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A MENINA JOAQUINA: SOBREVOANDO FLORES

a menina joaquina: sobreavoando flores

Ser criança é não perceber, muitas vezes, grandes muralhas que são construídas entre nós. É não saber quanto tempo o tempo tem, ele só passa, passa e leva com ele momentos não vividos. Mas do nada a gente começa a perceber: percebemos o que é saudade, percebemos que temos que ter responsabilidades, como ter que guardar as moedas que ganhamos de mesada para podermos comprar a nova edição do Gibi na banca do Francisco, por exemplo.

A MENINA JOAQUINA: A MIUDEZA DAS COISAS – ALEF MARINHO

Antes de mais nada preciso falar que essa resenha é muito, mas muito especial. Infelizmente não é de um livro. Por enquanto, né Alef Marinho? Mas sim de um conto. Um conto da menina mais fofa do universo: a Joaquina. Lembro de quando o Alef começou a escrever os contos dessa menininha, quem diria que um deles iria ser publicado na Amazon. Ah!!! Antes que eu me esqueça, advinha quem aparece na dedicatória? Desculpa aê, mas fui eu. <3 vou deixar de enrolar e vamos para a resenha.

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O conto como eu já disse traz a estória da Joaquina que junto com a sua família passará o natal na Cidade das Flores. Joaquina como sempre faz várias indagações ao longo do percurso, e essas indagações só aumentam assim que eles param em um restaurante para almoçar. Lá Joaquina conhece o Jorge, um menino de rua que como era de se esperar estava morrendo de fome. Se vocês imaginaram que a Joaquina faria alguma coisa para mudar essa situação, acertaram. Mas eu não posso contar mais nada, afinal de contas isso é um conto.

– Presentes de Natal? Eu nunca recebi, eu só ouvi dizer. – Ele disse olhando em meus olhos, mas eu não pude enxergar nada lá no fundo. – Tenho que ir, obrigado pela comida! – Disse ele ao levantar-se da cadeira e ir embora.

Eu amei muito essa estória! Joaquina tocou meu coração. Apesar de ser um conto de natal deve ser lido a qualquer dia do ano. Espero muito que o dono deste blog, também conhecido como Alef Marinho dê um livro para a Joaquina, essa menininha merece.

Porque é muito mais fácil creditar que tudo gira em torno de mim, que eu mereço mais. Porque o importante da vida é eu mostrar que sou muito mais sortudo de que as outras pessoas. Se eu tenho o carro do ano é porque a vida disse que eu nasci para demonstrar essa riqueza. Não que ter o carro do ano, ou ter algum dinheiro a mais na conta seja errado, Joaquina. Mas também quase totalidade dessas pessoas nunca pararam para pensar que talvez a vida o tenha dado recursos para que de alguma forma ajudasse a amenizar a dor daqueles que sofrem. É muito mais importante comprar o celular do ano do que comprar algumas marmitas para alimentar as crianças que tem fome.

Se vocês gostam de estórias fofas, mas que trazem um grande ensinamento leiam este conto! Tenho certeza que vocês amarão.

A MENINA JOAQUINA: A MIUDEZA DAS COISAS – MEU PRIMEIRO CONTO

Faltam pouco dias para acabar o ano. Muitas coisas aconteceram, muitos acertos e erros, mas muito aprendizado também. Foram dias difíceis, mas foi muito bom viver tudo isso. Foi realmente um ano de renovação e onde os sonhos perdidos renasceram. Finalmente me dediquei ao blog, que sempre foi um sonho. E entre sonhos e sonhos eis que tenho o maior prazer de estar fazendo esse post agora. Quem me acompanha nas redes sociais já está cansado de me ver falar sobre isso, mas eu ainda não tinha feito o lançamento oficial aqui no blog.

