Categoria: TEXTOS, CONTOS E CRÔNICAS

NÃO TORNE OS SONHOS DESCARTÁVEIS

sonhos descartáveis - qualquer coisa vira lata

Chega um momento na vida em que você só precisa “continuar a nadar, para encontrar a solução”. Falar sobre isso é clichê, mas os clichês também tiram o sono. É como ter que repetir pra nós mesmos que tudo vai dar certo várias vezes para podermos ter a esperança e a coragem suficiente para fazer dar certo. Por muito tempo eu fui o garoto dos planejamentos de sonhos. Várias horas pensando, várias anotações, várias tentativas e várias noites sem conseguir dormir por aqueles turbilhões de pensamentos que se tornam cada vez mais altos no silêncio das madrugadas. E isso é bom, sabe. O desejo é o que nos move a continuar vivendo. Afinal, quem aqui já não perdeu o desejo de ter depois de ter conseguido? É tipo aquele celular que você quer muito. Você junta a grana da mesada, do estágio, abusa os pais e quando finalmente o consegue ele já não terá a mesma graça que tinha em dois meses atrás. Ou seja, nós somos especialistas em tornar sonhos descartáveis. E isso se torna um grande problema para nós. A busca das coisas inalcançáveis, por mais que eu acredite que nada é inalcançável, bastar querermos e lutarmos para conquistar, mas são coisas inalcançáveis por estabelecermos uma insatisfação por tudo aquilo que temos e um desejo infinitamente maior por aquilo que não temos.

Hoje já não faço tantos planos em minhas agendas, mas continuo sonhando tanto quanto antes. Entendo que tenho que lutar por todos eles, mas estou aprendendo também a entender o rumo que muitas vezes tenho tomado mesmo sem querer, pois acredito que tudo acontece por um propósito maior e tenho em mim a certeza de que não existe um só caminho que me levará aos meus objetivos. Tenho aprendido que o importante não é atravessar a montanha, mas o trajeto que faço para atravessá-la. Entendo que temos que aproveitar ao máximo tudo de bom que está em nossa volta, pois há algum motivo dessas coisas estarem ali disponíveis para nós. É necessário aprender a viver também com o suficiente, pois talvez os sonhos descartáveis sejam um sinal de que aquilo nunca foi uma necessidade, mas apenas um desejo humano de querer sempre mais. E que a partir de hoje ao escrever este texto, e que a parti de hoje ao você ler este texto, nós, tomemos a consciência de não tornarmos mais os nossos sonhos descartáveis, mas aprender a viver com o suficiente: os amores, as amizades, os sonhos, o dinheiro, os desejos, todos esses suficientes para a vida que merecemos.

A VIDA É UMA BEBIDA E O AMOR É UMA DROGA

a vida é uma bebida e o amor é uma drogaEu devo ter muita sorte ou são meus pensamentos positivos. Não importa! Alguém lá de cima sempre te envia pra me levar pra cima. Quando eu estou pra baixo você vem e coloca suas asas em mim. E eu não só me sinto livre, eu estou livre. E eu voo. Sinto-me bem. Sinto-me louco, drogado, extasiado.  Estamos em sintonia. Você é a garota que me faz feliz. E mesmo eu sendo complicado, estamos juntos nessa. Porque você me  entende. Já te disseram que a vida é uma bebida e o amor é uma droga? E eu estou bêbado e chapado com você. Tão louco!

Vamos ser loucos juntos. Vamos fugir, vira na primeira esquina e parar no primeiro destino que a vida nos preparar. As malas vão estar cheias só de nós dois. Vamos ficar sem respirar debaixo d´água. Vamos pular de asa-delta, aprender a patinar no gelo e sempre dar três beijos. Vamos dá “Match” só pra iludir, vamos mentir e fugir. Vamos aprender novas línguas e entrelaçar nossas línguas. Vamos zombar da cultura alheia e vamos inventar a nossa própria seita.

Nos bastamos. Nos amamos. Nos machucamos. Nos perdoamos. Nos reconciliamos. Nos beijamos. Nos mordemos. Nos satisfazemos. Nos adoramos. Nos viciamos. Nos Bastamos. Nos amamos. Nos machucamos. Nos perdoamos. Nos reconciliamos. Nos beijamos. Nos mordemos. Nos satisfazemos. Nos adoramos. Nos viciamos. Nos repetimos…

Sim, a vida é uma bebida e o amor é uma droga.

SEJA UM INCENTIVADOR DE PESSOAS, O MUDO JÁ TÊM CRÍTICOS DEMAIS

SEJA UM INCENTIVADOR DE PESSOAS, O MUDO JÁ TEM CRÍTICOS DEMAIS - qualquer coisa vira lataQuando criança, na escola onde eu estudava, houve um concurso para criar a melhor frase acerca da conscientização da luta a favor do meio ambiente. Primeiro sairia um representante de cada turma e depois um representante geral da escola. Eu sempre fui animado para uma competição, e se tinha que usar a criatividade era que eu amava mesmo. Eu não sou a pessoa mais criativa do mundo, mas tenho o suficiente para brincar com algumas coisas que gosto. Ainda lembro que pensei em três frases e fiquei muito indeciso em qual escolher ( anota ai: Alef é muito indeciso).

Quase totalidade da turma estava empenhada em fazer, entretanto uma das minhas colegas que sentava ao meu lado estava parada com uma folha em branco sobre a banca. Eu imediatamente perguntei se ela não elaboraria a frase e se precisava de ajuda. Ela começou a argumentar que não conseguia e ainda que fizesse não venceria o concurso. Então fiquei insistindo para que ela fizesse algo, disse que ela não poderia inferir que perderia, porque todos nós tínhamos as mesma chances ali. Dei várias dicas de frases para que ela inspirar-se a participar. E consegui! Ela finalmente começou a pensar em algo. Entregamos as frases e esperamos o resultado.

Na semana seguinte, a diretora veio em nossa sala avisar qual de nós representaríamos a turma. Olha, eu fiquei nervoso, porque eu sou assim mesmo, fico nervoso até em sorteios de chiclete, não que eu já tenha participado de um desses, mas vocês entenderam. E adivinha quem ganhou? Não foi eu, claro. Mas a minha amiga, ela mesmo, a que estava se sabotando. Fiquei chateado por não ter ganho? Um pouco. Mas também estava feliz em ter ajudado de alguma forma alguém se sentir melhor ganhando um concurso.

E até hoje eu continuou lutando para que aquele menino de tempos atrás não se perca. Que aquele menino continue incentivando as pessoas ao seu redor. A vida já é muito “coisada” para vivemos rodeados de criticadores ou sermos um destes. O mundo precisa de mais pessoas que encorajem e sejam corajosas. Precisamos ser incentivadores de tudo aquilo que cause sentimentos bons. Olhe ao seu redor e veja quantos amigos e familiares se sabotam todos os dias. Desistem de sonhos antes mesmo de tentar. Gritem a eles que é melhor errar por ter arriscado do que ficar parado por medo de errar. A vida não é boa para aqueles que não se permitem.

Beijos e abraços!

MANEIRAS PARA SERMOS MAIS FELIZES

03 maneiras para sermos mais felizes - qualquer coisa vira lataOi, Vira Lata! Sabe aquela coisinha que mais buscamos na vida? Sim, sermos felizes! Em meus vinte e dois anos eu já posso afirmar com toda minha certeza de que não existe uma receita para a felicidade. Nem um padrão. Cada um sente e deseja a felicidade de maneiras totalmente distintas. Quantas coisa que nos faziam felizes antes já não nos tiram nem um sorrisinho bobo no canto da boca? Somos seres volúveis e indecisos, por isso o que já temos não nos basta, queremos sempre o improvável e o impossível. Mas saibam que algumas pequenas mudanças podem nos trazer um pouco mais de paz interior e aquela sensação de felicidade. Por isso resolvi contas algumas coisas que mudei em mim que me fazem me sentir melhor comigo e com o mundo que me cerca.

