TAL QUÍMICA – SÓ AGRADECE – CAP.03

Ô, dengo
Me fala tudo sobre o mundo
Que eu não consigo debater
Me apresenta tuas opiniões
Deixa eu lhe convencer
Que tu é o ser mais bonito
Que eu tive a sorte de conhecer
E agora que tá aqui comigo
Não vai mais não
Ô, dengo
Se tu prometer ficar
Te canto todos os dias
Todas as alegrias que você me presentear
Juro o café da manhã preparar
Dar-te mil beijos pra te acordar
Me deixa cumprir
É só não ir
É que dengo
Em você encontrei o meu melhor
E não consigo amarrar um outro nó
Com alguém além de ti, meu bem
Não sei porque
Meu dengo
Eu consigo planejar todo um futuro
Do teu lado e parece tão seguro
Me envolver
E sentir
E querer
Teu, Dengo
(Dengo, Anavitória)

Eu estava vivendo dois sentimentos contraditórios. Uma parte de mim estava bastante feliz por passar as férias recebendo o carinho da dona Marina, conversando com o grande doutor Armando e, é claro, atazanando os meus dois irmãos, o Otávio e a Mari. Para completar a minha felicidade eu teria também o meu avô, meus tios e os meus primos. Pronto! A bagunça estaria perfeita.

A minha felicidade estaria completa se a minha pequena fosse comigo. Porra! Por que eu tinha que ficar longe da Isa? Tínhamos acabado de fazer um ano de namoro. E continuávamos apaixonados como no início do relacionamento. Apesar de ela não ser um livro fácil de ler. Eu era um puta de um sortudo. Sempre me gabei pelo fato de ler tão bem a minha menina. Eu sabia quando a Isa estava bem. Quando ela estava brava. Quando ela estava com dor, apesar de que ela sempre tentava negar. Eu amava acordar, sempre que possível, ao lado daquela mulher. Ela conseguia ficar mais linda ainda pela manhã. A minha menina mulher.

Hoje não estava sendo difícil ler a Isa. Ela me disse que estava com sono. Mas não era só isso. Eu não era o único que estava mal com a nossa distância. Cheguei a acreditar que o problema era só isso. Mas percebi que a Isa estava mal mesmo. Ela até que tentou disfarçar, mas eu vi quando ela quase desmaiou. Graças a Deus, eu tenho os melhores amigos do mundo. Vinícius, meu mano de todos os momentos, foi dirigindo o resto da viagem, para eu poder ficar ao lado da minha garota.

A Isa estava tomando banho, e eu estava puto! Caralho! Mesmo doente ela conseguia ser birrenta. Custava nada essa menina almoçar? A garota estava doente. Mas sempre que podia arranjava uma desculpa para não se alimentar. Mas ela ia comer. Eu não era louco de viajar e deixar essa cabeça dura mais doente ainda.

–Oi! –Estava perdido nos meus pensamentos que demorei a assimilar que aquela menininha estava falando comigo. –Tudo bem?

–Mais ou menos. –Eu passei a mão na cabeça do jeito que eu fazia quando eu estava estressado. –Não é fácil convencer a minha namorada a almoçar, isso me tira do sério.

–É aquela menina bonita que estava com você, né? Eu percebi que ela estava um pouco abatida. –Meu Deus, aquela menina tinha quantos anos? –Desculpa a minha falta de educação, eu me chamo Mariana e tenho sete anos. –Estava explicado, tinha que se chamar Mariana.

–A minha irmã também se chama Mariana. –Eu falei. –Bom, meu nome é Bernardo.

–Você quer alguma dica de comida? Eu conheço muito bem todo o cardápio daqui.

–Preciso comprar algo para a Isa comer. Mas sei que ela vai reclamar de todo jeito.

–Olha, vou te dar um conselho. A minha mãe sempre diz que a hora do almoço ou qualquer outra refeição tem que ser agradável. Então compra alguma comida que ela ama e deixa o ambiente bem leve. Tenho certeza que ela vai amar. –Eu fiquei pensando no que ela tinha me falado. –Espero que ela melhore. A Isa parece ser legal.

–Ela é incrível. –Eu falei com um sorriso no rosto.

–Eu tenho que ir. Boa sorte!

-Valeu pelos conselhos, Mari.

E não é que aquela menininha me ajudou bastante. A Isa comeu toda a lasanha. Depois respeitei a sua vontade que era de dormir. Antes de pegar no sono a minha pequena e eu ficamos conversando. Até que ela dormiu. Eu fiquei um tempo a mais acordado. Analisava cada detalhe daquele anjo. O seu lindo rosto que me encantava. O seu corpo que sempre me chamava. E o seu perfume que era a minha perdição.

A noite não poderia acabar de maneira melhor. Eu e Isa aproveitamos as músicas ao vivo ao lado de parte dos nossos amigos. Eu estava parecendo ser um daqueles caras que não conseguem desgrudar da namorada. Eu tinha necessidade de ficar ao lado da minha pequena o tempo inteiro. Não queria perder nenhum momento da sua presença. Me digam como eu iria conseguir ficar tanto tempo longe daquela mulher? Eu era simplesmente o homem mais fodido do planeta.

 

Samila Bezerra
Samila Bezerra

Estudante de Arquitetura na Universidade Federal de Alagoas, é apaixonada por livros e quer conhecer o mundo…

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