Categoria: TEXTOS, CONTOS E CRÔNICAS

QUANDO APRENDEMOS O QUE É TRAGÉDIA

Recentemente, ouvi um texto do Marcos Piangers, ele falava sobre tragédia. Esse texto é um daquela série de coisas simples, que já sabemos, está bem na nossa cara, mas fazemos questão de esquecer, e fazemos de forma tão fácil que nem percebemos que já sabíamos disso tudo.

No dicionário, o significado de tragédia se dá por uma ação que cominou em acontecimentos fatais, funestos. Engraçado pensar sobre a nossa capacitada de significar a linguagem, uma significação muito peculiar e intrínseca, mas às vezes também muito convencionada ao comum de uma sociedade que se apresenta de forma muito fácil como seca, obscura e desesperançosa. Tenho pensando seriamente sobre o que pra mim se apresenta como trágico. E corroboro com as reflexões do Piangers, quando diz que: a morte não é trágica, ela aconteceu porque tinha que acontecer, afinal, o destino tão distante de todos nós é a morte; a separação de um casal não é trágica, na verdade, trágico é você deixar de experimentar momentos extraordinários por querer estar ao lado de uma pessoa que não te faz feliz. Passar a vida toda solteiro não é trágico, quando na verdade, trágico é passar a vida toda procurando ser a metade de alguém quando você já se senti inteiro/a.

Mas então, no findar dos meus vinte quatro anos, aprendi o que pode ser trágico.

Trágico é meu sobrinho de dois anos e meio preferir assistir vídeos de crianças brincando de carrinho no YouTube, na maior parte do tempo, do que brincar com seus próprios carrinhos. Trágico é você nunca ter experimentado ir ao cinema sozinho por achar que sempre precisa do outro pra ser mais divertido. Também é muito trágico você nunca responder um “eu te amo” de volta pra um amigo, amor vai muito além de atração – na verdade, atração não é amor. Trágico é você achar que tem que ser bom em tudo que faz, e esquecer que pode ser melhor ainda naquilo que realmente gosta de fazer.

Trágico é perder a oportunidade de ser feliz por sempre achar que há um tempo depois. É trágico, é fatal, é sem tempo, é funesto.

RECOMEÇOS – Série ELA ENCANTA

Mais um ano se inicia, milhares de metas devem ter sido escritas ou digitadas em todos os continentes. Provavelmente, temas como emagrecer, estudar mais, ler mais, ter mais dinheiro, arranjar um novo amor e por aí vai. Deve ter sido as escolhas da maioria das pessoas.

Confesso que eu sempre fui a louca das metas, acreditava que o ano novo me traria exatamente tudo aquilo que o antigo se esqueceu de me trazer. Acreditava que todas as brigas, a preguiça, tudo de ruim tivesse ficado para trás. Acreditava que o amor que as pessoas “demonstravam” ter no dia trinta e um de dezembro duraria trezentos e sessenta e cinco dias.

AQUELE SORRISO BOBO QUE ME CONQUISTOU – PARTE II

-Mano, é tradição! A gente precisa comemorar o teu aniversário.
Estava escutando aquela frase o tempo inteiro no último dia. Faltava uma semana para o meu aniversário de 23 anos. E durante os últimos dois anos comemorei a data com os meus amigos. Sempre íamos à boate da cidade universitária que morávamos. Mas esse ano eu não queria ir. Passava a manhã inteira no estágio, a tarde tinha a faculdade e a noite precisava dividir o meu tempo entre estudar os assuntos do meu curso, que, definitivamente, não era fácil, já que eu cursava engenharia aeronáutica e dava aulas de reforço. Eu sabia que não estava sendo fácil para os meus pais mandarem dinheiro para eu me manter aqui. Estava economizando onde eu podia.

AQUELE SORRISO BOBO QUE ME CONQUISTOU


Acabou! Ou melhor, iria começar a minha maratona para acabar todos os projetos da faculdade antes de domingo. Missão bastante difícil, mas não impossível!

Assim que a professora finalizou a aula, dei um tchau para os meus amigos de turma e sai em disparada para o ponto de ônibus. Queria apenas que ele fosse mais perto. Mas não, eu precisava passar pelo bloco de exatas, para chegar no estacionamento, para finalmente andar uma rua até o ponto de ônibus. A meta era fazer todo esse percurso em três minutos. Eu era boa nisso. Mas nada saiu como o planejado.