NÃO DEIXAR AS PESSOAS DEFINIREM QUEM REALMENTE SOU

Eu sempre fui do tipo que dizia que não me importava sobre o que as pessoas tinham a dizer de mim, mas isso sempre foi uma falácia. Na verdade eu sempre me importei muito mais do que deveria. Eu só queria parecer forte, mas por dentro tudo me fazia muito mal. Ouvir as pessoas dizer o que eu não era e/ou que eu deveria ser só fazia com que eu me perdesse ainda mais. Sabe aquele ditado: um mentira dita várias vezes torna-se uma verdade? O risco de você sempre ouvir as pessoas te definirem é você acreditar naquilo que elas querem que você seja. Mas as palavras não pode derrubá-lo em um mundo fantasiado e definido por uma pessoa que não seja você. Acredite, seja você e isso te libertará. Por mais que isso possa parecer clichê para alguns, mas para outros, no entanto, é uma luta diária. Quem é você? E se você não vai tentar descobrir “hoje, então, quando?” ( Olá, Emma)

EU NÃO SOU O QUE VISTO

Depois que você aceita quem você realmente é tudo em você terá sentido completo. Eu cresci com amigos me dizendo que eu me visto “muito certinho”, “muito normalzinho” e “sem estilo”. E isso também me deixava para baixo, porque ao mesmo tempo que eu queria ser igual a eles, eu não me via vestido como eles. Tá, eu nunca ousei usar nada fora dos meus padrões, mas eu também nunca me senti desconfortável com as minhas escolhas, e isso não é o que realmente importa? Eu me sentir bem? Se eu não me amo do jeitinho que eu sou nunca poderei amar outras pessoas do jeitinho que elas são. FATO! Por isso, te digo, continuei usando o que te deixa confortável, o mundo já é bem desconfortável por ele mesmo.

ENCONTRAR UMA MANEIRA DE DESABAFAR

 Como eu sempre digo: a vida não é fácil e nunca nos foi prometido que ela seria. E às vezes ela só descansa quando vê lágrima, dor e sofrimento. Mas não se preocupe, quando o mundo cair ao nosso redor ainda teremos força e/ou outras forças( falo de fé, independente de qual seja) para nos ajudar a nos levantar. Entretanto, uma coisinha que me ajuda muito em tempos sombrios é poder desabafar de alguma maneira. Seja por um amigo, escrevendo textos para o blog ( um dos motivos do Qualquer Coisa Vira Lata existir), conversando com as estrelas – não me julguem, eu sou mais normal do que vocês, certeza! Hahaha – São tantas formas. O negócio é você colocar isso tudo que está te amargurando para fora, sabe? Chorar não é sinal de fraqueza, é sinal de sentimento. Coisa que só os fortes têm.

Enfim, fiz esse texto só pra te lembrar mais uma vez que todos nós temos que sentir a necessidade de sermos felizes. Gente, é tão bom. E é viciante! Tipo, eu só acho que  “ser feliz” deveria ser decretado por lei. E até que se fosse ilegal, deveríamos sermos fora da lei. Todos nós, juntos.

A GAROTA DO TINDER – PARTE 1

A GAROTA DO TINDER-  QUALQUER COISA VIRA LATASer uma garota da geração Z é estar sempre conectada em todas as redes sociais, ser popular e manter o mesmo status na escola e nos grupos de amigos. Por favor, menos! Odeio essas definições. Eu não quero ser ” a popular” das redes, eu só quero ver o que está acontecendo com a galera através do Facebook, postar minhas fotos de borboletas ou de folhas secas com um filtro legal no Instagram, postar o que estou fazendo de legal no SnapChat e reclamar da minha mãe quando ela me fazer passar vergonha na frete dos meus crush – e ela tem pós graduação nesse assunto – no Twitter. Tá, eu sou a louca dos aplicativos.

A regra é clara: se tem espaço, baixe mais aplicativos. E foi então que começou toda a confusão, pois depois de ouvir várias amigas comentando sobre um novo aplicativo de relacionamento – e como eu estou, como posso dizer, encalhada? Ficando pra titia, como diz as gerações atrás – Eu resolvi baixar o tal do Tinder. E a regra era clara: vai aparecer várias pessoas que estão próximas a você. Deslizando o dedo para a direita na foto do sujeito você está dando like para o garoto, deslizando o dedo para a esquerda na foto do sujeito você quer esse garoto bem longe de você. Mas a louca aqui da falta de direção fez tudo ao contrário nas primeiras cinco fotos que surgiram em sua frente. E adivinha: a treta foi armada.

Já que eu estava na escola, os garotos que apareceram para mim foram os meninos do colégio. E com a  minha falta de direção de esquerda/direita eu acabei dando like na foto do namorado da menina mais ridícula e famosinha da escolha: a Danni. Ela é tipo aquelas meninas de filmes americano que quer toda atenção e você odeia, sabe? Até aí tudo bem, até porque ele nunca iria saber que eu tinha feito isso, e para o meu bem, melhor não.

Entretanto,  eu sou do tipo que sempre que faz alguma coisa errada coloco minha face de culpada e me entrego para todo mundo.

 – Está tudo bem com você? Que cara é essa menina? – Perguntou a Anna, minha melhor amiga.

– Cara? Que cara? Eu só tenho essa, esqueceu? Eu estou ótima! Olha só esse sorriso, alguém nervosa por fazer alguma coisa errada estaria com esse sorriso? – e eu só pesava: já acabou, Jéssica? CALA A BOCA, EDUARDA.

– Então, tá bem! – Disse a Anna fazendo a cara de sempre: eu sei que você fez alguma coisa, mocinha.

As aulas finalmente acabaram e o medo da burrice que eu tinha feito já tinha diminuído. PURA INOCÊNCIA MINHA! A vida só para quando ela vê lágrimas, dor e sofrimento. E foi quase isso que aconteceu quando eu joguei minha mochila no canto da cama e abri o Tinder. EU NÃO ACREDITO! Gritei escandalosamente. O namorado da ridícula também curtiu a minha foto e o chat privado agora tá liberado para nós dois. SO-COR-RO! Meu resto de dignidade naquela escola vai escorrer mais fácil que água. Eu não sei lidar com isso!

Quando eu pensei que estava no fundo do poço, o meu tinha um compartimento secreto ainda mais fundo, porque minha vida é dessas. O idiota do namorado da Danni mandou um “você?” no chat do Tinder. E o meu desespero só aumentou!

Corri para o grupo “É TUDO VACA” que mantenho com minhas melhoras amigas no WhatsApp e fui logo pedindo socorro. Primeiro tive que aguentar elas me zoarem para então receber alguma mensagem de apoio, e sim, nesse momento eu tenho certeza que são todas umas vacas, mas são as “MINHAS VACAS” <3 Chegamos a conclusão de que era melhor eu ficar na minha, porque do jeito que sou atrapalhada é bem capaz deu colocar lenha na fogueira e, no caso, quem se queimaria era eu.

No dia seguinte acordei pensando em como a noite passada pareceu eterna. Depois dos cincos alarmes programados despertarem, eu finalmente resolvi sair da cama. E tudo que eu queria era ter acordado com um gripe daquelas, com uma febre de 40º graus e em delírio, entretanto as doenças só são programadas para nos pegar em dias especiais para sua vida: tipo o aniversário de quinze anos da sua melhor amiga.

