TAL QUÍMICA – CAP.1

tal químicaI come home in the morning light my mother says

“When you gonna live your life right?”

Oh mother dear we’re not fortunate ones

Oh girls they wanna have fun

Oh girls just wanna have fun.

(Girls Just Want To Have Fun-Cyndi Lauper)

Não pode ser! Eu devo estar sonhando. Sonho não, esse é o meu pior pesadelo. Não que eu tenha problemas em acordar cedo, eu até adoro e como vocês puderam perceber o toque do meu despertador é bastante animado. O problema é o local que eu tenho que ir, o mesmo em que eu flagrei o idiota do Oscar dando uns amassos na ridícula da Bárbara, a vizinha insuportável que ele fazia questão de dar carona todos os dias. Tudo bem que o local exato que eu iria não era o mesmo do flagra, já que o meu bloco não ficava exatamente perto do dele, mas querendo ou não era o mesmo terreno e uma das últimas vezes que eu pisei lá foi no dia que eu presenciei a cena lamentável.

Calma, Isa, relaxa! Você não está mais com ele. E não é a mesma idiota que aturou as infantilidades do Oscar por DOIS ANOS, SETE MESES E QUINZE DIAS. Agora você é uma menina diferente, que vai chegar naquela faculdade e arrasar. Pena que nem tudo era do jeito que eu queria.

Deixei a preguiça e me levantei. Tomei banho, sequei o cabelo e escolhi a roupa que marcaria uma nova era. OK! Não era para tanto. Coloquei uma calça jeans boyfriend rasgada, com uma regata cinza soltinha, um salto alto grosso verde e uma jaqueta preta. Para fechar o look resolvi colocar uns óculos escuros e a bolsa de lado preta que a Alice tinha me dado de natal.

Passei rápido pela cozinha, minha mãe estava ao telefone, provavelmente conversando com Letícia, minha cunhada junto com a família iriam se mudar para minha casa, já que os meus sobrinhos nasceriam em breve.

-Bom dia mãe. –Eu peguei um achocolatado que estava na porta da geladeira. –Tchau mãe. –Ela olhou para mim, e acenou.

Assim que cheguei à faculdade encontrei as melhores amigas que alguém pode ter sentadas na cantina. Assim que Cecília me viu sua expressão mudou rapidamente, já que seu sorriso foi substituído por uma cara de espanto.

-Cadê o seu cabelo dona Isabelle? –Ela se levantou e parecia não acreditar no que estava vendo.

-Uê! Eu cortei. – O meu cabelo era enorme, mas desde o termino com o Oscar eu resolvi radicalizar, Aproveitei que estava de passagem em BH e fui ao salão dar adeus aos fios longos, no lugar ficou um lindo long bob.

-Isa, ficou lindo!!! – Disse Marcela que correu para me abraçar.

-Valeu Marcelinha. – Eu sorri.

-Ficou muito lindo, Isa. – Falou Vic.

-Obrigada, Vic.

Cecília ainda estava assustada. Pelo visto ela era a única que não tinha curtido o meu visual. – Isa, você pirou? Cadê seu cabelo? Ele era tão lindo.

-Cruz credo, Cecília. É só cabelo. – Vic comentou.

-Deixa de frescura e me dar um abraço. Eu estava morrendo de saudade das minhas amigas lindas. – Marcela e Vic se juntaram ao nosso abraço.

Depois da sessão drama por causa do cabelo começamos a conversar. As meninas estavam curiosas, queriam saber como tinha sido a viagem. Marcela foi a primeira a se manifestar:

-Isa, isso foi muito injusto. Você deixou as suas melhores amigas aqui, enquanto isso foi se embriagar na arquitetura mineira.

-Marcelinha, desculpa. Foi tudo tão rápido. Eu queria ficar longe do Oscar e a minha madrinha me chamou para passar as férias lá. – Eu falei com o coração partido.

-Dessa vez eu perdoo. Mas você precisa me levar na próxima. – Falou brincando minha amiga que tinha os cabelos ruivos um pouco acima dos ombros.

-Levo todas vocês!

Cecília que tinha terminado de tomar seu suco aproveitou que estávamos em silencio e tocou no assunto que eu menos gostava de falar nos últimos tempos: Oscar.

