Tag: tal química

TAL QUÍMICA – SÓ AGRADECE – CAP. 04

Pisando descalço, nesse chão molhado, deito do teu lado para relaxar
Fazendo fogueira, sem eira nem beira, deitado na esteira, vendo o luar.
Pego meu violão, canto uma canção que já fez maluco se por a dançar
Aquele doce,que derrete a mente no desembaraço desse meu cantar.
Aquela morena de saia pequena com seus olhos grandes parece voar.
Hoje na Natureza não importa a feira, é dia de doideira e não de trabalhar.
(Pisando descalço, Maneva)

TAL QUÍMICA – CAP. 13 – SAMILA BEZERRA

tal químicaMeu coração pulou
Você chegou, me deixou assim
Com os pés fora do chão
Pensei: Que bom!
Parece, enfim, acordei
Pra renovar meu ser
Faltava mesmo chegar você
Assim, sem me avisar
Pra acelerar um coração
Que já bate pouco
De tanto procurar por outro
Anda cansado
Mas quando você está do lado
Fica louco de satisfação
Solidão nunca mais
Você caiu do céu
Um anjo lindo que apareceu
Com olhos de cristal, me enfeitiçou
Eu nunca vi nada igual
(Frisson-Roupa Nova)

Eu ainda não estava falando com o Gael, e sinceramente isso acabava comigo. Ele era o meu amigo há tanto tempo e eu não acreditava que a nossa amizade seria ameaçada por causa de uma briguinha. A Alice me mandou mensagem no mesmo dia, pedindo desculpas. Eu sei que nenhum dos dois tinha culpa, mas fiquei feliz pelo fato da minha amiga não querer ficar brigada comigo.

Eu estava deitada na minha cama terminando de ler “Elena a filha da princesa”, que livro maravilhoso aquele. Estava praticamente no final quando o meu celular começou a tocar. Era o Bernardo.

-Oi, Bê. –Eu falei enquanto colocava o marca página no livro.

-O que você está fazendo?

-Estava lendo.

-Desculpa, Isa, por ter te tirado do livro.

-Não precisa se desculpar. –Eu disse. – O que devo a honra da sua ligação.

-Bom, como a senhorita é praticamente uma arquiteta, já está fazendo projetos de closets e tudo mais. Eu queria a sua ajuda.

-Ei, eu não sou arquiteta. –Eu protestei. –Você também quer um closet?

-Ainda, mas logo será. –Ele falou. –Não, Isa, eu não quero um closet, queria a sua companhia. Eu vou olhar uns apartamentos hoje e ficaria muito feliz se você viesse comigo. –Ele ficou uns três segundos calados até que perguntou. –Eu terei o prazer de desfrutar da sua companhia?

Eu não aguentei e comecei a rir. –Bê, só você para falar assim.

-Você não topa, é isso?

-É claro que eu topo. –Eu aposto que ele tinha dado o seu meio sorriso.

-Passo na sua casa por volta de uma e meia. Tudo bem para você?

-Tudo ótimo!

-Até daqui a pouco. – Quando pensei que ele tinha terminado, voltou a falar. – Mas uma vez desculpa por te atrapalhar.

-Não atrapalhou, Bê. Eu já estou no finalzinho.

-Posso saber o nome do livro?

-“Elena a filha da princesa”.

-Ah! Boa leitura, minha princesa. Beijos.

-Beijos, menino lindo.

Voltei para o meu livrinho e terminei de ler os dois capítulos que faltava. Que livro era aquele! Eu amava a escrita da Marina, sem dúvida ela era uma das minhas escritoras favoritas. Eu tinha amado os outros livros dela, mas aquele tinha uma pegada de new adult, gênero que eu adorava, e isso foi apenas um dos pontos que deixou a leitura maravilhosa.

Quando eu coloquei o livro na prateleira, fui até o quarto ao lado e vi que minha cunhada estava trocando a roupa dos gêmeos, do Pedro e do Davi, eu amava aqueles dois meninos, eles junto com a irmã tinham se tornado a alegria da casa. Falando em Bianca, ela não desgrudava do lado da mãe, ora ou outra Letícia incentivava a filha a conversar com os irmãozinhos. Só a minha cunhada mesmo para ter disposição de imitar vozes infantis e fazer tudo que ela fazia. Mas aquilo tinha um nome bem pequeno, mas com um significado imenso: ser mãe. Letícia era jornalista, mas desde que descobriu que estava grávida novamente deixou a profissão de lado, ela aproveitou os primeiros meses para preparar a mudança, além, é claro, de ficar muito perto da filha. A Letícia sabia que com a chegada dos gêmeos infelizmente ela não conseguiria dar no início a mesma atenção que Bianca sempre recebeu.

Eu juro que eu estava bem quietinha na porta, mas minha cunhada acabou virando e me viu. Então ela me chamou para vivenciar aquele momento, e não apenas assistir. Quando sentei no chão, ao lado da cama, percebi que a minha cunhada chorava.

-Esses três anjinhos são tão lindos. –Ela enxugou as lágrimas.

-São sim. –Eu a abracei.

-Mas dão um trabalhão. –Terminando de dizer essas palavras ela beijou o topo da cabeça da Bianca. –Mas todo o trabalho vale a pena.

Letícia e meu irmão namoravam desde a época do ensino médio. Ela resolveu fazer jornalismo, enquanto que o meu irmão foi para o lado do direito. Quando casaram minha mãe só faltou morrer, na época eu tinha quinze anos, e tanto o meu irmão quanto a Letícia tinham vinte três. Isso deixou a minha mãe louca, ela chorava dia e noite queria saber como o filho estava se virando. Mas com o passar do tempo, meses para ser mais exata, ela se conformou, inclusive ficou grudada com a Letícia. Sério quem ver de fora acredita que a minha cunhada é a filha da minha mãe e não eu.

Dona Elena estava bastante animada, então resolveu fazer uma lasanha de frango com muito, mais muito queijo. Ah! De sobremesa ela nos serviu um maravilhoso bolo de chocolate. Eu tinha certeza que tinha engordado uns três quilos, e isso não era nada bom. Durante o almoço meus pais planejaram a nossa viagem anual para Minas Gerais, a minha mãe nasceu lá, mas veio para cá quando foi fazer faculdade, digamos que o motivo disso tudo foi o meu pai, os dois se conheceram em uma viagem de carnaval e estão juntos até hoje. E tem gente que fala que amor de carnaval não dar em nada. Voltando para o assunto viagem, a desse ano era mais que especial, iríamos apresentar os novos membros da família para os nossos parentes mineiros.

Depois de almoçar eu fui me arrumar. Estava um tempo super agradável, nada de calor, mas sim ventos gelados. Como eu estava amando o estilo boho chic resolvi colocar um short jeans cintura alta ele tinha aparência de ser gasto, mas ao meu ver esses são os piores, sempre custam mais caro. Junto com ele eu usaria um croped preto, eu adorava aquele tipo de blusa, mas a estrela principal do figurino era um kimono de franjas floral lindo que eu tinha me dado de presente depois de terminar o namoro com o Oscar. Ah! Nos pés preferi colocar um all star preto. Na maquiagem só coloquei o meu bom e velho delineador, máscaras de cílios, além de um batom cor de boca.

Estava arrumando a minha bolsa quando o Bernardo mandou uma mensagem.

(Bernardo) Estou na porta.

(Eu) Estou saindo.

Peguei a chave de casa coloquei na bolsa. Dei tchau para a minha família. Assim que abri o portão o vi. Bernardo estava encostado na lateral do seu carro, uma Pajero TR4 prata. Ele usava uma calça jeans preta com uma camisa preta, nos pés um all star preto. Até mesmo quando ele queria ser discreto Bernardo conseguia ficar mais lindo.

Quando me viu Bernardo me encarou sorrindo logo em seguida. –Cadê aqueles saltos gigantes? –Ele apontou para os meus pés.

-Não estava a fim de colocar.

-Eu também gosto de você assim, baixinha. –Ele disse a última palavra enquanto me abraçava.

-Eu não sou baixinha, Bê. – Eu tentei fazer cara de brava. Eu tinha 1,62 de altura.

Entramos no carro e seguimos rumo aos apartamentos. Bernardo me explicou que tinha marcado de encontrar três corretores. Cada apartamento ficava em uma parte da cidade. E ele rezava para achar logo um lugar definitivo para morar. Assim que Bernardo parou o carro, vimos que um senhor careca de barriga saliente nos esperava.

-Boa tarde. Eu sou o Gomes.

-Boa tarde, viemos dar uma olhada no apartamento.

-Tenho certeza que vocês dois vão amar. –Bernardo olhou para mim e deu um sorrisinho.

O apartamento ficava no quarto andar. Ele era completamente mini, os quartos eram minúsculos, a cozinha nem se fala. A sala não caberia muita coisa. A única coisa naquela história toda que não era minúscula era o aluguel. Por estar localizado perto da orla o valor do apartamento estava tão salgado quanto à água do mar.

-Muito obrigado, Sr. Gomes, por nos mostrar o apartamento, mas ele não faz o meu estilo.

-Mas vocês dois terão várias opções de lazer. –Ele falou. – Temos vários bares, restaurantes, pizzaria, shopping, além, é claro, de ser bem próximo da praia.

-Eu sei, mas realmente não faz nosso estilo. –Terminando de falar aquelas palavras o safado passou a mão nas minhas costas puxando o meu corpo para mais perto do seu, além disso, beijou a minha cabeça.

-Lamento, mas espero que vocês achem um apartamento que atendam todas as necessidades.

Quando chegamos a porta do carro eu dei dois tapas no braço do Bernardo. –Aí isso dói. –Ele disse em meio a um sorriso.

-Que história é essa de dar a entender que estamos juntos? –Eu coloquei a mão da cintura.

-E não estamos? Você estava lá comigo. – Fez graça Bernardo. Fato que o fez levar mais dois tapas. –Coitado dele Isa, o trabalho do cara já é estressante, deixa ele pensar que somos um casal apaixonado. Nunca mais o veremos novamente.

-Sei… –Eu não fiquei convencida daquela resposta.

-Vamos ver os outros apartamentos menina linda. –Ele disse isso enquanto segurava os meus ombros, terminando as palavras beijou a minha testa.

O outro apartamento era imenso. Tinha dois quartos grandes, dois banheiros, uma sala de estar e jantar. Mas não tinha varanda, e o bairro era muito distante da faculdade. Bernardo já tinha perdido as esperanças até que tudo mudou ao olhar o último apartamento que combinara naquele dia. Esse tinha quartos razoáveis, um banheiro, uma sala grande. Tudo bem que a cozinha era pequena, mas a varanda e o fato de ser perto da faculdade compensavam.

-É perfeito. –Ele disse. Então se virou para mim e perguntou. –Você gostou, Isa? –Parecia que a minha opinião era importante para ele.

-É incrível. Além disso, fica perto da minha casa. –Eu sorri.

-Eu fico com ele. –Bernardo falou para o corretor.

Quando saímos do condomínio resolvemos dar uma volta no parque que ficava próximo, já passava das cinco da tarde. Mas o céu continuava claro. Bernardo tirou do carro uma saída de praia, ou melhor, a minha.

-Não estar mais com cheiro de cerveja, eu a lavei.

-Muito obrigada, Bê. –Eu sorri.

Ele forrou a saída de praia depois foi até a barraquinha de comida que ficava a poucos metros de nós e comprou uma pipoca salgada e um algodão doce. Bernardo sentou ao meu lado e me entregou o algodão doce. Enquanto ele comia ficava me encarando.

-O que foi? –Eu perguntei enquanto colocava um bocado de algodão doce na boca.

-Eu gosto de olhar para a minha amiga. –Não sei por que mais eu acabei tirando um pedaço de algodão doce e colocando na boca dele.

-Hum isso está bom. –Ele falou enquanto pegava mais.

-Bê, todos os algodões doces têm o mesmo gosto.

-Não tem, não.

Quando terminamos de comer ele resolveu deitar, eu fiz o mesmo e tenho certeza que foi a melhor decisão. O céu estava com uma cor linda, eu amava o momento do crepúsculo. Eu encostei a minha cabeça no peito do Bernardo, ele ficou dedilhando o meu braço como se fosse um violão. Ficamos um bom tempo calado, foi aí que me veio à cabeça a pergunta que eu ainda não tinha feito a ele.

-Bê, por que você vai embora da casa do Vinícius?

-Eu moro lá de forma provisória. A minha família vai morar em Brasília. E eu não quero ir junto. Além disso, a minha casa será alugada e eu preciso de um lar.

-Buscando a liberdade, gostei.

-E você Isa, tem vontade de morar sozinha?

-Quero fazer intercâmbio antes, para depois morar sozinha.

-Aonde você pretende ir? – Ele parou de usar o meu braço com se fosse um violão.

-Meu sonho é estudar na Inglaterra.

Bernardo respirou como se estivesse aliviado. – Ufa, que susto. Eu também tenho vontade de estudar na Inglaterra. Quem sabe não estudaremos no mesmo lugar. – Ele beijou a minha cabeça e voltou a acariciar o meu braço.

Ficamos no parque por mais quinze minutos, mas infelizmente estava ficando escuro. Além disso, era muito perigoso. Mas se eu pudesse teria estendido ao máximo aquele momento.

TAL QUÍMICA – CAP. 12 – SAMILA BEZERRA

tal químicaDiga quem você é, me diga
Me fale sobre a sua estrada
Me conte sobre a sua vida
Tira a máscara que cobre o seu rosto
Se mostre e eu descubro se eu gosto
Do seu verdadeiro jeito de ser
Ninguém merece ser só mais um bonitinho
Nem transparecer, consciente, inconsequente
Sem se preocupar em ser adulto ou criança
O importante é ser você
(Máscara-Pitty)

Sabe quando você faz um curso na faculdade ou pensa em fazer, e mesmo sem estar formado a sua família e amigos próximos começam a dizer que você fará algo relacionado à sua especialidade para eles? Meio confuso isso, né? Exemplos: você é um estudante de nutrição, gente, não importa em qual período você estará sempre terá um parente pedindo uma receita para emagrecer. E se você faz direito, em algum momento da vida alguém vai pedir ajuda quando precisar resolver algo jurídico. Arquitetura não é diferente. Já ajudei muitas pessoas da minha família a fazer lembrancinha ou até mesmo painéis de aniversários. O fato de fazer arquitetura faz os outros pensar que nós somos excelentes com trabalhos manuais, mas nem sempre isso é verdade. Até mini projeto para casas eu já fiz. Confesso que estava bastante animada para projetar uma cozinha para a minha avó. Mas agora o assunto era bem diferente. A minha tia pediu para que eu fizesse um projeto de um closet para uma amiga dela. Gente, eu estou longe de me formar, além do mais, a cada minuto que passa eu fico lotada de trabalhos acadêmicos.  Mesmo sem querer eu acabei aceitando o desafio. Mas se eu soubesse que daria tanto trabalho teria desistido.

A Débora, a dona do futuro closet, era apaixonada por tudo que via nas revistas e nos perfis do Instagram relacionados à decoração. Acredita que ela veio me dizer que queria armários que cobrissem todas as paredes, além de uma ilha no meio do local. Ah! Tudo tinha que ser dourado e com muito glitter. Até aí tudo bem, mas não seria possível realizar tudo isso por alguns motivos. Primeiro: o espaço que seria o futuro closet tinha apenas 4 metros quadrados, eu tinha quase certeza que uma ilha seria algo impossível naquele espaço. Segundo: dourado com glitter? Eu tenho total consciência que é o cliente quem manda. Mas já imaginou daqui a algum tempo a Débora começa a se enjoar de tudo? Vai dizer que a culpa foi minha. Caberia a mim, fazer um projeto bacana, com o dourado que ela gostava, mas que não ficasse muito brega. Ah! É claro que eu iria cobrar pelo projeto, não muito, mas precisava ganhar algo com aquilo. Afinal de contas estava quebrando a cabeça para poder realizar o sonho da Débora de ter um closet.

Passei a madrugada inteira tentando fazer o projeto da Débora e acabei acordando tarde. Eu me arrumei em tempo recorde, mas precisamente em TRINTA minutos, durante esse tempo tomei banho, escovei os dentes e troquei de roupa, falando em roupa, não tive tempo nem de fazer uma combinação bacana como eu estava acostumada a fazer nos últimos tempos. Mas hoje foi diferente, coloquei um vestido longo florido com uma rasteirinha dourada. Para cobrir as minhas olheiras nada melhor do que uns óculos de sol. Até que não ficou ruim. Viva ao estilo Boho Chic.

Para vocês terem noção de como eu estava atrasada, o meu irmão me deu uma carona, o que era um milagre. Ele detestava pegar a rota que era caminho para a faculdade, mas acho que ter mais dois filhos amoleceu o seu coração hoje.

Graças a Deus as aulas passaram voando, eu estava sentada na lanchonete ora comendo um sanduíche ora lendo o livro, Elena a filha da princesa da escritora Marina Carvalho. Estava tudo movimentado, a galera conversava até que surgiu dois rostinhos super conhecidos, Marcela e Vic, que pareciam estar super empolgadas com a conversa. Pelo menos posso garantir que a Marcelinha estava.

As duas puxaram cadeiras e sentaram, elas traziam dois panfletos informando que haveria uma feira de tatuagem. Taí, uma coisa que eu sempre tive vontade de fazer, mas acabava arrumando uma desculpa. Marcela ficou bastante animada, ela queria fazer pássaros negros perto do ombro.

-Isa, vamos vai ser incrível!

-Você vai fazer a tatoo, né?

-Sim. –Ela estava feliz da vida. –Você também, né?

-Não sei Marcelinha. –Eu falei. –Não conheço o trabalho dos caras.

-Eles vão arrebentar. Eles são fodas.

-Quem são fodas? –Disse Cecília acompanhada de Vinícius, um pouco atrás estava o Bernardo que tinha sido abordado pela Jéssica, uma estudante de engenharia que adorava ser cortejada pelo público masculino.

-Os tatuadores que vão nesse evento. Você também vai com a gente, né Cecília?

-Vocês vão se tatuar? –Perguntou Vinícius.

-Sim. Disse Marcela.