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Em comemoração ao Natal, eu publiquei meu primeiro conto pela Amazon. Vocês lembram da menina Joaquina? Depois de meses sem textos dela aqui no blog , eis que ela surgi em um  conto emocionante. Felicidade é o que me define. Para alguns pode ser uma simples coisa, mas para mim é o princípio de coisas maiores que podem acontecer. Ela surgiu do nada, simplesmente comecei a escrever sobre uma menina que tem um coração incrível e consegue enxergar coisas que muitas vezes eu nunca parei para pensar. Eu escrevo, mas sou o que mais aprende. Não tenho como explicar essa relação. De conto em conto fui me apaixonando tanto que em alguns momentos não consigo diferenciar a Joaquina do conto com a realidade. E como presente de Natal, eis que surge esse conto maravilhoso para salientar qual o verdadeiro sentido da vida e como as pequenas coisas podem nos mostrar qual o caminho certo a seguir.

SINOPSE


Sonhando acordada muito mais do que dormindo. Ela consegue ver o essencial da vida, ainda que não saiba disso. A menina Joaquina ama e consegue ser infinita em suas descobertas, erros e acertos e, para ela, isso basta. E agora ela terá que descobrir como é ser luz em meio à escuridão. O que é a miudeza da vida?


Livro: A Menina Joaquina: A Miudeza das Coisas

Autor: Alef J. Marinho

Páginas: 22

Editora: Amazon Kindle

Valor: R$ 3,98

Skoob: A Menina Joaquina    ( marque como lindo <3)

*Até 25/12/15 o conto estará gratuito no site

A MENINA JOAQUINA: NÃO SÃO GÊMEAS NO OLHAR

tumblr_lcq02mpBHB1qcjmt2o1_500Há duas meninas que moram perto da minha casa, elas são novatas no bairro. Seus pais tiveram que se mudar para a minha cidade por conta do emprego. Eu não as conheço bem, na verdade só falei com elas uma vez quando levava meu coelho, Bartolomeu, para passear na grama da praça. E o mais legal de tudo é que elas são gêmeas, daquele tipo que se parecem iguais, sabe?

Essa semana  a mãe delas esteve aqui em casa, ela veio trazer o convite do aniversário delas. Isso é legal e estranho ao mesmo tempo, porque, geralmente, só convidamos os amigos que mais gostamos para nossa festa. Mas isso é um sinal de que elas gostaram de mim e querem fazer amizade. Eu acho isso ótimo! Mamãe perguntou-me se eu tenho o desejo de ir, eu disse que sim, pois elas pareciam legais. Saímos para comprar o presente. Fomos à loja de brinquedos do shopping aqui perto de casa que, geralmente, eu costumo comprar os meus presentes em meus aniversários e no dia das crianças. E também sei que no Natal a mamãe compra nessa loja, porque essa é a loja mais “brinquetuda” de todas as lojas de brinquedos.Eu tinha uma missão impossível: comprar dois presentes para duas meninas que quase não falo e não posso escolher nenhum presente para mim.

Depois de rodar toda a loja e fazer o vendedor tirar da caixa quase todos os brinquedos possíveis de serem testados na hora  – Desculpa moço da loja – eu escolhi duas bonecas lindas da mesma coleção, assim elas poderiam completar a coleção mais rápido. Minha mãe pediu para que fossem embaladas com papel de presente igual e lógico que eu não deixei. Que mania das pessoas de acharem que tudo deve ser igual.

E finalmente chegou o dia da festa, fomos só mamãe e eu. O papai sempre tenta evitar o máximo que pode quando há festa de crianças. Ele diz que eu já sou uma festa ambulante. E eu sinceramente não sei se fico com raiva ou recebo como elogio, afinal, uma pessoa que parece uma festa ambulante deve ser muito feliz.

Ao chegarmos, as meninas nos receberam.

– Oi, bem vindas a nossa festa –  Disseram juntas de uma só vez – Eu sou a Sara e essa é a Sofia. Uma delas tomou a frente.

Eu não conseguia disfarçar minha cara de “ué”. Eu realmente não esperava ver aquelas duas meninas usando vestidos de bolinhas: um branco com bolinhas vermelhas, outro vermelho com bolinhas brancas. Eu tinha vários problemas nesse momento: primeiro, não posso rir por essas meninas estarem parecendo enfeites de árvore de Natal; segundo, não posso acreditar que elas realmente querem ser iguais; terceiro, tenho que mudar minha expressão e dar logo um sorriso antes que elas me acham uma irritadinha do nariz empinado.