Banho tomado e mochila pronta, hora de encarar o que poderia ser o pior dia da minha. Coloquei minha playlist de autoestima, tipo: Lady Gagar, Katy Perry… E passei bem longe de “salva-me” do RBD, porque era capaz deu começar a chorar bem ali mesmo, no carro. Combinei com as “vacas” de encontrá-las na porta da escola, pois eu não saberia lidar com a situação caso a Danni já soubesse e estivesse me esperando na porta e quisesse me dar umas tapas bem ali. E surpresa, ao entrarmos na escola, encontramos a Danni e as “bajulacretes”, ou seja, suas amigas falsificadas. Pela primeira vez senti minhas mãos suarem, era um mistura de calafrio e o calor do sol ao mesmo tempo. Juro que consegui ouvi meu coração batendo muito mais acelerado. E a Danni foi se aproximando de mim e… Sorriso! Somente um sorriso. Não pode ser, pior que uns tapas, é um sorriso dessa garota. SO-COR-RO!

NESSAS FRASES TÊM UM POUCO DE NÓS DOIS

tumblr_muondcD2s41skyc5uo1_500Quando me falaram do grupo de leitura eu logo me animei. Afinal, adoro livros e conversar sobre minhas leituras atuais. Apesar do fato de estar em meio a vários desconhecidos não me agradar muito. Na verdade, eu não sou tão ligado a redes sociais, percebe-se pela foto do meu perfil do whats, espera…não tem foto no perfil do meu whats. Entre conversas e brincadeiras no grupo fomos nos conhecendo. Alguns filmes em comum: Harry Potter, As Vantagens de ser invisível, A origem dos Guardiões. Algumas séries em comum: Once Upon A Time, Skins, The Big Bang Theory. Algumas músicas em comum: Na Sua Estante, Velha Infância, Flashlight.

Demorou, na verdade, demorou muito mesmo para que finalmente eu conseguisse tomar coragem e inventar uma desculpa boba para te chamar no privado. Comecei te questionando sobre algumas coisas da faculdade, depois comecei a te pedir algumas indicações de livros. E entre algumas conversas sempre acabávamos rindo muito. Então o grupo resolveu fazer um encontro no shopping, o que em outra ocasião eu nunca toparia me encontrar com uma galera em que o máximo de contato foi por um aplicativa de celular, mas em outra ocasião, como eu disse antes, pois nessa eu tinha os motivos suficientes para me motivar a fazer o sacrifício: você.

Olha eu aqui agora me preocupando com a roupa que vou usar, cara, eu realmente não sei combinar essas coisas. Então é melhor ir no básico e com algo que eu me sinta mais confortável. Coloquei uma camisa vermelha que sempre gosto de usar, uma calça jeans, meu sapato camocim e uma touca beanie pra disfarçar esse cabelo que o vento é quem define o penteado. Perfume roubado da mãe, ok. Creme de barbear roubado do papai para tirar isso que eu insisto de chamar de barba, ok. Dinheiro retirado do cofre como sempre, ok.

Ao chegar no encontro, revirei os olhos por todas as cadeiras e pessoas que aos poucos eu estava reconhecendo por tanto mandarem fotos no grupo por confundirem com o Instagram, mas você não estava lá. Já que eu estava ali, tentei não ficar tão excluído do grupo, afinal, eu não sou tão antissocial assim. Já tinha passado meia hora e nada de você. Passou uma hora e nada de você. Nesse momento eu já tinha me convencido que algo acontecera lhe impedindo de vir. Até que a menina que estava ao meu lado, Carla se bem me lembro do nome dela, deu um grito que me deixou um zumbido nos ouvidos. JE-NI-FER! Gritaram as meninas. E eu quase gritava junto! Calma, cara, não seja idiota, pensei. Mas não pude conter aquele sorriso bobo. Logo fui tirando a minha mochila que eu coloquei na cadeira ao lado da minha, uma forma de fazer você se sentar próximo a mim. Não me julguem! Nós meninos temos nossas estratégias, e vocês também meninas, nó sabemos que vocês são bem melhores nisso.

Enfim, meu amor, hoje fazem 5 anos que estamos juntos. Já passamos por primaveras e outonos. E eu poderia deixar várias frases clichê sobre amor, mas em cada frase dessa sempre haverá um pouco de nós dois. Você sempre será a minha menina do grupo de leitura.

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VALE A PENA DERRETER POR ALGUMAS PESSOAS, MAS QUEM DERRETE POR NÓS?

tumblr_lnuq0w720b1qec335o1_500_largeDaí você coloca um status em seu WhatsApp e uma semana depois não lembra o que tinha escrito lá: vale a pena derreter por algumas pessoas. E percebe que nesse exato momento essa frase não tem nenhum sentido para você, porque uma semana antes você estava derretendo por alguém, e hoje tudo que você precisa é alguém que possa e queira derreter por você. Então você percebe que ao seu redor não tem ninguém realmente disposto ou com disponibilidade para tal.

Se você, assim como eu, é daquele tipo que se apega, se derrete e quebra a cara várias vezes na vida por sempre confundir um colega como um amigo, bate aqui! Já me peguei inúmeras vezes me preocupando, sentido a tristeza ou a falta de pessoas que na verdade não me consideram como amigos, mas como simples conhecidos. E como todos sabem conhecidos são só pessoas para se divertir de vez em quando. E isso é tão decepcionante!

Eu queria mesmo não precisar de alguém para derreter por mim, mas às vezes é tudo tão complicado que pensamos que não daremos conta da dor que sentimos por dentro. Quando a tristeza chega a sufocar e as lágrimas ficam presas em nossos olhos nos impedido de lavar nossa alma. Acredite, uma lágrima presa nos faz chorar para dentro e, muitas vezes, acaba por afogar nossos sentimentos em mágoas. O coração parece submergir em meio ao dilúvio de incertezas e insegurança.

É engraçado pensar que mesmo sabendo que o nosso amor não seja recíproco, a nossa amizade não seja reciproca, ainda sim continuaremos derretendo por algumas pessoas. E tudo que queremos mas somos orgulhosos demais para pedir é que alguém derreta por nós também. Quem alguém simplesmente tenha a capacidade de nos olhar nos olhos e perceber que precisamos de um abraço, que precisamos ser compreendidos ou mesmo alguém que queira ficar ao nosso lado mesmo que seja por alguns longos minutos de silêncio.

QUAL FOI A ÚLTIMA VEZ QUE VOCÊ SE LIBERTOU?

tumblr_mvyaiqAgRc1se92u6o1_500 (Leia ouvindo)

Pare para pensar um minuto, agora me responde quantas de suas escolhas foi apenas por você? Qual foi a ultima vez que você foi “apenas você”, sem vestígios de opiniões de outros? Qual foi a ultima vez que você decidiu fazer algo sem ao menos pensar que existe pessoas a te olhar e comentar? (pausa dramática)

Talvez nunca nos libertamos totalmente, até enchemos a cara as vezes e ficamos loucos, fazemos e dizemos tudo que temos vontade, mas porque só sobre o efeito do álcool? Perder a sanidade por algumas horas por vontade própria é tão arriscado assim? Vontades, somos feitos delas, a maioria dos teus pensamentos que te tira o sono na madruga é por causa das vontades, mas não são aquelas que você fala pra todo mundo, não são as que enche tua família de orgulho, são aquelas que te definem. Nós mostramos a sociedade a nossa versão anjo, aquela em que todos se orgulham, e os “loucos” que ousam expor sua parte cheia de vontades são os famosos “revolucionários”, os que conseguem um feito que é raridade, sair do comodismo, saber que vai ser muito julgado por suas decisões, mas preferir ser suas vontades por inteiro e não a vontade de terceiros.

Penso em me libertar todas as noites, mas quando amanhece o dia não tenho coragem de decepcionar quem amo, não aguentaria ver os olhinhos de quem amo vendo que não sou o que eles idealizam de mim, sim! Sou uma covarde! Sei disso, mas todas as noite tomo minha dosagem de coragem, mas pela manhã o efeito já passou, então vou vivendo assim, até o dia em que sem querer eu tome uma overdose e me liberte.

