AQUELE SORRISO BOBO QUE ME CONQUISTOU


Acabou! Ou melhor, iria começar a minha maratona para acabar todos os projetos da faculdade antes de domingo. Missão bastante difícil, mas não impossível!

Assim que a professora finalizou a aula, dei um tchau para os meus amigos de turma e sai em disparada para o ponto de ônibus. Queria apenas que ele fosse mais perto. Mas não, eu precisava passar pelo bloco de exatas, para chegar no estacionamento, para finalmente andar uma rua até o ponto de ônibus. A meta era fazer todo esse percurso em três minutos. Eu era boa nisso. Mas nada saiu como o planejado.

Passava pelo corredor de exatas, continuava com aquela minha mania estúpida de olhar se tudo se encontrava dentro da minha mochila. No fundo eu sabia que o meu celular e a minha carteira estavam lá. Mas eu sempre tinha que conferir. Andava sem prestar atenção em nada, quando me choquei contra o peitoral de uma certa pessoa. A pessoa que mexia com o meu imaginário há mais ou menos um ano.

-Desculpa! -Falei após me chocar com o menino de sorriso lindo.

-Eu que peço desculpas. -Ele disse, todo preocupado. -Eu te machuquei?

Seus amigos, que antes conversavam, pararam para nos observar. Odiava ser o centro das atenções, mesmo com aquele menino lindo ao meu lado.

-Eu estou bem não se preocupa. -Sorri para confirmar a minha fala. -Tchau.

-Tchau. -Meu Deus! Aquele menino precisava parar com aqueles sorrisos.

Fui em direção ao estacionamento e todas aquelas borboletas que faziam festa na minha barriga, me abandonaram. Eu vi meu ônibus passando. Nem se eu fosse o “The Flash” conseguiria chegar no ponto de ônibus a tempo. Comecei a me xingar mentalmente, quem mandou olhar a porcaria da bolsa? Agora meu tempo para os projetos tinha diminuído. E eu precisava ir para a festa da minha amiga, se não fosse tenho certeza que ela me excluiria do clube da Luluzinha. Eu era uma péssima amiga. Estava sendo péssima em tudo.

Quando finalmente cheguei ao ponto de ônibus fiz o que eu nunca fazia, sentar no meio fio. Algumas pessoas esperavam seus ônibus. Duas meninas falavam que precisavam passar no shopping e comprar as roupas para ir ao churrasco da turma. Elas comemoravam o fim de semana que aproveitariam. Que invejinha eu senti delas. Não demorou muito e eu fiquei sendo a única pessoa naquele ponto. Já estava com medo de que alguém mal intencionado aparecesse. O ponto era completamente esquisito. Como o ônibus demoraria, pensei em pegar em um ponto mais movimentado. Já estava me levantando quando eu escutei passos atrás de mim. Me virei, com um pouco de medo, e acabei encontrado o responsável por trazer as borboletas novamente para a minha barriga.

-Oi! -Falei sorrindo, eu não era imune a aquele garoto.

-Oi, menina bonita. -Para tudo! Era a primeira vez que ele me chamava assim. -Posso sentar aqui?

-Claro! Fique a vontade no meu humilde sofá. -Brinquei.

-Pensei que você já tivesse ido. -Ele sentou ao meu lado, era possível sentir seu cheiro. Sua perna vira e mexe se encostando na minha.

-Eu perdi o meu ônibus. -Fiz cara de derrotada.

-Pensa pelo lado positivo, hoje é sexta feira. -Ele tentou me animar.

-Esse é o problema. Eu tenho que adiantar o máximo de projetos possíveis. Caso contrário serei expulsa do clube da Luluzinha.

O menino de sorriso lindo e de olhos brilhantes soltou uma linda gargalhada.

-Como assim?

-Eu tenho que ir para o aniversário da minha amiga, que acontecerá no domingo. Mas até lá não posso deixar a faculdade em standBy.

-Entendo. -Ele olhou o aplicativo dos ônibus. -Vai demorar um pouco para o nosso ônibus passar, até lá poderíamos nos conhecer um pouco melhor. Afinal de contas nos conhecemos a mais de um ano e eu só sei teu nome, teu curso e que você é a menina bonita.

Durante um tempo ele me encarou, e o meu corpo foi do gelo a uma brasa bastante quente. Pensei que os nossos diálogos só ficariam na minha cabeça. Mas pelo visto tinha chegado a hora de conversamos.

Falamos por mais de meia hora. Ele descobriu que eu torcia para o mesmo time que ele. Por conta disso, passamos horas falando sobre os nossos jogos inesquecíveis. Além, é claro, de comentarmos a escalação do time atualmente.

Queria passar o fim da tarde e a noite  inteira ali. Era tão fácil conversar com aquele garoto. Ele já estava prestes a me mostrar suas canções favoritas, quando o nosso ônibus apareceu.

-Olha ele ali. -Ele falou nenhum pouco empolgado. Dei um sorriso sem graça, tenho certeza de que ele captou a minha frustração.

Normalmente, eu sentava em uma das primeiras cadeiras do ônibus, o menino de sorriso lindo ia sempre para o fundo do transporte. Mas dessa vez foi tudo diferente. Ele segurou na minha mão assim que passou pela catraca, eu sorri demonstrando confiar no que ele queria fazer. Fomos andando até que vimos que as duas cadeiras, que ficavam atrás de outras duas mais altas, estavam vazias. Eu sentei ao lado da janela, enquanto ele sentou ao lado do corredor.

Já estava feliz com tudo que acontecia no meu dia. Até que ele pegou o fone de ouvido, seu fiel companheiro, colocou um em meu ouvido e o outro no seu. A música era a única que falava. O braço do menino de sorriso lindo pousou em meu ombro, minha cabeça encontrou refúgio em seu ombro. Quem via de longe pensava que éramos namorados. Ninguém acreditaria que era a primeira vez de fato que conversávamos.

Quando chegou a hora de descer, eu que antes queria chegar logo em casa, fiquei completamente triste. O que diminuiu essa tristeza foi o beijo demorado na bochecha que eu ganhei daquele menino.

-Espero que você não se esqueça de mim. Adoraria que você fizesse parte do clube do bolinha. -Seus olhos brilhantes me encaravam.

-Eu vou amar fazer parte. -Falei antes de sorrir e descer do ônibus.

 

Samila Bezerra
Samila Bezerra

Estudante de Arquitetura na Universidade Federal de Alagoas, é apaixonada por livros e quer conhecer o mundo...

Leave a comment

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *