Tag: conto

AQUELE SORRISO BOBO QUE ME CONQUISTOU – PARTE II

-Mano, é tradição! A gente precisa comemorar o teu aniversário.
Estava escutando aquela frase o tempo inteiro no último dia. Faltava uma semana para o meu aniversário de 23 anos. E durante os últimos dois anos comemorei a data com os meus amigos. Sempre íamos à boate da cidade universitária que morávamos. Mas esse ano eu não queria ir. Passava a manhã inteira no estágio, a tarde tinha a faculdade e a noite precisava dividir o meu tempo entre estudar os assuntos do meu curso, que, definitivamente, não era fácil, já que eu cursava engenharia aeronáutica e dava aulas de reforço. Eu sabia que não estava sendo fácil para os meus pais mandarem dinheiro para eu me manter aqui. Estava economizando onde eu podia.

AQUELE SORRISO BOBO QUE ME CONQUISTOU


Acabou! Ou melhor, iria começar a minha maratona para acabar todos os projetos da faculdade antes de domingo. Missão bastante difícil, mas não impossível!

Assim que a professora finalizou a aula, dei um tchau para os meus amigos de turma e sai em disparada para o ponto de ônibus. Queria apenas que ele fosse mais perto. Mas não, eu precisava passar pelo bloco de exatas, para chegar no estacionamento, para finalmente andar uma rua até o ponto de ônibus. A meta era fazer todo esse percurso em três minutos. Eu era boa nisso. Mas nada saiu como o planejado.

A GENTE SE PRENDENDO À TOA

Então você odeia uma pessoas porque suas amigas dizem que você tem que odiar. Uma briga boba entre o segundo e o terceiro ano da escola. Até hoje não entendo o real motivo dessa rixa, quando me dei conta já tinha uma turma toda odiando cada um dos meus amigos, inclusive eu.  Mas está no código dos amigos, ODEIE TODOS QUE ODEIAM SEUS AMIGOS. Sim, eu sei que isso é bem exagerado, mas quando a gente está no colegial tudo é muito mais intenso. A gente não pensa, a gente #SóVai. E eu queria explicar isso pra esse troço que fica no meio do peito, que vez ou outra gosta de ir contra a razão. Eu precisava entender que esse garoto do sorriso mais bobo, que quando passa no corredor eu sou obrigada a fingir que não estou olhando, não pode tirar um sorriso bobo meu também.

A MENINA JOAQUINA: SOBREVOANDO FLORES

a menina joaquina: sobreavoando flores

Ser criança é não perceber, muitas vezes, grandes muralhas que são construídas entre nós. É não saber quanto tempo o tempo tem, ele só passa, passa e leva com ele momentos não vividos. Mas do nada a gente começa a perceber: percebemos o que é saudade, percebemos que temos que ter responsabilidades, como ter que guardar as moedas que ganhamos de mesada para podermos comprar a nova edição do Gibi na banca do Francisco, por exemplo.

A VIDA É UMA BEBIDA E O AMOR É UMA DROGA

a vida é uma bebida e o amor é uma drogaEu devo ter muita sorte ou são meus pensamentos positivos. Não importa! Alguém lá de cima sempre te envia pra me levar pra cima. Quando eu estou pra baixo você vem e coloca suas asas em mim. E eu não só me sinto livre, eu estou livre. E eu voo. Sinto-me bem. Sinto-me louco, drogado, extasiado.  Estamos em sintonia. Você é a garota que me faz feliz. E mesmo eu sendo complicado, estamos juntos nessa. Porque você me  entende. Já te disseram que a vida é uma bebida e o amor é uma droga? E eu estou bêbado e chapado com você. Tão louco!

Vamos ser loucos juntos. Vamos fugir, vira na primeira esquina e parar no primeiro destino que a vida nos preparar. As malas vão estar cheias só de nós dois. Vamos ficar sem respirar debaixo d´água. Vamos pular de asa-delta, aprender a patinar no gelo e sempre dar três beijos. Vamos dá “Match” só pra iludir, vamos mentir e fugir. Vamos aprender novas línguas e entrelaçar nossas línguas. Vamos zombar da cultura alheia e vamos inventar a nossa própria seita.