– Oi, meu nome é Joaquina. Obrigada pelo convite. Esse é seu, Sara – Entreguei para a menina do vestido branco com bolinha vermelha – Esse é seu, Sofia  – Entreguei para a menina do vestido vermelho com bolinha branca.

– Como está seu coelhinho? Como é mesmo o nome dele? – As duas falaram se completando. E eu não consegui disfarçar minha cara de “ué?”.

– Bartolomeu –  Respondi –  Vocês sempre falam assim? – Um dia ainda vão costurar minha boca. Cala boca, Joaquina!

– Joaquina! Mamãe falou segurando em meu braço. Com um olhar de repreensão

-Assim, como? – Falou a Sara.

– Vocês sabem que não precisam ser iguais, certo? É tipo, esse vestido. O vestido da sara é branco e o da Sofia é vermelho, e mesmo que o branco tenha bolinhas vermelhas, ele nunca vai ser vermelho. Assim como o vermelho têm bolinhas brancas, ele nunca vai ser branco. Assim são vocês, mesmo que a Sara tenha um pouco de Sofia dentro dela, ela nunca vai ser Sofia. E isso é o encantador de tudo isso. Já imaginou se todo mundo pensasse igual? Eu posso presumir – Gostaram dessa palavra? Mais um do dicionário da tia Carmem. Quer dizer que eu fiz uma conclusão – que isso seria, no mínimo, estranho. E eu posso ver isso nos olhares de vocês. A sara é dedicada, gosta de ser líder no grupo, mas tem medo da reprovação das pessoas. Já a Sofia é muito meiga, sonhadora e altruísta, mas tem medo de arriscar, por isso sempre fica na sombra da irmã. Vocês não são gêmeas no olhar. E talvez isso não pareça conversa de uma criança, mas somos nós quem mais podemos sentir tudo isso.

– Tá, vamos brincar agora. Tchau, Joaquina. – Elas falaram juntinhas. Como se já tivessem decorado essa fala. E como se não tivessem entendido nada do que eu tinha dito.

Dei tchau, e fiquei observando elas correndo até a caixa de presentes e joga-los lá. Depois correram para um grupo de meninas e ficaram exibindo os sapatos que combinavam com os vestidos. E eu espero realmente que elas entendam que as pessoas não precisam sempre ser iguais, e muitos menos ser aquilo que as pessoas querem que elas sejam. Eu mesmo já não serei mais eu daqui alguns dias, horas,segundos…eu já entendi que o bonito da vida é estar sempre se transformando. E eu gostarei do meu novo eu.

Beijos e abraços, Joaquina.

A MENINA JOAQUINA: AGORA EU ENTENDO…

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Hoje na aula a professora disse que ao chegar em casa deveríamos escolher nossa história preferida e que leríamos na próxima aula na frente da turma – não que isso fosse um problema, eu até gosto de ficar falando na frente dos outros – A questão é qual livro escolher? Pensei em contar sobre a Cinderela, mas seria injusto deixar a Branca de neve de lado. O que os sete anões diriam de mim? Peter Pan, provavelmente, nunca me perdoaria de não falar um pouquinho sobre ele. E não passaria na minha janela para me levar à terra do nunca. Não posso arrisca! Eu pensei nisso todo o caminho da escola até chegar em minha casa. Mamãe até perguntou o que tinha acontecido para eu estar quietinha. E essa pergunta me deixou um pouco frustrada. Por que os adultos acreditam que devemos ser sempre iguais? Eu não posso ser agitada-calma-comelona-fastigiosa-delicada-brava tudo isso ao mesmo tempo e quando eu quiser? A única coisa que devemos ser o tempo todo é sermos gentil. Papai sempre diz que devemos ser gentil e ter coragem. Eu respondi que não era nada.