Então que eu me liberte, mas essa liberdade sob o efeito de alucinógenos não me interessam, não me traz alegria, o que eu quero pra mim ainda não tem nome, desejo sair desses trilhos que me prendem, acho só quando eu perder essa linha certinha é que vou descobrir que sou livre: livre pra ir a qualquer lugar, livre pra ser quem eu quiser, uma liberdade tão grande que eu decida ser eu mesma.

SERÁ QUE VOCÊ ESTÁ LENDO ISSO?

tumblr_l82nfp8i1Z1qzqw3eo1_500_largeHey, passei hoje por você na entrada da escola. Por um instante pude sentir algo especial. Algo que já senti antes e já sei o que significa. Mal consegui disfarçar a surpresa e o sorriso no canto da boca por saber que você estava na minha turma. E acho que você já está percebendo alguma coisa. Vejo isso no seu olhar. Posso até estar errada, mas você parece um erro bom. Te olho assim de longe e você parece  o meu tipo, por onde você esteve todo esse tempo?

Hoje na aula de matemática levei uma bronca por não prestar atenção na aula, mas eu tenho uma boa explicação para precisar ficar olhando para o fundo da sala. Você deveria sentar mais próximo sabia?

Será que isso é só uma brincadeira da minha mente? Mas quem se importa? Você quer brincar comigo? Tudo na vida é como um jogo, e depois do start sempre vem o game over.  Mas quem se importa? Seja infinito comigo! Vamos sonhar, podemos ser felizes da primeira estrela até o morrer da última.

Me pergunto se você já ouviu falar de mim, as notícias sempre correm. Eu posso ser mais interessante do que falam de mim, pois só eu entendo tudo que sinto. Sinta comigo!

Sei que tudo isso que estou dizendo está muito confuso, mas eu tenho as melhores intenções. E eu não estou me preocupando com o fim que isso pode tomar, mas com a trajetória que podemos fazer. Viaje comigo!

Agora já estou te stalkeando nas redes sociais. Você ficou ainda mais bonito do que três anos atrás. Curti essa foto de 2012 é ir longe demais? E se eu parecer uma louca? Mas quem se importa? Seus post são muito divertidos! E seu irmão mais novo é muito fofo, esses vídeos de vocês brincando de robô me fizeram doer a barriga <3

Já imagino que podemos ser o melhor shipp do colégio. Podemos fazer um piquenique de 30 dias? Você não se importa por eu ser um pouco ciumenta? Dizem que eu sou meia louca, mas dizem sempre muitas coisas. Mas quem se importa? Será que você está lendo isso?

JOGO DA VIDA: O JOGO DOS 7 ERROS

Quando eu era criança adorava fazer aquele jogo dos 7 erros que as professoras costumavam passar na escola. Comparar duas realidades aparentemente iguais onde apenas detalhes sucintos destoavam – isso parecia fantástico. Eu não sei vocês, mas quando eu encontrava os 6 erros, restando somente um, eu ficava triste, pois o jogo iria acabar. E também porque quando chegava no sétimo erro e eu olhava as duas imagens e percebia que elas já não eram mais as mesmas. Agora eu sabia que aquela imagem era cheia de erros. E ela já não parece tão idêntica a outra. É aquele lance da expectativa e realidade, entende?

tumblr_lkfffcfsiy1qd9lrdo1_500_largeO que eu não entendia era que aquele jogo tinha muito a ver com a minha vida. Quantas vezes nos decepcionamos com a vida que temos por projetar uma “realidade” paralela ?

O fato é que estamos acostumados a somente idealizar nossos sonhos e objetivos. Não que isso seja errado, mas é perigoso “viver no mundo dos sonhos e esquecer de viver”. E eu resolvi brinca de “7 erros” com a nossa vida.

ERRO #1 _ Quando você acredita que tudo que dizem sobre você é verdade e você cria sua imagem a partir dessa “verdade”.

 Você é muito maior do que dizem, acredite!

ERRO #2 _ Quando você acha que pode dominar o mundo ou que é muito insignificante para ele.

Não seja aquele tipo de pessoa 8 ou 80. O mundo não é pra ser dominado, mas para ser vivido. Permita-se! E é claro que você não é insignificante, as pessoas certas irão te valorizar no momento certo.

ERRO #3 _ Quando você tenta mudar o sei jeito de ser para agradar os “amigos”

Se esses teus amigos ficam insistindo para que você mude, é melhor você mandar eles pastar igual vaca magra ou ligar a tecla do FODA-SE! Não precisamos ser igual a ninguém e muito menos mudarmos o que somos para agradar os outros. “Se você não consegue ser o que querem que você seja, torne-se aquilo que eles não podem ser! –  A não ser que você seja um completo idiota, egocêntrico e preconceituoso, neste caso: MELHORE!

ERRO #4 _ Quando você acredita que é o rei da verdade absoluta

Eu juro que já fui um pouco assim na minha adolescência, mas hoje já estou bem melhor. Com o tempo você percebe que não sabe de tudo e que não existe esse lance de verdade absoluta. Tudo é relativo!

ERRO #5 _ Quando você acredita que o destino realizará todos os seus sonhos

STOP, PLEASE! O destino com certeza não realizará nada além do que você fizer pra chegar em determinado objetivo. Claro que às vezes você tem uma ajuda da força superior (obrigado, Deus) ou qualquer outro nome que você dê. E algumas coisas simplesmente acontecem, mas sinceramente? Corra atrás dos seus sonhos e objetivos ou ficarão só no papel.

ERRO #6 _ Quando você pensa que é o melhor em alguma coisa

você é o melhor do skate da sua rua, mas tem um menino mais novo que você que é o melhor do skate da cidade, assim como tem outro que é o melhor do estado ( quem lembra daquela cena triste do filme “A Procura da Felicidade”?). Não se ache o melhor de tudo e de todos. Sempre terá alguém melhor do que você. Mas lembre-se que você é singular, e é isso que te faz especial. “São as nossas escolhas que revelam muito mais o que somos do que nossa capacidade”.

ERRO #7 _ Quando você acredita que não vale a pena se entregar ao amor

Acredite, uma hora vai fazer falta. Com o tempo você percebe que a frase “o amor vem para os distraídos” não faz mais nenhum sentido. E a única coisa que você quer é ser o distraído da vez.

VAMOS DE VIRADA?

CAPA BLOG TESTE

Vamos ter uma conversa final, não é mesmo? Faz-se necessário esse último texto aqui no blog. Bom, se você chegou aqui pela primeira vez, seja bem vindo, e continue lendo, talvez haja algo que te interesse. E se você já nos acompanha há algum tempo, muito obrigado!

Muitas coisas aconteceram durante esse ano, como sempre acontece em todos os outros, mas algumas parecem que foram de tirar do fôlego. Eu particularmente me senti sufocados em alguns momentos, me senti feliz em tantos outros, com raiva em alguns também, mas aqui estou, continuo de pé e de queixo erguido. Estamos fazendo quase dez meses que o qualquercoisaviralata.com.br está no ar e foi tempo suficiente para conversamos acerca de algumas coisas da vida. Começamos falando sobre como não ser um ser hospedeiro (Um ser não hospedeiro), uma pessoa que sua felicidade é dependente do que as pessoas acham dela ou do que as pessoas esperam que ela seja. E a conversa se prolongou quando falamos de acreditar em si mesmo ( Imagine uma nova história para sua vida e acredite nela), onde desistir e não ter fé não é uma opção. E chegamos a conclusão de que nós, mais do que ninguém, somos responsáveis pelas nossas histórias.