Nos bastamos. Nos amamos. Nos machucamos. Nos perdoamos. Nos reconciliamos. Nos beijamos. Nos mordemos. Nos satisfazemos. Nos adoramos. Nos viciamos. Nos Bastamos. Nos amamos. Nos machucamos. Nos perdoamos. Nos reconciliamos. Nos beijamos. Nos mordemos. Nos satisfazemos. Nos adoramos. Nos viciamos. Nos repetimos…

Sim, a vida é uma bebida e o amor é uma droga.

A GAROTA DO TINDER – PARTE 1

A GAROTA DO TINDER-  QUALQUER COISA VIRA LATASer uma garota da geração Z é estar sempre conectada em todas as redes sociais, ser popular e manter o mesmo status na escola e nos grupos de amigos. Por favor, menos! Odeio essas definições. Eu não quero ser ” a popular” das redes, eu só quero ver o que está acontecendo com a galera através do Facebook, postar minhas fotos de borboletas ou de folhas secas com um filtro legal no Instagram, postar o que estou fazendo de legal no SnapChat e reclamar da minha mãe quando ela me fazer passar vergonha na frete dos meus crush – e ela tem pós graduação nesse assunto – no Twitter. Tá, eu sou a louca dos aplicativos.

A regra é clara: se tem espaço, baixe mais aplicativos. E foi então que começou toda a confusão, pois depois de ouvir várias amigas comentando sobre um novo aplicativo de relacionamento – e como eu estou, como posso dizer, encalhada? Ficando pra titia, como diz as gerações atrás – Eu resolvi baixar o tal do Tinder. E a regra era clara: vai aparecer várias pessoas que estão próximas a você. Deslizando o dedo para a direita na foto do sujeito você está dando like para o garoto, deslizando o dedo para a esquerda na foto do sujeito você quer esse garoto bem longe de você. Mas a louca aqui da falta de direção fez tudo ao contrário nas primeiras cinco fotos que surgiram em sua frente. E adivinha: a treta foi armada.

Já que eu estava na escola, os garotos que apareceram para mim foram os meninos do colégio. E com a  minha falta de direção de esquerda/direita eu acabei dando like na foto do namorado da menina mais ridícula e famosinha da escolha: a Danni. Ela é tipo aquelas meninas de filmes americano que quer toda atenção e você odeia, sabe? Até aí tudo bem, até porque ele nunca iria saber que eu tinha feito isso, e para o meu bem, melhor não.

Entretanto,  eu sou do tipo que sempre que faz alguma coisa errada coloco minha face de culpada e me entrego para todo mundo.

 – Está tudo bem com você? Que cara é essa menina? – Perguntou a Anna, minha melhor amiga.

– Cara? Que cara? Eu só tenho essa, esqueceu? Eu estou ótima! Olha só esse sorriso, alguém nervosa por fazer alguma coisa errada estaria com esse sorriso? – e eu só pesava: já acabou, Jéssica? CALA A BOCA, EDUARDA.

– Então, tá bem! – Disse a Anna fazendo a cara de sempre: eu sei que você fez alguma coisa, mocinha.

As aulas finalmente acabaram e o medo da burrice que eu tinha feito já tinha diminuído. PURA INOCÊNCIA MINHA! A vida só para quando ela vê lágrimas, dor e sofrimento. E foi quase isso que aconteceu quando eu joguei minha mochila no canto da cama e abri o Tinder. EU NÃO ACREDITO! Gritei escandalosamente. O namorado da ridícula também curtiu a minha foto e o chat privado agora tá liberado para nós dois. SO-COR-RO! Meu resto de dignidade naquela escola vai escorrer mais fácil que água. Eu não sei lidar com isso!

Quando eu pensei que estava no fundo do poço, o meu tinha um compartimento secreto ainda mais fundo, porque minha vida é dessas. O idiota do namorado da Danni mandou um “você?” no chat do Tinder. E o meu desespero só aumentou!

Corri para o grupo “É TUDO VACA” que mantenho com minhas melhoras amigas no WhatsApp e fui logo pedindo socorro. Primeiro tive que aguentar elas me zoarem para então receber alguma mensagem de apoio, e sim, nesse momento eu tenho certeza que são todas umas vacas, mas são as “MINHAS VACAS” <3 Chegamos a conclusão de que era melhor eu ficar na minha, porque do jeito que sou atrapalhada é bem capaz deu colocar lenha na fogueira e, no caso, quem se queimaria era eu.