Ao chegar em casa fui tomar banho e me preparar para o jantar. Vocês acreditam que nem ficar embaixo do chuveiro ligado ajudou a encontrar uma solução? Quando fui ao meu quarto, sentei em minha cama e fiquei olhando para minha estante. E lá no cantinho, quase dizendo “encontrei um lugar para chamar de meu”, encontrei um livro que eu lia bastante quando o ganhei no ano em que aprendi a ler. Ele contava a história de uma vovó das bochechas rosadas que fez uma enorme colcha de retalhos para seu netinho, e toda vez que ele a via forrada em sua cama, ele se lembrava da vovó e chorava. Pronto! É essa história que vou contar, pois todo mundo gosta de histórias com vovó da bochecha rosada. E ninguém ficaria chateado. Nem a Cinderela, nem a Branca de Neve e os Sete Anões e nem o Peter Pan. Porque todo mundo sabe que devemos dar preferência aos mais velhos, não é mesmo? Depois desse alívio eu corri para o jantar, e depois disso eu preciso dizer que mamãe me mandou fazer a tarefa e ir dormir?

Oi, voltei para terminar nossa conversa. Então, hoje as coisas aconteceram de uma forma bem diferente, pela manhã estava tudo normal: meu pai e minha mãe na correria enquanto eu tomo café da manhã, assisto desenho e me preparo para a escola.

Hoje a turma estava bastante eufórica – gostaram dessa palavra? Eu aprendi com a tia Carmem. Quer dizer que estavam todos agitados – Sentamos em círculo e a professora perguntou quem seria a primeira pessoa  a se apresentar, eu logo levantei a mão, mas também fui a única. Eles são todos bobos, não entendem que as pessoas cansam rapidamente das coisas e não prestam atenção em quem fica por último.

Eu fui para o meio do círculo, abri meu livro e comecei a contar a história. Não se ouvia outras coisas além da minha voz, não se olhava para outras pessoas a não ser a eu. Todos estava gostando da minha história, até que o inesperado aconteceu: começou por um lado, depois pelo outro lado e, finalmente, pelos dois ao mesmo tempo. As lágrimas não paravam de escorrer dos meus olhos. Ninguém entendia nada e, no momento, eu menos ainda. Eu só chorava e soluçava. Ligaram para a mamãe, pois não sabiam o que fazer para que eu parasse. Quando ela chegou, eu já tinha diminuído o choro, mas ainda soluçava. A mamãe me fez beber água e perguntou o que estava acontecendo. Agora eu entendo, mamãe. Agora eu entendo! – Respondi abraçando-a – E ela sem entender nada me perguntou o que eu finalmente entendia. E eu continue falando em meios aos soluços e o restante das lágrimas que ainda corriam. Eu entendo porque o netinho sempre chorava quando via a colcha da vozinha dele. Era saudade, mamãe. Essa coisa que dói aqui dentro e não sabemos explicar. Isso que nos faz ficar felizes por lembrar e tristes por estar longe. Isso que agora eu sinto, eu agora entendo, mamãe!

E foi assim que eu faltei aula no dia seguinte e fui parar na casa da vovó.

Beijos e abraços, Joaquina.

A MENINA JOAQUINA: COMO É BOM SER…

tumblr_lcq02mpBHB1qcjmt2o1_500Hoje eu parei para observar o céu e as nuvens. Na verdade eu não parei, quando me dei conta, já estava observando. Eu chamo isso de “efeito lagartixa” – sabe quando você está pensando em uma coisa e fica parado olhando para cima sem se mexer? – E eu pensei como seria legal se eu fosse uma nuvem. Elas voam para aonde querem e podem ser o que quiserem. Aquela mesmo ali parece um dinossauro, e aquela outra um cavalo. Mas de repente elas já são outras coisas. Às vezes me pergunto se elas realmente mudam ou meus olhos que veem essas coisas diferentes a cada piscada. E continuei olhando para o céu e pensando como também seria legal ser o sol. Ter todos os planetas girando em torno de mim e ainda poder levar meu calor para todos os lugares do sistema solar, Nossa! Eu me amostraria muito brilhando bem forte.

