dançaria porque ela não queria. E que o fato de ter um namorado não era empecilho caso ela quisesse dançar com ele. –Eu conhecia a minha colega de turma e sabia que ela não era mulher de levar desaforo para casa. –Eu fiquei extremamente puto com ela. Disse que se era assim ela não precisava se preocupar. Eu iria embora para ela ficar com quem ela quisesse.

–E o que aconteceu depois?-Eu estava curioso.

–Ela disse que eu era um idiota. Que eu deveria ficar bem longe dela. Gente do meu estilo não fazia falta na vida dela.

–Caralho! –Eu disse.

–Vocês falam muitos palavrões, sabiam? –Mari, aquela menininha de sete anos que aparentava ter uns trinta, falou para a gente. –Oi, Bernardo!

–Oi, Mari.

–Quem é essa? –Vinícius, super discreto, perguntou.

–Uma amiguinha. –Ele me olhou e deve ter pensado: Bernardo, você enlouqueceu?

–Vocês adultos são engraçados! Arranjam mais confusões, do que eu, que sou criança.

–Você é muito pequena para entender os meus problemas. –Acho que o Vinícius estava pensando que também tinha sete anos. Queria discutir com uma criança.

–Posso até ser pequena, mas não sou cabeça dura igual a você. –Mari falou bravinha.

André não se aguentou e começou a rir. Mas o olhar mortal que aquela menina lançou para ele deu medo.

–Eu escutei tudo que você disse sobre a briga. E sabe de uma coisa, você é muito burrinho! –Aquilo eu já sabia desde sempre. Mas sabe como é. Nós amamos nossos amigos do jeito que eles são.

–Por que eu sou burro? –Ele se inclinou em direção a Mari, esquecendo completamente que nós estávamos lá.

–Eu faço judô. Meu pai disse que eu preciso saber me defender, principalmente quando ele nem a mamãe estiverem por perto. Apesar de que o judô não deve ser usado para começar uma briga. –Ela falava como se já tivesse escutado aquela fala mil vezes.

–E o que isso tem a ver? –Porra que cara chato! Ainda bem que o Gael deu um chute na canela dele, para ver se assim o Vinícius deixava de ser um pouco boçal.

–A sua namorada quis mostrar para você que também sabe se defender. Ora! –Ela falou como se fosse o óbvio. –Se ela tivesse sozinha e não quisesse dançar com ele. Ele só a respeitaria se tivesse um homem por perto?

–Menina, quantos anos você tem? –Gael estava assustado com tamanha inteligência daquela garota.

–Tenho sete, mas faço oito no domingo. –Ela disse toda empolgada.

–Como você sabe tantas coisas? –André ficou curioso.

–Eu já vi a minha avó conversando com a minha prima. Ela passou por algo parecido. –Ela disse como se aquilo fosse comum, e infelizmente era.

–Pera, me deixa acompanhar seu raciocínio. –Vinícius falou. –Eu deveria estar orgulhoso da Cecília por ela saber se defender tão bem?

–Isso seu bobo! –Ela falou como se aquilo fosse a coisa mais simples da terra.

–Mari, muito obrigado pelos conselhos. Mas eu não sei como conquistar a Cecília novamente.

–É só você…

–Mariana, que me matar de susto! –Uma senhora, provavelmente a avó, falou. Ela nos encarou, provavelmente pensando o que a neta fazia sentada com quatro marmanjos. –Vem me ajudar a cuidar das plantinhas.

–Vamos vovó! –Ela olhou para a gente. –Tchau meninos. –Andou um pouquinho, mas parou. Olhou para a nossa mesa novamente e disse. –Ei! Boa sorte! –Ela como toda criança faz começou a andar dando pulinhos.

–Me digam que isso não aconteceu. –André disse. –Uma menininha dando conselhos para o Vinícius? Que bizarro.

–E amiga do Bernardo. –Gael disse.

–Ela já me deu conselhos em relação a Isa.

–Então ela é uma conselheira fantasiada de criança ajudando os casais? –André falou.

–Deve ser. –Gael não conteve a risada.

–O problema é que o meu conselho ela não deu. –Vinícius prosseguiu. –Como eu vou reconquistar a minha Cecília.

–Vinícius, a menina já fez o favor de te provar o quanto você é um otário. Agora, uma vez na vida tenta descobrir sozinho como reconquistar a Cecília.

Ele abaixou a cabeça, antes é claro proferiu diversos palavrões. Enquanto isso, eu e os meninos continuamos tomando café da manhã. Falávamos que aquela menininha, a Mari, sem dúvidas precisava ser estudada. Ela era muito esperta para a sua idade. E põe esperta nisso.