No dia seguinte acordei pensando em como a noite passada pareceu eterna. Depois dos cincos alarmes programados despertarem, eu finalmente resolvi sair da cama. E tudo que eu queria era ter acordado com um gripe daquelas, com uma febre de 40º graus e em delírio, entretanto as doenças só são programadas para nos pegar em dias especiais para sua vida: tipo o aniversário de quinze anos da sua melhor amiga.

Banho tomado e mochila pronta, hora de encarar o que poderia ser o pior dia da minha. Coloquei minha playlist de autoestima, tipo: Lady Gagar, Katy Perry… E passei bem longe de “salva-me” do RBD, porque era capaz deu começar a chorar bem ali mesmo, no carro. Combinei com as “vacas” de encontrá-las na porta da escola, pois eu não saberia lidar com a situação caso a Danni já soubesse e estivesse me esperando na porta e quisesse me dar umas tapas bem ali. E surpresa, ao entrarmos na escola, encontramos a Danni e as “bajulacretes”, ou seja, suas amigas falsificadas. Pela primeira vez senti minhas mãos suarem, era um mistura de calafrio e o calor do sol ao mesmo tempo. Juro que consegui ouvi meu coração batendo muito mais acelerado. E a Danni foi se aproximando de mim e… Sorriso! Somente um sorriso. Não pode ser, pior que uns tapas, é um sorriso dessa garota. SO-COR-RO!

A NOITE DAS GAROTAS – IZABELA LOPES

Pensaram que eu me esqueci de vocês? Não mesmo galera. O problema é que está sendo muito complicado conciliar estágio mais faculdade. PORÉM, as coisas vão melhorar (espero). Sem dúvidas vocês não estão nem aí para a minha vida. Querem a resenha. Então vamos lá.

a noite das garotas

A resenha de hoje é sobre um conto escrito por uma fofa chamada Iza Lopes. Eu amo as resenhas da Iza, inclusive já comprei vários livros por causa delas. Além de fazer resenhas, a Iza também escreve. Sim, e muito bem! Ano passado ela lançou o conto A Noite Das Garotas, e o dono deste blog me deu de presente <3. O conto fala sobre três amigas: a Mari, a Virginia e a Bruna. O conto narra os fatos que ocorrem no dia de cada uma delas: uma faz cursinho pré-vestibular com o namorado, a outra descobre uma série de coisas sobre o seu vizinho e a última narra o seu dia de trabalho em uma livraria (sonho).

Infelizmente não posso contar quase nada, pois é um conto curto. Mas eu posso dizer que o conto é maravilhoso! Todo mundo tem aquela amiga (ou amigas) confidente, que sabe tudo sobre a nossa vida. Aquela amiga que nos dar conselhos maravilhosos. Nesse conto vocês acharão essas amigas. Amigas que preferem passar a noite ao lado das suas irmãs, que precisam muitas vezes do seu colo, do que na companhia do namorado. Resumindo, o conto fala sobre amizade, sobre lealdade. Enfim, sobre o AMOR.

Vale super a pena comprar, vende na Amazon. A Iza arrasa, Sério! Iza, se um dia você lançar um livro saiba que eu comprarei. Galera, se assim como eu, vocês também estão na correria, saibam que dá para ler esse conto numa boa. O único problema é que vocês ficarão com gostinho de quero mais.

A MENINA JOAQUINA: A MIUDEZA DAS COISAS – MEU PRIMEIRO CONTO

Faltam pouco dias para acabar o ano. Muitas coisas aconteceram, muitos acertos e erros, mas muito aprendizado também. Foram dias difíceis, mas foi muito bom viver tudo isso. Foi realmente um ano de renovação e onde os sonhos perdidos renasceram. Finalmente me dediquei ao blog, que sempre foi um sonho. E entre sonhos e sonhos eis que tenho o maior prazer de estar fazendo esse post agora. Quem me acompanha nas redes sociais já está cansado de me ver falar sobre isso, mas eu ainda não tinha feito o lançamento oficial aqui no blog.

