Categoria: TEXTOS, CONTOS E CRÔNICAS

NÃO IMPORTA A PAISAGEM, SE O CAMINHO ME LEVA ATÉ VOCÊ

Hoje quero falar sobre fechar e abrir de novos ciclos, às vezes me soa que “ao fechar um ciclo e abrir um novo” estamos começando nossas vidas do zero. Parece que deixamos tudo que vivemos e o que nos tornamos de lado para começar uma nova tentativa de fazer as coisas certas. Mas não é bem isso, pois o fechar de um ciclo significa aproveitar tudo que vivemos e  nos tornarmos e dar um Update, sabe, aproveitar tudo que deu certou ou não e usar como banco de dados para achar um caminho que nos leve aonde nós temos que ir, caminho esse que só descobrimos qual é depois que chegamos ao final.

E desde o hiato entre nós dois, tenho tentado trilhar novos caminhos que nunca seriam meus se você não tivesse aparecido em minha vida. Por isso não posso e não devo fingir que esse ciclo nunca existiu, porque ele foi bom, ele fui revelador, foi base, foi sonhos, foi construção e desconstrução. Esse ciclo desmascarou muitos dos meus medos e e me ensinou a ser gentil e ter coragem. Eu não posso agora querer fingir que nada ficou, nada sobrou, se não tenho em mim uma restauração de quem fui, mas uma atualização de quem nós fomos.

Confesso que as paisagens dos caminhos que trilhei não foram tão encorajadoras sempre, algumas vezes eram feias, tristes, mas me ensinaram muita coisa, pois através delas aprendi que nós somos o nosso maior limite. Hoje passo por paisagens mais belas, agradáveis; às vezes simples como o cheiro da chuva ao cair na terra do campo, outras como a efemeridade viva da cidade grande.

E não importa por quantas paisagens eu continue a passar, todos os caminhos me levam até você.

A DECEPÇÃO ESTÁ NO OLHAR

Quando eu era pequeno, olhei uma cena traumatizante, um homem que, por algum motivo que desconheço, tentaram matar à tiro. Lembro que não consegui expor nenhuma reação diferente, só fiquei parado sem entender muito bem. No fim, descobri que o tiro acertou um de seus olhos e que ele ficaria bem. Foi nesse olhar que percebi que as pessoas são capazes de ferir umas as outras verdadeiramente.

Quando eu estava no fundamental, estudei em uma escola pública gigantesca. Quando passei para a sexta série, a secretaria perdeu os meus dados, erro que me fez ficar sem vaga na escola – imaginem o susto que levei quando percebi que meu nome não estava em nenhuma das turmas – mas eles logo “retificaram” o problema. Diante disso, fui parar em uma turma chamada “6º G”. Essa turma era composta por alunos que estavam extremamente fora de faixa, tanto que somente 3 pessoas, incluindo eu, não seriam realocadas para o turno da noite no próximo ano. Com os dias, fui percebendo que as brincadeiras deles eram totalmente diferentes, olhava ao meu redor e, praticamente, não via o mundo com o qual estava acostumado. Eram gigantes, e eles produziram sobre mim visões: eu vi um garoto quebrando um vidro de droga na sala e, pela primeira vez, uma professora extremamente passiva em meio ao cheiro daquilo que tomava conta de cada canto da sala, ela mal levantava a cabeça para falar. Eu vi professor sendo humilhado com piadas sem graças sobre ele. Vi aluna se oferecendo para o professor, que levava em sua pasta DVDs piratas de vídeos adultos, eu vi colegas da minha turma traindo e se relacionando sexualmente atrás da quadra da escola. Pela primeira vez, eu olhei para a minha escola e percebi que lá não era um lugar tão seguro e divertido como eu sempre acreditei

PRECISO SER FELIZ TODOS OS DIAS?

Quem diria que um dia pensei que o mais difícil sobre o verbo SER seria sua conjugação. Sempre me confundi com tantos tempos, modos e irregularidades que uma palavra pode apresentar. Doce engano de uma mente jovem, imatura e sem nenhuma preocupação, a não ser a preocupação de viver infinitamente o que sempre foi efêmero demais. Hoje, ontem e há alguns dias atrás, percebi que o mais difícil de tudo isso é literalmente ser.