 

6°Capítulo

Quando chega o entardecer,

É impossível não lembrar de você,

Dos momentos que juntos passamos ao sol,

No temporal você estava também ao meu lado,

Na grama, na areia de Santa no fim de semana,

Batendo na Casa do Sol pra amanhã nascer feliz.

Quando chega ao entardecer,

É impossível não lembrar de você,

Dos momentos que juntos passamos ao sol,

No temporal você estava também ao meu lado,

Na grama, em paz na pracinha no fim de semana,

Batendo na Casa do Sol pra amanhã nascer feliz.

A melancolia das ondas quebrando sozinhas sem você,

Lembrando teu beijo salgado e pedindo um abraço pra aquecer,

Ôôô pôr-do-sol vai lembrar você, pôr-do-sol vai lembrar você.

(Casa do sol, Armandinho)

Acordei jurando que tinha escutado o hino do Vasco. Será se eu sonhei que assistia ao jogo do Vascão com o Bê? Falando em Bernardo, onde aquele garoto tinha se metido? Já ia pegar o meu celular, quando vi que tinha um bilhete escrito com aquela caligrafia linda que eu tanto adorava.

 

Bom dia, menina linda! Isa, eu desci para tomar café com o Vinícius e com a galera. Não te chamei porque o Vinícius fez besteira. Ele e a Cecília brigaram. O Vini disse que preferia que você não viesse. O cara tem medo de você. 

Te amo, seu menino lindo.

 

O que foi que o Vinícius aprontou agora? Tomei banho em tempo recorde. Pensei seriamente em descer para confrontar ele. Mas por algum motivo bati na porta do quarto do Gael, Marcelinha e Vic. Esperava que eles pudessem me explicar o que tinha acontecido.

Jurava que seria algum dos três que abririam a porta. Mas me surpreendi ao ver a Cecília. Que estava com uma cara péssima de choro.

–Isa, eu acho que o meu namoro acabou. –Ela disse tendo uma crise de choro.

Eu abracei a minha amiga. Depois de que ela estava mais calma fechamos a porta do quarto e nos sentamos na cama. Cecília sempre foi a minha amiga confiante. Dona de uma beleza que deixava qualquer homem e mulher de queixo caído. Cecília nunca foi de se abater, mas pelo visto Vinícius conseguia feitos incríveis com aquela garota.

–O que foi que aconteceu? –Eu perguntei.

–Vinícius é um machista idiota que não entendeu a minha justificativa para não dançar com um cara na boate. –Estava ainda sem entender. Ainda bem que ela prosseguiu com a história. -Um cara me convidou para dançar, eu disse que não. Ele perguntou o motivo, e o idiota do Vinícius falou que era porque eu tinha namorado. Mas não disse apenas por isso. Em primeiro lugar EU não quis dançar com ele porque simplesmente EU não queria. –Ela continuava o seu desabafo. –Se eu tivesse sozinha na balada iria falar olha não vou dançar com você porque o meu namorado não gosta. Mesmo ele não estando aqui? Porra eu tenho as minhas escolhas e sei me proteger. O Vinícius precisa entender isso.

Eu fiquei um tempo assimilando tudo que a minha amiga falava. E ela estava completamente certa. Isso mesmo. Mas sabe de uma coisa, eu entendia o Vinícius. Sim! Eu entendia. Julguei o Bernardo nas férias do ano passado. No momento achei que a razão era minha, mas eu estava completamente enganada. Agora eu precisava mostrar para a minha amiga que o namoro dela não estava acabado. Pelo menos eu esperava que não.

–Cecília, desculpa, mas eu acho que entendo o Vinícius.

–Como é a história, dona Isabelle?! –Cecília fez uma cara de quem iria me atacar em breve.

–Ei! Eu não falei que estou do lado dele. Disse que entendo. –Fiz sinal de paz. –Porque eu já passei pela a mesma situação com o Bê.

–Como assim? –Ela ficou curiosa.

–Ano passado lembra que eu e o Bê fomos visitar as nossas famílias? –Ela balançou a cabeça. –Resolvemos passar um final de semana em Japaratinga. Seria apenas nós dois. Mas o primo do Bê apareceu e levou alguns amigos. –Eu tentei manter a calma. –No meio desses amigos estava uma ex ficante do Bê. E aquela vaca do mal resolveu me provocar. Acredita que ela ficou se insinuando para o Bê na minha frente?

–O que você fez?

