ELA ENCANTA – CAPÍTULO 1 PARTE 2

Chegamos à boate por volta das dez e meia. Segundo Luísa quanto mais tarde melhor. O lugar estava completamente lotado, também não era para menos, estávamos de férias e aquela era uma das melhores boates da região. Assim que entramos fomos logo contagiadas pela batida do DJ. Nunca fui fã de música eletrônica, mas como estava em um ano de mudança, abri a minha mente para os novos estilos musicais.

Eu não conhecia o nome das músicas que tocava. Mas estava tão bom aquele clima, que quando dei por mim já estava me remexendo ao som da batida. Acho que a iluminação em azul ajudava a criar o clima do local. Além disso, só tinha gente bonita.

-Prima, eu estou sentindo que essa noite será épica. –Luísa falou. –Vem vamos mostrar para essa galera como se dança.

Minha prima me puxou para o meio do salão, o DJ começou a tocar Hey mama do David Gueta. Tenho certeza que a Luisa ficava assistindo vídeo aula de dança, ela praticamente sabia a coreografia inteira. Ia até o chão sensualizando. Acho que metade dos homens da boate já tinha notado a presença da minha prima.

-Ei gata, vai me deixar dançando sozinha? –Ela me perguntou.

-Prima, eu não sei dançar essa música. –No mesmo instante o DJ mudou a faixa.

-Se joga prima!

E quer saber foi isso que eu fiz. É óbvio que eu não arrasava igual à Luísa, mas eu estava me divertindo horrores. Joguei as minhas mãos para o alto, acho que eu era a pessoa mais bizarra dali. Luísa fez sinal para que eu passasse a mão no cabelo, segundo ela para sensualizar, e foi isso que eu fiz. Comecei a passar a mão no cabelo deixando assim a tatuagem à mostra.

Dançava no meu ritmo quando um cara, loiro de olhos verdes, veio na minha direção. Sua intenção era me beijar, mas eu recuei. Ele tentou me beijar novamente, e mais uma vez eu me afastei. Ele fez sinal que desistia e assim que me deu as costas começou a se agarrar com uma garota ruiva.

-Sofia aquele deus grego quer ficar com você, e você o dispensa? –Luísa estava revoltada.

-Não prima. Aquele cara que você chama de deus grego só queria saciar o próprio prazer. Inclusive ele já encontrou alguém que lhe proporcionasse isso. –Eu falei em meio à música alta.

-Bom, eu vou proporcionar alguém que sacie o meu prazer. –Ela sorriu. Não demorou muito para eu ver a minha prima nos braços de um moreno alto que com certeza frequentava academia.

Eu continuava dançando, dessa vez sem a minha companheira quando notei um homem parado no outro lado da pista de dança. Ao contrário do outro que usava uma camisa da Hollister, esse usava uma calça jeans, uma camisa preta, e uma xadrez verde escuro. Pelo que eu consegui notar, eu considerava a minha visão boa, ele era branco tinha o cabelo todo bagunçado preto, bigode e uma barba que deveria estar alguns dias sem ser feita. Acho que passei uns bons segundos encarando aquele garoto, ele também me encarava inclusive me deu um meio sorriso que eu retribui.

Cada faixa que o DJ tocava eu ficava mais animada. Mas do nada ele mudou o ritmo, começou a tocar Lana Del Rey, mais precisamente Summertime Sadness. Eu amava as músicas que ela cantava. Pronto, agora eu tinha me entregado de vez a canção.

Dançava ao ritmo da música quando senti alguém chegando por trás de mim. Uma mão grande segurou a minha barriga e começou a se mover comigo. Enquanto isso a barba do dono dessa mão passeava livremente pelo meu pescoço. Eu sabia que era o garoto que eu tinha visto do outro lado da pista de dança. Eu não posso negar, ter aquele corpo tão perto do meu era um perigo. Mesmo gostando do perigo eu me virei, o carinha de xadrez passou a mão pelas minhas costas. Como o meu vestido era decotado nas costas eu sentia perfeitamente a eletricidade que aquela mão causava em mim.

Durante todo o momento em que dançávamos, já estávamos na terceira canção da Lana, eu passava a minha mão pelo seu tórax e ia descendo até a sua barriga. Mesmo sendo magrinho pelo toque dava para perceber que ele tinha uma barriga definida.  Acho que o que fazíamos era tortura, durante todas as canções não desgrudávamos os olhos uns do outro.

Quando a música chegou ao fim ele puxou o meu corpo para junto do seu, não sei como isso era possível já que estávamos tão perto. Ele colocou sua boca na minha. Que beijo era aquele! Acho que nunca beijei alguém por puro desejo daquele jeito. Acho que passamos umas duas músicas colados. Acho que passaria a noite inteira, mas senti alguém puxando o meu cabelo e com certeza não era a mão dele que fazia isso.

-Ai! –Eu gritei. –Está louca minha filha?! –Eu perguntei para a abusada que puxou o meu cabelo.

-Louca é você que fica se esfregando no namorado dos outros. –A doida varrida falou. Como era de se esperar quem estava perto começou a reparar na baixaria.

-Ex-namorado e faz tanto tempo. –O garoto disse. –Me esquece maluca.

-Você acha que pode ficar se atracando com essa qualquer. Eu sou sua namorada exijo respeito.

-Porra! Você não é a minha namorada! Que saco!

-É claro que sou. Esqueceu que íamos casar.

-Só se for em seus sonhos e nos meus piores pesadelos. –Ele disse, eu não aguentei e comecei a rir.

-Garota o que você está fazendo aqui? Essa é uma conversa de namorados? –Ela falou olhando para mim com aqueles olhos assassinos.

-Ex! Porra! –O garoto falou.

-Garota, você não percebeu que está sobrando? –Eu falei.

-Quem está é você. –A maluca disse. –Vai procurar outro cara para ficar.

-Eu não preciso de outro. Eu já estava ficando com ele. –Terminando de falar isso eu agarrei o garoto e tasquei um beijo com muito mais desejo, e ele correspondeu.

-Sua vagabunda. –A doida me atacou. Mas os seguranças a tiraram do local. –Isso não vai ficar assim. –Ela gritou.

Eu encarei o garoto que tinha um misto de vergonha, com surpresa e também de que tinha gostado do beijo. Mas quando eu vi a Luísa estava perto de mim. Não pensei duas vezes, segurei o braço da minha prima e parti sem saber o nome daquele menino.

Samila Bezerra
Samila Bezerra

Estudante de Arquitetura na Universidade Federal de Alagoas, é apaixonada por livros e quer conhecer o mundo...

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