A HISTÓRIA DE MALIKAH – MARINA CARVALHO

Vira Latas, como vocês viram pelo título esse post se trata de mais uma resenha. E não é qualquer resenha. Quando o livro é de um dos meus escritores favoritos, é quase certeza que eu vou amar a história. Mais uma vez isso se concretizou. A resenha de hoje é sobre um livro lindo, triste, apaixonante e que DEVERIA ser leitura obrigatória de TODAS as escolas. Agora, vamos focar no texto antes que o post fique gigantesco e ninguém queira ler.


Sinopse:

Malikah foi escravizada e trazida da África ao Brasil ainda criança. Aqui, ela sofreu as mais diversas formas de violência, especialmente depois de ter engravidado de Henrique, o filho de seu patrão. Apesar da gravidez ser fruto de uma relação de amor, ela foi castigada e teve que fugir até encontrar abrigo em uma fazenda onde os negros já podiam viver em liberdade. Nessa nova terra, Malikah pode morar em paz com seu filho, mas, apesar de sua relutância, Henrique continua por perto, arrependido por não tê-la protegido e tentando se aproximar da criança. Mesmo ainda sentindo algo por ele, como ela conseguirá perdoar alguém que representa tantos anos de injustiça e sofrimento?


Esse livro é uma continuação de O amor nos tempos do ouro , da talentosíssima Marina Carvalho. Quando eu li o primeiro livro, fiquei encantada com todo o universo que a Marina recriou. Essa mineirinha contou parte da nossa história. Fatos que ocorreram no Brasil em uma época em que ter escravos era permitido. E onde a corrida pelo ouro estava grande.

No primeiro livro pudemos conhecer a Cécile e o Fernão, que junto com os seus amigos lutaram contra a ira de Euclides, pai de Henrique. Nesse segundo livro, temos os olhos voltados para Henrique e Malikah. Duas almas que sempre se amaram, mas que a vida fez questão de impedir que a paz reinasse entre eles. No lugar da calmaria, os dois enfrentaram muitos vendavais. O que fez Malikah desistir do homem que ela sempre amou. Agora ela tinha prioridades bem maiores em sua vida.

Mas quem foi que disse que o Henrique desistiria tão facilmente do amor daquela mulher? Ele sabia que seria necessário lutar bastante e provar que realmente havia mudado.

  Mas houve um tempo, quando ainda era escrava de Euclides de Andrade, em que Malikah ousou sonhar que o amor era capaz de aniquilar essas diferenças. Isso porque um lindo sinhorzinho, branco, loiro e de olhos azuis, olhava para ela com a alma – assim ele a fazia acreditar –, e não com superioridade inerente aos privilegiados de pele clara.  (Página 57)

O que eu mais amo nos livros da Marina é que ela sem dúvidas não é uma escritora que adora um mi mi mi. Marina sabe o que, e como, escrever para dar sentido à história. Sem que ela fique cansativa. Marina também consegue dar importância aos personagens secundários. Digamos que eles não perdem a sua essência quando o foco do livro passa a ser outras pessoas. Marina também sabe retratar muito bem um local, e como sabe!

Ao ler esse livro fiquei encantada com o português que a escritora utilizou. Mais uma vez ela respeitou o momento em que a história se passava. O livro também é muito rico quando se trata de crenças e costumes típicos das pessoas que compunham o Brasil naquela época (em 1737). Conhecemos lendas e provérbios africanos, simpatias africanas. Além de termos um gostinho de como os indígenas cuidavam dos doentes. Sem dúvidas, foi necessária muita pesquisa para escrever esse livro.

A história de Malikah além de trazer uma verdadeira história de amor de uma mulher por um homem. Traz o amor fraternal. A união de pessoas que podem não ter o mesmo sangue, a mesma cor. Mas que falam a mesma língua, o amor, e praticam o bem a todos que os cercam. Marina Carvalho mais uma vez arrasou! Só de ler esse livro já foi possível imaginar o quanto os escravos sofriam. O mais triste de tudo é saber que esse sofrimento não foi fruto da ficção, mas sim algo que existiu.

Falei isso para a Marina e também faço questão de compartilhar com vocês, ao criar a Malikah, Marina representou milhares e milhares de brasileiras. Mulheres que sofreram desde o seu nascimento com as injustiças que cercam o nosso mundo. Mulheres que muitas vezes deixam os seus sonhos de lado para lutar pelos sonhos dos seus filhos. Mulheres que apanham da vida, mas tentam disfarçar toda a dor para que suas crianças não percebam. Enfim, provavelmente vocês conhecem uma Malikah, uma mulher guerreira.

Branco, pardo, negra

E que importância tal variedade tinha? Exceto como indicadora de pluralidade, mais nenhuma. Eram somente pessoas. (Página 138)

Marina, mais uma vez, obrigada por escrever mais um livro. Você tem o dom da escrita!

Vira latas, leiam esse livro, vocês não vão se arrepender.

Samila Bezerra
Samila Bezerra

Estudante de Arquitetura na Universidade Federal de Alagoas, é apaixonada por livros e quer conhecer o mundo...

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