TAL QUÍMICA – SÓ AGRADECE – CAP.02

Me fita
Que eu gosto de me enxergar
Por dentro do teu olho
É tão bonito de lá
Tem cor de Marte
E teletransporte
Pra galáxia que mora em você
Me passeia
Que eu gosto de arrepiar
Sob suas digitais
É impossível calar
É feito sorte
Me abraça forte
E tateia todo meu caminho
Me prova
Me enxerga
Me sinta
Me cheira
E se deixa em mim
Me escuta no pé do ouvido
Todos teus sentidos
Que afetam os meus
Que querem te ter
Que tu me escreveu
E mais uma vez
(Cor de Marte, Anavitória)

Finalmente chegamos até a pousada. Que aparentava ser linda, por sinal. Minha dor de cabeça continuava, mas eu queria apenas tomar um bom banho e dormir. Mas antes precisávamos fazer o check in.

– Senta aqui, Isa. Enquanto eu resolvo tudo.

Estava sentada, olhei ao redor quando avistei uma menininha linda lendo, provavelmente um gibi da Turma da Mônica. Ela me flagrou observando-a, mas ao invés de fazer manha, ela sorriu para mim e me deu tchau. Era incrível como um sorriso verdadeiro era capaz de deixar a gente feliz.

–Vamos, princesa. –Bernardo falou. Ele queria fazer mágica para levar as nossas malas. Ainda bem que o Bê era um ótimo estudante de engenharia, porque ele morreria de fome se o seu trabalho fosse carregar malas. Agradeci pelo cavalheirismo e carreguei a minha própria bagagem.

Fomos em direção ao quarto. Ele era simplesmente lindo! A cama de casal era grande, a varanda era bem agradável, além de ter vista para o jardim. Quem eu de fato queria conhecer era o chuveiro, de preferência com uma água bem gelada, não fazia a linha de pessoas que amavam tomar banho quente.

–Menina linda, vamos almoçar com a galera. –Ele disse enquanto pegava a toalha e ia em direção ao banheiro.

Eu procurava uma roupa para usar. Era uma bem específica, um short de algodão cinza e uma regata vermelha da Minnie. Sim! Era o meu pijama. Eu já falei, estava morrendo de sono.

Quando o Bernardo saiu do banheiro, eu peguei a minha toalha para tomar banho. Estava quase fechando a porta, quando voltei para falar com o Bê.

–Menino lindo, eu não vou almoçar com vocês.

–Por que, Isa?

–Estou sem fome. Vou tomar banho para dormir depois.

–Isa, você precisa comer.

–Mas não quero, Bê.

Vou comprar um lanche então, para a gente.

–Bê, não precisa.

–Precisa, sim, dona Isabelle. –Quando ele me chamava assim, era porque estava bravo.

Finalmente fui tomar banho. Meu Deus, que banho maravilhoso! Como era bom lavar o cabelo também. Aquela sensação ruim estava passando aos poucos. Saí do banheiro e fui em direção à cama. Queria dormir. Estava deitando, quando o Bernardo abriu a porta.

–Nem ouse deitar, dona Isabelle. –Ele ainda estava bravo. –Vamos almoçar, princesa.

–Bê, eu já disse, pode almoçar com a galera.

–Mas eu não quero almoçar com eles. Quero almoçar com você. –Meu Deus! Como eu ia ficar um mês longe desse menino lindo? –Eu trouxe o nosso almoço.

Bernardo me conduziu até a varanda, lá ele nos serviu. O almoço era uma lasanha de frango, para beber ele trouxe  suco de acerola.

–Só você para me fazer almoçar, mesmo eu estando morrendo de sono. Bê, você também é taurino, deveria entender a minha preguiça. –Eu brinquei.

–Eu também estou cansado. Prometo que depois que a gente comer, vamos dormir. Fechado?

–Fechado.

Como combinado, assim que terminamos de comer, escovamos os dentes e deitamos. Bernardo, que era tão carinhoso quanto eu, me puxou para mais perto dele. Coloquei a minha cabeça em seu peito. O meu braço contornava o seu tronco. Bê acariciava o meu cabelo. A outra mão acariciava a minha barriga.

–Você de fato está melhor, meu anjo?

–Estou melhorando, principalmente tendo você bem pertinho de mim.

–Vou sentir falta de ficar assim coladinho com você. –Ele disse com uma voz triste.