-Não. –Eu falei. Nesse momento Bernardo puxou uma cadeira e sentou ao meu lado, virou para mim e perguntou:

-Você não tem coragem, Isa?

-Eu tenho, mas eu não conheço o trabalho deles.

-Entendo. Eu só fiz as minhas tatuagens com um cara que eu conheço e confio bastante. Se vocês quiserem eu posso leva-las lá.

-Valeu Bernardo, mas eu não quero esperar.

-E você, Isa? –Ele perguntou enquanto folheava o meu livro que estava na mesa.

-Não sei, Bê.

Conversávamos sobre as tatuagens que queríamos fazer. Cecília e Vic não tinham coragem de fazer. Vinícius queria uma tribal na perna, já Bernardo sonhava em fechar o braço. Assim como nós, a galera de engenharia estava lotada de provas para fazer. Uma delas ocorreria em uma semana. Sendo assim, já saberíamos o motivo do sumiço da Cecília, não sei nem se ela iria conosco comemorar o aniversário da Vic. Minha amiga sempre foi assim, poderia tirar um seis em português (apesar de que ela só faltava morrer quando isso acontecia). Agora, não ficar com média dez em matemática, isso não podia. Minha amiga sofria horrores para gabaritar a prova. Eu gostava de cálculo, mas o que a Cecília sentia era amor.

Eu admirava muito a minha amiga, ela passava várias noites em claro estudando para as provas, e o seu esforço fez com que ela passasse de primeira em todas as matérias de cálculo que ela tinha pagado até agora. Já eu sempre fui muito insegura, quando fazíamos prova em dupla sempre sobrava para a Cecília pegar o resultado.

-Planeta terra chamando. –Disse Bernardo em meu ouvido.

Eu sorri. –E você, Bê, já começou a estudar para as provas?

Vinícius começou a rir. –E ele estuda? Parece mais que tem um computador na cabeça. O cara é fera!

-Fazer o que. –Bernardo deu um sorriso torto. –Mas eu vou estudar um pouco hoje.

-Bernardo eu tenho raiva de você. –Disse Cecília.

-Só você? –Brincou Vic.

Quando olhei no relógio vi que mais uma vez naquele dia eu estava atrasada. Precisava imediatamente ir à casa do Gael, ele e a Alice iriam me ajudar com o projeto closet.

-Gente, preciso ir. –Levantei para abraçar cada um deles.

-Você terminou o projeto do closet? –Perguntou Cecília.

-Vou ver se faço isso agora com o Gael e a Alice.

-Boa sorte, arquiteta. –Disse Bernardo enquanto me abraçava.

-Ainda estou longe de ser. –Eu sorri.

-Beijos. –Eu falei para todos.

Fui correndo para a casa do Gael, como disse, ele e Alice me ajudariam com o projeto closet. Eu estava tão apressada que nem passei em casa. Sério, eu não via a hora de terminar logo tudo aquilo. Assim que cheguei a casa dele, Alice não perdeu tempo e começou a analisar. Todos nós estávamos cheios de trabalho para fazer, ela estava sendo uma fofa em ceder um pouco do seu tempo para me ajudar.

-Isa, eu gostei desse projeto, você respeitou as necessidades do cliente. –O projeto que eu tinha desenvolvido para Débora consistia em dois armários opostos, em frente à porta ficaria um penteadeira onde ela se maquiaria, além disso, o local continuaria recebendo iluminação já que teria uma linda janela de correr na mesma parede da penteadeira. Como eu sabia que ela queria cores fiz todos os armários na cor branca, mas por cima eles receberiam adesivos em formato de bolinhas, eles seriam dourados. Não sei se ela gostaria, mas no meu projeto fiz a sugestão de colocar um lustre de teto lindo.

-Que bom que você gostou Alice.

-Deixa eu ver. –Gael pegou o projeto e começou a analisar.

Ele analisava detalhe por detalhe até que o meu celular resolveu dar sinal de vida. Adivinhe quem era!

(Bernardo) Está fazendo o que?

(Eu) Projetos

(Bernardo) A tatoo é um deles?

(Eu) Não seu bobo, quer dizer, não agora.

(Bernardo) Eu sei que você não está fazendo a tatoo. Está trabalhando no closet ainda né?

(Eu) Estou sim. Por que da mensagem então?

(Bernardo) Estava com saudades de conversar com a minha menina linda.

(Eu)  🙂

(Bernardo) Vou deixar você trabalhar. Se cuida. Beijos menina linda.

(Eu) Você também menino lindo. Bjs.

Eu estava tão envolvida com as mensagens que nem percebi quando o Gael começou a falar. Só notei depois que ele me cutucou e disse algo que eu não queria ouvir.

-Isa, o seu projeto está uma porcaria.

Oi? Eu passei um bom tempo planejando tudo aquilo, para agora ele chegar e dizer isso. –Por que Gael?

-Agora você escuta? –Ele falou. –Ele está ótimo. Eu falei isso várias vezes, mas você não desgruda desse celular.

-Vai ver ela está falando com o namorado. –Disse Alice.

-O Bê não é meu namorado. –Eu falei rapidamente.

-Eu sabia que era o Bernardo. –Disse o Gael.

-Mas vocês ficaram na festa. –Alice falou.

-Eu não acredito que a Marcela e a Cecília falaram para vocês. –Eu fiquei um pouco irritada.

-Não foram elas, e sim a Jéssica que viu vocês se beijando perto da piscina. –Alice contou. Então era por isso que aquela garota estava tão estranha comigo, não que ela fosse minha amiga, nunca fomos, mas ela estava distante, mas ao mesmo tempo ficava nos rondando.

-Mas é bom saber que a minha amiga não confia em mim. –Alice estava chateada.

-Nem em mim. –Gael também estava muito chateado.

-Ei, eu confio nos dois. Só a Marcela sabia, e depois eu contei para a Cecília porque ela desconfiou e me perguntou, só isso.

-E por que você não contou para a gente? –Gael queria saber.

-Porque a gente só ficou uma vez, isso não aconteceu de novo. O Bernardo é só meu amigo.

Achei que aquele assunto estava encerrado, sentei no sofá para guardar a cópia do projeto, estojo e celular na bolsa, quando o Gael veio atrás de mim. Tenho certeza que para o meu amigo a conversa estava apenas no início.

-Isabelle, sinto muito, mas o Bernardo não te ver com amiga nem aqui nem na China. Tenha santa paciência. Vocês ficaram e age o tempo todo como se fossem namorados. –Ele disparou.

-Não agimos não. –Eu rebati.

-Porra, Isa. É claro que agem. Qual o problema de assumir que vocês se gostam. Tanto na pizzaria como na praia vocês agiam como um casal apaixonado.

-Gael, eu já falei, o Bernardo é só meu amigo. –Eu duvidava das minhas próprias palavras.

-Eu também sou e você nunca agiu comigo daquela forma, nem mesmo com o Oscar que foi seu namorado.

-Então é isso, você está com ciúmes. –Eu falei.

-Claro que não Isabelle. Porra! –Ele passou a mão pelos cabelos do jeito que fazia quando estava bravo. –Só não quero que você sofra. Porque quando esse menino arranjar uma namorada, essa amizade colorida vai acabar rapidinho.

Eu encarei o Gael por aproximadamente dez segundo. Ok, ele queria o meu bem, mas o que eu menos queria agora na minha vida era que alguém falasse para eu ter cuidado com uma amizade principalmente quando ela estava me fazendo tão bem. Peguei a minha bolsa e me levantei.

-Muito obrigada aos dois por terem analisado o meu projeto. Tenham uma boa tarde!

Eu estava quase na porta quando Alice falou:

-Isa, não fica assim, a gente só quer o seu bem.

-Deixa ela. A Isa sabe o que faz. –Eu notei a mágoa na voz do Gael.

Eu sai antes que eles percebesse que eu estava chorando. Caramba, por que o Gael falou aquelas coisas? Se a minha amizade com o Bê estava uma bagunça, tudo bem, era a nossa bagunça. Eu estava amando ser só a amiga dele. Mas não poderia negar que se visse o Bê com alguma namorada nossa relação não seria mais a mesma. Apesar de ter falado várias coisas que me chatearam, eu tinha plena noção que o Gael estava certo.

TAL QUÍMICA – CAP. 10-11 – SAMILA BEZERRA

tal químicaFoi em busca de uma vida feliz
Atrás do que eu sempre quis
A vida na bera do mar, uoooo
Na bera do mar
Vou pegar minha coisas
E vou me embora do Hawaii
To de saidera e você também vai
Dentro da mochila levo o teu coração
E entre meu braços mais a prancha e o violão
Quero no caminho agarrar a emoção
Deslumbrar no sonho
Mergulhar nessa paixão
(Caminho do Hawaii-Vitor Kley)

MENSAGENS NO WHATSAPP:

(Vic) Bom dia! Boas notícias, consegui uma casa para passarmos a quinta-feira.

(Gael) Uhu!!! Essa quinta-feira promete.

(Marcela) Promete mesmo. Depois de praticamente nos matar com aquela maquete, merecemos descanso.

(Eu) Nem me lembre dessa maquete do mal Marcelinha.

(Vic) Por favor, não falem de maquete. Quase perdi a minha mão para fazê-la.

(Marcela) Assunto encerrado. Rsrs.

(Bernardo) Falou tudo Gael. Quero saber como será o meu feriado.

(Vic) Seguinte, minha tia irá para a casa de praia somente na sexta à tarde. Podemos passar a quinta-feira inteira lá, dormi na casa para voltar na sexta de manhã.

(Gael) Galera levem o protetor e o colchonete porque esse feriado vai entrar para a história

CAPÍTULO 11

Linda!
Lá na areia!
Menina na beira do mar vira sereia
Linda!
Lá na areia!
Menina que entra na roda é capoeira
Vou pegando a saideira,
Eu já fiz minha cabeça,
E hoje tá quebrando a vala,
Por incrível que pareça.
O vento virou,
O céu se abriu
E o mar ajeitou
Vou voltar no meio dia,
Tá na areia meu amor!
(Pegando a saideira-Armandinho)

 

Minha casa estava uma verdadeira bagunça, meus sobrinhos eram tão perfeitos que nem foi preciso que eles ficassem internados no hospital. Isso era maravilhoso! O único problema é que eles choravam o dia inteiro. Enquanto meu irmão não terminava de arrumar a nova casa (que ficava na mesma rua que a minha) fiz questão de dividir o meu quarto com a Bianquinha.

Finalmente tinha chegado o feriado de 27 de agosto (dia da Padroeira de Maceió). Eu e galera tínhamos combinado de passar o dia inteiro em um dos lugares mais perfeitos que existia a cidade de São Miguel dos Milagres. Eu não seria a única que aproveitaria o feriado, Bianca iria para uma fazenda com a mãe e a irmã de Letícia. Eu sabia que a minha cunhada estava feliz da vida ao saber que a filha se divertiria. Depois de passar quinze minutos tentando me levantar da cama, eu fui direto para o banheiro. Tomei um bom banho, depois coloquei o biquíni. Preparei a minha mochila, com apenas pijama, uma muda para voltar para casa no outro dia, minha nécessaire, toalha e é claro calcinhas. Ah! Preparei também minha bolsa de praia. Passei na cozinha para filar a boia da dona Elena. Tomei um delicioso suco de laranja com um bom pedaço de bolo. Depois de escovar os dentes fiquei esperando a Marcela que me daria carona.

Não demorou muito para a minha amiga chegar, ao contrário de mim que só estava levando uma mochila, ela estava com uma bolsa bem maior. Às vezes invertíamos os papeis.

-Bom dia, Marcelinha. –Eu a abracei.

-Bom dia, Isa. –Ela deu partida rumo à praia. –Finalmente um feriado.

-Nem me fale. A faculdade e a minha família estão me deixando com os cabelos brancos.

-Mas você tem sorte por ter aquelas três coisinhas lindas.

-Eu sei. –Nós rimos.

Assim que chegamos à praia avistamos o pessoal. Cecília estava sentada conversando com Vinícius, Bernardo estava na beira da praia encarando as ondas. Enquanto isso, Gale e Vic tiravam selfs. Eu e Marcela corremos para falar com eles.

-Oi, gente. –Eu falei e comecei a abraçar cada um deles.

-Oi, pessoas lindas. –Marcela também os abraçou.

Sabe catálogo de roupa de praia? Então essa galerinha aqui deixava qualquer catálogo no chinelo. Os meninos arrasavam nas bermudas, as meninas nos biquínis. E os óculos, um mais lindo que o outro. Antes que vocês estejam se perguntando, hoje eu tinha optado por usar um biquíni tai dai com variações da cor verde. O soutien era de bojo, já a calcinha era de lacinho. Mas eu estava usando um short jeans claro rasgado. Meus óculos eram daqueles modelos que estava na moda, mais arredondados e era espelhado na cor prata.

-Vamos tirar fotos. –Disse Gael que já foi fazendo cliques nossos.

-Não Gael, deixa para mais tarde. –Eu olhei na direção em que o Bê estava. –Vou dar um oi para o Bernardo.

-Sei. –Disse Gael que na mesma hora ganhou um tapa de Marcela.

Eu caminhei em direção a ele, Bernardo estava com uma bermuda de nylon preta, sua costa larga se encaixavam perfeitamente com o cenário. Quando me aproximei mais pude reparar nas tatuagens que ele tinha nas costas e nos braços. Ele tinha uma pena muito linda que era sombreada nas costas, uma frase no braço direito e um triangulo no esquerdo. Aos poucos ele foi se virando, sua testa estava franzida por causa do sol. Mas seus olhos verdes brilharam a me ver, ele abriu um lindo sorriso, mostrando suas lindas covinhas.

-Menina Linda! –Ele foi logo me abraçando. Meu Pai celestial, que abraço foi aquele? O danado ainda por cima cheirou o meu pescoço. –Que cheiro bom.

-Olha só quem fala. –Eu não queria soltar o Bernardo.

-Até para vir a uma praia a senhorita arrasa, né menina linda.

-E você, menino lindo, não fica muito atrás quando o quesito é produção.

-A diferença é que eu demorei uns cinco minutos para trocar de roupa. Acho que você levou muito mais tempo que isso.

-Acertou. –Nós começamos a rir.

Viramos em direção ao mar, mas a mão de Bernardo continuava pousada nas minhas costas, minha cabeça estava encostada em seu peito, e a sua outra mão entrelaçada a minha. Muito confuso tudo isso né? Que mar era aquele! Maceió tinha várias praias lindas, mas eu estava apaixonada por aquela prainha que estava super deserta. Acho que passamos uns dez minutos sem conversar só sentindo a calmaria que o mar nos trazia. Bernardo era o que mais parecia aproveitar aquela calmaria, sei lá era como se ele e o mar tivessem uma forte ligação.

-Bê, desculpa a ignorância, mas por que você está admirando tanto o mar?

Ele olhou para mim e me deu um sorriso carinhoso. –Não precisa se desculpar, Isa. Eu estou estudando as ondas, quero surfar um pouco.

-Que irado, Bê! –Eu falei. –Eu sempre fui louca para aprender a surfar, mas nunca conheci ninguém que soubesse.

-Agora conhece. –Ele abriu um sorriso enorme todo convencido. –A senhorita quer surfar comigo? –Ele perguntou com uma voz envolvente.

-Assim né, hoje eu não vou conseguir achar um professor bom, então me contento com você mesmo.

-Como é que é, dona Isabelle? –Ele começou a fazer cosquinhas em mim. –Repete o que você disse.

-Você é o melhor professor de surfe e o melhor surfista do mundo. –Eu falei entre os risos. –O Medina, o Felipe Toledo, Alejo Muniz e os outros surfistas perdem feio para você. Melhorou?

-Melhorou. –Ele parou de fazer cosquinha em mim e me deu um beijo na testa. –Vamos sentar um pouco. –Era automático os nossos dedos já estavam entrelaçados.

Quando sentamos com a galera Vinícius não perdeu tempo e começou a nos zoar.

-Pensei que vocês iriam admirar o mar para sempre. –Ele falou com muita ironia.

-Estava dando uns toques a Isa. Vou ensiná-la a surfar. –Bernardo sentou na saída de praia que eu tinha acabado de forrar.

-Isa, você sempre quis aprender a surfar. –Falou Marcela. –Agora chegou a hora.

-Né isso, Marcelinha. –Eu comecei. –Daqui a pouco vou competir nos grandes campeonatos de surfe. –Nós começamos a rir.

-Que galera morgada! –Começou a reclamar o Gael. –Essa praia já é deserta, e ninguém coloca uma música.

-Coloca alguma aí no celular. –Falou Bernardo.

-É isso mesmo que eu vou fazer.

Meu amigo tirou da mochila uma caixinha de som portátil que se conectava ao celular. Isso com certeza era um de vários objetos eletrônicos que ele tinha trazido dos EUA. Gael tinha várias músicas no celular, muito mais que qualquer um ali. Ele era bem eclético, mas acho que ele estava com saudades do forró, e acabou selecionando uma playlist que tocava vários forrós que eu conhecia e desconhecia.

-Agora sim. –Ele se animou e foi logo abrindo uma cerveja.

-Gente vai ter uma festa bem legal na boate Liberdade, vão tocar somente música eletrônica. Vamos. –Vic nos convidou.

-Não sou fã de ficar escutando a batida do eletrônico. –Eu falei.

-Eu topo. –Disse Gael.

-Meu amigo, me diga o que você não topa. –Brincou Marcela.

A galera estava cansada de ficar sentada sem fazer nada, então pegaram a bola, que Vic trouxe e foram brincar de sete cortes. Nunca fui muito boa nessas brincadeiras, sério eu sou um desastre. Sabe o tipo de aluno que sempre é o último a ser escolhido na educação física? Então, eu faço parte desse seleto grupo. Apesar de não me dar bem com os esportes, eu sempre amei assistir futebol (isso vocês já perceberam) e todos os outros esportes. Menos formula 1. Alguém por favor, me explica qual é a graça de ficar vendo os mesmos carros dando as mesmas voltas só para ver quem depois de “milhões” de voltas chegará em primeiro lugar. Esse esporte não é para mim. Voltando ao início do assunto, eu não era muito boa com esportes, até mesmo com essas brincadeiras onde não podemos deixar a bola cair. Mas o meu problema maior sempre foi com o queimado não gosto nem de lembrar. Como meus amigos estavam se divertindo, resolvi escolher a minha playlist particular, coloquei várias músicas do Armandinho e do Manitu para tocar no celular. Coloquei os fones de ouvido e deitei na saída de praia.