Logo menores, somos levados a imaginar o que queremos ser quando crescer – qual o nosso problema, se não sabemos nem se somos o que somos e/ou o que dizem/achamos que somos. Como vamos saber o que queremos ser? Uffa!  – Até este pensamento cansou! – Acho que a resposta mais fácil é dizer: quero ser grande. Afinal, é o que acontece com todos.

QUANDO APRENDEMOS O QUE É TRAGÉDIA

Recentemente, ouvi um texto do Marcos Piangers, ele falava sobre tragédia. Esse texto é um daquela série de coisas simples, que já sabemos, está bem na nossa cara, mas fazemos questão de esquecer, e fazemos de forma tão fácil que nem percebemos que já sabíamos disso tudo.

No dicionário, o significado de tragédia se dá por uma ação que cominou em acontecimentos fatais, funestos. Engraçado pensar sobre a nossa capacitada de significar a linguagem, uma significação muito peculiar e intrínseca, mas às vezes também muito convencionada ao comum de uma sociedade que se apresenta de forma muito fácil como seca, obscura e desesperançosa. Tenho pensando seriamente sobre o que pra mim se apresenta como trágico. E corroboro com as reflexões do Piangers, quando diz que: a morte não é trágica, ela aconteceu porque tinha que acontecer, afinal, o destino tão distante de todos nós é a morte; a separação de um casal não é trágica, na verdade, trágico é você deixar de experimentar momentos extraordinários por querer estar ao lado de uma pessoa que não te faz feliz. Passar a vida toda solteiro não é trágico, quando na verdade, trágico é passar a vida toda procurando ser a metade de alguém quando você já se senti inteiro/a.

Mas então, no findar dos meus vinte quatro anos, aprendi o que pode ser trágico.

Trágico é meu sobrinho de dois anos e meio preferir assistir vídeos de crianças brincando de carrinho no YouTube, na maior parte do tempo, do que brincar com seus próprios carrinhos. Trágico é você nunca ter experimentado ir ao cinema sozinho por achar que sempre precisa do outro pra ser mais divertido. Também é muito trágico você nunca responder um “eu te amo” de volta pra um amigo, amor vai muito além de atração – na verdade, atração não é amor. Trágico é você achar que tem que ser bom em tudo que faz, e esquecer que pode ser melhor ainda naquilo que realmente gosta de fazer.

Trágico é perder a oportunidade de ser feliz por sempre achar que há um tempo depois. É trágico, é fatal, é sem tempo, é funesto.

RECOMEÇOS – Série ELA ENCANTA

Mais um ano se inicia, milhares de metas devem ter sido escritas ou digitadas em todos os continentes. Provavelmente, temas como emagrecer, estudar mais, ler mais, ter mais dinheiro, arranjar um novo amor e por aí vai. Deve ter sido as escolhas da maioria das pessoas.

Confesso que eu sempre fui a louca das metas, acreditava que o ano novo me traria exatamente tudo aquilo que o antigo se esqueceu de me trazer. Acreditava que todas as brigas, a preguiça, tudo de ruim tivesse ficado para trás. Acreditava que o amor que as pessoas “demonstravam” ter no dia trinta e um de dezembro duraria trezentos e sessenta e cinco dias.

AQUELE SORRISO BOBO QUE ME CONQUISTOU – PARTE II

-Mano, é tradição! A gente precisa comemorar o teu aniversário.
Estava escutando aquela frase o tempo inteiro no último dia. Faltava uma semana para o meu aniversário de 23 anos. E durante os últimos dois anos comemorei a data com os meus amigos. Sempre íamos à boate da cidade universitária que morávamos. Mas esse ano eu não queria ir. Passava a manhã inteira no estágio, a tarde tinha a faculdade e a noite precisava dividir o meu tempo entre estudar os assuntos do meu curso, que, definitivamente, não era fácil, já que eu cursava engenharia aeronáutica e dava aulas de reforço. Eu sabia que não estava sendo fácil para os meus pais mandarem dinheiro para eu me manter aqui. Estava economizando onde eu podia.

