TAL QUÍMICA – SÓ AGRADECE – CAP. 04

Pisando descalço, nesse chão molhado, deito do teu lado para relaxar
Fazendo fogueira, sem eira nem beira, deitado na esteira, vendo o luar.
Pego meu violão, canto uma canção que já fez maluco se por a dançar
Aquele doce,que derrete a mente no desembaraço desse meu cantar.
Aquela morena de saia pequena com seus olhos grandes parece voar.
Hoje na Natureza não importa a feira, é dia de doideira e não de trabalhar.
(Pisando descalço, Maneva)

Sabe quando você sonha com o paraíso e tem vontade de estar lá, mas do nada acorda? Então, eu não teria esse problema. Sonhei sim com o paraíso, e era justamente para lá que eu iria. Ou melhor, iríamos. Acordei completamente animada. Quanto mais cedo me arrumasse, mais tempo teria para curtir o mar. Mas o problema era a tentação que dormia ao meu lado. Bernardo ainda conseguia mexer com a minha sanidade. Meu Deus! Eu era uma das pessoas mais agraciadas do planeta. Meu menino lindo dormia de forma tão gostosa que eu não pude resistir. Era para ser apenas alguns beijos no seu pescoço, na sua bochecha… na sua orelha. Mas aquele safado tinha acordado e resolveu segurar os meus braços, ao mesmo tempo em que me encarava com aqueles lindos olhos verdes intensos.

–Mais uma vez a senhorita se aproveita de mim, dona Isabelle. Vai precisar ser castigada.

Se todos os castigos fossem iguais a aquele. Bernardo começou a me beijar lentamente. Suas mãos acariciavam as minhas costas. É claro que as minhas não ficaram paradas, uma estava apoiada no peitoral do Bê, enquanto a outra acariciava seus cabelos. Senhor, como eu ficaria tanto tempo longe do meu deus grego?

Todo mundo estava animado com a nossa ida à praia do Paraíso. Vocês pensaram que eu estava brincando, né, quando falei do meu sonho? Com a ajuda do Bernardo escolhi o biquíni do dia. Ele era branco com listras azuis, bem no estilo navy. Ainda tinha detalhes de couro nas alças. Coloquei também um vestidinho de praia azul escuro. Já Bernardo usava uma bermuda preta e uma camisa da mesma cor. O meu magrelo era tão lindo!

–Ai Meu Deus! Dai-me paciência! –Pediu Gael. –Essas caras de apaixonados de vocês dois ninguém merece.

–Como se fôssemos os únicos. A Cecília e o Vinícius, a Alice e o André são o que? –Eu perguntei.

–Mas hoje vocês estão demais.

–Deixa de ser chato, Gael. –Marcela falou. –Os meninos estão aproveitando sim, esqueceu que eles não ficarão o mês todo grudados? –Acho que se eu ouvisse aquilo que Marcelinha falou no dia de ontem, provavelmente ficaria muito abalada. Mas eu estava levando o conselho da Letícia a sério. Precisava experimentar a saudade.

–Você diz isso, dona Marcela, mas não duvido nada a senhorita voltar para Maceió namorando.

Como assim? Eu não fui a única que ficou chocada com a falta de informação. Tudo bem que ainda era cedo. Mas eu queria saber quem era o sortudo. Alice foi mais rápida que todos nós e foi logo enchendo a Marcela de perguntas.

–Dona Marcela, quem é o garoto? Como vocês se conheceram? Dançaram muito? Ele beija bem?

Caímos na gargalhada. Quem não gostou nadinha do interrogatório foi o André.

–Que história é essa, Alice, de querer saber se o cara beija bem?

–Ei, amor, não precisa ficar com ciúmes. Estou apenas curiosa.

–Curiosa demais para o meu gosto. –Ele disse.

–Responde logo, Marcela! –Cecilia era outra que estava curiosa.

–Não é nada demais. Apenas um carinha que eu conheci na balada. Dançamos um pouco e depois ficamos. Ele é de Minas.

–Nada demais? O cara era gato! –Vic falou.

–Só podia. –Eu falei. Bernardo imediatamente me encarou.

–Como assim “só podia”?

–Os mineiros são lindos, uai! –Ele ainda me fuzilava. –Mas eu prefiro os alagoanos. De preferência os que possuem cabelo castanho médio, têm olhos verdes intensos e acabam comigo quando deixam uma barbinha encantadora no rosto. –Acho que tinha conseguido me safar.

–Menos mal, dona Isa. –Ele ainda iria falar sobre aquilo mais tarde.

–Voltando para o assunto boate. O lugar é extremamente maravilhoso! Tocou de tudo. Teve Britney, Jessica Simpson, Gwen Stefani, Madonna. –Gael estava nos contando.

–Teve também muitas canções da diva Lady Gaga. –Vic falou. –Eu me diverti horrores.

–Também conheceu um mineirinho, Vic? –Cecília queria saber.