Sabe quando você acaba se desligando do mundo? Sou a rainha desse negócio. É só fechar os olhos que eu começo a viajar, pode ser com ou sem música. No caso de agora era com. Escutei algumas músicas do Armandinho que eu mais amava, gente são muitas as minhas músicas preferidas dele, mas se tocar Sentimento, Outra noite que se vai, Eu juro, Sol loiro e é claro Casa do sol, já estou feliz da vida. Terminada a minha sessão músicas do Armandinho começou a tocar as do Manitu, já estava no finalzinho de última cena quando tive aquela sensação de que alguém me vigiava. Senti uma mão morninha tocar no meu ombro. Ao abrir os olhos eu só fiz confirmar as minhas suspeitas.

-Cadê o pessoal? –A última vez que os vi eles jogavam bem pertinho de onde nós estávamos.

-Foram jogar mais para lá. –Bernardo apontou na direção em que eles estavam.

Ao se deitar ao meu lado Bernardo perguntou. –Posso? –Ele se referia ao fone de ouvido.

-Claro. –Ele colocou o fone justamente quando começou a tocar a música Menina mulher.

Bernardo acariciava o meu braço enquanto cantava baixinho. Ah! Ele não parava de olhar para mim. Aquilo estava me torturando. Quando a música terminou, ele me puxou. –Vamos surfar, menina linda.

Eu sorri e lá fomos nós fazer o treinamento na areia. É óbvio que eu não peguei as melhores ondas, isso aconteceu por basicamente dois motivos. Primeiro: a praia que fomos não tinha altas ondas. Segundo: Eu mal fiquei em pé na prancha. Mas foi maravilhosa toda aquela sensação. Agora eu começava a entender de onde vinha tanta inspiração para tantas músicas que tinha o mar como tema. Depois de me divertir bastante resolvi parar. Pelo menos naquele dia.

-Mandou muito bem, Isa. –Disse Bernardo enquanto me abraçava. –Agora, eu vou brincar de surfar um pouco. –Ele se referia as pequenas ondas que nós tínhamos ali.

-Aproveita porque agora você é o meu professor particular. Isso que estou te dando é uma folguinha, não se acostuma não, moleque.

Sabe aquelas risadas gostosas? Foi a que Bernardo deu antes de me falar. –Pode deixar à senhorita manda.

Enquanto ele surfava Gael, Vic e Vinícius foram até a casa da tia da Vic. Eles queriam comprar uns alimentos que estavam faltando, além de escova de dente, que o gênio do Vinícius se esqueceu de trazer. Já eu fiquei aproveitando a companhia das melhores amigas do mundo, nós três deitamos na saída de praia e começamos a fofocar.

-Dona Isabelle a senhorita está tendo algo com o meu colega de classe? Gente a Cecília era o tipo de amiga que fazia as perguntas na lata.

-Não. –Eu falei imediatamente. Mas sabe como é a dona Marcela não conteve o riso.

-Certeza? Então por que a Marcela está rindo? Fala a verdade. Pensei que era a sua amiga, mas você me esconde tudo. –Começou a sessão drama.

-A gente ficou na festa do Gael, mas só foi isso.

-Por isso. –Cecília disse. –Eu sabia. O Bê está muito mudado, não está ficando com as meninas.

-Que meninas? –Eu queria saber. Mais uma vez a Marcela começou a rir. –Para Marcela!

-Você está com ciúmes, dona Isa. –Brincou Marcela. –Você disse que não queria nada sério, só amizade.

-Ele é só meu amigo, mas…

-Mas…? –As duas falaram ao mesmo tempo.

-Ele é um amigo diferente. Ele me faz bem e também me protege.

-Então fica com ele Isa. –Disse Cecília.

-Meninas, eu tenho medo de sofrer, não quero cometer os mesmos erros. E como eu já falei para a Marcela, estou gostando de aproveitar a minha solteirice.

-Se você acha isso. Mas que seria o máximo ver vocês dois namorando seria. –Disse Cecília.

-Ei! Cecília me conta um pouco sobre o seu namoro com o Vini. Ele já te pediu em namoro né? –Eu queria saber.

-Ai meninas, eu estou apaixonada! –Ela suspirou. –Eu sempre tive medo de me envolver com alguém, mas o Vini é diferente. Eu amo a companhia dele, amo as piadas dele, amo os beijos dele. Sério, o Vinícius é completamente diferente dos outros garotos que eu já fiquei. Acho que o meu coração resolveu que agora é a hora certa para gostar de fato de alguém.

-Cecília eu fico tão feliz de ver que você está apaixonada. –Começou Marcela. –Espero que vocês sejam muito felizes juntos, e ai do Vinícius pisar na bola com você. Eu dou na cara dele. –Ela finalizou.

-Acho que não será preciso, Marcelinha, mas se ele fizer isso eu te ajudo a quebrar a cara desse flamenguista.

-Não será mesmo, esqueci que ele tinha bom gosto. –Era só falar do Flamengo que a dona Marcela ficava feliz. –Quero ser a madrinha desse casamento.

-Eu serei a madrinha. –Eu falei. –Eu ganhei esse direito a partir do momento que fui OBRIGADA a assistir ao jogo com vocês.

-Caso eu me case vocês duas serão as madrinhas. Não se preocupem. –Falou Cecília.

-Acho bom. –Disse Marcela. –Mas só acho que a Vic e a Alice vão querer ser também.

-Todas vocês serão. Mas primeiro eu vou aproveitar o início do meu namoro. –Ela tinha um lindo sorriso na cara.

-Amiga, você merece toda a felicidade do mundo. –Eu falei.

-Own esse momento pede um abraço coletivo. –Falou Marcela que logo em seguida foi nos puxando para um abraço que rolou até lágrimas. Eita bando de meninas chorosas.

Depois de almoçarmos, lembrando que já se passava das quatro horas da tarde. Fizemos uma roda, Marcela pegou o seu violão preto e começou a tocar a música Sol do Jota Quest.

Ei dor…eu não te escuto mais,

Você, não me leva a nada.

Ei medo…eu não te escuto mais,

Você, não me leva a nada.

E se quiser saber pra onde eu vou,

Pra onde tenha sol, é pra lá que eu vou

E se quiser saber pra onde eu vou,

Pra onde tenha sol, é pra lá que eu vou

Eu estava sentada entre Marcela e Cecília escutando a música e relembrando a nossa pré-adolescência. Nós nos conhecemos na quinta série todas nós tínhamos medo do desconhecido. Alice era a minha vizinha, na época se juntou logo ao grupo, e mesmo estando uma série a mais que nós, ela começou a fazer parte do quarteto fantástico. Gael entrou nas nossas vidas no nono ano, não foi difícil virar amiga dele. Quando pensávamos que o grupo já estava completo conhecemos a Vic na faculdade, mas a impressão que eu tenho é que nos conhecemos há séculos. Apesar das nossas diferenças, éramos bastante unidos.

Quando a música acabou Marcela me passou o violão, ela tinha mania de fazer aquilo. Eu tentei aprender a tocar com ela, mas nunca tive coordenação suficiente para fazer isso. Ela insistia para que eu pegasse o violão, mas eu tentava resistir.

-Isa, toca um pouco. –Ela usava aquela voz de convencimento que sempre dava certo.

-Não, Marcela. –Eu falei. –Faz tanto tempo que eu não toco. Desaprendi total. –Tentei sorrir.

-Papo furado, dona Isa, você sabe sim. –Disse Cecília.

-Gente, eu não lembro, eu juro. –Tentei me defender.

-Isa, você se lembra de tudo. –Falou Gael.

Meus amigos eram um bando de traidores.

-Vou passar vergonha. –Vinícius e Bernardo não paravam de rir. –Ei parem de rir da minha desgraça. –Eu brinquei.

Marcela desistiu de me entregar o violão, então começou a dedilhar. Eu aproveitei o momento e me levantei, precisava de algo que servisse como cobertor. Aquela blusa fininha que eu estava usando não bloqueava o frio que eu sentia.

-Para onde você vai? –Perguntou Vic.

-Pegar algo mais quente. Estou com frio.

-A canga molhou de cerveja. –Disse Vinícius. –Mas já deve ter secado.

-Prefiro ficar com frio. –Eu tinha nojo de cerveja.

Bernardo ficou me encarando. Ele cochichou algo com Vinícius que foi para o lado de Gael, deixando um espaço vazio perto do Bernardo.

-Isa, senta aqui. –Bernardo me chamou.

Eu sentei ao lado dele que imediatamente passou a mão em minhas costas, puxando o meu corpo o máximo que conseguia para ficar colocado com o seu. A outra mão dele estava entrelaçada na minha, acho que isso já tinha se tornado um hábito comum nas nossas vidas.

Marcela começou a tocar Refrão de um bolero. Eu amava aquela música e ter aqueles braços ao meu redor tornou-a mais especial ainda. Depois de cantarmos mais umas três músicas fomos embora. Pretendíamos ir para casa bem cedo.

E foi o que fizemos por volta das dez da manhã todos já estavam bem acomodados nos carros dando um até logo para aquela praia linda que eu tinha me apaixonado.

TAL QUÍMICA – CAP. 09 – SAMILA BEZERRA

tal químicaÓ, mãe, ó mãe natureza,
Ela tem a beleza
Que a mãe natureza criou
Ó, mãe, ó mãe natureza,
Ela tem a pureza
Que todo moleque sonhou
Ai meu Deus,
Olha a beleza daquela menina,
Dançando descalça
Na areia ela nem imagina,
Que o tempo parou,
Naquele instante
Meu peito apertou
No meu coração
Que era pedra nasceu uma flor
(Mãe natureza-Armandinho)

Continuávamos esparramados no sofá assistindo ao filme da Matilda. Acho que eu já tinha decorado todas as falas. Sério! Aquele era um dos meus filmes favoritos. Ele estava quase no fim quando o meu celular começou a tocar. Mas, por estar tão envolvida com a estória nem escutei o toque.

-Isa, é impressão minha ou em algum lugar dessa casa estar tocando a música última cena do Manitu? –Bernardo me perguntou.

-Meu celular! –Praticamente eu dei um pulo e fui até o quarto onde eu tinha o deixado para carregar. Era meu pai quem estava ligando.

-Oi, pai.

-Isa os seus sobrinhos nasceram. –Pela voz percebi que ele estava emocionado. –São lindos!

-Pai, que noticia boa! Eu estou indo para o hospital imediatamente.

Eu fiquei tão feliz que fui gritando e pulando para a sala querendo desesperadamente contar a novidade.

-Bianquinha, você é oficialmente a irmã mais velha do momento! –Eu gritei. –Uhu!!!

Bernardo entrou no clima e foi logo colocando Bianca no braço a segurando como se ela fosse um troféu.

-Parabéns, Bianquinha! –Ele falou.

-Eu quero conhecer os meus irmãozinhos. –Ela foi logo dizendo. –Vamos para o hospital, tia Isa. –Não parou por aí. –Tio Bernardo, você também vai conhecer os meus irmãozinhos?

Ele me olhou e sorriu. –Eu posso, tia Isa? –Ele falou de um jeito todo carinhoso.

-Claro Bê. –Eu não conseguia disfarçar o sorriso que insistia em ficar no meu rosto.

-Eu levo vocês então. –Ele disse.

-Bê espera só um pouquinho, eu vou trocar a roupa da Bianca. –Eu falei. –Vem Bianquinha.

Se vocês acham que eu era exigente quando o assunto era moda é porque vocês não conhecem a Bianca. Ela fez questão de usar um vestido rodado vermelho que a minha mãe comprou para ela no natal. Bianca tinha colocado na cabeça que só o usaria em dias importantes. E sem dúvida nenhuma hoje era mais do que importante.

Fomos o caminho inteiro cantando várias músicas infantis, Bianca puxava o coro, mas o que realmente me surpreendeu foi que Bernardo sabia todas as letras. Eu não conseguia parar de rir, se somente com a Bianca a minha casa já vivia em festa, imagina com mais dois? Ela se pendurava em nós dois enquanto dava vários pulinhos. Tudo estava indo muito bem até que eu avistei a pessoa que eu menos queria ver: O Oscar.

Ele vinha em nossa direção, estava acompanhado da irmã (que era muito amiga de Letícia) Apesar de não querer falar com ele, precisei fazer isso por causa de alguns motivos. Primeiro a Bianca soltou a nossa mão e foi falar com eles. Segundo eu odiava o Oscar, mas a irmã dele, a Daniela, não poderia levar a culpa por causa das babaquices do irmão.

-Oi, Isa tudo bem? –Ela perguntou. Eu tenho certeza que aquela saia justíssima não era só minha.

-Oi, Dani tudo ótimo e com você? –Retribui a gentiliza.

-Estou ótima! Seus sobrinhos são lindos! –Ela estava meio sem graça.

Não sei o porquê, mas resolvi fazer todas as apresentações. –Dani e Oscar esse é o Bernardo e Bê esses são a Dani e o Oscar.

-Muito prazer. –Todos se cumprimentaram.

-É melhor a gente ir. –Disse Oscar. Mas antes abraçou a Bianca. –Tchau princesinha.

Assim que eles saíram segurei a mão do Bernardo que imediatamente entrelaçou seus dedos nos meus. Bianca, que era a felicidade em pessoa, foi andando em nossa frente. Mas assim que avistou a nossa família saiu correndo. Caio pegou a filha e a colocou no braço. Ele chorava horrores.

Eu e Bernardo admirávamos aquela cena quando do nada a minha mãe chegou.

-São tão lindos! –Ela não parava de admirar Bernardo. Eu sabia muito bem o que se passava na cabecinha da dona Elena.

-Mãe esse é o Bê.

-Fico muito feliz de conhecer o famoso Bernardo. –Ela teve o atrevimento de falar isso. O que fez com que aquele safado desse um sorrisinho.

-Eu que fico feliz de conhecer a senhora.

Ele soltou minha mão para cumprimentar minha mãe. A sensação de não ter a mão dele na minha era bastante estranha. Minha mãe fez questão de nos acompanhar até o berçário. Mas, não ficou lá conosco já que seu celular começou a vibrar.

Assim que vi os meus sobrinhos eu comecei a chorar. Eles eram tão fofos e delicados. Davi e Pedro eram os meninos mais lindos da maternidade. Os dois tinham os cabelos bem preto, igual ao do meu irmão. Minha mãe antes de nos deixar ali sozinhos nos disse que eles tinham mãos imensas, provavelmente tinham puxado as de Letícia. Se eu pudesse passaria todo o meu tempo admirando os dois. Só de pensar que aqueles dois iriam passar por todo o estágio que eu pude acompanhar quando foi a vez da Bianca, de ver os primeiros sorrisos, escutar as primeiras palavras, vê-los andar e ainda mais me chamar de tia Isa fez com que eu chorasse mais ainda.

Percebendo o meu estado Bernardo me puxou para um abraço e deu um beijo em minha testa. –Parabéns titia, seus sobrinhos são lindos! –Ele falou praticamente no meu ouvido.

-Bê, até ontem eu era a menininha da casa. –Eu fiz beicinho. –Agora eu tenho três sobrinhos.

Bernardo não conteve o riso e me abraçou mais forte ainda. Ficamos naquela posição durante um bom tempo até que quando olhei para o corredor vi Marcelinha se aproximando. Ela me deu um sorrisinho cumplice.

-Marcelinha, eles são tão lindos. –Eu falei quando ela chegou até onde nós estávamos.

Own Meu Deus, eles são tão lindos! –Ela falou com uma voz fofa. –Sua sortuda os terá no quarto ao lado.

-Pode ficar com eles eu não ligo. –Eu falei brincando, imagina se eu me separaria deles.

Cecília, Vinícius, Gael, Vic, André e Alice também foram visitar os meus sobrinhos. Aqueles dois eram muito sortudos. Além de receber tantas visitas, ganharam presentes da galera que fizeram questão de comprar ursinho e outros bichinhos fofos de pelúcia.

Eram dez horas da noite quando nós resolvemos ir até uma pizzaria. Além de aproveitar a sexta-feira, iríamos comemorar o nascimento dos meninos. Minha mãe e meu pai levaram Bianca para casa, Caio seria o único a dormir no hospital.

A pizzaria como previsto estava cheia, mas conseguimos uma mesa que comportasse todo mundo. Não sei se foi pelo fato de passarmos a tarde inteira juntos, mas fiz questão de sentar ao lado do Bernardo, do meu lado esquerdo sentou Marcela. Nós conversávamos sobre as provas, os resultados do futebol do meio da rodada, até que entramos no assunto feriado.

-O que nós iremos fazer no dia 27 de agosto? –Perguntou Vinícius.

-É feriado nesse dia? –Perguntou Cecília.

-É sim. É dia da Padroeira de Maceió. –Eu falei. –O bom é que cai em uma quinta feira e segundo informações quase tudo certo para imprensar na faculdade.

-Vai imprensar sim. –Comemorou Vic. –Já me informei.

-Só acho que deveríamos ir à praia. –Disse Gael. –Estou com saudade do nosso litoral.

-Ótima ideia Gael. –Disse Marcela.

Os únicos que pelo visto não iriam nos fazer companhia seria a Alice e o André que aproveitariam para descansar na chácara da família dele. Em certo momento Bernardo que estava com o braço na minha cadeira, resolveu apoiá-lo em mim. Ele fazia movimentos circulares no meu ombro e eu juro aquela sensação era maravilhosa. Não me contive e acabei encostando a minha cabeça em seu peito. Notei que Gael não disfarçava os olhares que direcionava para mim.

Fomos embora por volta de meia noite, mais uma vez naquele dia Bernardo me deu uma carona. Antes de entrar em casa ficamos um tempinho conversando no carro.

-Bê, muito obrigada pela companhia do dia de hoje e pelas caronas.

-Eu que agradeço por você ter me deixado fazer parte de um dia tão bom como foi esse. –Ele sorriu me hipnotizando com aquelas covinhas e olhos de cor verde intenso.