Nos deparamos também com uma das questões mais difícil de responder: qual o sentido da vida? E acredito que ainda não encontramos a resposta para isso. E foi de uma hora para outra que descobrimos que simplesmente amadurecemos ( Entre o atraso e a vida: o eu que habito) , isso sim é a prova que existe magia, é tipo, puff! E você já não é mais o mesmo, e só a essência do que você foi é capaz de continuar com você. Demos uma volta e meia no sentido da vida e entendemos que ajudar as outras pessoas a serem felizes, nos ajuda a ser feliz também. Se metade de nós é composta pelas outras pessoas, eu prefiro que essa metade seja um oceano de felicidade.

Ei, não podemos esquecer daquela nossa crise existencial ( Entre crises e crises: descubra o que te faz feliz). Nossa, o que foi isso? Eu não tenho uma pílula que resolverá seus problemas, mas eu posso te dizer uma coisa: – MELHORE! Mantenha a calma, relaxe e resolva ser feliz. É fácil? Claro que não. Mas é impossível? Também não. E eu continuei dizendo: se for pra sumir, suma! Suma de tudo que está te confundido. Daquilo que está tirando a tua paz. Se for pra sumir, suma mesmo. Entram dias e saem dias, entram meses e saem meses, entram anos e saem anos. E quantos vezes você parou para sumir? – E depois de sumirmos um pouco para aquilo que nos afundam no mar negro, chegamos a conclusão de que sempre haverá chance para um novo recomeço.

ufa, quanta coisa já vivemos. Até que cansamos um pouco de tudo isso, colocamos os pés no chão molhado da chuva e encontramos nossa miudeza (Você perdeu sua miudeza?). As coisas simples sempre nos fascinaram! E quando realmente nos sentimos bem conosco, desapegar das tristezas e daquilo que não nos faz feliz se tornou um brincadeira e não uma tarefa difícil. Já quando as coisas nos fazem nos sentir infinito, só há uma regra para nós: se apega, sim!

Aprendemos que o destino tem vários caminhos, que só sentimos faltas das coisas que deixamos partir, e como expulsar os dementadores da nossa vida.  E também que fugir dos problemas não adianta nada. E outras 22 coisas que aprendi. E como somos muito literários, falamos sobre o que os livros nos ensinam e o que praticamos.

E por final, chegamos a conclusão de que as estrelas nos permitem errar.  E isso é ótimo!

Agradeço a todos vocês por terem me ajudado a ter esse ano maravilhoso. E que tanto me fortaleceu para seguir com os meus sonhos. Ser feliz é agora a nossa única opção!

Beijos e abraços, Alef J Marinho!

NÃO TIRO MAIS MEUS ÓCULOS: CONFISSÕES DE UM GAROTO

Eu nunca fui considerado o mais bonito entre os meus amigos, mas também não era o mais feio. Mas o que é feio e bonito? E o que isso pode fazer com o psicológico de uma pessoa?

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Lembro-me que desde pequeno eu sempre fui preocupado com o que as pessoas iriam dizer de mim, se elas me achavam bonito ou eu era um caso perdido. Mas lembro também que apesar das reações das amigas da minha mãe – ele é lindo!  – sempre serem as mesmas isso não mudava o que eu sentia. E sempre fui muito pessimista comigo mesmo. Eu simplesmente não gostava de nada em mim. E isso era muito difícil de admitir, principalmente quando se é um menino, e a sociedade diz que meninos não ligam pra essas coisas.

A partir dos meus onze anos de idade eu comecei a não retirar mais a camisa em público, apesar de que nessa idade eu ainda era magro e só uma criança que não tinha entrado na adolescência. Ainda nessa época eu conseguia ir à praia e ficar sem camisa, mas com bermuda. Dei adeus as sungas que minha mãe gostava de comprar. Com o avanço da idade – nossa, fiquei tão velho com essa frase hahaha –  a coisa piorou mais um pouco. As idas à praia se tornaram cada vez mais raras, e eu moro em MACEIÓ, quem mora aqui sabe como isso é difícil. Eu tinha vergonha de tirar a camisa em público, mas também tinha vergonha de entrar no mar com camisa. Por isso sempre evitei fazer algo que eu sempre amo muito que é tomar banho de mar. E me arrependo quando penso em quantos momentos eu deixei de viver por não me aceitar.

Chegaram as espinhas, meu corpo foi mudando e eu já não era aquele menino magrinho. Agora eu ganhei uns pesos a mais. E as coisas só pioraram. Vi a minha pele se tornar uma terceira guerra mundial onde as acnes brigavam por território contra os cravos – que nojo escrever isso – e minha visão começou a falhar. Agora eu estava acima do peso, com o rosto repleto de acnes e usava óculos de grau. Eu sabia que tinha que fazer alguma coisa para melhorar, mas não conseguia. Simplesmente eu tinha desistido de mim. Vivia em uma escuridão total. E acho que nesse momento do texto alguns dos meus amigos já não me reconhecem, pois apesar da baixa autoestima, eu ainda conseguia me divertir e/ou não queria compartilhar esse sentimento com ninguém.

Cresci mais um pouco, e quando eu achei que não poderia acontecer mais nada, simplesmente eu comecei a não aguentar a me ver em fotos usando óculos. Eu coloquei uma ideia louca na cabeça de que eu ficava mais  bonito – pra não dizer legalzinho – sem óculos nas fotos. A galera se reunia pra foto e eu já gritava: pera, deixa eu tirar o óculos que eu fico mais bonitos. E apesar dos meus amigos rirem da situação, eu preferia passar vergonha fazendo essa idiotice do que ter uma foto usando óculos. BIZARRO!

É triste escrever isso e fico ainda mais triste em saber que por ai tem muitos outros meninos e meninas que também passam por tudo isso que eu sofri e ainda sofro, e às vezes de uma forma bem pior. E sim, ainda não me livrei de algumas dessas loucuras. Não é tão fácil dizer pra si mesmo que tudo isso não passa de uma loucura da sua cabeça, que você não vai ser julgado pelo que você é, quando você é julgado diariamente. Talvez eu sofra do mal do século: procurar padrões que não existem. E que não devem existir. Mas é uma coisa que dizem que você tem que alcançar, apesar deu nunca ter visto alguém que o tenha tocado.

Agora eu já não retiro mais os meus óculos para tirar minhas fotos e me sinto muito bem por isso. Agora eu começo a entender que somos singulares e devemos nos aceitar. Eu percebo que realmente não existe feio e bonito, esses conceitos são só loucuras da nossa cabeça. Eu comicamente aprendi que pra cada sapato que as pessoas julgam velho, existe um pé cansado esperando por ele.

Se você chegou até aqui, muito obrigado! Eu realmente precisar falar com alguém.

A MENINA JOAQUINA: NÃO SÃO GÊMEAS NO OLHAR

tumblr_lcq02mpBHB1qcjmt2o1_500Há duas meninas que moram perto da minha casa, elas são novatas no bairro. Seus pais tiveram que se mudar para a minha cidade por conta do emprego. Eu não as conheço bem, na verdade só falei com elas uma vez quando levava meu coelho, Bartolomeu, para passear na grama da praça. E o mais legal de tudo é que elas são gêmeas, daquele tipo que se parecem iguais, sabe?

Essa semana  a mãe delas esteve aqui em casa, ela veio trazer o convite do aniversário delas. Isso é legal e estranho ao mesmo tempo, porque, geralmente, só convidamos os amigos que mais gostamos para nossa festa. Mas isso é um sinal de que elas gostaram de mim e querem fazer amizade. Eu acho isso ótimo! Mamãe perguntou-me se eu tenho o desejo de ir, eu disse que sim, pois elas pareciam legais. Saímos para comprar o presente. Fomos à loja de brinquedos do shopping aqui perto de casa que, geralmente, eu costumo comprar os meus presentes em meus aniversários e no dia das crianças. E também sei que no Natal a mamãe compra nessa loja, porque essa é a loja mais “brinquetuda” de todas as lojas de brinquedos.Eu tinha uma missão impossível: comprar dois presentes para duas meninas que quase não falo e não posso escolher nenhum presente para mim.