face-joaquina

Em comemoração ao Natal, eu publiquei meu primeiro conto pela Amazon. Vocês lembram da menina Joaquina? Depois de meses sem textos dela aqui no blog , eis que ela surgi em um  conto emocionante. Felicidade é o que me define. Para alguns pode ser uma simples coisa, mas para mim é o princípio de coisas maiores que podem acontecer. Ela surgiu do nada, simplesmente comecei a escrever sobre uma menina que tem um coração incrível e consegue enxergar coisas que muitas vezes eu nunca parei para pensar. Eu escrevo, mas sou o que mais aprende. Não tenho como explicar essa relação. De conto em conto fui me apaixonando tanto que em alguns momentos não consigo diferenciar a Joaquina do conto com a realidade. E como presente de Natal, eis que surge esse conto maravilhoso para salientar qual o verdadeiro sentido da vida e como as pequenas coisas podem nos mostrar qual o caminho certo a seguir.

SINOPSE


Sonhando acordada muito mais do que dormindo. Ela consegue ver o essencial da vida, ainda que não saiba disso. A menina Joaquina ama e consegue ser infinita em suas descobertas, erros e acertos e, para ela, isso basta. E agora ela terá que descobrir como é ser luz em meio à escuridão. O que é a miudeza da vida?


Livro: A Menina Joaquina: A Miudeza das Coisas

Autor: Alef J. Marinho

Páginas: 22

Editora: Amazon Kindle

Valor: R$ 3,98

Skoob: A Menina Joaquina    ( marque como lindo <3)

*Até 25/12/15 o conto estará gratuito no site

A MENINA JOAQUINA: NÃO SÃO GÊMEAS NO OLHAR

tumblr_lcq02mpBHB1qcjmt2o1_500Há duas meninas que moram perto da minha casa, elas são novatas no bairro. Seus pais tiveram que se mudar para a minha cidade por conta do emprego. Eu não as conheço bem, na verdade só falei com elas uma vez quando levava meu coelho, Bartolomeu, para passear na grama da praça. E o mais legal de tudo é que elas são gêmeas, daquele tipo que se parecem iguais, sabe?

Essa semana  a mãe delas esteve aqui em casa, ela veio trazer o convite do aniversário delas. Isso é legal e estranho ao mesmo tempo, porque, geralmente, só convidamos os amigos que mais gostamos para nossa festa. Mas isso é um sinal de que elas gostaram de mim e querem fazer amizade. Eu acho isso ótimo! Mamãe perguntou-me se eu tenho o desejo de ir, eu disse que sim, pois elas pareciam legais. Saímos para comprar o presente. Fomos à loja de brinquedos do shopping aqui perto de casa que, geralmente, eu costumo comprar os meus presentes em meus aniversários e no dia das crianças. E também sei que no Natal a mamãe compra nessa loja, porque essa é a loja mais “brinquetuda” de todas as lojas de brinquedos.Eu tinha uma missão impossível: comprar dois presentes para duas meninas que quase não falo e não posso escolher nenhum presente para mim.

Depois de rodar toda a loja e fazer o vendedor tirar da caixa quase todos os brinquedos possíveis de serem testados na hora  – Desculpa moço da loja – eu escolhi duas bonecas lindas da mesma coleção, assim elas poderiam completar a coleção mais rápido. Minha mãe pediu para que fossem embaladas com papel de presente igual e lógico que eu não deixei. Que mania das pessoas de acharem que tudo deve ser igual.

E finalmente chegou o dia da festa, fomos só mamãe e eu. O papai sempre tenta evitar o máximo que pode quando há festa de crianças. Ele diz que eu já sou uma festa ambulante. E eu sinceramente não sei se fico com raiva ou recebo como elogio, afinal, uma pessoa que parece uma festa ambulante deve ser muito feliz.

Ao chegarmos, as meninas nos receberam.

– Oi, bem vindas a nossa festa –  Disseram juntas de uma só vez – Eu sou a Sara e essa é a Sofia. Uma delas tomou a frente.

Eu não conseguia disfarçar minha cara de “ué”. Eu realmente não esperava ver aquelas duas meninas usando vestidos de bolinhas: um branco com bolinhas vermelhas, outro vermelho com bolinhas brancas. Eu tinha vários problemas nesse momento: primeiro, não posso rir por essas meninas estarem parecendo enfeites de árvore de Natal; segundo, não posso acreditar que elas realmente querem ser iguais; terceiro, tenho que mudar minha expressão e dar logo um sorriso antes que elas me acham uma irritadinha do nariz empinado.