-É melhor eu entrar, mais uma vez muito obrigada. –Eu falei sem vontade nenhuma de deixar aquele carro.

-Tenha uma boa noite e se precisar de qualquer coisa pode ligar para mim.

-Você também pode me ligar. –Eu o abracei. –Boa noite. –Quando já estava saindo ele me puxou de novo e me deu um beijo longo só que na minha bochecha.

-Boa noite, menina linda. –Sério foi difícil descer daquele carro depois de escutar ele me chamando novamente daquele jeito. Eu parecia uma adolescente fiquei repassando aquele beijo e aquelas palavras enquanto estava deitada na minha cama. Não via a hora de ter a companhia do Bê de novo.

TAL QUÍMICA – CAP.08 – SAMILA BEZERRA

tal químicaSe alguém já lhe deu a mão
E não pediu mais nada em troca
Pense bem, pois é um dia especial
Eu sei que não é sempre que a gente encontra
Alguém que faça bem e nos leve deste temporal
O amor é maior que tudo
Do que todos, até a dor se vai
Quando o olhar é natural
Sonhei que as pessoas eram boas
Em um mundo de amor
E acordei nesse mundo marginal
Mas te vejo e sinto
O brilho desse olhar que me acalma
Me traz força pra encarar tudo

(Dia especial- Cidadão quem)

Sinceramente, eu não sei onde estava com a cabeça quando resolvi caprichar tanto na festa do Gael. É óbvio que as meninas ajudaram, mas eu coloquei na cabeça que eu queria que fosse tudo perfeito e isso deu um trabalhão. Claro que o Gael merecia receber uma festa tão linda, mas essa brincadeirinha fez com que eu acumulasse vários trabalhos da faculdade para entregar. Desde o início do curso eu sempre escutava piadinhas do tipo: vida social quem conhece? Abatido por falta de sono. Viciado em café. Eu sempre achei tudo isso a maior besteira. Sempre detestei café, e perdia no máximo algumas noites de sono. Mas isso era na época em que eu fazia os trabalhos na data certa, para evitar o acúmulo. Lembro várias vezes do Oscar reclamando que eu deixava de sair com ele para poder terminar um projeto. Mas agora eu vejo o quanto eu era feliz e não sabia. Mesmo odiando café eu estava viciada nessa bebida. Sempre tinha um copo ao lado da minha mesa. Dormir tinha se tornado um artigo de luxo, nem o soninho que ia das quatro da manhã até as nove eu estava conseguindo ter.  A situação estava tão complicada que eu mal vi a hora que a Marcela se aproximou de mim.

-Acorda, Bela adormecida, senão a galera vai se esquecer da gente. – Eu estava sentada no chão do bloco de arquitetura dormindo.

-Isa, você ainda está viva? –Marcela chacoalhou o meu braço.

-Não sei, Marcelinha. –Eu bocejei.

Para vocês terem noção a única coisa que eu consegui caprichar foi na maquiagem já que eu necessitava esconder as olheiras. Como estava frio e iríamos fazer uma visita a uma igreja antiga que ficava em uma cidadezinha que fazia mais frio ainda, resolvi colocar um look monocromático, uma calça justinha preta com um moletom preto e o mini sneaker preto da Nike. Assim não teria erro.

-Não dormiu direito essa noite?

-Dormir? O que é isso, Marcela? –Eu tentei brincar. –Não durmo desde domingo. A festa do Gael fez com que eu atrasasse os trabalhos de história da arte, o projeto arquitetônico e os estudos para a prova de calculo. Ainda falta a gente fazer a maquete.

-Ai, Isa, cálculo você tira de letra, e eu tenho certeza que você já está terminado o projeto arquitetônico. A maquete combinamos de começar hoje, esqueceu?

-Eu sei, Marcelinha, mas é muita coisa para pouco tempo.

-Falando em festinha, vi um certo casalzinho na pista de dança, mas ao invés de dançar eles não paravam de se beijar.

Marcela reparava em tudo mesmo. –Quem foram esses?

-Não se faça de desentendida, dona Isa.

-Está bem, eu confesso, eu fiquei com o Bê, mas isso não vai interferir na nossa amizade. Já conversamos.

-Como assim, dona Isabelle? Por quê?

-Ah Marcelinha nós conversamos, eu prefiro ser só amiga do Bê, não quero misturar as coisas sabe. Além disso, estou curtindo a minha solteirice.

-Fiquei triste, mas você é quem sabe o que é melhor. Estou do seu lado para o que você precisar. –Ela me abraçou. –Agora vamos porque senão perderemos a viagem.

A viagem durou quase duas horas, tempo suficiente para dormir um pouco. Visitamos igrejas lindas que tinham um estilo barroco. Apesar do foco da viagem não ser estudar história da arte, mas sim, a urbanização de uma cidade planejada do interior. Era impossível não ter uma aula sobre como aquelas belas igrejas foram construídas e qual a importância àqueles traços possuem para representar uma determinada época. Já passava de uma e meia da tarde quando paramos para almoçar. Comemos um nhoque recheado com queijo e frango desfiado com molho de tomate de acompanhamento nada melhor do que um suco de acerola.

O restaurante estava uma zona. As meninas riam das bobagens que os meninos falavam, mas eu percebi que Marcela não desviava a atenção do celular, mas eu tinha quase certeza que ela não estava gostando muito do que lia.

-O que foi, Marcelinha? Algum problema?

-O Arthur queria sair esse final de semana. –Acho que ela não curtiu a ideia.

-E isso não é bom?

-Sinceramente, Isa, eu não sei. –Ela guardou o celular na bolsa. –Eu gosto muito do Arthur, ele quase sempre me faz rir. Mas eu não consigo me apaixonar por ele. Olha que eu já tentei. –Ela abaixou os ombros em forma de rendição. –Na festa do Gael a gente mal ficou. Por minha causa, porque se dependesse dele não nos desgrudaríamos. Você sabe, eu não gosto de relacionamentos grudentos, mas eu gosto do Arthur. Isso está muito confuso. –Ela tentou sorrir.

-Ai, amiga, isso é tão normal. Você tenta gostar do Arthur, mas não consegue que seja da mesma intensidade que ele gosta de você. Já eu gosto muito do Bê, mas não quero abrir mão da amizade. Estamos arranjadas, viu. – Nós duas começamos a rir. –Um brinde a nossa solteirice. –Eu ergui o meu copo.

-Um brinde. –Ela ergueu o copo de vidro e nós batemos um no outro.

——–&——–

Voltamos para faculdade por volta das cinco e meia da tarde. Eu passaria em casa para preparar uma mochila para em seguida ir à casa da Marcela, onde faríamos a maquete. Mas eu precisei mudar os meus planos, pelo menos tive que adiá-los. Quando abri a porta do meu quarto vi que Bianca estava deitada em minha cama e não parava de chorar, chegava a soluçar. Tadinha da minha sobrinha. Quando ela me viu começou a chorar mais ainda (não sei como isso era possível), além disso, correu para me abraçar.

 -A mamãe vai morrer e a culpa é minha. –Isso foi o que eu consegui entender.

-O que aconteceu Bianquinha?

-Eu briguei com a mamãe e agora ela está morrendo por minha causa.

Meu pai foi até o meu quarto, já que percebeu que Bianca conversava com alguém. –Filha que bom que você chegou. Eu preciso ir para o hospital, os seus sobrinhos nascem hoje.

-Já, mas não era só para a semana que vem?

-Eles quiseram adiantar a chegada.

-A minha mãe vai morrer, os meus irmãos também. –E mais choro.

-Ela não vai morrer meu anjo. Pelo contrário, vai voltar com mais duas vidas para casa: os seus irmãos. –O meu pai falou enquanto passava a mão na cabeça de Bianca.

-Por quê a Bianca está chorando tanto? –Eu perguntei quando a minha sobrinha sentou na minha cama.

-Ela queria brincar com a mãe, mas como sabemos, a Letícia anda cansada nos últimos tempos. Aí ela disse que a mãe não gostava mais dela, e pouco tempo depois a Letícia disse que precisava ir para o hospital. –Ele me explicou. –Eu vou para o hospital minha filha. Quando os meninos nascerem eu aviso.

Antes de sair ele deu um beijo em Bianca e pediu para ela se acalmar. Minha sobrinha estava mais calma, inclusive foi para a sala assistir a um filme que passava na Disney. Eu aproveitei o momento para tomar banho, afinal de contas eu estava podre e muito cansada. Eu sabia que não teria como passar a noite na casa da Marcela fazendo a maquete. Provavelmente, quase certeza, precisaria cuidar de Bianca. Sendo assim, tratei de ligar rapidamente para a minha amiga. No segundo toque ela atendeu.

-Marcelinha?

-Isa, que coincidência eu acabei de falar sobre as nossas aventuras de hoje para a galera. Tudo certo para daqui a pouco?

-Então, Marcelinha, eu tenho quase certeza que não vai dar para fazer a maquete hoje. Os meus sobrinhos resolveram nascer.

 -Que maravilhoso, Isa! –Ela devia estar explicando a novidade para a galera. –Você está no hospital?

-Não amiga. Eu estou aqui em casa cuidando da Bianca, mas assim que eles nascerem eu vou levá-la para conhecer os irmãos.

-Não deixa de me avisar. E não se preocupa com a maquete, ainda temos uma semana para fazer.

-Ok, amiga. Beijos.

-Beijinhos.

Assim que eu desliguei, coloquei o celular na bancada e liguei o chuveiro. Nossa tanta coisa estava acontecendo no dia de hoje. Primeiro, foi a “viagem” com o pessoal, agora, o nascimento dos meninos. Eu já estava imaginando a zona que a minha casa ficaria com três crianças, sendo dois recém-nascidos.

Acho que demorei uns bons quinze minutos no banho, queria ter ficado mais, mas não podia deixar a Bianca sozinha. Como estava fazendo um friozinho e já era à noite, eu resolvi colocar uma roupa mais quente, nada melhor então do que uma calça azul com bolinha da Colcci com um moletom cinza. Era oficial: hoje era o dia do moletom. Aproveitei e separei também uma roupa para Bianca. Se eu já estava com frio, imagina a minha sobrinha, principalmente saindo à noite.

Eu tinha acabado de sentar no sofá quando tocaram a campainha, me levantei para ver quem era e confesso que fiquei surpresa ao ver o Bernardo que trazia uma caixa na mão.

-Oi, Bê. –Eu o abracei. –O que devo a honra da sua visita?

-Eu vim ver como a Bianca está. –Sei que isso era ridículo, mas eu fiquei com uma pontinha de inveja. Ele não foi me ver.

-Entra, Bê. –Fomos em direção à sala local onde Bianca permanecia assistindo filme. –Bianquinha, o Bê veio te ver.

 Bernardo foi até a Bianca, imediatamente a minha sobrinha o abraçou. Aquela cena foi linda. Depois do abraço Bernardo entregou a caixa para ela. Quando Bianca abriu encontrou uma linda boneca, mas não era qualquer boneca, era a Cinderela.

-Que linda, tio Bernardo. –Ela o abraçou novamente. –Obrigada. –Ela disse com um lindo sorriso no rosto.

-Você merece Bianquinha. –Ele sorriu para ela. Meu Deus por que o Bernardo insistia em manter aquela barba?

-Bê, não precisava se preocupar com a Bianquinha. –Eu falei.

-Não se preocupa, Isa, ela me lembra a minha priminha que mora na Europa, eu também dei uma boneca para ela quando o irmãozinho mais novo nasceu.

-Tia Isa, faz brigadeiro para a gente. –Pediu Bianca. –Tio Bernardo você vai amar o brigadeiro da tia Isa.

-Eu acho melhor eu ir. –Ele falou olhando nos meus olhos, era como se ele estivesse pedindo para que eu não deixasse que ele fosse embora.

-Não Bê, fica. –Eu realmente queria a companhia dele.

-Tudo bem. –Ele sorriu.

Eu fui para a cozinha preparar o brigadeiro, enquanto isso, os dois ficaram assistindo. Apesar de termos conversado sobre os beijos, eu sabia que de alguma forma a nossa amizade estava diferente. Acho que o fato de só ter tido um namoro sério até hoje fez com que eu não tivesse experiência com os homens. Será que sempre seria assim ou o problema em especial era o Bernardo? Eu queria tanto que a minha vida fosse diferente, mas não dessa forma. Eu não queria perder a amizade dele.

Quando o brigadeiro esfriou, eu peguei três colheres e levei tudo para a sala.

-Vocês querem brigadeiro? –Eu perguntei já sabendo a resposta.

-Sim! –Deu gritinhos Bianca que esperta toda pegou logo a colher.

-Será que é bom mesmo? –Brincou Bernardo antes de colocar a colher na boca.

-É ótimo! –Eu sorri para ele.

TAL QUÍMICA – CAP. 07 – SAMILA BEZERRA

tal químicaLembro do seu corpo, do seu cheiro, do seu gosto
Do tempero do teu beijo, do calor do nosso amor
Me lembro como cantas, pra quem reza, como dorme
Do odor do seu perfume, da cor do seu batom
Me lembro da vontade que me deu
Quando te vi pela primeira vez
Surgiu de um jeito louco que eu gosto
Era presente grego de Deus

(Ultima cena- Manitu)

Eu estava dormindo e tenho certeza que permaneceria naquele estado durante um bom tempo, mas o meu celular fez questão de me acordar. Quase levei um susto quando vi que estava o maior sol no meu quarto, com certeza já passava de meio-dia. O ser que me tirou do meu soninho foi o Gael.

-Oi, Gael. –Eu falei meio sonolenta.

-Não acredito que você acordou agora, dona Isabelle. –Ele respondeu. Dava para ouvir som de forró.

-Acredite! –Eu falei em meio a um bocejo.

-Dá tempo de colocar um biquíni e ir à praia com a gente. –  Eu tenho certeza que ele já estava na praia.

-Valeu pelo convite, mas eu vou ficar por aqui mesmo. Aproveitem bastante.

-Pode deixar beijos.

-Beijos.

Assim que eu desliguei olhei a hora no celular e vi que era apenas DUAS HORAS E VINTE MINUTOS DA TARDE. Isso era uma vergonha. Eu nunca dormi por tanto tempo, tudo bem que eu demorei bastante para pegar no sono na madrugada passada. Eu me levantei e a primeira coisa que vi foi o meu vestido pendurado no encosto da cadeira e como se fosse um remédio para memória, eu me lembrei de tudo que tinha acontecido.

-Bê, eu adoraria passar a noite inteira aqui dançando com você, mas acho que precisamos entrar. –Eu disse ao fim de mais um beijo.

-Pior que você tem razão, senão a galera vai pensar que eu te sequestrei. –Essas palavras foram pronunciadas em meu ouvido.

Voltamos para o salão, mas antes Victória e Felipe, um estudante de educação física com quem a Vic estava ficando, surgiram misteriosamente na nossa frente. A minha amiga pediu para tirar uma foto nossa. Depois que ela tirou fui direto para o banheiro tentar salvar a minha maquiagem: meu batom já não existia há décadas, mas quer saber eu adorei. Foi maravilhoso me sentir desejada por alguém tão lindo como era o Bernardo.

Tudo estava perfeito, Gael estava amando cada detalhe da festa. Ele ainda estava muito emocionado. Acho que mesmo sabendo que era muito amado por todos nós, não tinha passado pela a sua cabeça que faríamos uma festa de boas vindas.

Depois de dançarmos bastante, na festa tocou de tudo. Tinha chegado a hora do discurso do Gael. Ele que estava bastante suado, prova do quanto ele dançou, ele não escondeu as lágrimas que escorriam pelo seu rosto.

-Eu preciso entender que toda vez que eu estou com vocês eu chorarei bastante. Mas que bom que pelo menos é de alegria. –Ele disse enquanto olhava para cada um de nós. –Não existem palavras suficientes para agradecer a essas meninas pela linda festa que fizeram. Marcelinha, Isa, Cecília, Alice e Vic muito obrigado. Saibam que eu sou uma das pessoas mais sortudas do mundo por ter vocês como amigas. –Ele enxugou as lágrimas. –E chega de choro. Eu quero ver todo mundo dançando bastante.

-Viva o Gael! –Puxou o coro a Marcelinha. Que como era de se esperar foi acompanhada por todos. Acho que aquela festa iria até o dia clarear.

Antes de a festa acabar Bernardo conseguiu me “sequestrar” para um canto mais vazio e lá a sessão de beijos recomeçaram. Porém, não durou muito. Bernardo além de beijar bem se mostrou um cavalheiro, fez questão de me fazer companhia no táxi que me levaria para casa.

-O que eu fiz da minha vida. –Eu falei enquanto me jogava na minha cama. –Tanto menino no mundo eu tinha que ficar logo com o Bernardo? O menino que eu estava amando ser amiga.

Não sei se foi ação do além, mas de uma hora para outra Bernardo resolveu me mandar uma mensagem. Eu precisava imediatamente resolver aquele problema que eu tinha me metido.

(Bernardo) Menina linda do sorriso que me traz luz. Isa topa ir ao cinema comigo hoje à noite?

Ele precisava colocar logo o trecho da música, da nossa música? Eu tinha que ser forte, não aguentaria passar por outra decepção nem tão cedo na minha vida.

(Eu) Boa tarde Bê. É claro que eu aceito, preciso falar com você.

(Bernardo) Estou encrencado?

(Eu) É claro que não. J Até mais tarde, bjs.

(Bernardo) Ufa! Beijos menina linda ;D

Eu poderia me odiar futuramente pelo que eu estava disposta a fazer, mas eu não queria e nem podia perder mais um amigo simplesmente por estar gostando demais dele.

Eu tomei um banho e preparei o meu “café da manhã” peguei uma fatia de bolo de limão, já falei para vocês como a minha mãe arrebenta na cozinha, para acompanhar o bolo nada melhor do que um copo de café. Arrumei a bagunça em que a cozinha se encontrava. Toda a minha família tinha ido passar final de semana na chácara da família de Letícia, por isso acabei dormindo tanto: a casa estava um silencio total.

