CARTA ABERTA AOS AMORES QUE NUNCA TIVE

Desculpe, meu amor, por não existir nós dois. Definitivamente me sinto perdido, mesmo sabendo o que quero e o que sinto. Perdi-me dentro das confusões que foram criadas dentro de mim, ainda que pertençam ao mundo exterior. Eu sempre quis facilitar as coisas para nós dois, mas você deve me entender, até me perdoar por eu nunca ter tentado. Dizem “não era pra ser”, mas que eu descobrisse isso com minhas próprias vivências, não por imposições.

Desculpe, moça da escola, que eu simplesmente recusei te olhar nos olhos e te deixei ir como um menino que foge com medo depois de ter feito algo errado. Talvez você tivesse sido uma ótima história. E quem sabe eu pudesse rir de tudo agora, mas eu preferi te evitar, e o problema não era você. Ah, menino da escola, desculpa você também, talvez ficar te olhando sempre no intervalo seja a maior história que terei de nós dois. Você foi um grande descobrimento sem concretizações. Desculpa vizinha, a outra vizinha da casa nova. O menino do grupo do whatsApp, a menina da faculdade. A menina do ônibus, o menino do bate-papo. Esta carta aberta é para todos vocês.

 Sempre foi por não conseguir amar, nem a vocês nem a mim. Talvez eu tenha vivido uma história de amor com cada um de vocês, mas tudo sempre foi bem interno e falso. Mas eu simplesmente não podia fingir que queria vocês ali comigo, eu não conseguiria manter vocês por perto por muito tempo, eu nem consigo me manter por perto de mim por muito tempo, sempre estou com o olhar vago, que é chamado atenção, ou melhor, trazido a força. Tentei fugir de todos vocês, consegui, só não me avisaram que eu não podia fugir de mim.

Então eu me descubro, me perco, me atordou, eu recomeço, eu paro, respiro, me venero, me zango, me odeio, sorrio, depois choro, me amo, me arrependo, levanto e caio, e escrevo e apago, e me perco e tudo sempre outra vez. Contudo,  não me apaixono por vocês de verdade, porque eu não sou apaixonado por mim de verdade. E o fato de saber que devo me bastar, faz com que eu não me baste. Só me cobre, e só queira ser como os outros são. E eles nem sabem quem são.

Está carta aberta é para todos vocês que acreditaram mais em mim mesmo do que eu me acreditei até esse infinito espaço entre o dois e o três.

Alef Jordi
Alef Jordi

Estudante de Letras, criador do blog Qualquer Coisa Vira-lata, Potterhead assumido e um sonhador sem limites. Sonha em publicar um livro antes dos 30. E ama promover ações sociais.

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