Depois de rodar toda a loja e fazer o vendedor tirar da caixa quase todos os brinquedos possíveis de serem testados na hora  – Desculpa moço da loja – eu escolhi duas bonecas lindas da mesma coleção, assim elas poderiam completar a coleção mais rápido. Minha mãe pediu para que fossem embaladas com papel de presente igual e lógico que eu não deixei. Que mania das pessoas de acharem que tudo deve ser igual.

E finalmente chegou o dia da festa, fomos só mamãe e eu. O papai sempre tenta evitar o máximo que pode quando há festa de crianças. Ele diz que eu já sou uma festa ambulante. E eu sinceramente não sei se fico com raiva ou recebo como elogio, afinal, uma pessoa que parece uma festa ambulante deve ser muito feliz.

Ao chegarmos, as meninas nos receberam.

– Oi, bem vindas a nossa festa –  Disseram juntas de uma só vez – Eu sou a Sara e essa é a Sofia. Uma delas tomou a frente.

Eu não conseguia disfarçar minha cara de “ué”. Eu realmente não esperava ver aquelas duas meninas usando vestidos de bolinhas: um branco com bolinhas vermelhas, outro vermelho com bolinhas brancas. Eu tinha vários problemas nesse momento: primeiro, não posso rir por essas meninas estarem parecendo enfeites de árvore de Natal; segundo, não posso acreditar que elas realmente querem ser iguais; terceiro, tenho que mudar minha expressão e dar logo um sorriso antes que elas me acham uma irritadinha do nariz empinado.

– Oi, meu nome é Joaquina. Obrigada pelo convite. Esse é seu, Sara – Entreguei para a menina do vestido branco com bolinha vermelha – Esse é seu, Sofia  – Entreguei para a menina do vestido vermelho com bolinha branca.

– Como está seu coelhinho? Como é mesmo o nome dele? – As duas falaram se completando. E eu não consegui disfarçar minha cara de “ué?”.

– Bartolomeu –  Respondi –  Vocês sempre falam assim? – Um dia ainda vão costurar minha boca. Cala boca, Joaquina!

– Joaquina! Mamãe falou segurando em meu braço. Com um olhar de repreensão

-Assim, como? – Falou a Sara.

– Vocês sabem que não precisam ser iguais, certo? É tipo, esse vestido. O vestido da sara é branco e o da Sofia é vermelho, e mesmo que o branco tenha bolinhas vermelhas, ele nunca vai ser vermelho. Assim como o vermelho têm bolinhas brancas, ele nunca vai ser branco. Assim são vocês, mesmo que a Sara tenha um pouco de Sofia dentro dela, ela nunca vai ser Sofia. E isso é o encantador de tudo isso. Já imaginou se todo mundo pensasse igual? Eu posso presumir – Gostaram dessa palavra? Mais um do dicionário da tia Carmem. Quer dizer que eu fiz uma conclusão – que isso seria, no mínimo, estranho. E eu posso ver isso nos olhares de vocês. A sara é dedicada, gosta de ser líder no grupo, mas tem medo da reprovação das pessoas. Já a Sofia é muito meiga, sonhadora e altruísta, mas tem medo de arriscar, por isso sempre fica na sombra da irmã. Vocês não são gêmeas no olhar. E talvez isso não pareça conversa de uma criança, mas somos nós quem mais podemos sentir tudo isso.

– Tá, vamos brincar agora. Tchau, Joaquina. – Elas falaram juntinhas. Como se já tivessem decorado essa fala. E como se não tivessem entendido nada do que eu tinha dito.

Dei tchau, e fiquei observando elas correndo até a caixa de presentes e joga-los lá. Depois correram para um grupo de meninas e ficaram exibindo os sapatos que combinavam com os vestidos. E eu espero realmente que elas entendam que as pessoas não precisam sempre ser iguais, e muitos menos ser aquilo que as pessoas querem que elas sejam. Eu mesmo já não serei mais eu daqui alguns dias, horas,segundos…eu já entendi que o bonito da vida é estar sempre se transformando. E eu gostarei do meu novo eu.

Beijos e abraços, Joaquina.

AS ESTRELAS ME PERMITEM ERRAR

as estrelas nos permitem errarHouve um tempo em que meu lugar favorito da vida era subir em cima da laje da minha casa, deitar e ficar observando as estrelas. Era como uma terapia para mim. Eu não precisava, naquele momento, de mais ninguém, pois eu desabafava e solucionava quase totalidade dos meus problemas. Se eu estava triste, chorava lá em cima. Se eu estava feliz, deitava e ficava grato a vida por todo favor imerecido que tinha recebido até aquele momento. Ou simplesmente ficava lá, parado, olhando para céu. E horas e horas se passavam. Quando eu me mudei para outra casa confesso que fiquei desnorteado. Eu simplesmente estava sentindo muito falta do “meu lugar”. Quando eu sentia vontade de chorar o máximo que eu conseguia era ficar dentro do meu quarto rodeado de paredes e um teto sem graça. Não me encontrava, não achava respostas para os meus dramas e problemas. Eu simplesmente só conseguia chorar mais e mais. Agora eu era um “dramático desnorteado”.

Gosto de olhar para as estrelas, elas fazem sentir-me pequeno. E por que não infinito? Se o universo é infinito, as estrelas devem corresponder a isso. São 100 bilhões de galáxias e 100 bilhões de estrelas para cada galáxia existente. E o que sou eu em meio a essa infinitude de astros? Sou mais um. Uma pessoa que simplesmente tenta acertar, tenta ser feliz, tenta amar. Sou mais um que procurar alcançar os sonhos que se transformam a cada dia. Que tenta ser sincero, que tenta olhar olho no olho e expressar tudo que sente. Que sente aquela “bad” do nada e fica feliz quando um amigo diz: estou aqui. Sou aquele que ama estar rodeado de amigos, mas precisa de um momento sozinho para me entender. Sou aquela pessoa que promete acordar cedo na segunda-feira para malhar, mas acorda tarde e ainda come biscoito no café da manhã.

É isso que eu gosto das estrelas. Elas me fazem pequeno, singularmente comum, me fazem um paradoxo. As estrelas me permitem errar. Elas não usam as minhas próprias palavras contra mim. Elas não julgam-me pelas minhas atitudes, pra elas pouco importa se o que faço tem coerência ou não. Elas não vão dizer: logo você fez isso? Hoje eu olhei para as estrelas e me senti seguro novamente. Muito tempo já sei passou desde do dia em que me mudei,  e o que tem me salvado, além de mim mesmo, são algumas pessoas – leia-se amigos, família..Deus –  que têm sido como estrelas na terra.

A CULPA NÃO É SUA, É DOS VERBOS

tumblr_mk16wiTOP81r3rbmho1_500Não te culparei mais pelas minhas tristezas, muito menos pelas minhas desilusões. Não direi que todas as noites em claro foram por você. Não se preocupe, não te culparei. Acredito que aqui dentro as coisas foram encontrando respostas e encaixaram-se em seus devidos lugares. Agora eu entendo tudo. Não foi e não era para ser.Deixo-te partir e ainda dou-lhe o que mais te agrada: estar sempre certo. A culpa não é sua, é dos verbos. Pois quando eu deveria sentir que algo estava errado, eu consentia que era para estar errado.  Quando eu deveria procurar ajuda para me livrar dos teu abusos, eu entendia os teus abusos. Quando eu deveria encher-me de mim, eu transbordava-me de ti. Quando eu deveria trair os meus medos de perder-te, eu apaixonava-me por esses medos. E assim como os verbos você me flexionava em sua vontades em pessoa, número, tempo, modo e voz – cadê minha voz? – e definia minhas ações, meu estado e meus desejos.