Eram seis horas quando eu fui me arrumar. Não quis fazer uma mega produção, mas também não iria de qualquer jeito, estava amando a minha nova fase fashionista. Eu coloquei um vestido azul marinho de alça, um cardigã cinza, por cima coloquei um cintinho azul para marcar a cintura. Nos pés calcei uma sapatilha cor de ouro com um lacinho lindo da Santa Lolla. Como já era noite eu não gostava de andar com uma bolsa imensa, então peguei uma transversal preta de franjinha que também era da Santa Lolla. Lá caberia perfeitamente meu celular, fones de ouvido, carteira, batom e creme de mão.

Eu cheguei ao shopping às sete e meia. Bernardo já estava me esperando na praça de alimentação. Ele vestia uma roupa despojada e ainda tinha aquela barbinha para fazer, era impossível não me lembrar do efeito que ela causava em minha pele.

-Oi, Isa. –Ele se levantou para me cumprimentar, me deu um beijo demorado em minha bochecha acompanhado de um abraço maravilhoso.

-Oi, Bê. Desculpa pelo atraso. –Meu Deus eu estava bastante nervosa.

-Está tudo bem, Isa? –Ele me perguntou enquanto sentávamos.

-Bê, eu não sei por onde começar. –Eu falei enquanto passava a mão pelo cabelo, tinha mania de fazer aquilo quando estava nervosa.

-Acho que pelo começo, Isa. –Ele tentou descontrair. –Eu fiz alguma coisa de errado?

-Não, Bê. Pelo contrário, mas eu preciso esclarecer uns fatos porque eu não quero magoar ninguém.

-Você está me assustando. –Ele acariciou a minha mão, mas não foi com segundas intenções, mas sim como um amigo faria.

-Bê, antes de tudo eu queria dizer que eu amei tudo que aconteceu ontem, eu me senti uma princesa sabe, quer dizer não sei ao certo se princesa seria a melhor definição, mas me senti querida e senti que você também estava se sentindo assim. Pelo menos foi essa a impressão que eu tive. –Agora era eu que acariciava a mão dele. –Mas apesar de ter amado toda essa sensação eu fiquei com medo e ainda estou. Bê, eu não sei se você sabe da história, mas tem pouco tempo que eu peguei o meu ex-namorado me traindo com a vizinha dele. Além de perder o meu namorado que estava comigo há quase três anos, eu perdi o meu amigo. E apesar de ter o Gael como amigo, o Oscar foi uma pessoa importante na minha vida. –Eu senti que uma lágrima escorregava pela minha bochecha. –Ele não era vascaíno. –Eu tentei sorrir. –Mas tínhamos muitas coisas em comum, e do nada eu não posso mais falar com ele e nem quero.

Bernardo continuava escutando tudo aquilo que eu tinha para dizer.

-Eu posso estar pagando de louca, Bê. Eu sei que para você significou apenas alguns beijos. Mas eu estou amando ter você como amigo. Não pense que você é o substituto do Oscar, pois não é. Até porque não tem como substituir as pessoas. Além disso, eu não conseguiria voltar a ser amiga dele depois de tudo que ele me fez. Mas do fundo do meu coração eu estou amando ser a sua amiga. Você é um menino lindo tanto por dentro quanto por fora e eu não quero misturar as coisas, sabe. Desculpa se eu falei alguma besteira. –Ao terminar eu enxuguei as lágrimas que escorriam pelo meu rosto.

Bernardo ficou me encarando, mas logo em seguida pegou as minhas mãos e as beijou.

-Isa, para mim, ontem não foi apenas mais uns beijos, eu curti cada momento que eu passei com você. Mas eu quero que você saiba que eu respeito muito tudo isso que você disse. Eu também estou amando te ter como amiga. Você não me vê apenas como um cara bonito, você enxerga além. Infelizmente nem todas as meninas conseguem me ver da mesma forma como você. –Ele me encarava com seus lindos olhos verdes. –Eu quero e preciso ser o seu amigo. Você é uma das melhores pessoas que cruzaram o meu caminho nos últimos tempos. –Eu agora estava chorando mais ainda. –Agora para de chorar porque senão eu choro também.

Terminado essas palavras ele se levantou e me puxou para um abraço apertado. Para fechar o pacote ele deu um beijo na minha testa.

-Você aceita assistir aos Minions comigo? Prometo que a gente não vai chorar. –Ele disse com um sorriso torto.

-É claro que eu aceito seu bobo. Só não garanto que não vou derramar nenhuma lágrima.

-Se você estar dizendo. –Ele entrelaçou seus dedos nos meus e seguimos rumo à sala de cinema.

Não sei como ficaria a minha amizade com o Bê a partir de agora, mas preferia e precisava ser sincera tanto comigo quanto com ele. Chega de ficar misturando as coisas, eu queria aproveitar a minha solteirice, mas não queria perder a amizade dele.

——–&——–

Eu cheguei em casa por volta das onze da noite. Bernardo mais uma vez fez questão de me dar uma carona. Até agora não sei como ficará a nossa relação, ele evitou me chamar de menina linda, acho que ele está tentando colocar limites na nossa amizade e para falar a verdade acho que será bom. Mas confesso que dói um pouco não ser chamada assim. Eu sei estou parecendo uma menina mimada que uma hora diz que quer uma coisa, porém em seguida não quer mais. Mas é que eu precisava colocar limites para mim mesma. E quer saber acho que assim será melhor.

Passei direto para a cozinha, eu estava morrendo de sede; lá encontrei a minha mãe que estava com quatro caixas de sapato. Dona Elena amava comprar sapatos, e eu amava calçar o mesmo número que ela.

-Boa noite, mãe. –Eu falei enquanto pegava um copo.

-Boa noite minha filha sumida. Como foi a festa?

-Foi ótima, mãe. A Vic postou as fotos.

-Quero ver!

-E eu quero ver os sapatos novos. –Eu apontei para eles.

-Eu vou preparar chocolate quente para nós, ok.

-Ok. –Eu guardei o copo. –Vou tomar banho então.

Depois de tomar banho eu coloquei o meu pijama mais confortável, estávamos no inverno e tinha dias que ele resolvia congelar todo mundo, então nada melhor do que colocar uma calça de flanela com uma camisa de moletom. Eu deitei na minha cama e peguei o notebook, ainda não tinha conseguido olhar todas as fotos. Carreguei a primeira quando a minha mãe entrou no quarto.

-Posso vê as fotos? –Ela perguntou enquanto segurava os dois copos de chocolate quente.

-Antes eu quero ver os sapatos.

-Vou pegar.

Mamãe era muito viciada em comprar sapatos, os quatro novos eram tão lindos. As novas aquisições eram uma bota de cano longo preta, uma sapatilha animal print, um Oxford na cor baked e uma peep toe na cor vinho. Eles eram lindos, mas com certeza minha mãe tinha gastado um dinheirão.

-Mãe, são lindos. –Eu segurava a bota. –Eu quero essa bota para mim.

-Eu posso até lhe emprestar, mas antes eu pretendo estreá-la na viagem para Minas.

-Mais vai estar no verão.

-Eu sei, mas eu e seu pai estamos olhando umas pousadas em Ouro Preto. Queremos fugir da agitação de BH.

-Entendi.

-A senhorita deixe de me enrolar e me mostre logo essas fotos. –Ela colocou os sapatos na cadeira e deitou na cama ao meu lado.

Eu comecei a passar as fotos, em algumas eu estava com as meninas. –Vocês estavam todas lindas. Amei as fantasias da Marcelinha, da Licinha e da Vic. A Cecília não foi para a festa?

-Claro que foi, mãe, olha aqui.

-Uau. que fantasia linda dessa menina!

-Todas elas arrasaram. –Eu mostrei uma foto do Gael.

-Nossa, como ele ficou mais lindo minha filha. Eu também estava com saudades desse menino.

Na última foto além da galera de sempre estava o Vinícius abraçado com a Cecília e o Bernardo, adivinhem, abraçado comigo.

-Esses eu não conheço. Que são esses meninos lindos?

-Esse é o Vinícius e esse é o Bê.

-Hum, Bê! Ele é muito seu amigo? Além de tudo é lindo!

-Mãe!

-O que foi eu não posso admirar o garoto? Eu só falei a verdade, ele é muito lindo.

-Sei… –Quando eu pensei que tinha acabado apareceu uma foto em que eu estava com o Bê perto da piscina, logo após a nossa sessão de beijos.

-Dona Isabelle, o que você dois estavam aprontando?

-Como assim? –Minha mãe conseguia através de uma foto saber que algo tinha acontecido.

-Com quem você voltou para casa e com quem você foi para o cinema?

Agora ela mataria a charada. –Com o Bê.

-Vocês estão ficando? –Sim, ela perguntou na lata.

-Mãe! –Eu conversava sobre tudo com a minha mãe, mas não estava pronta para falar sobre o Bê. Pelo menos eu achava que não estava.

-Ficaram e você gosta dele. –Sim ela afirmou.

-Ficamos sim, mãe. Eu gosto do Bê como amigo e expliquei tudo para ele.

-Como é que é Isabelle?

-Eu falei para o Bê que só quero ser amiga dele, não quero ficar entendeu?

-Por que minha filha? Ele é tão lindo.

-Mãe o Bê não é só lindo por fora é lindo por dentro também. Além disso, torce pelo Vasco e também é fã do Manitu.

-Filha esse menino é perfeito para você.

-Perfeito para ser meu amigo.

-Por que, Isa?

-Mãe, eu perdi o meu amigo e o meu namorado. Eu não quero ficar com o Bê e futuramente perder a amizade dele também.

-Você ainda sente falta do Oscar? –Ela acariciava os meus cabelos.

-Mãe eu me lembro de tudo que o Oscar aprontou nos últimos tempos e isso faz com que eu o deteste. Mas eu me lembro de antes, de quando ele era o amigo do meu irmão mais velho e que com o tempo se tornou o meu amigo também, sabe? Eu não quero perder a amizade do Bê, até porque eu quero aproveitar a minha solteirice. Quero brincar com a Bianquinha, com os gêmeos. Não quero saber de namoro nem tão cedo.

-Você está certa minha filha, mas só toma cuidado, você pode achar um garoto maravilhoso que possa te fazer muito feliz. Não deixa passar por medo de sofrer de novo. Você me promete?

-Eu te prometo mãe. –Eu abracei. –Eu te amo muito sabia?

-Eu que amo você minha menininha.

TAL QUÍMICA – CAP.6

tal químicaSentimento
Você não sabe o que se passa aqui por dentro
Sentimento para mim é documento
E você nunca esconderá no seu olhar, terá no seu olhar
Sentimento
Tá no reggae tá no amor pelo instrumento
Por favor vê se liberte o sentimento
O que eu não quero é ver teu mundo sem amor, teu mundo sem amor
Eu, quando te encontrar, quero falar de tudo que eu sinto
Sei que posso me perder, entrar nesse teu labirinto
Você me parou, pedindo meu amor
Mandou eu encostar, você que me encostou!
Pediu um documento, mas só tenho sentimento e eu dou
Eu vou te subornar com meu amor, eu vou te subornar com meu amor, eu vou te subornar com meu amor…

(Sentimento-Armandinho)

A semana estava bastante lotada, de um lado tinha os trabalhos da faculdade do outro os preparativos da festa do Gael. Eu precisava provar o meu vestido, desculpa se eu vou parecer metida, mas o meu vestido estava ficando lindo. Eu precisava comprar urgentemente um sapato para ficar a altura dele. A minha costureira estava quase louca, eu queria que ele ficasse bem parecido com as obras de arte do estilista Elie Saab.

Era quinta-feira, as meninas e eu estávamos no shopping provando inúmeros sapatos, mas estava difícil encontrar um que me agradasse. Eu já estava perdendo as esperanças quando encontrei na Santa Lolla o salto perfeito. Era um scarpin de salto alto, sua cor era maple (um tipo de nude lindo) seu acabamento era em verniz.

O sábado começou bem agitado. Ligamos para o Buffet e para os decoradores. Eu ainda precisava ir para o salão de beleza, e necessitava urgentemente pegar o meu vestido que tinha deixado na costureira para dar uns retoques finais. Nós passamos a manhã inteira trocando mensagens.

Festinha do Gael

(Cecília) Meninas, falei com o DJ e está tudo certo para mais tarde 😀

(Marcela) Ótimo! O Buffet de crepe chegará às sete.

(Victória) Uhuu!!! Meninas, o desenho que eu fiz ficou maravilhoso.

(Alice) Liguei para a decoradora, ela disse que já estar chegando para arrumar tudo

(Eu) Beleza, meninas. Eu vou ligar para o salão de beleza para ir um pouco mais tarde. Vou passar no salão de festas antes.

(Alice) Quero só ver o seu vestido Isa.

(Marcela) Eu também.

(Victória) Esse vestido promete.

(Eu) À noite vocês verão.

Eu consegui adiar minha ida ao salão de beleza, passei no local da festa e a decoradora já tinha chegado. Eu dei algumas instruções a ela, depois fiquei esperando uma das meninas aparecerem. Assim que a Marcela chegou, eu corri para o salão de beleza. Teresa, minha cabelereira, já estava me esperando. Eu fiz uma hidratação, depois escovei os meus cabelos, como eu não queria que ele ficasse liso sem nada coloquei uma presilha dourada no lado direito da minha cabeça, esse era o meu melhor perfil.

Quando eu cheguei à minha casa tomei um bom banho e fui me arrumar. Meu vestido era vermelho de seda, na frente o decote canoa era bem discreto, o vestido era justo somente até a cintura, ele ia ficando rodado, e era um pouco acima do joelho. As costas tinham um lindo decote profundo em formato de V. O vestido tinha pedrarias que iam da cintura até o quadril, ele era lindo! Ah! Nos pés é claro eu usei a minha sandália que eu tinha comprado na Santa Lolla. Não pensem que eu me esqueci de caprichar na maquiagem, eu coloquei uma sombra que ia do marrom ao dourado, na boca um batom nude. O perfume escolhido foi o Linda, e era exatamente assim que eu me sentia.

Assim que eu cheguei à festa encontrei Alice conversando com Marcela e Victória, elas estavam lindas de Rapunzel, princesa Merida e rainha de copas, respectivamente.

-Uau!!! Isa, você está mais linda. –Disse Marcela.

-Que vestido lindo, você veio de uma linda mulher? –Perguntou Victória.

-Gostei, Vic. –Eu disse. –Não tinha feito essa comparação, mas eu amei. –Ei, essas fantasias de vocês estão incríveis!

Nós conversamos até que Cecília chegou vestida de viúva negra, simplesmente fabulosa, ela que tinha cabelos longos com pontas douradas, usava uma calça justa de couro preta, um corpete preto que valorizava seu busto, nos pés ela colocou uma bota de salto fino.

-Gata! –Eu disse quando ela se aproximou.

-Olha quem fala, você está linda! Essa fantasia é de uma linda mulher?

Eu olhei para as meninas e comecei a rir. –Sim.

Nós cinco ficamos conversando, porém sempre atentas para ver se todos estavam sendo bem tratados. Não queríamos que a nossa primeira festa fosse um fiasco. No meio da conversa o celular de Victória tocou, era o Gael. Nosso amigo não tinha entendido o motivo de ter uma fantasia do Harry Potter, seu personagem favorito, em sua cama. Queríamos muito guardar segredo, mas não conseguimos. Falamos para ele que estávamos fazendo uma brincadeira temática dos nossos filmes favoritos. Eu tenho certeza que ele não acreditou, mas como sabia que tinha festa no meio dessa história toda, ficou pronto rapidinho. Em menos de uma hora ele chegou lindo como sempre. Como eu estava com saudades daquele garoto.

Gael era alto, devia ter 1,85, era malhado e tinha o cabelo bem preto. Conhecíamo-nos a tempo suficiente para saber que ele iria ficar emocionado. E ele ficou. Assim que nos viu abriu o maior sorriso do mundo, que é óbvio veio acompanhado de várias lágrimas, meu amigo era muito chorão.

-Gente, o que foi que vocês aprontaram? –Ele disse ao ver que a nossa festinha não tinha apenas um bolo e alguns salgados como inventamos.

-Surpresa!!! –Nós gritamos. Aproveitamos e jogamos vários confetes dourados, sim éramos estranhas, mas era assim que agíamos com os nossos amigos.

-Que saudade de vocês. –Ele disse enquanto nos abraçava, sim ,todas ao mesmo tempo.

-Nós é que estávamos. –Disse Vic. –Não nos abandona mais.

-Pois é quase que pegávamos um avião e íamos atrás de você. –Brincou Marcela.

-Eu ia adorar a visita, mas estou amando a recepção. –Ele usou toda a sua força para nos apertar mais ainda em seu abraço.

-Olha, eu fiquei sem o meu companheiro de balada durante muito tempo, espero que você não tenha me trocado por uma gringa. –Falou Cecília.

-Eu trocar você? Não sou louco!

-Não estou gostando nada disso, o Gael é meu. –Brincou Alice.

-Deixa só o André escutar isso. –Disse Victória. –Ele é meu.

-Eu sou de todo mundo. –Ele disse todo convencido. –Ei vocês estão mais lindas ainda.

-E você também Gael. Aposto que fez o maior sucesso nos Estados Unidos. –Eu comentei.

-Isa, você está mais linda ainda.

-Não enrola queremos saber todas as novidades. –Intimou Alice.

Ficamos conversando durante uns quinze minutos, depois precisamos deixar Gael socializar. Tínhamos convidado várias pessoas que gostavam do nosso amigo. Não era justo não as deixar conversarem com ele.

Eu fui até o banheiro retocar a minha maquiagem, mesmo sendo a prova d’água eu tinha quase certeza que alguma coisa tinha borrado. Para minha sorte estava tudo bem, mas achei melhor retocar o batom; coloquei também mais uma camada de máscara de cílios, nunca é demais. Quando eu sair do banheiro recebi uma mensagem no whatsapp era do Bernardo.

(Bernardo) Esqueceu-se dos velhos amigos?

Na mesma hora eu ri. Virei à cabeça procurando por ele

(Eu) Cadê você?

(Bernardo) Eu estou aqui admirando as estrelas, mas ouvi falar que você é a que mais brilha.

Eu fui até o jardim e o vi perto da piscina. Ele estava usando uma calça preta, uma camisa do Nirvana e por cima uma blusa de manga longa xadrez. Quando ele olhou em minha direção percebi que a barba estava há uns três dias sem ser feita. Bernardo abriu um sorriso galanteador.