– Oi, meu nome é Joaquina. Obrigada pelo convite. Esse é seu, Sara – Entreguei para a menina do vestido branco com bolinha vermelha – Esse é seu, Sofia  – Entreguei para a menina do vestido vermelho com bolinha branca.

– Como está seu coelhinho? Como é mesmo o nome dele? – As duas falaram se completando. E eu não consegui disfarçar minha cara de “ué?”.

– Bartolomeu –  Respondi –  Vocês sempre falam assim? – Um dia ainda vão costurar minha boca. Cala boca, Joaquina!

– Joaquina! Mamãe falou segurando em meu braço. Com um olhar de repreensão

-Assim, como? – Falou a Sara.

– Vocês sabem que não precisam ser iguais, certo? É tipo, esse vestido. O vestido da sara é branco e o da Sofia é vermelho, e mesmo que o branco tenha bolinhas vermelhas, ele nunca vai ser vermelho. Assim como o vermelho têm bolinhas brancas, ele nunca vai ser branco. Assim são vocês, mesmo que a Sara tenha um pouco de Sofia dentro dela, ela nunca vai ser Sofia. E isso é o encantador de tudo isso. Já imaginou se todo mundo pensasse igual? Eu posso presumir – Gostaram dessa palavra? Mais um do dicionário da tia Carmem. Quer dizer que eu fiz uma conclusão – que isso seria, no mínimo, estranho. E eu posso ver isso nos olhares de vocês. A sara é dedicada, gosta de ser líder no grupo, mas tem medo da reprovação das pessoas. Já a Sofia é muito meiga, sonhadora e altruísta, mas tem medo de arriscar, por isso sempre fica na sombra da irmã. Vocês não são gêmeas no olhar. E talvez isso não pareça conversa de uma criança, mas somos nós quem mais podemos sentir tudo isso.

– Tá, vamos brincar agora. Tchau, Joaquina. – Elas falaram juntinhas. Como se já tivessem decorado essa fala. E como se não tivessem entendido nada do que eu tinha dito.

Dei tchau, e fiquei observando elas correndo até a caixa de presentes e joga-los lá. Depois correram para um grupo de meninas e ficaram exibindo os sapatos que combinavam com os vestidos. E eu espero realmente que elas entendam que as pessoas não precisam sempre ser iguais, e muitos menos ser aquilo que as pessoas querem que elas sejam. Eu mesmo já não serei mais eu daqui alguns dias, horas,segundos…eu já entendi que o bonito da vida é estar sempre se transformando. E eu gostarei do meu novo eu.

Beijos e abraços, Joaquina.

MÊS DO HORROR: JACK, O’LANTERN

jack-o-lantern-pumpkins-11288879970iUJPEra 31 de outubro, uma das noite mais escuras e frias que aquele pequeno vilarejo enfrentara. No final do crepúsculo já se tinham ido todos para suas casas, desde do último ocorrido as lembranças fizera com que todos tivessem calafrios só de pensar em sair de seus não tão seguros abrigos. Como sempre, somente um pequeno bar ao fim da rua mais escura, do bairro mais sombrio e frio permanecia com suas luzes acessas a espera dele. Jack, voltara. Ele sempre voltara.

– Daniel, eu não quero ouvir essa história

– Calma, irmãozinho! É só uma história do dia das bruxas

– Mas eu não quero. Eu tenho medo!

-Silêncio, temos que continuar o que começamos…

Em uma noite escura como essa, em um 31 de outubro, Jack , como de costume, tinha bebido desvairadamente. E vagava a gritar pelas ruas da cidade que nesta época não era silenciosa como procura ser atualmente. Jack seguia o mesmo caminho em todos os seus retornos a sua casa, o que fazia que mesmo com toda bebedeira ele não se perdesse a ficar perambulando pelas ruas até o o sol raiar novamente. Mas nem todos os dias podem ser iguais e, de longe, esse não  foi igual aos outros.