Pode ir com suas certezas de que nada do que aconteceu e acontecerá daqui por diante foi e é reflexo daquilo que tu fizeste um dia. Pois como já escreveu a pena, “não tem revolta não, eu só quero que você se encontre, saudade até que é bom, é melhor do que caminhar vazio.”

Livro-te das culpas, mas livro-te mais ainda de mim, livro-me de mim…de ti.

MÊS DO HORROR: JACK, O’LANTERN

jack-o-lantern-pumpkins-11288879970iUJPEra 31 de outubro, uma das noite mais escuras e frias que aquele pequeno vilarejo enfrentara. No final do crepúsculo já se tinham ido todos para suas casas, desde do último ocorrido as lembranças fizera com que todos tivessem calafrios só de pensar em sair de seus não tão seguros abrigos. Como sempre, somente um pequeno bar ao fim da rua mais escura, do bairro mais sombrio e frio permanecia com suas luzes acessas a espera dele. Jack, voltara. Ele sempre voltara.

– Daniel, eu não quero ouvir essa história

– Calma, irmãozinho! É só uma história do dia das bruxas

– Mas eu não quero. Eu tenho medo!

-Silêncio, temos que continuar o que começamos…

Em uma noite escura como essa, em um 31 de outubro, Jack , como de costume, tinha bebido desvairadamente. E vagava a gritar pelas ruas da cidade que nesta época não era silenciosa como procura ser atualmente. Jack seguia o mesmo caminho em todos os seus retornos a sua casa, o que fazia que mesmo com toda bebedeira ele não se perdesse a ficar perambulando pelas ruas até o o sol raiar novamente. Mas nem todos os dias podem ser iguais e, de longe, esse não  foi igual aos outros.

Jack depara-se com uma pessoa ao longe, ele até hesitaria a não passar pelo mesmo caminho caso tivesse um pingo de lucidez naquela momento, mas como ser lúcido após uma longa noite alcoólica? Ao se aproximar, ainda enxergando embaçado, Jack ouvi o homem a chamar pelo seu nome. Até que um fecho de luz decorrente de um candeeiro iluminou a face daquele home. Jack assustou-se com a aparência daquela coisa.

-Boa noite, Jack!

– quem é você?

-ora, sabes quem sou. Teu companheiro. Eu sou o diabo.

– E o que queres?

– Chegou o teu dia, amigo. Venha de bom grado, pois vim levar-te

Jack, esperto como era, convenceu o diabo a dar-lhe mais alguns minutos no bar mais próximo e o acompanha-lo em sua última dose. Depois de seu último gole, Jack confessou que não tinha dinheiro para pagar a bebida e convenceu o diabo a transforma-se em uma moeda, de bom grado, o diabo fez. Jack, aproveitando a situação, pegou o diabo transformado em moeda e colocou-o em em sua carteira, onde o zip era em formato de cruz e ele não poderia sair de lá. Ao passar das horas, depois de muito pedir para ser libertado, Jack resolveu entrar em acordo com o diabo, caso ele o tirasse de sua carteira,  ele o deixaria viver por mais um ano. E assim foi acordado.

Um ano se passara. Jack tinha prometido mudar depois desse encontro macabro. E mudou! Agora ele era prefeito daquela pequena cidade, a bebida já não tocava mais em sua boca e ajudava a todos que o procurassem. Todos admiravam aquele homem que sozinho conseguiu se livrar da vida de fracasso que vivia a alguns anos passados. Não desconfiavam que toda aquela boa vontade era medo de ir para o inferno. E ao anoitecer, como acordado, o diabo voltara para levar o que o pertencia, a alma de Jack.

Jack, mais uma vez abusando da pouco inteligência do diabo, o convenceu  a subir em uma árvore para pegar um fruto, uma maçã,  para que Jack o provasse pela última vez. Assim o diabo fez, subiu naquela árvore para satisfazer o último pedido de Jack,  entretanto, ele não esperava que Jack sacasse de sua cintura uma pequena faca e marcasse o troco daquela árvore com o sinal de uma cruz. Assim, mais uma vez, o diabo ficara preso graças as artimanhas daquele mortal. Ao passar das horas e de muito pedir para ser soltou, Jack exigiu que o diabo nunca mais voltasse para buscar sua alma. E assim, de bom grado, o diabo recebeu o acordo.

-nossa, Daniel! O Jack é muito corajoso.

– cala a boca, a história ainda não terminou

Mas não se pode mudar o destino. Um ano depois Jack morrera em um acidente ao tentar buscar água no poço, escorregar e morrer lá no fundo. Para ele, a morte demorou alguns instantes, tempo suficiente para lembrar de tudo que fizeram ao longo de sua vida desregrada. Ao chegar ao céu, as portas não se abriram. Pois nada apagara seus pecados. E ele foi jogado para o inferno. E ao chegar lá, deparasse com seu amigo de datas passadas, o diabo. Esse, como muito receio depois das trapaças de Jack, negou a entrada de sua alma. Entretanto, compadecido dessa alma penada, tirou do fogo uma brasa e deu-lhe a Jack para que ele se guiar pelo limbo. Jack, pôs a brasa em uma abóbora e foi-se guiando pela eternidade.

– Isso é verdade, Daniel.

– Ora, irmãozinho, se você vê em meio a noite escura uma pequena luz como de brasa. Dê um “olá” para seu amigo Jack.

E NOS TEUS OLHOS AINDA EXISTE AMOR

ainda existe amor Leia ouvindo Joss Stone – Right To Be Wrong

Você me deu belos motivos para ir embora. Eu fui. Mesmo querendo ficar  e tentar arrumar toda essa bagunça que o vento fez ao passar. Não sei o que aconteceu, estávamos perto fisicamente, mas parecia que estávamos tão longe um do outro que não conseguíamos nos reconhecer como aquelas pessoas que estiveram juntas por tanto tempo, aqueles que planejaram e sonharam juntos. Aqueles que se amaram. Você me deixou partir. Eu parti. Não foi fácil e ainda não é fácil. Mas eu preciso acredita que poderei ser feliz. Talvez tudo que eu tenha que fazer, ou melhor, tudo que eu consiga fazer nesse momento é sentir minha bad, sozinha, ouvindo Lana, no meu quarto, com meus livros. E entre uma música e outra eu devo pensar que preciso te esquecer. É, tenho que viver isso para sentir aqui dentro que realmente acabou. Desculpe por eu tanto te evitar, fugir dos locais onde você está. Não quero ser aquele casal que se amou e agora se odeia ao ponto de não se falar. Afinal, o que vivemos foi lindo. Mas eu não consigo te olhar, pois eu sinto que nos seus olhos ainda existe amor.

 Estou mal? Sim, estou! E não se preocupe, não me sinto na necessidade de ter uma felicidade falsa em minhas redes sociais. Não mandarei indiretas para você. Às vezes quero te mandar uma mensagem no whatsapp, escrevo “diga que se lembrará de mim, do meu batom vermelho, da minha bochecha rosada. Diga que ainda sonha comigo”. Mas apago. E me pergunto como acabou se ainda existe amor. Ou não é amor? É acomodação? É medo da mudança? De não me sentir segura sem alguém ao meu lado?

Você me deixou partir. Eu parti. E agora eu te deixo partir. vai, seja feliz.

O QUE OS LIVROS NOS ENSINAM X O QUE PRATICAMOS

– Esse livro é perfeito!

– Por quê?