–Um mineirinho não. Mas um pernambucano bem gatinho.

–Fiquei animada para ir nessa balada. –Cecília disse.

–Não sei o porquê dessa animação. –Vinícius ficou enciumado.

–Quero dançar, me divertir. –Ela disse.

–Sei… –Ele respondeu.

–Quem topa um mergulho? –Vic perguntou tentando amenizar a situação.

Cecília, Marcela, Gael, André e Alice aceitaram. Foram aproveitar aquele paraíso, desculpa o trocadilho. Mas a água era simplesmente linda. O local era bem calmo, e dava vontade de ficar o tempo todo lá. Mas eu preferi, pelo menos por enquanto, ficar sentada com o Bernardo e com o Vinícius. Falando em Vinícius, ele ficou meio cabreira com a animação da dona Cecília. Esses meninos precisavam entender as namoradas que tinham.

–Qual o problema, mano? –Bernardo perguntou.

–Não gosto dessas brincadeiras da Cecília.

–Como você disse, é brincadeira, pô.

–Pode até ser, mas eu sou o namorado dela.

–Na boa, Vinícius, a Cecília não disse nada demais.

–Então quer dizer que você acha normal essa animação pela ida à balada? –Vinícius perguntou.

–Acho sim. Até porque eu também estou animada. Eu brinquei em relação aos mineirinhos. Mas nem venham serem hipócritas, vocês dois, vão dizer que nunca conversam sobre mulheres? Só vocês têm o direito de agirem desse jeito. Nós mulheres temos que ficar caladas?

–Isa, não é nada disso. –Bernardo tentava defender o amigo.

–É sim, Bê. A Cecília é apaixonada pelo Vinícius. E se por acaso a minha amiga não quisesse mais nada com ele já tinha chegado e falado isso na sua cara. –Eu disse olhando nos olhos do Vini. –Além do mais, eu nunca vi essa menina tão apaixonada. Agora eu te dou um conselho Vinícius. Cuida bem dela, porque a Cecília quando é magoada é difícil perdoar. Então deixa de ser chato e entra na brincadeira da tua namorada.

Tanto Vinícius quanto Bernardo ficaram calados. Eu me levantei, pedi licença e fui à água aproveitar os meus amigos.

No fim do dia parecia que tudo tinha se ajeitado. Eu aproveitei tanto os meus amigos, que ora ou outra o Bernardo sempre pedia a minha atenção. É claro que eu dava. Mas tinha tomado à decisão que não seria uma namorada tão grudenta. E olha que isso era bem difícil. Afinal de contas eu era uma taurina possessiva.

Voltamos para o hotel com o objetivo de aproveitarmos bastante àquela noite na boate. Mas algo me dizia que nem tudo seria como planejamos.

Estava no quarto, reunida com as meninas. Cada uma terminava a própria maquiagem. Mas tanto a Vic como a Marcelinha pediram a minha ajuda. Vic ainda possuía a suas mechas azuis, ela queria ajuda para colocar os cílios postiços. Já Marcelinha, a minha ruiva favorita, queria um delineado bem poderoso. Cecília tinha caprichado na maquiagem, a minha amiga tinha feito um esfumado preto maravilhoso. Já Alice arrasava como sempre! Precisava aprender a fazer um contorno do mesmo jeito que ela fazia.

As meninas saíram do quarto, todas lindas como sempre. Agora era a minha vez de terminar a minha maquiagem. Já tinha feito a pele. Mas faltava a sombra. Como sabia que teria mil dúvidas em relação a qual paleta usar, resolvi assistir um tutorial na internet. Vi novamente a maquiagem que uma das minhas youtubers favoritas tinha feito para o natal do ano retrasado. Estou me referindo a Bruna Malheiros, meu sonho era saber me maquiar tão bem quanto aquela mulher.

Estava iniciando o delineado quando Bernardo entrou no quarto. Ele elogiou os meus olhos, tinha escolhido por pigmento dourado. Ainda bem que ele entrou logo no banheiro, o delineado era um momento sagrado.

Ia aplicar a canetinha na pálpebra, quando o meu menino lindo abriu a porta do banheiro.

–Linda, você prefere que eu tire a barba ou posso deixar?

–Você não é louco de se desfazer dela. –Ele deu um sorrisinho safado e logo voltou a fechar a porta do banheiro.

Conclui o delineado, tirei o meu pijama, eu já tinha tomado banho, mas não era louca de colocar logo o meu vestido que era curto, de alcinha, ainda por cima branco e de renda. Para vocês terem noção, o medo de sujar o vestido era tanto que eu coloquei uma camisa no rosto na hora de pôr a roupa. Vai que sujasse o pobrezinho de maquiagem?

Bernardo terminava de pôr perfume. Ele tinha voltado a usar o Malbec. Eu colocava uma choker, misturada com alguns longuinhos, estava amando essa moda de misturar diversos colares. Bernardo, mesmo sem eu pedir resolveu me ajudar.