Finalmente, o “efeito lagartixa” passou, as nuvens se foram e o sol deu lugar a lua. E então eu pensei: como seria legal ser a lua. Em meio a escuridão ser um pingo de luz que ilumina a noite e deixa os casais mais apaixonados – já pensou em todos os poemas que poderiam escrever inspirados em mim? Uaau! – Como seria bom ser lua! Mas eu não pude observa-la por muito tempo, pois a lua faz as crianças sentirem um sono sem fim, é só ela aparecer que eu já quero dormir. E também a mamãe fica dizendo: Joaquina, já é hora de criança está dormindo. Coloquei meu pijama, escovei os meus dentes, fui para minha cama e esperei a mamãe vir se despedir com aquele beijo especial de boa noite – sim, ainda hoje existem pais que fazem isso, todos deveriam tentar – e, lá na cama, eu pensei que eu já tinha pensando muito e não conseguia parar de pensar. É normal pensar tanto assim? E antes de fechar os meus olhos eu percebi que não era tão legal ser nuvem, nem sol, nem lua. O bom mesmo era ser eu que posso observar e sentir tudo isso.

Beijos e abraços, Joaquina.

A MENINA JOAQUINA: MANHÃ DE SÁBADO

tumblr_lcq02mpBHB1qcjmt2o1_500Em uma tarde de quinta feira…não, apaga. Em uma manhã ensolarada…não, apaga. Em uma manhã de sábado. Pronto, “manhã de sábado” sempre causa um efeito melhor nos textos. Como eu dizia, em uma manhã de sábado o dia começou não tão diferente quanto os outros; o sol ainda estava lá e a rua continuava animada com os vizinhos fazendo coisas que só se faz em uma manhã de sábado. Mas alguma coisa estava diferente. Um mistério estava no ar, e eu sabia que eu tinha que desvendá-lo. Levantei da cama e fui logo à cozinha saborear as deliciosas panquecas de sábado que meu pai fazia. Não, apaga, quem hoje em dia tem pais que preparam panquecas em uma manhã de sábado? Ao menos nenhum dos meu colegas. Vamos escrever isso direito, Joaquina. Logo levantei da cama e fui à cozinha colocar dois miojos para preparar. Pronto, isso parece uma manhã de sábado. Subi para o meu quarto para arrumar minha cama e de repente, pela janela do quarto, vi algo branco correndo pelo jardim do quintal. Eu sabia! –  logo pensei – sabia que tinha alguma coisa estranha no ar. Corri desesperadamente pela escada e quase levo um tombo, não que essa seria a primeira vez, mas levar um tombo na escada não era o meu plano para uma manhã de sábado, entende? continuei correndo até a porta da cozinha que dava saída direta para o quintal. Andei de um lado para o outro, revirando tudo. Tudo parecia tão normal que eu sabia que tinha alguma coisa estranha. Na porta estavam a mamãe e o papai com um sorriso no rosto, quase como se estivessem zombando de mim. Como se eles soubessem o que estou procurando. E eu logo cansei, sentei no balanço e fiquei somente com a pulga atrás da orelha. E não é que o que eu procurava surgiu do nada em meio aos pés de alface que mamãe plantara. Branco como a neve, olhos azuis como o céu e um focinho que não parava de se mexer: era um coelho. Surpresa! – gritaram mamãe e o papai – e dei um sorriso pra disfarçar minha decepção por aquele coelho ser somente mais um coelho. Ele não tinha um relógio e muito menos me levaria para o país das maravilhas. FIM! Não, apaga. Quem é que termina uma história com fim? Ao menos ninguém que eu conheça. E depois dessa manhã de sábado eu aprendi algumas coisas: primeiro, “manhã de sábado” realmente deixa o texto legal. Segundo, quando você cresce para matar sua fome são necessários dois miojos. E terceiro, quando criamos muitas expectativas podemos nos decepcionar com a realidade, mas não morremos com as decepções. Na verdade aprendemos algumas coisas.

Beijos e abraços, Joaquina.