EU JURO AMOR ETERNO…

         

 

         Meus pés estavam fincados na areia molhada da praia. Meus cabelos voavam seguindo a direção do vento. Meus olhos estavam embaçados, devido a grande quantidade de lágrimas que eu havia derramado naquela hora. Minha cabeça explodia de dor. Mas mesmo assim, eu permanecia ali.
Escutar aquela canção, “Eu juro”,  do Armandinho, que tocou mais cedo no bar me transportou para 2006. Meus pais amavam as canções do Armandinho. Papai seguia a filosofia do ídolo gaúcho : faça tudo com amor! E era exatamente assim que meu herói vivia. Ele colocava amor em tudo, até nas pequenas coisas. E o que falar do amor que ele sentia pela minha mãe… Os dois foram durante meus primeiros dez anos de vida o meu exemplo de amor. Afinal de contas, eu conseguia perceber aquele sentimento no simples olhar que trocavam… Nos pequenos gestos. Cresci com a certeza de que queria um amor daqueles para mim. Até que tudo mudou.
A doença tirou o brilho do meu herói, ela arrancou sua alma. Aquele homem apaixonado por tudo tinha dado lugar para um ser sem vontade de viver. A doença não destruiu apenas ele, ela levava a cada segundo uma parte de mamãe. Tenho certeza de que quando o último fio de amor que existia nela se esvaiu, meu pai, o que restou dele, achava que não era mais digno continuar ali. Quando ele tocou, em um momento de lucidez, a canção “Eu juro”, mamãe sabia que ele havia desistido da batalha. Apesar da pouca idade, eu sabia que aquela era uma despedida.
Escutar aquela canção do Armandinho, no bar, me trouxe um misto de sensações. Raiva, por meus pais terem sido tão fracos ao ponto de se entregarem a doença. E saudade… Saudade do meu herói, do cara que me mostrou o amor em tudo. Saudade da minha mãe e de sua paciência. Saudades daquela menina feliz que eu nunca mais voltaria a ser.

Samila Bezerra
Samila Bezerra

Estudante de Arquitetura na Universidade Federal de Alagoas, é apaixonada por livros e quer conhecer o mundo...

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