MÊS DO HORROR: JACK, O’LANTERN

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Era 31 de outubro, uma das noites mais escuras e frias que aquele pequeno vilarejo enfrentara. No final do crepúsculo já se tinham ido todos para suas casas, pois desde o último ocorrido as lembranças fizeram com que todos tivessem calafrios só de pensar em sair de seus não tão seguros abrigos. Como sempre, somente um pequeno bar ao fim da rua mais escura, do bairro mais sombrio e frio permanecia com suas luzes acessas a espera dele. Jack voltara. Ele sempre voltara.

– Daniel, eu não quero ouvir essa história.

– Calma, irmãozinho! É só uma história do dia das bruxas

– Mas eu não quero. Eu tenho medo!

-Silêncio, temos que continuar o que começamos…

Em uma noite escura como essa, em um 31 de outubro, Jack, como de costume, tinha bebido desvairadamente. E vagava a gritar pelas ruas da cidade que nesta época não era silenciosa como procura ser atualmente. Jack seguia o mesmo caminho em todos os seus retornos a sua casa, o que fazia que mesmo com toda bebedeira ele não se perdesse a ficar perambulando pelas ruas até o  sol raiar novamente. Mas nem todos os dias podem ser iguais e, de longe, esse não  foi igual aos outros.

Jack depara-se com uma pessoa ao longe, ele até hesitaria a não passar pelo mesmo caminho caso tivesse um pingo de lucidez naquele momento, mas como ser lúcido após uma longa noite alcoólica? Ao se aproximar, ainda enxergando embaçado, Jack ouviu um homem a chamar pelo seu nome. Até que um fecho de luz decorrente de um candeeiro iluminou a face daquele sujeito que se fazia mistério. Jack assustou-se com a aparência daquela coisa.

-Boa noite, Jack!

– quem é você?

-ora, sabe quem sou. Teu companheiro. Eu sou o diabo.

– E o que queres?

– Chegou o teu dia, amigo. Venha de bom grado, pois vim levar-te.

Jack, esperto como era, convenceu o diabo a dar-lhe mais alguns minutos no bar mais próximo e o acompanha-lo em sua última dose. Depois de seu último gole, Jack confessou que não tinha dinheiro para pagar a bebida e convenceu o diabo a transforma-se em uma moeda e, de bom grado, assim o diabo fez. Jack, aproveitando a situação, pegou o diabo transformado em moeda e colocou-o em sua carteira, onde o zip era em formato de cruz e ele não poderia sair de lá. Ao passar das horas, depois de o diabo muito pedir para ser libertado, Jack resolveu entrar em acordo com o diabo, caso ele o tirasse de sua carteira,  ele o deixaria viver por mais alguns anos. E assim foi acordado.

Um ano se passara. Jack tinha prometido mudar depois desse encontro macabro. E mudou! Agora ele era prefeito daquela pequena cidade, a bebida já não tocava mais em sua boca e o bom moço, como agora Jack se fazia, ajudava a todos que o procurassem. Todos admiravam aquele homem que sozinho conseguiu se livrar da vida de fracasso que vivia a alguns anos passados, embora não desconfiassem que toda aquela boa vontade era medo de ir para o inferno. E ao anoitecer, como acordado, o diabo voltara para levar o que o pertencia, a alma de Jack.

Jack, mais uma vez abusando da pouca inteligência do diabo, o convenceu  a subir em uma árvore para pegar um fruto, uma maçã,  para que ele a provasse pela última vez. Assim o diabo fez, subiu naquela árvore para satisfazer o último pedido de Jack, entretanto ele não esperava que Jack sacasse de sua cintura uma pequena faca e marcasse o tronco daquela árvore com o sinal de uma cruz. Assim, mais uma vez, o diabo ficara preso graças às artimanhas daquele mortal. Ao passar das horas e de muito pedir para ser soltou, Jack exigiu que o diabo nunca mais voltasse para buscar sua alma. E assim, de bom grado, o diabo recebeu o acordo.

-nossa, Daniel! O Jack é muito corajoso.

– Mas a história ainda não terminou

Contudo não se pode mudar o destino. Um ano depois Jack morrera em um acidente ao tentar buscar água no poço: escorregou e morreu lá no fundo. Para ele, a morte demorou alguns instantes, tempo suficiente para lembrar-se de tudo que fizeram ao longo de sua vida desregrada. Ao chegar ao céu, as portas não se abriram, pois nada apagara seus pecados. Sendo assim, ele foi jogado para o inferno. E ao chegar lá, deparasse com seu amigo de datas passadas, o diabo. Esse, como muito receio depois das trapaças de Jack, negou a entrada de sua alma. Entretanto, compadecido dessa alma penada, tirou do fogo uma brasa e deu-lhe a Jack para que ele se guiasse pelo limbo. Jack pôs a brasa em uma abóbora apodrecida que encontrara pelo caminho e foi-se guiando pela eternidade iluminando o rosto daqueles de alma sombria.

– Isso é verdade, Daniel.

– Ora, irmãozinho, se você vê em meio à noite escura uma pequena luz como de brasa. Dê um “olá” para seu amigo Jack.

Alef Jordi

Alef Jordi

Estudante de Letras, criador do blog Qualquer Coisa Vira-lata, Potterhead assumido e um sonhador sem limites. Sonha em publicar um livro antes dos 30. E ama promover ações sociais.

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