-Isa, o Oscar perguntou por você. – Ela falou enquanto ficava passando a mão em seus longos cabelos dourados.

-O que ele queria Cecília? – Eu perguntei apreensiva, afinal de contas queria que aquele garoto esquecesse que eu existia.

-Saber como você estava. Falei que você estava ótima e que se divertia horrores com os mineirinhos.

Eu não contive o riso. Apesar da boa intenção da minha amiga, o Oscar me conhecia muito bem e sabia que eu não fazia o tipo de menina que ficava com vários garotos sem ao menos conhecê-los.

-Cecília, eu já disse que te amo? –Eu abaixei a cabeça e comecei a brincar com o canudinho do meu copo. – Eu não quero que o Oscar pense que eu chorei por causa dele. Na verdade eu quero que ele vá para o raio que o parta.

-Isso mesmo, Isa. – Falou Vic. – Nada de ficar sofrendo por causa de homem.

Se dependesse de mim, ficaríamos a manhã inteira conversando, mas tínhamos aula, já que o novo período nos esperava. Eu e as meninas nos despedimos de Cecília, nossa amiga fazia engenharia civil, enquanto nós éramos da galera da arquitetura. Fomos direto para sala. A primeira aula era de história da arte arquitetura e cidade. A cada novo período eu tinha mais certeza que aquele era o curso certo.

As aulas passaram muito rápido, naquele dia além de história da arte tive aula de sistemas estruturais. Mesmo sendo o primeiro dia de aula, percebi que os professores não queriam aliviar. Eles já tinham passado alguns projetos que veríamos em longo prazo. Eu precisava ficar esperta, se deixasse tudo para última hora não teria tempo para nada, nem para respirar.

Ao sairmos da sala, eu e as meninas fomos encontrar Cecília, e também Alice, todas nós iríamos começar a organizar a festa do nosso melhor amigo, o Gael. Ele estava fazendo um intercambio nos EUA, e voltaria em menos de dois meses. Como ele adorava festa, e nós também, achamos mais do que justo comemorar essa volta em grande estilo.

-Isa, que cabelo maravilhoso. – Disse Alice, minha amiga que estava no sexto período de arquitetura.

-Que bom que você gostou, Alice. – Eu falei enquanto a abraçava. –Estava morrendo de saudade.

-Eu também. Semana passada eu encontrei a Bianquinha passeando no parque com o Caio e a Letícia, por falar nela, acho que aquela barriga vai explodir. – Nós começamos a rir. Minha cunhada estava grávida de sete meses e de gêmeos.

-Precisamos urgentemente marcar um cineminha. A Bianca adora essas farras.

Continuávamos conversando até que avistamos Cecília. Ela conversava com dois meninos, ambos eram altos e eu tinha a impressão de nunca tê-los visto. Assim que nos viu nossa amiga fez sinal para que esperássemos um pouco. Pelo visto a conversa era bem importante.

Depois de uns cinco minutos Cecília veio falar conosco. Nunca tinha visto minha amiga tão animada nos últimos tempos. – Qual o motivo de tanta felicidade? – Eu perguntei curiosa.

-Os meninos acabaram de me chamar para fazer parte de um megaprojeto. – Ela era pura alegria. – Eles falaram que viram o meu projeto do ano passado e adoraram.

Cecília era assim, vivia engajada nos projetos que a engenharia oferecia. – Fico feliz por você, amiga. Mais um que vai para o seu currículo.

-Você deve ter dezenas. – Brincou Marcela.

-Faz muito bem. –Disse Alice. – Daqui a pouco você estará participando desses congressos no outro lado do mundo.

-Tomara! – Cecília falou.

-Caso você vá para a Austrália não se esqueça de me levar. Nem que seja na mala. – Implorou Vic.

-Agora o único projeto que eu quero focar é na festa do Gael. – Cecília falou. – Se depender de mim, essa será a melhor festa da vida dele.

-É isso aí! – Vibrou Marcela.

Como Cecília falou colocamos todo o foco na festa do nosso melhor amigo. Aquela festa entraria para a história.

Samila Bezerra

Samila Bezerra

Estudante de Arquitetura na Universidade Federal de Alagoas, é apaixonada por livros e quer conhecer o mundo...

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