Jack depara-se com uma pessoa ao longe, ele até hesitaria a não passar pelo mesmo caminho caso tivesse um pingo de lucidez naquela momento, mas como ser lúcido após uma longa noite alcoólica? Ao se aproximar, ainda enxergando embaçado, Jack ouvi o homem a chamar pelo seu nome. Até que um fecho de luz decorrente de um candeeiro iluminou a face daquele home. Jack assustou-se com a aparência daquela coisa.

-Boa noite, Jack!

– quem é você?

-ora, sabes quem sou. Teu companheiro. Eu sou o diabo.

– E o que queres?

– Chegou o teu dia, amigo. Venha de bom grado, pois vim levar-te

Jack, esperto como era, convenceu o diabo a dar-lhe mais alguns minutos no bar mais próximo e o acompanha-lo em sua última dose. Depois de seu último gole, Jack confessou que não tinha dinheiro para pagar a bebida e convenceu o diabo a transforma-se em uma moeda, de bom grado, o diabo fez. Jack, aproveitando a situação, pegou o diabo transformado em moeda e colocou-o em em sua carteira, onde o zip era em formato de cruz e ele não poderia sair de lá. Ao passar das horas, depois de muito pedir para ser libertado, Jack resolveu entrar em acordo com o diabo, caso ele o tirasse de sua carteira,  ele o deixaria viver por mais um ano. E assim foi acordado.

Um ano se passara. Jack tinha prometido mudar depois desse encontro macabro. E mudou! Agora ele era prefeito daquela pequena cidade, a bebida já não tocava mais em sua boca e ajudava a todos que o procurassem. Todos admiravam aquele homem que sozinho conseguiu se livrar da vida de fracasso que vivia a alguns anos passados. Não desconfiavam que toda aquela boa vontade era medo de ir para o inferno. E ao anoitecer, como acordado, o diabo voltara para levar o que o pertencia, a alma de Jack.

Jack, mais uma vez abusando da pouco inteligência do diabo, o convenceu  a subir em uma árvore para pegar um fruto, uma maçã,  para que Jack o provasse pela última vez. Assim o diabo fez, subiu naquela árvore para satisfazer o último pedido de Jack,  entretanto, ele não esperava que Jack sacasse de sua cintura uma pequena faca e marcasse o troco daquela árvore com o sinal de uma cruz. Assim, mais uma vez, o diabo ficara preso graças as artimanhas daquele mortal. Ao passar das horas e de muito pedir para ser soltou, Jack exigiu que o diabo nunca mais voltasse para buscar sua alma. E assim, de bom grado, o diabo recebeu o acordo.

-nossa, Daniel! O Jack é muito corajoso.

– cala a boca, a história ainda não terminou

Mas não se pode mudar o destino. Um ano depois Jack morrera em um acidente ao tentar buscar água no poço, escorregar e morrer lá no fundo. Para ele, a morte demorou alguns instantes, tempo suficiente para lembrar de tudo que fizeram ao longo de sua vida desregrada. Ao chegar ao céu, as portas não se abriram. Pois nada apagara seus pecados. E ele foi jogado para o inferno. E ao chegar lá, deparasse com seu amigo de datas passadas, o diabo. Esse, como muito receio depois das trapaças de Jack, negou a entrada de sua alma. Entretanto, compadecido dessa alma penada, tirou do fogo uma brasa e deu-lhe a Jack para que ele se guiar pelo limbo. Jack, pôs a brasa em uma abóbora e foi-se guiando pela eternidade.

– Isso é verdade, Daniel.

– Ora, irmãozinho, se você vê em meio a noite escura uma pequena luz como de brasa. Dê um “olá” para seu amigo Jack.

