VAMOS FALAR SOBRE A PARTE NEGRA DA MODA?

vamos-falar-do-lado-negro-da-moda-blog-qualquer-cosia-vira-lataVirou moda! Não podemos negar que a mídia influencia completamente as nossas vidas.  Antigamente, as novelas ditavam moda, tudo que as “mocinhas” ou as “vilãs” utilizavam viravam febre. Boa parte das mulheres queriam consumir aqueles produtos. Mas vem perdendo força e dando lugar a outro ambiente.

Hoje esse processo  de influência mudou um pouco. Ou melhor, ganhou um upgrade. Virou febre acompanhar o dia a dia das blogueiras, aquelas meninas comuns, que mostram a sua rotina nas redes sociais. Se elas indicam um creme para cabelo várias pessoas vão em busca desse produto. E o que falar dos produtos que viraram febre ultimamente?  Provavelmente você ou alguém que você conhece já ouviu falar na marca de maquiagem Ruby Rose. Eu mesma estou louca atrás da paleta de sombras. Como não querer, uma marca barata e com produtos que aparentemente possuem qualidades? E o que falar dos sapatos metalizados? Eu não curto essa moda, mas acompanho diariamente nas redes sociais pessoas que aderiram a essa moda.

Uê! Por que você esta citando esses exemplos? Acho que deu para perceber que os blogueiros nos influenciam, certo? E isso não é ruim! Amo ver as dicas que as meninas que eu sigo postam para os seus leitores. O triste é saber que nem todo mundo pode usufruir daquilo que produz. Quantas pessoas trabalham produzindo determinada coisa, mas não consegue pagar? Quero deixar claro que tanto a Ruby Rose como os sapatos metalizados foram exemplos que eu utilizei para falar sobre a propagação dos produtos em massa. Agora, sem mais delongas, vamos de fato ao assunto chocante que fará você refletir sobre a necessidade de comprar algum produto, ou melhor, investigar de onde ele vem.

 Eu recentemente assisti a um documentário chamado SweatShop, no qual três jovens, influenciadores noruegueses, que assim como a maioria dos jovens gostam de consumir roupas de marcas famosas. Eles foram para o Camboja, e tiveram a experiência de viver na pele como os trabalhadores de uma indústria têxtil trabalham, enfrentando uma jornada de mais de 12 horas de trabalho, em péssimas condições sem uma alimentação adequada e com uma remuneração muito baixa. O mais triste é que as peças produzidas por eles são vendida por preços elevados por marcas famosas.

Ludvig, Frida e Anniken, os três blogueiros noruegueses, passaram na pele um pouco do sofrimento que os trabalhadores têxteis sofrem todos os dias. Cada um exerceu a mesma função durante todo o momento do trabalho. Quando eu digo a mesma função, me refiro ao fato de passarem um costura no ombro esquerdo, por exemplo. Sim! Eles faziam absolutamente a mesma coisa durante todo o dia. Se para os blogueiros aquele dia de trabalho já foi desgastante, o que falar dos trabalhadores que passavam anos exercendo a mesma atividade.

O documentário também mostrou a dificuldade que os blogueiros tiveram ao fazer compras para um jantar e comprar três escovas de dente com apenas nove dólares. Eles ficaram completamente perdidos e precisaram fazer milagres. O pior é que aqueles trabalhadores da indústria têxtil precisam fazer esses milagres constantemente, já que eles não possuem muito dinheiro para comer. Quanto mais sonhar em comprar uma roupa que eles produzem.

Uma das cenas mais chocantes do documentário foi ver o relato de uma jovem. Segundo ela, o motivo da morte da sua mãe foi fome. A mulher não tinha o que comer e morreu de fome! Outro fato, que me deixou bastante pasma, foi saber que existem lugares com condições de trabalhos bem piores do que a fábrica exibida, que, aliás, foi a única que autorizou as filmagens para o documentário.

O documentário é muito bom e merece ser assistido, pois ele nos faz refletir sobre as condições de trabalho desses operários e como algumas marcas famosas se aproveitam desse tipo de trabalho que beira a escravidão. Paramos para pensar também se vale a pena comprarmos aquela blusa que está na moda só porque a blogueira tal usou. Se vocês querem comprar porque realmente gostou, ótimo! Mas antes de comprar qualquer peça investigue a loja, saiba se ela contribui para esse mercado que não se preocupa com o bem estar do outro, os tratando como se não fossem nada.

Obs: Gostaria de agradecer a minha irmã (Samara), que me ajudou a escrever esse post. Nós duas ficamos bastante em choque com as condições deploráveis dessas pessoas.

Samila Bezerra
Samila Bezerra

Estudante de Arquitetura na Universidade Federal de Alagoas, é apaixonada por livros e quer conhecer o mundo...

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