-Coisa feia, dona Isabelle. –Ele me olhou com cara de reprovação.

-O que foi? –Eu fiquei preocupada.

-A festa é para o seu amigo, mas você quer roubar a cena sendo a pessoa mais linda.

Eu corei imediatamente. –Só você Bernardo. –Eu mudei de assunto. –Você está fantasiado de roqueiro certo.

-Certo. –Ele me encarou da cabeça aos pés. –E a senhorita estar de…

-Uma linda mulher? Não era essa a intenção, mas está valendo.

-Ei eu não ia dizer que você estava fantasiada de Uma linda mulher, até porque você não precisa disso. Você já é a mulher mais linda de todas.

 Bernardo tinha tirado a noite para me cortejar, eu não sei se estava preparada para aquilo, mas vamos combinar que no fundo eu estava gostando. Aproveitei que estava passando um garçom na hora então resolvi pegar uma taça de champanhe, Bernardo também pegou uma.

-Está gostando da festa, Bê? –Eu perguntei enquanto tomava um gole da minha bebida.

-Estou adorando, vocês capricharam viu.

-Que bom que você gostou.

-Esse Gael deve ser um ótimo amigo para merecer tudo isso. Agora tenho a certeza que perdi a minha companheira dos jogos do Vascão.

-Se essa companheira for eu, você não perdeu nada. O Gael é corintiano. –Eu fiz uma careta.

-Ufa! Nunca fiquei tão feliz por saber que alguém não é vascaíno. –Ele deu aquele sorriso lindo mostrando suas covinhas.

Como se fosse coisa do destino o DJ colocou para tocar a música Iris do Goo Goo Dolls, eu simplesmente amava aquela canção. Pelo visto não era a única. Bernardo segurou a minha mão, beijou os meus dedos e em seguida me convidou para dançar. É lógico que eu não recusei.

And I’d give up forever to touch you       /     E eu desistiria da eternidade para te tocar     

Bernardo colocou a sua mão em minha cintura, a outra acariciava as minhas costas. Eu segurei o seu pescoço, ainda bem que o meu salto era bem alto. Enquanto dançávamos ele falava coisas meigas em meu ouvido.

‘Cause I know that you feel me somehow        /    Pois eu sei que você me sente de

alguma maneira

Era impossível não se envolver com aquele perfume.

You’re the closest to heaven that I’ll ever be         /   Você é a mais próxima do paraíso

que sempre estarei

And I don’t want to go home right now  /    E eu não quero ir para casa agora

Eu não queria que aquela música terminasse nunca mais.

And all I can taste is this moment           /        E tudo que posso sentir é este momento

And all I can breathe is your life     /    E tudo que posso respirar é a sua vida

And sooner or later it’s over          /       E mais cedo ou mais tarde se acaba

I just don’t want to miss you tonight         /       Eu só não quero ficar sem você essa noite

Eu só queria dançar com o Bernardo durante toda a noite.

Mas infelizmente o DJ trocou a música por uma mais animada da Kate Perry. Eu já estava me afastando do Bernardo quando ele me segurou.

-Nós podemos dançar a nossa própria música. –Ele me conduziu para o outro lado da piscina, onde a iluminação estava perfeita. Ele sorriu e começou a cantar em meu ouvido:

Menina linda do sorriso que me traz luz

Faz um frio na barriga me samba

Sensação adormecida

Hum me intimida, de pensar.

Meu Deus, o Bernardo conseguia melhorar qualquer situação. Eu literalmente estava sentindo um frio na barriga, principalmente pelo fato de ele estar cantando para mim.

No seu olhar, seu olhar me faz cócegas na alma

O seu olhar seu olhar me faz cocegas na alma

Cuidado menina com esse cha cha charme

Me espanca e deixa grog

Cuidado menina com esse cha cha charme

Seu sorriso me desarma

Era o contrário, era eu que estava completamente grog com o charme daquele menino lindo. Eu mal consegui ficar em pé, quando ele disse a última frase. Assim que terminou, Bernardo me encarou e sorriu. Pronto aquilo foi o suficiente para me desarmar. Bernardo entendeu a minha reação como um sim e me deu um beijo que ao meu ver parecia uma droga, não sei qual era a substância em especial, mas o beijo daquele menino lindo era viciante como uma droga, e eu estava com medo de ficar completamente viciada. Depois de um tempo Bernardo me soltou, não sei se era por causa da dopamina, não tenho certeza nunca fui muito boa em biologia, ele estava diferente, era como se também tivesse gostado daquela droga, a nossa droga. Eu não iria me contentar com tão pouco precisava de mais.

-Bê, me ajuda a aproveitar essa noite. –Eu falei sem tirar os meus olhos dos seus.

-Pode deixar. –Ele falou como se também quisesse repetir a dose. Terminando essas palavras ele passou a mão em minha cintura grudando o meu corpo ao seu e ficamos nos beijando por um longo tempo.

TAL QUÍMICA – CAP.5

tal química
Eu ando tão nervoso pra te escrever
Os versos mais profundos
Eu roço no seu braço e passo sem mexer
Feliz por um segundo
É sempre a mesma cena
Só te ver no corredor
Esqueço do meu texto
Eu fracasso como ator
Só dou vexame
Fico olhando pros seus peitos
Escorrego na escada,
Acho que assim não vai dar jeito
Educação Sentimental
Eu li um anúncio no jornal
Ninguém vai resistir
Se eu usar os meus poderes para o mal
(Educação Sentimental-Kid Abelha)

Estava quase na hora do jogo. Eu quis ir uniformizada, mas eu não deixaria o meu lado fashionista de lado. Como estava quente, coloquei um short jeans folgadinho, peguei minha blusa do Vasco, a tradicional preta com a faixa diagonal branca, esse era um modelo feminino sem aquelas golas que pareciam sufocar. Coloquei um colar que tinha um pingente de ancora que eu amava, nos pés calcei minha sapatilha nude que era cheia de tachinhas, peguei uma bolsa vermelha de lado que combinava com a Cruz de Malta. Ah! É óbvio que levei a minha bandeira do Vasco.

Eu notei que algumas pessoas comentavam sobre o meu traje, não estava nem aí para elas, pois sabia que o meu Vasco ia ganhar. Ao chegar ao apartamento do Vinícius fui surpreendida pelo mesmo, já que ele abriu a porta. Quando ele me viu fez cara de desgosto.

-Isa, pode dar meia volta.

-Há há há muito engraçado você. –Eu fiz cara de poucos amigos.

-Estou brincando, Isa. Vai ser ótimo rir da sua cara.

-Veremos. –Ao passar por ele cumprimentei as meninas que estavam com aquela blusa horrível do time rubro negro.

-Oi, Isa. –Disse Cecília com olhar de cumplicidade.

-Oi, Cecília! Oi, Marcela!

-Esse jogo promete. –Provocou Marcela. Eu acabei rindo.

Depois de cumprimentar as meninas, eu percebi que tinha mais alguém no apartamento. O cheiro de Malbec tomou conta do lugar. Quando me virei vi Bernardo incrivelmente lindo e ainda por cima estava com a blusa preta com a diagonal branca do meu Vasco, o que acrescentou muitos pontos positivos para ele.

-Oi, meninas. –Ele disse, mas percebi que seu olhar se fixou no meu. Ele deu um sorrisinho safado. –Finalmente eu encontrei alguém que tem bom gosto.

-Eu também encontrei. –Eu falei em meio a um sorriso.

Nesse momento a campainha tocou, era Arthur, um estudante de odontologia que estava super interessado em dona Marcela. Ele vestia uma camisa do Santos.

-Você também errou de casa. –Brincou Vinícius.

-Não errou nada. –Disse Marcela. –Vem Arthur.

-Vai torcer para qual time? –Perguntou Bernardo.

Arthur olhou para Marcela que fez cara feia. –É claro que é para o Flamengo.

Bernardo não conteve o riso. – Seu banana.

Todos se ajeitaram na sala. Vinícius que estava praticamente sentado no braço do sofá tinha Cecília ao seu lado; do lado dela estava Marcela que era admirada o tempo todo por Arthur, chegava a ser engraçado.

-Posso sentar aqui? –Perguntou Bernardo.

-Claro. –Nós estávamos no sofá menor.

-E essa bandeira você sempre assisti aos jogos com ela? –Ele perguntou baixinho.

-Digamos que faz parte do ritual. –Eu falei como se fosse um segredo. Ele começou a rir.

A partida tinha começado. Todos estavam tensos. Marcela roía as unhas, já Cecília não demonstrava estar tão interessada na partida. Já eu e Bernardo tínhamos a química perfeita, fazer o que afinal de contas éramos vascaínos.

O time do Flamengo errava muitos passes, já o Vasco não estava sendo competente com as finalizações. Já deve estar dando para imaginar a cena, depois de um tempo boa parte dos torcedores assumem o papel de técnico e é claro que isso aconteceu conosco também.

-O Flamengo está dando muita bobeira. –Começou Arthur. –Com essa marcação vai levar um gol facilmente.

-Cala a boca, santista. –Falou Vinícius bastante irritado.

-A diretoria precisa contratar urgentemente um zagueiro para esse time. –Arthur prosseguiu. – Um zagueiro só, não, o time também precisa de um bom volante e de um lateral esquerdo. Com esse time aí não chega a lugar nenhum.

-Arthur, você vai torcer pelo Flamengo ou vai ficar criticando? –Perguntou Marcela que estava chateadíssima.

-Sinceramente, não tem condições Marcela. Eu até tentei, mas está difícil.

-Cala a boca!!! –Disse Marcela e Vinícius.

Eu não consegui conter o riso, pelo visto Bernardo também não. Rirmos tanto que eu até chorei.

-Calma, Isa. – Disse Bernardo que também enxugava as lágrimas. –Arthur, você faz muito bem em não torcer pelo Flamengo. Esse time não leva ninguém a lugar nenhum.

-Cara, eu só estou falando a verdade. Se eles quiserem ganhar alguma coisa vai ser preciso contratar bons jogadores.

-Arthur, você está me irritando. –Disse Marcela.

-Vou ficar calado. –Ele fez cara de poucos amigos.

Em uma bela jogada bem trabalhada o zagueiro do Vasco fez um bom lançamento para o nosso lateral direito, que ficou trocando passes com o meio campista no intuito de enganar os jogadores adversários. O meia percebeu o bom posicionamento do nosso camisa onze, sendo assim, fez o lançamento para ele, que só teve o trabalho de driblar o goleiro para poder fazer o gol.

-Gooooooooooool!!! –Eu e Bernardo parecíamos dois malucos gritando no apartamento. Até mesmo Arthur vibrou.

-Uê, Arthur não era você que estava torcendo pelo Flamengo. –Brincou Bernardo.

-Você tem certeza que era eu? –Entrou na brincadeira o santista.

O segundo gol não demorou muito para sair, em uma jogada perfeita o nosso lateral esquerdo lançou a bola para o atacante que ficou mais uma vez cara a cara com o goleiro e mais uma vez colocou a bola no fundo do gol.

-Goooooooooooool!!! –Eu estava desconfiada que ficaria rouca até o final daquela partida.

-Porra! Esse gol não valeu. –Reclamou Vinícius.

-É claro que valeu, mané. –Falou Bernardo.

A partida estava no intervalo e Vinícius ainda continuava revoltado.

-Esse juiz está roubando.

-Vinícius aceita que dói menos. –Eu falei enquanto colocava um bocado de pipoca na boca. Quem diria eu estava adorando assistir ao jogo com um bando de flamenguista, e um santista, é claro.

O segundo tempo recomeçou. O Vasco estava mais agressivo. Em uma bobeira o jogador do Flamengo acabou cometendo um pênalti. Eu fiquei bastante nervosa, não gostava de ver as cobranças. Bernardo segurou a minha mão, nessa hora a minha bandeira já estava enrolada nas costas do Bernardo também. Nosso camisa nove correu e marcou o terceiro gol. Bernardo se empolgou tanto que acabou me colocando no braço, era impossível não sentir aquele cheiro maravilhoso de perfume misturado com o suor dele.

-Desisto dessa palhaçada. –Disse Vinícius que saiu marchando em direção ao seu quarto.

-Ele não vai voltar mais? –Perguntou Cecília indignada.

-Eu acho que não. –Disse Bernardo que já sabia que aquilo iria dar problema.

A partida terminou e como já era esperado o Vasco venceu o seu arquirrival pelo placar de três a zero. Arthur ficou chateado com Marcela já que ela tinha dado uns foras no coitado simplesmente pelo fato dele ter criticado o time rubro-negro. Eles foram embora emburrados, mas eu tinha certeza que antes de chegarem à portaria eles fariam as pazes. Cecília estava tão chateada com Vinícius que deu um tchau muito sem graça para a gente e foi embora. Vinícius saiu do quarto e quando percebeu que Cecília tinha ido mesmo embora vestiu a camisa do flamengo (que ele havia retirado quando o time levou o terceiro gol) rapidamente e foi atrás dela. Só tinha sobrado eu e Bernardo. Ele me encarou com aquela carinha de felicidade.

-Ganhamos a partida. –Ele sorriu revelando aquelas lindas covinhas.

-Com louvor. Olha que eu nem queria vir.

-Que bom que você veio. –Seus olhos não desgrudavam dos meus. –Você deu sorte. –Ele sorriu.

Eu estava me preparando para ir embora quando Bernardo me fez um convite que eu não tinha como não aceitar, afinal de contas, ter a sua presença era muito bom.

-Isa, você aceita comer uma pizza comigo? Eu ligo para a sua pizzaria favorita se você quiser, é só falar o nome dela. –Ele parecia àqueles garotos novinhos que ficam sem jeito quando chamam a menina que estão interessados para sair.

-Claro, Bê. –Eu dei um meio sorriso.

Enquanto a pizza não chegava escolhemos um filme para assistir, o escolhido foi Vestida Para Casar, ele era o meu favorito. Eu e Bernardo continuávamos no mesmo sofá, a caixa de pizza permanecia no centro da sala. O filme se encontrava na cena em que um casal principal ia a um bar e cantavam Bennie and the jets. Pelo visto eu não era a única que me divertia, Bernardo parecia estar bastante animado.

-Esse filme é bem legal, mas é tão clichê. –Ele falou.

-Por que você acha isso? –Eu perguntei enquanto olhava para ele.

Ele se projetou para o meu lado, sustentando o corpo inteiro no cotovelo. –Porque é a verdade. Os dois fingem que não se gostam, mas no fim ficarão juntos e vão viver felizes para sempre.

-Você não é romântico? –Eu estava decepcionada com essa geração masculina.

-Não sei, eu nunca namorei, só fico com as meninas.

-Qual é Bernardo? Você não é fofo com essas meninas?

-Sei lá, Isa, eu nunca corri atrás de nenhuma delas, tudo acontece naturalmente, nos conhecemos rola química e pronto.

-Qual é o seu signo? –Não sei por que perguntei aquilo. Essa pergunta eu só fazia para um garoto quando estava afim deles.

-Touro, mas o que isso tem a ver? –Ele ficou sem entender.

Eu sabia! Tinha que ser taurino. –Nada eu só queria conhecer você.

-Logo desse jeito. –Ele brincou. –Olha eu te prometo que quando eu me apaixonar eu conto para você, aí você me ajuda, beleza? –Ele estendeu a mão.

-Beleza! – Eu a segurei.

Estava ficando tarde quando eu resolvi ir embora. Bernardo recusou a minha ajuda para arrumar a casa, ainda fez questão de me levar na minha. Quando chegamos à porta ficamos conversando no carro.

-Nossa esse domingo foi ótimo. –Ele falou olhando para mim.

-E o meu final de semana foi perfeito, tive um sábado de princesa e um domingo maravilhoso graças à vitória do meu Vascão.

Bernardo continuava me encarando, seus olhos verdes eram lindos. –Sábado de princesa? –Ele arqueou a sobrancelha.

-Sim, com direito a esmalte e a maquiagem feita por Bianca. –Ele começou a rir.

-Sério, amei esse domingo. –Ele segurou a minha mão. –Espero te ver amanhã.

-Também espero, Bê. –Eu dei um beijo em sua bochecha. –Tenha uma boa noite.

-Você também, Isa. –Ele também me beijou na bochecha, mas o seu beijo ao contrário do meu foi mais demorado.

TAL QUÍMICA – CAP.4

tal químicaEla vai chegar
Não sabe o que é ruim
Eu vou te ouvir chorar
Mas vai estar perto de mim
Vou sempre te escutar
Se não souber o que vestir
Não deixe de sonhar
Te mostrarei aonde ir
Pra viver bem é só correr na chuva
E sentir seu corpo te lembrar quem é você
Então confie em mim porque
Eu não vou deixar nada dar errado
Eu vou ficar sempre do seu lado
Pra ver você tentar viver
Se quiser vou te buscar
(Ela-Izi)

Sábado era sem dúvida um dos meus dias favoritos. Eu aproveitava para acordar um pouco mais tarde, mas nem sempre isso dava certo, principalmente quando Bianca aparecia. Agora, morando aqui em casa, acordar a tia Isa tinha se tornado lei. Eu estava deitada no meu soninho fofinho quando senti que alguém me vigiava. Quando abri os olhos vi uma princesinha me encarando, Bianca que tinha o cabelo castanho escuro com lindos cachinhos olhava para mim com aquele ar de inocência.

-Bom dia, tia Isa! –Ela sorriu.

-Bom dia, princesinha. –Eu bocejei.

-Tia Isa, eu não acredito que você esqueceu?

-Esqueci o que?

-Do nosso passeio –Ela ficou triste.

-Ei, eu não esqueci. –Na verdade eu tinha esquecido. –O que você acha de fazermos algo diferente?

-Tipo o que?

-Ir ao salão de beleza para cuidarmos das nossas unhas, depois passar maquiagem da tia Isa. –Eu esperava que ela realmente gostasse.

-Depois podemos brincar de boneca no jardim? –Seus olhinhos brilhavam.

-Claro, Bi. –Meu Deus, eu tinha 20 anos e passaria meu sábado brincando de boneca. Realmente eu amava aquela menina. –Mas antes temos que tomar café da manhã.