–Deixa que eu coloco esse colar em você, meu anjo. –A nossa diferença de altura não estava sendo tanta, afinal de contas a minha meia pata tinha uns bons dez centímetros. Eu estava quinze centímetros menor que o Bê, que possuía um metro e oitenta e sete centímetros de altura. –Você consegue ficar incrivelmente mais linda. –Ele beijou o meu pescoço.

–Você também me faz ir para o caminho da perdição, principalmente quando usa completamente preto. –Eu me virei e lhe dei um longo beijo.

Sempre tinha a porcaria de um celular atazanando as nossas vidas. E tinha que ser o Gael falando que todos nos esperavam no saguão da pousada.

Fomos para a boate, hoje à noite era dedicada às músicas latinas. Eu estava louca para dançar. Tanto com a galera, tanto com o meu menino lindo.

Assim que chegamos fomos contagiados pelas canções.  Tocou Rick Martín, Alejandro Sanz e outras mais. Bernardo não aguentou o pique e disse que ia sentar um pouco com a Alice e com o André. Gael e Vic dançavam com uns gatos maravilhosos. Vini e Cecília também não se desgrudavam. Eu aproveitava aquele ritmo contagiante com a Marcelinha. Tentávamos fazer umas coreografias, mas estávamos indo de mal a pior. Pelo menos dávamos boas risadas. Do nada, apareceram dois homens, que deveriam ter uns vinte e cinco anos. Eles se aproximaram. E pelo visto um deles era o mineirinho que a Marcelinha tinha ficado.

–Só posso ser o cara mais sortudo da vida! –Ele disse. –Como é bom ver você de novo. –Ele abraçou Marcela. Depois olhou para mim e se apresentou. –Desculpa pela falta de educação. Eu sou o Felipe. –Ele disse.

–Oi, Felipe, eu sou a Isa.

O amigo dele que até aquele momento estivera calado, resolveu se manifestar.

–Oi, Isa, eu me chamo Victor. Será se hoje também é o meu dia de sorte e eu terei uma companhia?

–Desculpa Victor, mas se você continuar aqui não achará a sua companhia. –Eu brinquei. Olhei em direção ao Bernardo que estava de braços cruzados nos encarando. –Está vendo aquele carinha ali? É meu namorado.

–É melhor você procurar outra companhia, Vitão. Não quero ter que te levar para o hospital.

–Que hospital? Eu serei o juiz de paz caso a Isa queira se casar aqui com o namorado. –Começamos a rir. –Foi mal, Isa. Eu vou procurar uma garota solteira.

–Boa sorte. –Eu disse. Olhei para a minha amiga e para o Felipe. Não seria eu que seguraria vela. –Tchau gente, eu vou acalmar o Bê. –Eles riram.

Fui até o Bernardo, que continuava me encarando. Dava até medo, mas só um pouquinho.

–Pensei que precisaria ter uma conversa com aquele cara.

Eu passei a mão lentamente pelo seu braço.

–Aquele carinha disse que se você quisesse ele celebraria o meu casamento com você, seu ciumentinho.

–Eu não sou ciumento. –Eu continuava o acariciando, levando-lhe para a pista de dança.

–Dança comigo, Bê.

Começou a tocar uma música maravilhosa, eu precisava baixar aquela canção. Mais tarde descobriria que ela se chamava Traicionera e que o cantor da voz maravilhosa era o Sebastian Yatra, um gato por sinal.

Tú me dices que no es cierto que te mueres por mí
si es verdad que no te gusto no te acerques así
me dijeron que te encanta que se mueran por ti
buscando al que se enamora para hacerlo sufrir.
 
Si me dices que me amas no te voy a creer (no)
tu me dices que me quieres y no puedes ser fiel (no)
me dejaste manejando solo y triste mujer (no)
te confieso si lo quieres saber, si lo quieres saber.
 
Traicionera, no me importa lo que tú me quieras
mentirosa, solo quieres que de amor me muera
traicionera, en mi vida fuiste pasajera
mentirosa, no me importa que de amor te mueras.
 
Ohh, ohh
Mentirosa, no me importa que de amor te mueras=
 
Sigues bailando reggaeton, ton, ton
y no te importa para nada lo que sienta el corazón
solo te importa el pantalón, lon, lon
y se te nota desde lejos tu maléfica intención
y mira no es tan fácil
enamorarme nunca fue tan fácil
cuando estas cerca de mi no es fácil
y es que la vida se volvió difícil
solo por ti.

Comecei a dançar no ritmo latino na frente do Bernardo. Sim, eu estava lhe provocando. Ele não aguentou muito, logo colocou a mão na minha cintura. Movendo seu corpo com o meu, em um ritmo maravilhoso que só a dança latina nos proporcionava.

 

Samila Bezerra
Samila Bezerra

Estudante de Arquitetura na Universidade Federal de Alagoas, é apaixonada por livros e quer conhecer o mundo...

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