E NOS TEUS OLHOS AINDA EXISTE AMOR

ainda existe amor Leia ouvindo Joss Stone – Right To Be Wrong

Você me deu belos motivos para ir embora. Eu fui. Mesmo querendo ficar  e tentar arrumar toda essa bagunça que o vento fez ao passar. Não sei o que aconteceu, estávamos perto fisicamente, mas parecia que estávamos tão longe um do outro que não conseguíamos nos reconhecer como aquelas pessoas que estiveram juntas por tanto tempo, aqueles que planejaram e sonharam juntos. Aqueles que se amaram. Você me deixou partir. Eu parti. Não foi fácil e ainda não é fácil. Mas eu preciso acredita que poderei ser feliz. Talvez tudo que eu tenha que fazer, ou melhor, tudo que eu consiga fazer nesse momento é sentir minha bad, sozinha, ouvindo Lana, no meu quarto, com meus livros. E entre uma música e outra eu devo pensar que preciso te esquecer. É, tenho que viver isso para sentir aqui dentro que realmente acabou. Desculpe por eu tanto te evitar, fugir dos locais onde você está. Não quero ser aquele casal que se amou e agora se odeia ao ponto de não se falar. Afinal, o que vivemos foi lindo. Mas eu não consigo te olhar, pois eu sinto que nos seus olhos ainda existe amor.

 Estou mal? Sim, estou! E não se preocupe, não me sinto na necessidade de ter uma felicidade falsa em minhas redes sociais. Não mandarei indiretas para você. Às vezes quero te mandar uma mensagem no whatsapp, escrevo “diga que se lembrará de mim, do meu batom vermelho, da minha bochecha rosada. Diga que ainda sonha comigo”. Mas apago. E me pergunto como acabou se ainda existe amor. Ou não é amor? É acomodação? É medo da mudança? De não me sentir segura sem alguém ao meu lado?

Você me deixou partir. Eu parti. E agora eu te deixo partir. vai, seja feliz.

CARTA À PRIMAVERA DE UM BEIJO AMERICANO

beijo americano

Eu nunca fui de me importar tanto com as estações – não que agora eu me importe realmente – mas essa especificamente me marca profundamente. Desde que tudo…tenho me mantido forte, afinal, capricornianos até sofrem, mas não se fazem de fraco na frente de ninguém. Olha eu aqui, entendendo de signos. São por essas e outras que ainda dizem que estou ligado a você. E como não estar? Começou mais uma estação daquela, você lembra? Foi uma viagem de última hora. Um corre-corre danado!  – Pegou tudo? pegou tudo?  – Eu realmente confesso que você quase me enlouqueceu.  – Calma, garota! Tá tudo na mala, certo? –  Te dou um beijo na testa e você confia. Mais uma renovação chegando…Sim, me sinto renovado. Alguns acreditam que não me conformei ainda, mas eles não me entendem, ou melhor, eles não te entendem. Pois vivo como você gostaria que eu vivesse. Você já foi minha escuridão, mas muito mais minha luz. Você já foi meu medo, e ainda mais meu porto seguro. E é por isso que não me sinto mais fraco, pois já senti dor e você foi minha cura. E a cada primavera é mais um ano que você se tornou infinita. Lembra do Beijo Americano que te dei? Ela agora floresce muito mais, flores de uma cor vermelha intensa. Como você amava, como eu amo!

Estou saindo com uma outra mulher, acredito que você já saiba, mas faço questão de dizer. Sei que demorou muito mais do que você disse que iria demorar, mas não foi nada fácil de início. Ela me faz rir, é uma ótima pessoa. E sim, aconteceu como você disse: um dia alguém te abraçará tão forte que todos os pedaços dentro de você vai se juntar novamente, e então você saberá que encontrou a pessoa certa novamente.

Não se preocupe, nossa rosa juvenil está incrivelmente bem, ela cresceu tanto, já viveu tantas coisas. Hoje ela já entende a sua partida. Ela já entende que sempre colhemos as flores mais belas do jardim.

E assim como a vida se renova com as estações, assim como as flores florescem na primavera, assim como o Beijo Americano se torna tão intenso quanto você, eu continuo te amando. E você continue viva em mim.

P.S. Do começo ao fim.

A MENINA JOAQUINA: COMO É BOM SER…

tumblr_lcq02mpBHB1qcjmt2o1_500Hoje eu parei para observar o céu e as nuvens. Na verdade eu não parei, quando me dei conta, já estava observando. Eu chamo isso de “efeito lagartixa” – sabe quando você está pensando em uma coisa e fica parado olhando para cima sem se mexer? – E eu pensei como seria legal se eu fosse uma nuvem. Elas voam para aonde querem e podem ser o que quiserem. Aquela mesmo ali parece um dinossauro, e aquela outra um cavalo. Mas de repente elas já são outras coisas. Às vezes me pergunto se elas realmente mudam ou meus olhos que veem essas coisas diferentes a cada piscada. E continuei olhando para o céu e pensando como também seria legal ser o sol. Ter todos os planetas girando em torno de mim e ainda poder levar meu calor para todos os lugares do sistema solar, Nossa! Eu me amostraria muito brilhando bem forte.