AQUELE SORRISO BOBO QUE ME CONQUISTOU


Acabou! Ou melhor, iria começar a minha maratona para acabar todos os projetos da faculdade antes de domingo. Missão bastante difícil, mas não impossível!

Assim que a professora finalizou a aula, dei um tchau para os meus amigos de turma e sai em disparada para o ponto de ônibus. Queria apenas que ele fosse mais perto. Mas não, eu precisava passar pelo bloco de exatas, para chegar no estacionamento, para finalmente andar uma rua até o ponto de ônibus. A meta era fazer todo esse percurso em três minutos. Eu era boa nisso. Mas nada saiu como o planejado.

EU VOU ATÉ O FIM!

Eu sempre soube o que eu queria ser quando crescer. Sempre brinquei de desenhar plantas para as minhas bonecas. Imaginava como seriam as suas casas. Sempre amei tudo que era relacionado ao mundo da arquitetura. Ou melhor… Quase sempre. Eu não estava aguentando toda aquela pressão que vinha tomado conta de mim. Precisava entregar um projeto de um restaurante. O problema era que o professor não aceitava NENHUM dos meus projetos. NUNCA estava bom o suficiente!

O outro problema que aterrorizava a minha vida acadêmica era que eu não sabia qual curso escolher, caso abandonasse a arquitetura. Eu sempre quis ser arquiteta e não me via fazendo nada diferente. Mas quando essa crise de que eu não era boa em nada que eu faço me pegava, eu não sabia o que fazer. Aliás, saber eu sabia. Queria fugir!

AQUELE NOSSO ÚLTIMO SHOW

Hoje me peguei revendo as fotos do nosso último show juntos, teu sorriso em meio aquela multidão apressada, enquanto ao fundo tocava “Viva la vida” da Coldplay, e eu só conseguia admirar aquele teu brilho no olhar que me fazia sentir em um espaço só nosso,  aquele abraço apertado depois de meses sem nem sequer trocar uma palavra, mas os abraços sempre me diziam que aquele espaço de tempo nunca existiu. Parece que aquele penúltimo dia juntos nunca seria real. Lembro de cada sorriso, lembro de cada pedido de ajuda na organização dos últimos detalhes…

VOCÊ TEM O QUE É PRECISO PARA SER FELIZ?

A felicidade não tem nada a ver com contabilidade. Ela não calcula quantos zeros a direita tem em sua conta bancária. Ela não favorece a cor, a raça, a crença. Ela não escolhe, afinal, felicidade é um estado de espírito. Mas a questão é se você tem o que é preciso para ser feliz. Pois, ser feliz é ser resiliente, superar os transtornos que a vida nos causa: as decepções, as tristezas, o sonho não alcançado, amor sem reciprocidade, superar o abraço nunca dado, a perda do colo da mãe, os amigos que se afastaram, os planos frustrados. Enfim, ser resiliente é a queda livre com um trampolim no final que nos traz de volta. Para ser feliz é importante deixar o que os outros são e o que conseguiram. Se faz necessário se preocupar com o que ainda podemos conseguir. O Que nos espera mais a frente?

AQUELE TAL PÓ DE PIRLIMPIMPIM

Olhando para o imenso mar a minha frente paro para refletir em como as coisas simplesmente mudam em nossas vidas. É como se alguma fada aparecesse para nós e, sem que percebamos, recebêssemos um banho de pó de pirlimpimpim. Sim! Estou citando o pó mágico do Sítio do Pica Pau Amarelo. Mas ao contrário do pó da turma do Sítio, o pó que veio parar em minha vida e dos meus conhecidos não trouxe momentos mágicos.

A MENINA JOAQUINA: SOBREVOANDO FLORES

a menina joaquina: sobreavoando flores

Ser criança é não perceber, muitas vezes, grandes muralhas que são construídas entre nós. É não saber quanto tempo o tempo tem, ele só passa, passa e leva com ele momentos não vividos. Mas do nada a gente começa a perceber: percebemos o que é saudade, percebemos que temos que ter responsabilidades, como ter que guardar as moedas que ganhamos de mesada para podermos comprar a nova edição do Gibi na banca do Francisco, por exemplo.