–Só faltei dar um tapa na cara dela. Mas o Bernardo não deixou. –Eu continuei falando sobre um assunto que eu não gostava. –Quase que eu perco o meu namorado. Eu agi igual ao Vinícius. E amiga, só no outro dia foi que eu entendi que estava errada. Ainda bem que o Bernardo tentou fazer as pazes antes. E ainda bem que ele teve paciência comigo.

–Você nunca falou nada para a gente.

–Eu estava morrendo de vergonha.

–Então, eu e o Vinícius ainda temos solução?

–É claro que tem. Fala com o seu namorado. Explique que você não gostou dessa atitude dele.

–Eu vou fazer isso. –Estávamos saindo do quarto quando a Cecília me deu um abraço. –Amiga muito obrigada pela ajuda.

–Eu estou aqui para o que você precisar.

Quando chegamos perto do quarto da Cecília vimos Bernardo e Vinícius vindo em nossa direção. Vini não parava de encarar a namorada.

–Podemos conversar? –Vini falou.

–É claro.

Bernardo me encarava e eu fiz cara de brava.

–O que foi que eu aprontei? –Bernardo perguntou.

–Foi tomar café da manhã sem mim. –Minha carranca se desfez e deu lugar a um sorriso que era só dele.

–Ufa! Não seja por isso, faço questão de comer novamente. Só para ter a honra da sua companhia. –Ele me deu beijo rápido, me abraçou e fomos em direção ao refeitório.

Estávamos na área da piscina da pousada. Os meninos aproveitavam a água, enquanto eu descansava em uma espreguiçadeira. Queríamos saber quais seriam os nossos planos pra o resto do dia. Mas tudo isso dependeria da Cecília e do Vinícius, que conversavam há mais de três horas. Eu só esperava que eles se resolvessem.

Mais uma hora tinha se passado, eu praticamente dormia encostada no ombro do Bernardo. Quando os nossos amigos apareceram de mãos dadas. Pediram mil desculpas pela demora. E assim finalmente pudemos decidir qual seria a programação do dia.

Seria um absurdo se não fôssemos conhecer as ruínas do Forte Castelo do Mar. Por isso, tinha ficado decidido que conheceríamos o local. Os meninos arrumaram um guia que nos levaria até o lá. Fomos orientados a irmos de tênis. Afinal de contas faríamos praticamente uma trilha.

Andamos bastante. Tipo bastante mesmo! Mas valeu a pena! O local era extremamente lindo! Era incrível saber que uma construção daquela, que segundo o guia era de 1630 permanecia de pé. É claro que comparando com a época em que ela foi executada o forte não estava cem por cento igual. Mas tudo que sobrou mostrava como aquele método construtivo foi importante para fazer com que o forte resistisse tantos anos.

Estava sentada admirando o lindo oceano atlântico, quando Bernardo sentou ao meu lado e me abraçou. Como eu amava o toque daquele moleque. Ficamos calados durante um tempo. Provavelmente o Bê estava pensando a mesma coisa que eu. Não aguentei o silêncio por muito tempo.

–Bê, eu juro que estou tentando, mas dói tanto saber que esse oceano vai nos separar. –Eu falei.

–O minha princesa, nem me lembra disso. Onde eu estava com a cabeça de trocar a sua companhia pela Itália.

Olhei para ele e arqueei a sobrancelha. Que história era aquela de me trocar pela Itália? O Bernardo estava perdendo a noção do perigo.

–Ei! Achei que o motivo da sua viagem fosse ficar com os seus pais. E não o país em si.

Bernardo começou a rir. E só por isso ele levou alguns tapas.

–Eu estava brincando, minha pequena. –Ele me abraçou. –Você acha mesmo que eu trocaria você pela Itália? Se eu pudesse te colocaria dentro da mala. Você topa? –Ele perguntou enquanto beijava o meu pescoço.

Nosso momento foi interrompido pelo Vinícius que fez questão de gritar.

–Ei! Casal Berisa! As fotos que eu e a Cecília tiramos de vocês ficaram massa! Mas na boa não estou a fim de tirar foto de marmanjo beijando o pescoço da namorada. –Cecília começou a rir. –Eu prefiro fazer isso com a minha namorada. –Minha amiga ficou vermelha e não teve tempo de reagir aos beijos do Vinícius. Ou melhor, é claro que ela teve, já que retribuiu rapidamente os beijos do namorado.

E assim passamos o resto da nossa tarde. Não nos beijando! Não o tempo todo. Mas aproveitando a companhia um dos outros. Além de nos deliciarmos com a linda vista que as Ruínas do Forte Castelo do Mar nos proporcionava.

Samila Bezerra
Samila Bezerra

Estudante de Arquitetura na Universidade Federal de Alagoas, é apaixonada por livros e quer conhecer o mundo...

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