-Eu já tomei. –Ela disse rapidamente.

-Mas eu não. –Eu fiz cosquinha nela.

Depois de me trocar eu segui para a cozinha, lá encontrei a família inteira reunida, ou seja, meu pai, minha mãe, meu irmão e Letícia com os gêmeos (é claro na sua barriga).

-Bom dia, família. –Eu falei de bom humor.

-Bom dia, Isa, a Bianca te acordou né? –Perguntou Caio.

-Acordou sim. Fizemos nossa programação para hoje.

-Dá uma dor no meu coração ver a minha filhinha querendo sair, mas por causa desse barrigão eu não posso. –Lamentou Letícia.

-Não se preocupa Letícia. Eu amo ficar com a Bianquinha.

-Para onde vocês vão? –Perguntou meu pai, seu Guilherme.

-Vamos ao salão de beleza, depois vamos nos maquiar e por último brincaremos de boneca no jardim.

-Eu vou preparar o bolo favorito dela. –Disse minha mãe, dona Elena.

-E eu vou pedir que ela me maquie. –Falou Letícia.

-Eu vou arrumar o jardim para vocês brincarem. –Disse meu pai.

-E eu vou levar e buscar vocês no salão de beleza. –Finalizou meu irmão.

Não sei o que deu em mim, mas aquilo me fez ficar emocionada. Todos estavam dispostos a participar do dia da Bianca.

-Vocês formam a melhor família que alguém pode ter.

Depois daquele momento agradável, eu e Bianca fomos ao salão. Escolhemos pintar as unhas de verde, eu adorava aquele tom mais clarinho. Ao chegar em casa fomos recepcionadas pela minha mãe. Ela tinha feito bolo de chocolate, com direito a cobertura de chocolate e M&M. Aquele bolo acabaria com a minha dieta.

Depois de comermos chegou a hora de nos maquiarmos. Bianca ficou feliz da vida em maquiar a mãe. Para terminar o dia fomos para o jardim, Letícia estava se sentindo bem, então resolveu nos acompanhar. Até minha mãe decidiu brincar. Ríamos bastante quando o meu celular tocou. Era a Cecília.

-Oi, Cecília.

-Isa, você tem planos para amanhã?

-Sim.

-Qual?

-É jogo do Vasco contra o Flamengo e é óbvio que eu não vou deixar de ver o meu Vascão jogar.

-Isa, você precisa assistir esse jogo com a gente. –Ela falou sem rodeios.

Assistir ao jogo do Vasco principalmente contra o seu arquirrival, eu não veria isso com outras pessoas. Todos sabiam disso.

-Por favor, Isa. Eu imploro. –Ela estava praticamente chorando.

-Cecília, eu não gosto de ver jogo com ninguém.

-Mas você me ama, Isa. –Ela estava suplicando. –Por favor!

-Por que eu tenho que ir?

-O Vini me convidou, e a Marcela disse que só vai se você for.

-Só terá urubu, eu não vou me sentir bem.

-Isa, ninguém te fará mal. Vamos, por favor!

Eu pensei, pensei e pensei: o que custava ir? Além disso, meu time estava super bem, eu não tinha o que temer.

-Está bem dona Cecília.

-Isa, eu te amo tanto. –Ela deveria estar dando pulos de alegria.

-O que eu não faço pelas minhas amigas. –Eu falei. –Só que terá uma condição.

-Qual?

-Eu quero ser a madrinha do casamento. –Nós duas começamos a rir.

-Você será.


Se você chegou agora no blog, aconselho a começar a lê o livro pelo início ( claro! kkkkk) Segue os links:

CAP.1         CAP.2        CAP.3

TAL QUÍMICA – CAP. 3

tal química

I am unwritten, can’t read my mind, I’m undefined

I’m just beginning, the pen’s in my hand

ending unplanned

Staring at the blank page before you

Open up the dirty window

Let the sun illuminate the words that you could not find

Reaching for something in the distance

So close you can almost taste it

Release your inhibition

Feel the rain on your skin

No one else can feel it for you

Only you can let it in

No one else, no one else

Can speak the words on your lips

Drench yourself in words unspoken

Live your life with arms wide open

Today is when your book begins

The rest is still unwritten

(Unwritten-Natasha Bedingfield)

Estava chegando o dia em que Gael voltaria para casa. Ele fazia intercâmbio nos Estados Unidos há seis meses. Apesar de saber que o meu amigo estava feliz da vida aproveitando seus dias na terra do tio Sam, eu e as meninas morríamos de saudades dele.

Como nosso amigo era bastante festeiro, queríamos caprichar na festa de boas vindas. Como ele também era viciado em cinema, nada melhor do que fazer uma festa à fantasia. Cecília era a responsável por escolher todas as músicas que tocaria. Ela e Gael tinham praticamente o mesmo gosto musical, o que era ótimo, assim ele amaria tudo que tocasse. Já a Marcelinha tinha ficado responsável pelas comidas, ela era bastante detalhista e já tinha começado a preparar uns docinhos personalizados com o tema cinema. Alice faria uns painéis, Vic pintaria uns potinhos que ficariam nas mesas. Enquanto isso, eu faria os convites e depois iria ajudar a Alice a fazer coxinhas.

Eu tinha feito metade dos convites na casa da Vic. Eu não podia negar: ela arrasava! Além dos potinhos, ela começou a fazer um quadro com o desenho do Gael. Eu não tinha dúvidas: o meu amigo iria amar. Antes de ir para casa da Alice eu precisei ir ao shopping comprar uns papeis para terminar os outros convites. Comprei tudo o que faltava, eu passaria a noite inteira terminando os convites.

Era mais ou menos quatro da tarde quando eu resolvi parar na praça de alimentação. Eu estava em dúvida se compraria na loja de pastel ou na de sanduiche, quando avistei, sentado na mesa, às duas pessoas que eu mais detestava nos últimos tempos: o Oscar e a Bárbara. A vontade que eu tinha era de matar aqueles dois, mas eu não queria que o Oscar pensasse que eu ainda gostava dele. Sendo assim, para evitar fazer alguma besteira eu dei meia volta.  Estava tão desligada que nem reparei que na minha frente tinha outra pessoa, a desastrada aqui acabou trombando em um desconhecido que era alto – a sorte era que nenhum dos dois carregava comida, senão o estrago estava feito. –  Eu levantei a cabeça para me desculpar e descobri que ele não era tão desconhecido assim.

-Desculpa! –Eu falei – Quando olhei para o “desconhecido” vi que ele estava rindo.

-Oi, Isa, prazer em te ver de novo. –Ele abriu um enorme sorriso, mas apesar de ser tentador ficar admirando aquele sorriso, eu não conseguia desviar daqueles olhos verdes intensos.

-Oi, Bernardo, desculpa novamente. –Eu fiquei meio sem jeito. –Bom eu tenho que ir.

-Você já lanchou?

-Na verdade eu desisti.

-Por quê? –Ele me olhou com cara de interrogação.

-Não queria comer sozinha. –Eu dei um meio sorriso.

-Eu posso te fazer companhia. Também não quero ficar sozinho. –Ele me encarou, sua expressão era de que queria que eu ficasse.

-Eu aceito sua companhia. –Eu sorri, ele retribuiu com o enorme sorriso.

Fomos até a lanchonete, acabamos optando pelo sanduiche da SubWay. Como sempre, escolhi o de peito de peru, já Bernardo, pediu um sanduiche de carne. A praça de alimentação estava lotada, mas assim que vagou uma mesa Bernardo não perdeu tempo e sentou. O problema é que a mesa ficava próxima da do idiota do Oscar.

Bernardo era uma ótima companhia. Conversávamos de tudo um pouco. Ele me contou que tinha trancado o período passado já que precisou viajar para a Europa, o seu avô estava doente e como ele era apegado ao neto queria que o menino ficasse próximo. O mais interessante de tudo isso é que Vinícius foi junto, pelo que eu entendi o avô de Bernardo considerava Vinícius também como neto. Eu também falei um pouco sobre a minha paixão por arquitetura, mas percebi que a atenção de Bernardo estava voltada para outra coisa.

-Isa, é impressão minha ou aquele cara não para de te encarar? –Ele se referia ao Oscar que realmente me encarava.

-Está sim. Ele é meu ex-namorado.

-Acho que ele não queria ser seu ex.

-Ele não tem o que querer. –Eu falei. –Estar vendo aquela garota com ele? Ela foi um dos principais motivos pelo nosso término.

-Ele te traiu? Que otário!

Eu não consegui conter o riso. Bernardo olhou para mim sem entender nada.

-O que foi que eu fiz?

-Desculpa o machismo, mas é que você é homem e “deveria” defender o Oscar.

-Não mesmo, Isa. –Ele tinha ficado revoltado. –Olha eu não sou um cara que namora, estou em uma fase em que eu só quero ficar, mas uma coisa é certa, quando eu me envolver de fato com uma garota vai ser para valer. –Ele parou para respirar. –Eu vou amar e respeitar a garota. Se não der certo é melhor terminar com respeito mútuo. –Ele me encarou.

Eu fiquei encarando ele durante um tempo. Bernardo com seus lindos cabelos rebelde e seus olhos verdes intensos e esse sorriso que continha covinhas se mostrou um homem cheio de princípios.

-O que foi, Isa? –Ele me tirou dos meus pensamentos.

-Você me surpreendeu. É bastante maduro e aparenta saber respeitar uma mulher.

-E eu respeito.

Eu sorri verdadeiramente para ele. Naquele momento me lembrei do que ele tinha falado na fila do cinema sobre eu ser a famosa Isa.

-Bernardo, por que você disse que eu era a “famosa Isa”?

Ele passou a mão pelos cabelos. –É uma longa história. –Quando eu e o Vinícius conhecemos a Cecília ela nos apresentou a Marcela, a Alice e a Vic e disse que faltava a Isa e o Gael para o grupo ficar completo. Aí elas falaram que o Gael estava fazendo intercambio, e você estava em Minas dando uma renovada na sua vida, depois de ter rompido um namoro.

-Sério que elas contaram tudo isso? –Eu estava chocada. –Bando de fofoqueiras.

-Não conte a elas que eu te falei. A Cecília fez a gente guardar segredo.

-E você não guardou. –Eu fingi estar brava.

-Pelo menos eu contei para você. –Ele estava com um sorriso galanteador.

Estávamos conversando quando o meu celular começou a tocar, minha bolsa estava uma bagunça e demorei a achar o celular. Quando achei, atendi sem olhar quem era. Bernardo me encarava com a sobrancelha arqueada. Era a Alice no telefone. Eu precisava encontrá-la urgentemente. Quando desliguei o celular notei que ele ainda mantinha os olhos grudados no meu.

-O que foi? –Eu perguntei.

-Você gosta do Manitu também!

-Eu amo, por quê?

-Eu não conheço ninguém aqui na cidade que goste.

-Agora você conhece. –Eu sorri. –Eles são ótimos ao vivo.

-Mentira! Isa, por que você não me levou para Minas? –Ele estava “revoltado”.

-Que pena que eu não te conheci antes. –Eu ri. –Eu preciso ir. Tenho que encontrar a Alice, está chegando o dia da festa do Gael e ainda faltam muitos detalhes.

-Ele está nos Estados Unidos, né?

-Isso mesmo. Eu espero que você vá à festa.

-Isso é um convite? –Ele estava louco para sorrir.

-Um pré-convite. Bê. Eu estou terminando de fazer os convites, mas eu peço para a Cecília te entregar.

-Gostei!

-Gostou do que?

-Você me chamou de Bê, gostei disso.  –Eu corei imediatamente. –Vamos! –Fomos andando em direção ao estacionamento. Durante todo o percurso, Bernardo apoiou a sua mão nas minhas costas.

——–&——–

Alice estava toda estressada. Tinha medo de que as coxinhas não ficassem boas. Ela que era praticamente do meu tamanho tinha um cabelo longo que batia no quadril, também não vivia sem uma maquiagem. Apesar de ser linda, Alice era muito insegura quando o assunto era os seus desenhos. Amava fazer um drama, dizia que as imagens ficavam péssimas, mas na verdade eram verdadeiras obras de arte.

-Que demora, dona Isa. –Ela fez cara de brava, mas na verdade não estava.

-Desculpa, Alice, eu estava lanchando com um amigo.

-Que amigo? –Ela ficou bem interessada.

-O Bernardo. Ele estuda com a Cecília.

-Sei…

-Sabe o que? Não posso sair com o amigo?

-Pode não. Deve! –Nós começamos a rir.

Fizemos a massa da coxinha, e preparamos o recheio. Elas estavam indo para o forno quando Cecília e Marcela chegaram à casa da Alice. Vic não iria nos fazer companhia, nossa amiga queria desesperadamente acabar logo o desenho que tinha começado. Todas nós éramos bastante amigas. Sabíamos os segredos uma das outras (aqueles que podiam ser revelados) e sempre tomávamos as dores quando uma de nós estava sofrendo por amor.

Eu terminei de lavar as minhas mãos, que estavam bastante sujas de massa, quando cheguei à sala vi que as meninas não paravam de rir.

-Ei, quero rir também. –Eu falei, enquanto me sentava no sofá.

-A Cecília quer ir à festa de viúva negra. –Disse Marcela.

-E qual é o problema? –Perguntou Alice que também tinha sentado no sofá.

-Ai, Alicinha, a Cecília está apaixonada por um garoto e quer se fantasiar logo de viúva negra. Olha a falta de romantismo. –Marcela ria.

-Ei eu gosto da viúva negra. –Cecília jogou a almofada em Marcela. –Pelo menos eu já escolhi a minha fantasia e vocês?

-Eu acho que vou de princesa Merida. –Disse Marcela.

-Ai, Marcelinha, vai super combinar com o seu cabelo. –Eu falei.

-Eu pensei em ir de Rapunzel.

-Muito sugestivo, né, dona Alice. –Brincou Cecília. –E você, Isa?

-0 meu não é um filme, mas sim um livro.

-Que livro? –Quis saber Alice.

-Uê, o Azul da cor do mar, da Marina Carvalho. A Rafa do livro é super fashionista e estou me inspirando nela nessa nova fase da minha vida.

-Aê, Isa! –Marcela bateu palmas.

-Muito bem, amiga. –Falou Cecília.

-Essa menina está muito mudada. Primeiro sai para comer com um amigo. Depois só que saber de ser fashionista. –Alice falou com aquele jeitinho que todas nós amávamos.

-Que amigo, Isa? –Perguntou Cecília.

-O Bernardo. –Eu falei.

-O Bê? –Cecília parecia não acreditar.

-Sim, o Bê. –Eu resolvi contar para menina quem eu tinha encontrado no shopping. –Eu estava indo para a praça de alimentação quando do nada vejo sentado o filha da puta do Oscar junto com a jararaca da Bárbara. A minha vontade era ir embora, mas eu esbarrei no Bê e ele me fez companhia.

-Cara, esse Oscar é um idiota. –Esbravejou Marcela. –Eu não sei como você conseguiu namorar ele.

-Ai, Marcelinha, no fundo eu sempre soube que seria um risco me envolver com um escorpiano, mas eu era uma adolescente burra que acabou se apaixonando pelo garoto mais gato, que a propósito era amigo do meu irmão.

-Oi, como assim “escorpiano”? –Perguntou Alice. –Não vai dizer que você confia em horóscopo?

-Eu não sou a louca que olha sempre, mas meninas, as características de um escorpiano sempre bateu direitinho com o Oscar.

-Exemplos! –Pediu Marcela.

-Escorpiano é o cara envolvente que sabe como conquistar uma garota. É carinhoso, sabe envolver. E o Oscar era tudo isso. Afinal de contas ele me conquistou. Porém, ao mesmo tempo em que ele tem tantas características boas é melhor não mexer com um escorpiano. Eu e o Oscar brigávamos direto, mas aquele safado conseguia fazer com que eu me sentisse mal. Eu sempre pedia desculpas, mesmo quando ele estava errado. Só não fiz isso com a traição.

-Isa, você sabe todos os signos? –Perguntou Alice.

-Claro que não. –Eu falei. –Só dos garotos que eu estou gostando.

-Então qual é o do Bernardo? –A danada da Cecília perguntou.

-Ai, Cecília, como eu vou saber? Quem estuda com ele é você.

-Sei lá, pensei que você sabia. –Ela deu um sorrisinho.

-Mas não sei e nem me interessa. –Eu falei de forma seca. –Vamos focar na sua fantasia e na sua história com o Vinícius.

E assim passamos o início da noite, escutando Cecília falar sobre o garoto que finalmente estava conquistando o seu coração. Eu não podia negar. Era muito bom ter uma noite de meninas com as melhores amigas que alguém poderia ter.

TAL QUÍMICA – CAP. 2

tal químicaSalagadula mexegabula bibidi-bobidi-bu

Junte isso tudo e teremos então

Bibidi-Bobidi-Bu

Salagadula mexegabula bibidi-bobidi-bu

Isso é magia, acredites ou não

Bibidi-Bobidi-Bu

A salagadula é… nem eu entendo este angu

Mas a mágica se faz dizendo

Bibidi-Bobidi-Bu

Salagadula mexegabula bibidi-babidi-bu

Junte isso tudo e teremos então

Bibidi-Bobidi, bibidi-bobidi, bibidi-bobidi-bu

(“Bibidi-Bobidi-Bu”-Disney)

 

Algumas semanas já tinham se passado, isso significava que eu já estava atolada de trabalhos para entregar. Sempre fui uma pessoa diurna, mas desde que entrei no curso de arquitetura, passei a ficar parte das minhas madrugadas acordada. Hoje não tinha sido diferente, fiquei até às quatro da manhã fazendo um projeto arquitetônico. Faltava pouca coisa para terminar, mas o meu corpo não aguentava mais. Resolvi dormir até tarde. Entretanto, a minha amada família não permitiu.

Eram oito horas quando eu escutei o barulho de móveis sendo arrastados. Escutei também meu pai brigando com o meu irmão, que pelo visto não segurava o sofá direito. Fiquei bastante furiosa. Será que não dava para fazer menos barulho. Eu não estava na farra na noite passada, mas sim estudando. Como eu sabia que não conseguiria mais dormir, fui direto para o banheiro do meu quarto e tomei um bom banho. Lavei o cabelo, já que essa era uma das formas de libertar a preguiça que ainda dominava o meu corpo. Coloquei uma roupa leve e fui para a cozinha, eu estava morrendo de fome.