Finalmente, o “efeito lagartixa” passou, as nuvens se foram e o sol deu lugar a lua. E então eu pensei: como seria legal ser a lua. Em meio a escuridão ser um pingo de luz que ilumina a noite e deixa os casais mais apaixonados – já pensou em todos os poemas que poderiam escrever inspirados em mim? Uaau! – Como seria bom ser lua! Mas eu não pude observa-la por muito tempo, pois a lua faz as crianças sentirem um sono sem fim, é só ela aparecer que eu já quero dormir. E também a mamãe fica dizendo: Joaquina, já é hora de criança está dormindo. Coloquei meu pijama, escovei os meus dentes, fui para minha cama e esperei a mamãe vir se despedir com aquele beijo especial de boa noite – sim, ainda hoje existem pais que fazem isso, todos deveriam tentar – e, lá na cama, eu pensei que eu já tinha pensando muito e não conseguia parar de pensar. É normal pensar tanto assim? E antes de fechar os meus olhos eu percebi que não era tão legal ser nuvem, nem sol, nem lua. O bom mesmo era ser eu que posso observar e sentir tudo isso.

Beijos e abraços, Joaquina.

A MENINA JOAQUINA: MANHÃ DE SÁBADO

tumblr_lcq02mpBHB1qcjmt2o1_500Em uma tarde de quinta feira…não, apaga. Em uma manhã ensolarada…não, apaga. Em uma manhã de sábado. Pronto, “manhã de sábado” sempre causa um efeito melhor nos textos. Como eu dizia, em uma manhã de sábado o dia começou não tão diferente quanto os outros; o sol ainda estava lá e a rua continuava animada com os vizinhos fazendo coisas que só se faz em uma manhã de sábado. Mas alguma coisa estava diferente. Um mistério estava no ar, e eu sabia que eu tinha que desvendá-lo. Levantei da cama e fui logo à cozinha saborear as deliciosas panquecas de sábado que meu pai fazia. Não, apaga, quem hoje em dia tem pais que preparam panquecas em uma manhã de sábado? Ao menos nenhum dos meu colegas. Vamos escrever isso direito, Joaquina. Logo levantei da cama e fui à cozinha colocar dois miojos para preparar. Pronto, isso parece uma manhã de sábado. Subi para o meu quarto para arrumar minha cama e de repente, pela janela do quarto, vi algo branco correndo pelo jardim do quintal. Eu sabia! –  logo pensei – sabia que tinha alguma coisa estranha no ar. Corri desesperadamente pela escada e quase levo um tombo, não que essa seria a primeira vez, mas levar um tombo na escada não era o meu plano para uma manhã de sábado, entende? continuei correndo até a porta da cozinha que dava saída direta para o quintal. Andei de um lado para o outro, revirando tudo. Tudo parecia tão normal que eu sabia que tinha alguma coisa estranha. Na porta estavam a mamãe e o papai com um sorriso no rosto, quase como se estivessem zombando de mim. Como se eles soubessem o que estou procurando. E eu logo cansei, sentei no balanço e fiquei somente com a pulga atrás da orelha. E não é que o que eu procurava surgiu do nada em meio aos pés de alface que mamãe plantara. Branco como a neve, olhos azuis como o céu e um focinho que não parava de se mexer: era um coelho. Surpresa! – gritaram mamãe e o papai – e dei um sorriso pra disfarçar minha decepção por aquele coelho ser somente mais um coelho. Ele não tinha um relógio e muito menos me levaria para o país das maravilhas. FIM! Não, apaga. Quem é que termina uma história com fim? Ao menos ninguém que eu conheça. E depois dessa manhã de sábado eu aprendi algumas coisas: primeiro, “manhã de sábado” realmente deixa o texto legal. Segundo, quando você cresce para matar sua fome são necessários dois miojos. E terceiro, quando criamos muitas expectativas podemos nos decepcionar com a realidade, mas não morremos com as decepções. Na verdade aprendemos algumas coisas.

Beijos e abraços, Joaquina.