– Ele nos faz entender  a complexidade do ser humano. Tipo, mesmo que você não passe por essa situação, mas agora você entende melhor as pessoas que passam e sentem isso que esse personagem sofre.

 


o que os livros nos ensinam

O poder da Literatura de fazer com que nós fiquemos emocionados é extraordinariamente incrível. Assim como a música, um bom filme, uma peça de teatro, etc. Da Arte em geral, certo? E talvez esse seja o principal motivo para consumirmos tanto a Arte. Temos a necessidade de nos emocionarmos e refletirmos sobre as problemáticas que norteiam a vida.

Quando um professor incentiva o seu aluno à leitura, justifica que, ao lermos, somos capazes de desenvolver nossa criticidade, nossa imaginação, aprendermos “n” coisas importantes para nossa vida, entre outros motivos. Quando alguém indica um livro a um colega, por exemplo, em quase totalidade das vezes, ele gostou e, de alguma forma, marcou-o por se identificar com algum fato do livrou ou não. Mas o ponto no qual quero chegar aqui é acerca do que estamos aprendendo com os livros e se de fato esse aprendizado está sendo praticado em nossas relações com o outro.

Mas, para poder trazer esse questionamento para vocês, eu tenho que me questionar primeiramente. Esses dias vi a postagem de um colega no Facebook e, de maneira automática, fiquei me questionando se aquele meu colega tinha algum problema psicológico. Não por aquele post em específico, mas por uma série de fatos anteriores que me levaram a refletir sobre isso. E eu pensei como ele era sozinho e como ele fantasiava as coisas para parecer tudo bem , etc. Só que, de maneira muito mais automática, eu quis ignorar o fato e rolar a página para outros posts que me interessassem mais.

E foi aí que “LFNLSKFJSLFJ” minha cabeça deu um sinal de que algo estava errado. Com aquele pensamento sobre o post do meu colega eu lembrei imediatamente do livro “Por Lugares Incríveis”. Um livro com o qual eu me emocionei, chorei e passei uma semana de BAD, pois é um livro maravilhoso que nos ensina a não julgar as pessoas, mas tentar descobrir o quão maravilhoso pode ser o mundo dela. Que tanto o descolado ou o largado ou o da primeira banca ou o da última banca são incrivelmente singulares. E esse era o melhor momento de usar a experiência de leitura para entender melhor o meu colega, concordam?

Por que o que tenho aprendido com os livros é tão difícil de pôr em prática?

Eu não sei responder agora, mas espero realmente conseguir em algum momento. Ou até sei, mas não quero admitir por ser triste demais.  Entretanto, o fato de esse meu questionamento vir à tona já é um passo para chegar em minha resposta, pois só questionamos aquilo que causa um estranhamento em nós mesmos.

Os livros nos têm ensinado a ser fortes, a não desistir de nossos sonhos, a ter fé, a ter coragem, a ter gentileza e a olhar para o outro como igualmente singular. Quando vamos começar a pôr em práticas as lágrimas, as emoções e as reflexões que eles nos proporcionam?

CARTA À PRIMAVERA DE UM BEIJO AMERICANO

beijo americano

Eu nunca fui de me importar tanto com as estações – não que agora eu me importe realmente – mas essa especificamente me marca profundamente. Desde que tudo…tenho me mantido forte, afinal, capricornianos até sofrem, mas não se fazem de fraco na frente de ninguém. Olha eu aqui, entendendo de signos. São por essas e outras que ainda dizem que estou ligado a você. E como não estar? Começou mais uma estação daquela, você lembra? Foi uma viagem de última hora. Um corre-corre danado!  – Pegou tudo? pegou tudo?  – Eu realmente confesso que você quase me enlouqueceu.  – Calma, garota! Tá tudo na mala, certo? –  Te dou um beijo na testa e você confia. Mais uma renovação chegando…Sim, me sinto renovado. Alguns acreditam que não me conformei ainda, mas eles não me entendem, ou melhor, eles não te entendem. Pois vivo como você gostaria que eu vivesse. Você já foi minha escuridão, mas muito mais minha luz. Você já foi meu medo, e ainda mais meu porto seguro. E é por isso que não me sinto mais fraco, pois já senti dor e você foi minha cura. E a cada primavera é mais um ano que você se tornou infinita. Lembra do Beijo Americano que te dei? Ela agora floresce muito mais, flores de uma cor vermelha intensa. Como você amava, como eu amo!

Estou saindo com uma outra mulher, acredito que você já saiba, mas faço questão de dizer. Sei que demorou muito mais do que você disse que iria demorar, mas não foi nada fácil de início. Ela me faz rir, é uma ótima pessoa. E sim, aconteceu como você disse: um dia alguém te abraçará tão forte que todos os pedaços dentro de você vai se juntar novamente, e então você saberá que encontrou a pessoa certa novamente.

Não se preocupe, nossa rosa juvenil está incrivelmente bem, ela cresceu tanto, já viveu tantas coisas. Hoje ela já entende a sua partida. Ela já entende que sempre colhemos as flores mais belas do jardim.

E assim como a vida se renova com as estações, assim como as flores florescem na primavera, assim como o Beijo Americano se torna tão intenso quanto você, eu continuo te amando. E você continue viva em mim.

P.S. Do começo ao fim.

POR QUE NOS APAIXONAMOS?

por que nos apaixonamos?

Chegamos em um momento da vida em que percebemos que realmente, como já dizia o Tom, ninguém é feliz sozinho. O ser humano é uma criatura realmente carente e imperfeita e, afim de chegar à uma totalidade, busca preencher-se com os demais.

Nessa busca, formamos diversos laços. Aqueles, que vão além do sanguíneo, os laços da alma. Fazemos amigos porque necessitamos de seu companheirismo para nos sentirmos completos. Depois, temos uma sede inegável de “mais”. A partir disso, criamos um modelo, um arquétipo perfeito de ser humano que venha a atender todas as nossas necessidades, aqueles: geralmente belos, sorridentes e acolhedores. Depois, acabamos por tropeçar em alguém que, aos nossos olhos, encaixa-se perfeitamente naquele padrão. É o que é chamado de paixão.

Não nos apaixonamos pela personalidade daquela pessoa, e sim pelo que achamos que ela é. Tanto que, muitas vezes, vemos diversos relacionamentos findando-se com o passar de poucos meses – às vezes nem isso. É o fim do ciclo da paixão. É quando percebemos que aquela pessoa, na verdade, não é a perfeição que imaginamos, mas sim, um ser falho, como nós mesmos.

Meu lado mais cético diria também que paixão é sinônimo de ilusão. Ora, meu caro, outrossim, não quero dizer que ela seja algo ruim. Frequentemente é maravilhoso poder deliciar-se com a doce ilusão do estar apaixonado.

Da mesma forma, podemos encontrar na paixão um solo fértil para a semente do amor. Quando passamos a reconhecer a humanidade naturalmente falha daquele ser que está conosco, quando enxergamos facilmente todos os defeitos que constituem aquela pessoa e fazem dela singular, é quando realmente começamos a amá-la.

O amor está quando temos todos os motivos para ir embora, e decidimos ficar. Talvez seja por isso que o amor esteja acima da razão. Nunca encontrei uma resposta que fosse capaz de abarcar tamanha complexidade. Nem Freud explica, quem dirá eu, rs. O que posso afirmar-lhe, hoje, é o seguinte: ninguém ama pelas qualidades ou por qualquer fator que se possa clarificar. Ama-se pela leveza ou desconcerto que o outro provoca, pelo olhar que se encontra sem perceber, pela doçura contida no toque, pelo desejo de manter-se por perto, do querer bem, do fazer bem. Ama-se por motivos irracionais. Ama-se simplesmente por amar.


Gente, esse texto foi enviado pela minha amiga Letícia Sobreira. Eu adorei o texto! E vocês?