Eu jurava que ia encontra um bom pedaço de bolo que a minha mãe preparava maravilhosamente bem. Ou se não um bom pão. Mas não encontrei nada disso. Nem uma bolachinha tinha na cozinha.

-Cadê a comida? – Eu perguntei a minha mãe que estava colocando umas roupas na máquina de lavar.

-Comemos. Pensei que você só acordaria na hora do almoço. – Ela falou sem se importar com o fato de eu não ter comido nada.

-A intenção era essa. Mas vocês não deixaram com esse barulho todo. –Eu falei um pouco irritada.

-Isabelle, todos acordaram cedo para fazer algo de útil, já você queria ficar dormindo até meio dia. Tenha santa paciência. – Falou o meu irmão, que se achou no direito de se meter na conversa.

-Acontece, Caio, que eu não fiquei acordada até tarde por passar a madrugada conversando no whatsapp ou por ficar atualizando os meus status no facebook, eu estava estudando.

Não estava com cabeça para aguentar o meu irmão tão cedo. Não que eu não gostasse dele, eu o amava. Mas às vezes ele achava que só o seu emprego era importante.

-Filha, eu preparo um sanduiche para você, deve ter sobrado algum pão na geladeira. – Disse minha mãe.

-Não precisa. Eu como qualquer coisa.

-Ela gosta de fazer doce, mãe. – Caio falou.

-Caio, deixe a sua irmã em paz.

Eu peguei uma maçã e me tranquei no quarto. Acho que a raiva me deixou mais determinada a terminar logo o projeto. Não faltava muita coisa, tinha que escurecer algumas partes da planta e nomear os ambientes.

Assim que terminei de fazer essa parte resolvi arrumar a estante de livros. Aproveitei a ida para Minas e comprei vários livros que eu namorava há um tempo. Sempre fui fascinada pelo mundo da leitura, minha mãe até tinha uma livraria, mas ela estava em reforma. Eu gostava de organizar meus livros por autor. Já que eu tinha comprado dois livros da Carina Rissi, foi necessário mover os livros da Kiera Cass para a prateleira de baixo, pois os livros da Carina eram bem grossos. Quando terminei de arrumar, escutei leves batidinhas na porta.

-Tia Isa, eu posso entrar? – Perguntou Bianca, minha sobrinha que tinha apenas quatro anos.

Imediatamente abri a porta. Assim que me viu ela abriu o maior e mais lindo sorriso que poderia existir. – Bianquinha, que saudades de você. –Eu a coloquei no braço.

-Tia Isa, eu estava morrendo de saudades. Por que você demorou tanto? Não viaja mais, por favor. – Ela disse com os olhinhos marejados.

-Desculpa princesa. A tia não vai mais embora. Agora eu só quero fazer muitas cosquinhas na senhorita. – Bianca começou a rir.

Estávamos deitadas assistindo a um filme da Disney quando Letícia entrou no quarto.

-Meninas, o almoço está pronto. – Letícia falou. – Ela caprichou especialmente para você, Isa.

Eu sabia que a minha mãe tinha ficado com peso na consciência. –Valeu, Letícia. Vamos comer, Bianquinha?

O almoço tinha sido caprichado. Mamãe preparou arroz com feijão e bife com batata frita. Eu e Bianca não resistíamos às comidas que a minha mãe fazia. Estávamos de volta ao quarto, voltamos a assistir ao filme. Mais uma vez Letícia veio falar conosco.

-Bianca, precisamos voltar para o apartamento. Ainda tem muita coisa para trazer.

-Eu não quero ir.

-Deixa ela aqui comigo.

-Certeza que ela não vai te atrapalhar? – Minha cunhada perguntou.

-Desde quando a Bianca atrapalha. – Eu falei. – Se você permitir, eu estava pensando em levá-la ao cinema.

-Deixa, mamãe. – Bianca implorou.

-Tudo bem. Mas comporte-se. – Ela falou. – Isa, não se deixe seduzir por todas as vontades dessa pimentinha.

-Pode deixar. – Eu sorri.

Eu e minha sobrinha fomos nos arrumar. Estava passando a releitura da Cinderela no cinema, essa era a minha princesa favorita e pelo visto também era a da minha sobrinha. Bianca colocou um vestido azul lindo, que Letícia tinha deixado no meu guarda-roupa. Eu coloquei uma saia longa, uma blusa fininha amarela, por cima joguei um cardigã rosa com pequenos corações pretos.

Apesar de ser sábado o shopping não estava lotado, vai ver as pessoas ficaram com preguiça de sair de casa já que chovia bastante. Eu estava na bilheteria do cinema pagando os ingressos quando Bianca soltou a minha mão e correu. Nem contei se o troco que a vendedora tinha me dado estava certo, eu só queria saber para onde a minha sobrinha tinha ido. Assim que eu me virei eu percebi qual era, ou melhor, quem era o motivo de tanta felicidade.

-Então foi por sua causa, dona Cecília, que essa pimentinha saiu correndo. – Eu falei enquanto apertava de leve o nariz de Bianca que já estava bem instalada no braço da minha amiga.

-O que eu posso fazer se a Bianquinha me ama. – Começamos a rir.

-Você veio com a galera da faculdade? – Eu perguntei.

-Sim, com a Lorena, o Matheus que você já conhece; e com aqueles dois. – Ela acenou para dois meninos que vinham em nossa direção.

-Isa, esses são o Vinícius e o Bernardo, eles estão estudando comigo. E meninos essa é a minha amiga Isa e essa princesinha é a sobrinha dela, a Bianca.

-Oi, muito prazer. – Eu disse.

-Oi, Isa. – Disse Vinícius quando me abraçou, ele era alto, moreno claro e tinha os cabelos um pouco ondulados.

-O prazer é nosso. – Bernardo me abraçou. Ele era mais alto que Vinícius, o cabelo era castanho claro e seus olhos eram bem verdes. Quando eu pensei que ele me soltaria, ele disparou: então você é a famosa Isa!

Olhei para Cecília tentando entender, mas minha amiga não tinha escutado o que ele tinha falado. Enquanto isso Bernardo já estava conversando com Bianca. Faltava pouco para o filme começar e eu ainda precisava comprar a pipoca.

-Foi bom ver vocês, mas temos que ir, o filme já vai começar.

-Vocês também vão assistir a Cinderela? – Perguntou Bianca.

-Não Bi, vamos ver Os vingadores 2. – Respondeu Cecília.

-Eu achava melhor ver o da Cinderela, deve ser mais divertido. – Disse Bernardo que não parava de rir para a minha sobrinha mostrando, assim, as suas covinhas.

-Tchau, gente. – Eu abracei Cecília. – Vamos Bi.

O filme estava praticamente na metade, minha sobrinha estava bastante compenetrada não tirando os olhinhos da tela do cinema. Apesar de também estar prestando atenção ora ou outra eu me pegava pensando o porquê eu seria a famosa “Isa” segundo o Bernardo.

TAL QUÍMICA – CAP.1

tal químicaI come home in the morning light my mother says

“When you gonna live your life right?”

Oh mother dear we’re not fortunate ones

Oh girls they wanna have fun

Oh girls just wanna have fun.

(Girls Just Want To Have Fun-Cyndi Lauper)

Não pode ser! Eu devo estar sonhando. Sonho não, esse é o meu pior pesadelo. Não que eu tenha problemas em acordar cedo, eu até adoro e como vocês puderam perceber o toque do meu despertador é bastante animado. O problema é o local que eu tenho que ir, o mesmo em que eu flagrei o idiota do Oscar dando uns amassos na ridícula da Bárbara, a vizinha insuportável que ele fazia questão de dar carona todos os dias. Tudo bem que o local exato que eu iria não era o mesmo do flagra, já que o meu bloco não ficava exatamente perto do dele, mas querendo ou não era o mesmo terreno e uma das últimas vezes que eu pisei lá foi no dia que eu presenciei a cena lamentável.

Calma, Isa, relaxa! Você não está mais com ele. E não é a mesma idiota que aturou as infantilidades do Oscar por DOIS ANOS, SETE MESES E QUINZE DIAS. Agora você é uma menina diferente, que vai chegar naquela faculdade e arrasar. Pena que nem tudo era do jeito que eu queria.

Deixei a preguiça e me levantei. Tomei banho, sequei o cabelo e escolhi a roupa que marcaria uma nova era. OK! Não era para tanto. Coloquei uma calça jeans boyfriend rasgada, com uma regata cinza soltinha, um salto alto grosso verde e uma jaqueta preta. Para fechar o look resolvi colocar uns óculos escuros e a bolsa de lado preta que a Alice tinha me dado de natal.

Passei rápido pela cozinha, minha mãe estava ao telefone, provavelmente conversando com Letícia, minha cunhada junto com a família iriam se mudar para minha casa, já que os meus sobrinhos nasceriam em breve.

-Bom dia mãe. –Eu peguei um achocolatado que estava na porta da geladeira. –Tchau mãe. –Ela olhou para mim, e acenou.

Assim que cheguei à faculdade encontrei as melhores amigas que alguém pode ter sentadas na cantina. Assim que Cecília me viu sua expressão mudou rapidamente, já que seu sorriso foi substituído por uma cara de espanto.

-Cadê o seu cabelo dona Isabelle? –Ela se levantou e parecia não acreditar no que estava vendo.

-Uê! Eu cortei. – O meu cabelo era enorme, mas desde o termino com o Oscar eu resolvi radicalizar, Aproveitei que estava de passagem em BH e fui ao salão dar adeus aos fios longos, no lugar ficou um lindo long bob.

-Isa, ficou lindo!!! – Disse Marcela que correu para me abraçar.

-Valeu Marcelinha. – Eu sorri.

-Ficou muito lindo, Isa. – Falou Vic.

-Obrigada, Vic.

Cecília ainda estava assustada. Pelo visto ela era a única que não tinha curtido o meu visual. – Isa, você pirou? Cadê seu cabelo? Ele era tão lindo.

-Cruz credo, Cecília. É só cabelo. – Vic comentou.

-Deixa de frescura e me dar um abraço. Eu estava morrendo de saudade das minhas amigas lindas. – Marcela e Vic se juntaram ao nosso abraço.

Depois da sessão drama por causa do cabelo começamos a conversar. As meninas estavam curiosas, queriam saber como tinha sido a viagem. Marcela foi a primeira a se manifestar:

-Isa, isso foi muito injusto. Você deixou as suas melhores amigas aqui, enquanto isso foi se embriagar na arquitetura mineira.

-Marcelinha, desculpa. Foi tudo tão rápido. Eu queria ficar longe do Oscar e a minha madrinha me chamou para passar as férias lá. – Eu falei com o coração partido.

-Dessa vez eu perdoo. Mas você precisa me levar na próxima. – Falou brincando minha amiga que tinha os cabelos ruivos um pouco acima dos ombros.

-Levo todas vocês!

Cecília que tinha terminado de tomar seu suco aproveitou que estávamos em silencio e tocou no assunto que eu menos gostava de falar nos últimos tempos: Oscar.

-Isa, o Oscar perguntou por você. – Ela falou enquanto ficava passando a mão em seus longos cabelos dourados.

-O que ele queria Cecília? – Eu perguntei apreensiva, afinal de contas queria que aquele garoto esquecesse que eu existia.

-Saber como você estava. Falei que você estava ótima e que se divertia horrores com os mineirinhos.

Eu não contive o riso. Apesar da boa intenção da minha amiga, o Oscar me conhecia muito bem e sabia que eu não fazia o tipo de menina que ficava com vários garotos sem ao menos conhecê-los.

-Cecília, eu já disse que te amo? –Eu abaixei a cabeça e comecei a brincar com o canudinho do meu copo. – Eu não quero que o Oscar pense que eu chorei por causa dele. Na verdade eu quero que ele vá para o raio que o parta.

-Isso mesmo, Isa. – Falou Vic. – Nada de ficar sofrendo por causa de homem.

Se dependesse de mim, ficaríamos a manhã inteira conversando, mas tínhamos aula, já que o novo período nos esperava. Eu e as meninas nos despedimos de Cecília, nossa amiga fazia engenharia civil, enquanto nós éramos da galera da arquitetura. Fomos direto para sala. A primeira aula era de história da arte arquitetura e cidade. A cada novo período eu tinha mais certeza que aquele era o curso certo.

As aulas passaram muito rápido, naquele dia além de história da arte tive aula de sistemas estruturais. Mesmo sendo o primeiro dia de aula, percebi que os professores não queriam aliviar. Eles já tinham passado alguns projetos que veríamos em longo prazo. Eu precisava ficar esperta, se deixasse tudo para última hora não teria tempo para nada, nem para respirar.

Ao sairmos da sala, eu e as meninas fomos encontrar Cecília, e também Alice, todas nós iríamos começar a organizar a festa do nosso melhor amigo, o Gael. Ele estava fazendo um intercambio nos EUA, e voltaria em menos de dois meses. Como ele adorava festa, e nós também, achamos mais do que justo comemorar essa volta em grande estilo.

-Isa, que cabelo maravilhoso. – Disse Alice, minha amiga que estava no sexto período de arquitetura.

-Que bom que você gostou, Alice. – Eu falei enquanto a abraçava. –Estava morrendo de saudade.

-Eu também. Semana passada eu encontrei a Bianquinha passeando no parque com o Caio e a Letícia, por falar nela, acho que aquela barriga vai explodir. – Nós começamos a rir. Minha cunhada estava grávida de sete meses e de gêmeos.

-Precisamos urgentemente marcar um cineminha. A Bianca adora essas farras.

Continuávamos conversando até que avistamos Cecília. Ela conversava com dois meninos, ambos eram altos e eu tinha a impressão de nunca tê-los visto. Assim que nos viu nossa amiga fez sinal para que esperássemos um pouco. Pelo visto a conversa era bem importante.

Depois de uns cinco minutos Cecília veio falar conosco. Nunca tinha visto minha amiga tão animada nos últimos tempos. – Qual o motivo de tanta felicidade? – Eu perguntei curiosa.

-Os meninos acabaram de me chamar para fazer parte de um megaprojeto. – Ela era pura alegria. – Eles falaram que viram o meu projeto do ano passado e adoraram.

Cecília era assim, vivia engajada nos projetos que a engenharia oferecia. – Fico feliz por você, amiga. Mais um que vai para o seu currículo.

-Você deve ter dezenas. – Brincou Marcela.

-Faz muito bem. –Disse Alice. – Daqui a pouco você estará participando desses congressos no outro lado do mundo.

-Tomara! – Cecília falou.

-Caso você vá para a Austrália não se esqueça de me levar. Nem que seja na mala. – Implorou Vic.

-Agora o único projeto que eu quero focar é na festa do Gael. – Cecília falou. – Se depender de mim, essa será a melhor festa da vida dele.

-É isso aí! – Vibrou Marcela.

Como Cecília falou colocamos todo o foco na festa do nosso melhor amigo. Aquela festa entraria para a história.

TAL QUÍMICA

Oi, gente! Tudo ótimo com vocês? Hoje o nosso bate-papo será diferente, vamos falar sobre sonhos. Eu amo sonhar. Não sei se isso é mal de taurina (Será?). Eu também amo escrever. Sério! Já perdi as contas de quantas estórias eu comecei, mas não terminei. Foi graças as minhas divas Thalita Rebouças e Paula Pimenta que eu resolvi dar mais valor para o que eu escrevia. Elas sempre deram muitos conselhos para os seus leitores que sonhavam em ser escritores. A Paula sempre diz que temos que escrever aquilo que queríamos ler. E foi isso que eu fiz.

Não que eu queira ser exclusivamente escritora. Não vejo a hora de começar as minhas aulas de arquitetura. Mas confesso que amaria ver alguém lendo e elogiando o meu livro. Pensando nesses meus dois amores, eu resolvi escrever um livro que conta a estória de uma estudante de arquitetura que ama loucamente os seus amigos e que conhecerá um carinha muito gato.

Eu vou logo avisando, não pretendo publicar tudo no WATTPAD. Tenho medo de que roubem a minha estória. Mas pretendo publicar pela Amazon no ano que vem. Postar alguns capítulos no WATTPAD (serão onze no total) fará com que eu tenha mais confiança de dividir os meus textos com vocês, e quem sabe ano que vem eu publique mais contos aqui no blog. Vou confessar que terá um conto bem divertido de Tal Química, sim! Tal Química é o nome do meu livro. O livro que me fez depositar quase seis meses (ou mais) do meu tempo para criar uma estória linda que me marcou profundamente. Se vocês tiverem os melhores amigos do mundo como eu tenho, tenho certeza que vocês irão se identificar com a estória. Se não for pedir muito vão até a minha página do WATTPAD e se divirtam um pouco com a Isa e com os seus amigos. Espero que vocês gostem!!

tal química

 SINOPSE – TAL QUÍMICA

Aos vinte anos queremos apenas aproveitar a faculdade, a família, os amigos e principalmente o namorado. Mas para a Isa este último item não fazia mais parte da sua vida. Sem dúvidas ela ariscaria da sua lista a palavra namoro, pelo menos durante um bom tempo. Afinal de contas nunca é fácil ser traída. Isa decide focar cada segundo do seu tempo em ser a estudante mais dedicada de arquitetura da Federal de Alagoas. Aproveitar sua sobrinha linda, a Bianquinha, e os sobrinhos gêmeos que a qualquer momento irão nascer. Ah! Ela também decide aproveitar mais ainda a família o grupo de amigos mais animados do mundo, é claro que só poderia ser a Marcela, a Alice, a Cecília, a Vic e o Gael. Mas e se novos amigos aparecerem na sua vida? E se um desses amigos torcer pelo mesmo time que ela? E se esse amigo amar a mesma banda que ela? E se ele tiver os olhos verdes intensos mais apaixonantes do mundo? A missão de Isa será não cair nas armadilhas dos “e se”, mas será que dará certo? É claro que ela descobrirá tudo o que ocorrerá acompanhada dos melhores amigos que alguém poderia ter.

 LEIA OS 11 PRIMEIROS CAPÍTULOS NO WATTPAD