EU VOU ATÉ O FIM!

Eu sempre soube o que eu queria ser quando crescer. Sempre brinquei de desenhar plantas para as minhas bonecas. Imaginava como seriam as suas casas. Sempre amei tudo que era relacionado ao mundo da arquitetura. Ou melhor… Quase sempre. Eu não estava aguentando toda aquela pressão que vinha tomado conta de mim. Precisava entregar um projeto de um restaurante. O problema era que o professor não aceitava NENHUM dos meus projetos. NUNCA estava bom o suficiente!

O outro problema que aterrorizava a minha vida acadêmica era que eu não sabia qual curso escolher, caso abandonasse a arquitetura. Eu sempre quis ser arquiteta e não me via fazendo nada diferente. Mas quando essa crise de que eu não era boa em nada que eu faço me pegava, eu não sabia o que fazer. Aliás, saber eu sabia. Queria fugir!

AQUELE NOSSO ÚLTIMO SHOW

Hoje me peguei revendo as fotos do nosso último show juntos, teu sorriso em meio aquela multidão apressada, enquanto ao fundo tocava “Viva la vida” da Coldplay, e eu só conseguia admirar aquele teu brilho no olhar que me fazia sentir em um espaço só nosso,  aquele abraço apertado depois de meses sem nem sequer trocar uma palavra, mas os abraços sempre me diziam que aquele espaço de tempo nunca existiu. Parece que aquele penúltimo dia juntos nunca seria real. Lembro de cada sorriso, lembro de cada pedido de ajuda na organização dos últimos detalhes…

VOCÊ TEM O QUE É PRECISO PARA SER FELIZ?

A felicidade não tem nada a ver com contabilidade. Ela não calcula quantos zeros a direita tem em sua conta bancária. Ela não favorece a cor, a raça, a crença. Ela não escolhe, afinal, felicidade é um estado de espírito. Mas a questão é se você tem o que é preciso para ser feliz. Pois, ser feliz é ser resiliente, superar os transtornos que a vida nos causa: as decepções, as tristezas, o sonho não alcançado, amor sem reciprocidade, superar o abraço nunca dado, a perda do colo da mãe, os amigos que se afastaram, os planos frustrados. Enfim, ser resiliente é a queda livre com um trampolim no final que nos traz de volta. Para ser feliz é importante deixar o que os outros são e o que conseguiram. Se faz necessário se preocupar com o que ainda podemos conseguir. O Que nos espera mais a frente?

AQUELE TAL PÓ DE PIRLIMPIMPIM

Olhando para o imenso mar a minha frente paro para refletir em como as coisas simplesmente mudam em nossas vidas. É como se alguma fada aparecesse para nós e, sem que percebamos, recebêssemos um banho de pó de pirlimpimpim. Sim! Estou citando o pó mágico do Sítio do Pica Pau Amarelo. Mas ao contrário do pó da turma do Sítio, o pó que veio parar em minha vida e dos meus conhecidos não trouxe momentos mágicos.

A MENINA JOAQUINA: SOBREVOANDO FLORES

a menina joaquina: sobreavoando flores

Ser criança é não perceber, muitas vezes, grandes muralhas que são construídas entre nós. É não saber quanto tempo o tempo tem, ele só passa, passa e leva com ele momentos não vividos. Mas do nada a gente começa a perceber: percebemos o que é saudade, percebemos que temos que ter responsabilidades, como ter que guardar as moedas que ganhamos de mesada para podermos comprar a nova edição do Gibi na banca do Francisco, por exemplo.

MINHA MELHOR AMIGA ME DEU UM CUNHADO

minha-melhor-amiga-me-deu-um-cunhadoFalar sobre o tempo é algo sempre muito clichê, mas sempre é uma verdade que o tempo passa e as pessoas mudam. Não na essência, pois não deveriam, mas nas reflexões, no comportamento e na forma de ver o mundo. As mudanças sempre são boas? Não, nem sempre. E isso não nos cabe decidir, o que nos resta é somente saber que as coisas mudam.

