DESCULPE-ME, NÃO APOSTO NO ESCURO

Eu estou em casa, organizando as coisas da faculdade, prometi a mim mesma que essa ano seria realmente diferente. Uma moto para, eu já sabia quem era,  já nos aproximamos tantos que sou capaz de identificar o barulho da sua moto. Faltam poucos minutos para meia noite e você está jogando pedras em minha janela, e não, não estamos em um filme americano, não era mais fácil mandar uma mensagem? Mas você é assim, estranho. Recentemente ouvi boatos de que você gosta de viver perigosamente, e de garotas perigosas também. Lamento, mas o meu nível de periculosidade não ultrapassa as baratas que mato veementemente. Apesar que sempre me senti atraída pelo perigo, só não sou corajosa suficiente para apostar no lado negro da força.

Eu queria muito ser igual a você, que vive nos bares noturnos que quase ninguém sabe que existe, em que a arte continua viva, em que o jazz acalma a alma, em que a pluralidade é a chave, em que a noite é realmente uma criança. Em que uma moto com o tanque cheio é ainda melhor do que uma nave.  Você tem a capacidade incrível de abduzir pessoas para o seu mundo. Você tem a capacidade incrível de dar valor ao desvalorizado, de ultrapassa as placas de proibido, de despertar o nosso melhor e o nosso pior.

Você joga a pedra novamente na janela, dou sinal de que não posso sair. Você insiste, eu digo que não e me afasto. Você não é capaz de pedir três vezes, ouço o som do moto forte e aos poucos mais fraco até o ponto de não ouvir mais. Dizem que só vale a pena viver se alguém no mundo estiver amando você, parabéns, agora você é amado. Mas me desculpe, não sou corajosa suficiente para apostar no escuro.

Alef Jordi
Alef Jordi

Estudante de Letras, criador do blog Qualquer Coisa Vira-lata,
Potterhead assumido e um sonhador sem limites. Sonha em publicar
um livro antes dos 30. E ama promover ações sociais.

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