-Bê, eu também vou sentir falta dos nossos momentos. –Eu me lembrei de tudo que a Letícia me falou. –O que você acha da gente se esquecer da sua viagem por enquanto, e focar nessa semana?

–Eu acho uma excelente ideia! –Ele beijou o topo da minha cabeça.

Conversamos um pouco, até que pegamos no sono. Bernardo era o meu melhor remédio e vício.

Sonhava com uma cama igual a que eu dormia, nela estava eu e o Bê, mas ao invés de dormimos, assistíamos a um filme de romance. Sim! Vestida para casar! Aquele filme era muito especial para nós dois. No meu sonho também comíamos muito chocolate. Até em sonho nosso lado taurino falava mais alto.  Bem na hora que o casal principal estava no bar e ia começar a cantar o meu celular tocou.

–Alô! –Eu falei meio grogue.

–Sério que vocês estavam dormindo? Viajaram para o paraíso para dormir?

–Ligou para dar bronca ou falar algo importante? –Perguntei ao Gael.

–Daqui a meia hora espero você e o Bernardo aqui no quarto. Faremos uma reunião.

–Sim, senhor. –Eu queria voltar a dormir, principalmente depois que Bernardo juntou mais ainda o meu corpo no seu.

Fomos para o quarto do Gael. Todos já estavam reunidos.

–Finalmente o casal Berisa resolveu aparecer. –Vinícius brincou.

Fiz o meu melhor olhar mortal para aquele garoto.

–Seguinte, eu e a Vic descobrimos uma balada que parece ser muito boa. Ela começa às dez. Vai ser um especial ano dois mil, quem topa?

Vic e Marcela levantaram a mão.

–E vocês, não querem ir? –Gael perguntou.

–Não estou no clima de ficar em uma boate. –Alice falou.

–E eu estava conversando com o Bernardo no carro, que tem um bar com música ao vivo que parece ser bem legal.

–Então é assim, vamos nos dividir nas férias que deveríamos ficar unidos? –Gael falou.

–Ei! Cada um tem o direito de ir para onde quiser. E poderíamos fazer assim, quem quiser ir para a balada, vai. Quem quiser ir para o bar, vai. E amanhã a gente decide qual será o nosso destino. Tudo bem? –Marcela sugeriu.

–Concordo com a Marcelinha. –Eu falei.

–Então fica decidido assim. Vamos nos dividir. –André disse.

Basicamente nosso grupo estava dividido entre solteiros e comprometidos. Fui para o quarto me arrumar. A Good vibes resolveu tomar conta de mim. Coloquei uma saia longa e a parte de cima de um biquíni. Precisamente um cropped. Nos pés uma rasteirinha. Pronto, agora era só aproveitar a noite ao lado do meu Bê e é claro ao lado de parte dos nossos amigos.

–Pronta princesa? –Bernardo falou.

–Sempre! –Eu sorri.

Estávamos no saguão da pousada esperando os táxis, quando eu encontrei a mesma menininha que estava lendo mais cedo.

–Oi! –Ela falou. –Você está melhor?

–Estou sim. –Eu falei com um sorriso no rosto. –Ei! Como você sabe que eu não estava bem?

–Um passarinho me contou.

–Esse passarinho tem olhos verdes, né? –Eu perguntei, ela sorriu confirmando as minhas suspeitas.

–Tem, sim.

–Isso é um absurdo! Eu não sei o seu nome. –Eu falei.

–É Mariana, mas pode me chamar de Mari. –Ela respondeu. –E qual é o seu?

–Isabelle. Mas só me chamam assim quando estão bravos comigo. Geralmente eu sou a Isa.

–Sei bem como é. –Ela sorriu.

Nossa conversa foi interrompida por Bernardo que me chamou. Ele acenou para Mari, se despedindo dela.

–Tchau, Mari, foi bom conversar com você.

–Tchau, Isa. Divirtam-se.

–Vamos tentar. –Eu sorri.

Damos tchau uma para a outra. Aquela menina era simplesmente incrível. Ela me lembrava de alguém que eu ainda não sabia quem era. Mas em breve eu descobriria.

 

Samila Bezerra
Samila Bezerra

Estudante de Arquitetura na Universidade Federal de Alagoas, é apaixonada por livros e quer conhecer o mundo...

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