Quando menores acabamos sempre criando um laço de amizade que durará por muitos anos,  muitas vezes nos prendemos e nos limitamos nesse pequeno grupo ou em uma determinada pessoa, que parece estar sempre pronta para enfrentar os dragões e os zumbis que surgem em nossa vida. Mas todos sabemos que a palavra de ordem da vida é TRANSITIVIDADE. Há transitividade de amor, de sonhos, de visão do mundo e, principalmente, de pessoas. E ainda que nós não estejamos prontos e receptivos para tal, de todo modo nós seremos afetados.

Então foi sempre só você e sua amiga, você e seu amigo, você e sua irmã, você e seu primo, você e seu grupo de amigos, contudo, surgiu o “mais um”. De início você fica com um pé atrás, o novo é sempre estranho, é sempre misterioso e, quase sempre, é surpreendente. A sua irmã já não divide todos os seus planos contigo, seu amigo já não está sempre tão presente, pois agora há mais um rumo, há mais uma casa, há mais um plano, há mais uma saída.

Felizmente você percebe que agora há mais um cano de escape, e você começa a ficar feliz, pois entende que o mundo não cabe em suas mãos, e que não são só suas as preocupações. E que a resposta que você não consegue dar, há mais um que faça isso por você. Que a lágrima que você não consegue derramar, há mais um que chore por você. Os sorrisos que você não consegue despertar, há mais alguém que desperte por você. Diante disso, você fica feliz pela capacidade da  transitividade de trazer mais uma pessoa, mais um mundo, mais algumas possibilidades de aprender e vivenciar o novo.

E se o tempo  nos faz mudar, que ele nos faça entender que há inúmeras maneiras de fazermos a nossa melhor amiga-irmã feliz, por exemplo. E que o tempo nos ensine uma nova palavra de ordem: COEXISTIR. Que nada mais é do que perceber que para existirmos precisamos que o outro exista. Que para amarmos precisamos que o outro saiba o que é o amor. Que para minha felicidade existir, seja fundamentada em também fazer o mundo feliz. Que para o arrependimento existir, é necessário que o perdão parta de mim.

Eu só existo porque você existe.

DESISTIMOS A CADA 40 SEGUNDOS

FOTO: reprodução da internet
FOTO: reprodução da internet

A cada 40 segundos uma pessoa desiste de viver. A cada 40 segundos nós desistimos de uma pessoa. E mesmo querendo, muitas vezes, ser uma dessas pessoas, nós procuramos fazê-las entender que isso não é o certo a se fazer. E talvez não seja o justo. Não seja o justo consigo, não seja o justo para com quem estar ao lado. E, sim, eu sei o que é se sentir tão pra baixo que sentimos uma falta de ar agoniante e que para os médicos não fazem nenhum sentido, porque seus exames mostraram que está tudo perfeitamente normal. Sim, eu sei o que é se sentir desmotivado mesmo tudo estando aparentemente bem. Eu sei também o que é saber e entender quais são todos os motivos para não desistir, mas ser levado a desistir. Eu sei o que nos leva a nos fechar em um mundo exclusivamente nosso, porque esses outros mundos que tentam nos mostrar não nos cabem, não nos pertencem e não nos fazem felizes.

Dizem que desistir é desnecessário, para quem está do outro lado isso é verdade, entretanto,  para que desistiu, isso era a única saída que lhe parecia existir.

Desistir me parece injusto. Pois entendam:

Semana passada uns amigos meus estavam bastante tristes, estavam chorosos. Eu não estava tão bem, porém estava suficientemente bem para conseguir tirar algumas risadas deles.

Outro dia qualquer, conheci uma menina na aula de espanhol e entre uma conversa e outra a aconselhei a fazer parte de alguns projetos da faculdade, pois a ajudaria a desenvolver sua prática, criaria um currículo etc. Semanas depois, ela me procurou para pedir ajuda com sua carta de intenção, pois seria candidata a uma bolsa de pesquisa.

Certo dia, resolvi convidar e aceitar pessoas desconhecidas no Facebook, entre essas pessoas estava um cara que me incentivou a participar de um projeto social, desde então já ajudamos mais de duzentas pessoas.

Certo dia, resolvi visitar um lar de idosos com umas amigas. Ao chegar lá, me deparei com uma senhora no corredor que logo me puxou para seu quarto para me mostrar algo, ela se sentou em sua cadeira que ficava ao lado da cama, em seguida, pediu que eu sentasse ao lado dela. A senhora começou a contar algumas histórias e em um determinado momento perguntou se a moça que estava ao meu lado era minha esposa, quase infartei de susto, confesso, e virei o rosto bem devagar torcendo para não ter ninguém ali ao meu lado, e claro que não tinha, mas em um segundo eu consegui pensar que para aquela senhora tudo era real, e eu não estava no meu mundo, mas sim, no dela, por isso dei um belo sorriso e confirmei que aquela mulher que supostamente estava ao meu lado era minha esposa, com  a qual tive três filhos, dois meninos e uma menina. E tivemos uma longa conversa sobre como é difícil a vida de casado.

E mesmo querendo desistir várias vezes, eu percebi que seria injusto com todas essas pessoas. Seria injusto se eu tivesse desistido e não estivesse aqui para fazer meus amigos sorrirem quando precisavam, seria injusto  se eu tivesse desistido e não aconselhasse a minha amiga a procurar ir mais longe na faculdade, seria injusto se eu tivesse desistido e não ajudasse a melhorar a vida de mais de duzentas pessoas, seria injusto se eu tivesse desistido e não tivesse feito o dia passar mais rápido para aquela senhora.

Então eu percebi que seria injusto se eu tivesse desistido e não me permitisse sentir tudo que senti. Seria injusto não ter esperado o tempo certo para entender que vale a pena continuar.  Seria mais injusto ainda terminar falando sobre o que é ou não é justo, porque vai muito além disso.

Eu não desisti de mim, e não quero desistir de você. E quando você pensar em desistir, lembre-se que você já conseguiu chegar até aqui, então lembre de cada motivo que te trouxe ao hoje.

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ACABOU! HOUVE MUDANÇAS…

FOTO: reprodução
FOTO: reprodução

Coloquei os últimos itens que faltavam na mala e olhei para o quarto que eu estava deixando para trás. Em cima da mesinha tinha aquela caixinha de joias, que continha uma bailarina. Foi você quem me deu, meu ex-amor. Lembra que você dizia que amava me ver dançar? Lembra que você dizia amar o meu jeito? O meu cabelo, que na época era imenso. Lembra que você dizia que iríamos ficar velhinhos e juntos para sempre? Pena que tudo não passou de mentiras.

Eu te amei me entreguei de corpo e alma. Acreditei que realmente iríamos ficar eternamente juntos. Te amei desde a primeira vez que te vi naquele ponto de ônibus. Seus olhos castanhos escuros, seus fones de ouvido que me deixavam morrendo de vontade de saber o que tanto você escutava. Ficamos juntos durante um bom tempo. Mas acho que você nunca acreditou que seria para sempre. Trocou-me por outra. Não a culpo. Espero que sejam felizes. Mas não me peça para te cumprimentar como se fôssemos velhos amigos. Acabou!

Olho para o foto da minha formatura e penso em você mamãe. Desculpa se a sua filha não quis trabalhar no escritório de seus amigos. Toda aquela sujeira e falso moralismo me dar ânsia de vômito. Não vou pegar os meus cinco anos de aprendizado e utilizar em algo que não acredito. Desculpa, mas não serei mais a sua marionete. Acabou!

E você papai? Sua vontade deve ser de me prender. Eu “destruí” a sua família. Já não basta não aceitar o meu curso da faculdade, uma advogada. Você sempre achou que isso era coisa apenas de menino. Agora eu destruí todo o resto dos seus sonhos. NÃO sou e NUNCA serei a moça bela, recatada e do lar. Não vou aceitar essa vida de submissão que toma conta da mamãe há tantos anos. Não sei como ela ainda aceita essa vida, mas eu não aceito. Acabou!

Fecho a minha mala. Conto meu dinheiro. Aquele mesmo que eu consegui trabalhando em festas infantis, supermercados, meu estágio. Eu sabia que mais cedo ou mais tarde ele seria útil. Vou embora dessa vida vazia que tomou conta de mim durante vinte e dois anos da minha vida. Vou em busca de um lugar que esteja de acordo com a minha forma de pensar. Onde eu possa ajudar aos outros com a minha profissão. Onde eu possa dançar livremente sem que você apareça e pense que faço aquilo por sua causa. Pois não faço. Um lugar onde eu possa lutar e mostrar que machistas não passarão. Acho que já dei o primeiro passo com você, papai. Ainda dar tempo, mamãe. Um lugar onde eu possa ser eu, sem me importar com o fato de ser mulher. Tchau vida vazia. Acabou!