MINHA MELHOR AMIGA ME DEU UM CUNHADO

minha-melhor-amiga-me-deu-um-cunhadoFalar sobre o tempo é algo sempre muito clichê, mas sempre é uma verdade que o tempo passa e as pessoas mudam. Não na essência, pois não deveriam, mas nas reflexões, no comportamento e na forma de ver o mundo. As mudanças sempre são boas? Não, nem sempre. E isso não nos cabe decidir, o que nos resta é somente saber que as coisas mudam.

Quando menores acabamos sempre criando um laço de amizade que durará por muitos anos,  muitas vezes nos prendemos e nos limitamos nesse pequeno grupo ou em uma determinada pessoa, que parece estar sempre pronta para enfrentar os dragões e os zumbis que surgem em nossa vida. Mas todos sabemos que a palavra de ordem da vida é TRANSITIVIDADE. Há transitividade de amor, de sonhos, de visão do mundo e, principalmente, de pessoas. E ainda que nós não estejamos prontos e receptivos para tal, de todo modo nós seremos afetados.

Então foi sempre só você e sua amiga, você e seu amigo, você e sua irmã, você e seu primo, você e seu grupo de amigos, contudo, surgiu o “mais um”. De início você fica com um pé atrás, o novo é sempre estranho, é sempre misterioso e, quase sempre, é surpreendente. A sua irmã já não divide todos os seus planos contigo, seu amigo já não está sempre tão presente, pois agora há mais um rumo, há mais uma casa, há mais um plano, há mais uma saída.

Felizmente você percebe que agora há mais um cano de escape, e você começa a ficar feliz, pois entende que o mundo não cabe em suas mãos, e que não são só suas as preocupações. E que a resposta que você não consegue dar, há mais um que faça isso por você. Que a lágrima que você não consegue derramar, há mais um que chore por você. Os sorrisos que você não consegue despertar, há mais alguém que desperte por você. Diante disso, você fica feliz pela capacidade da  transitividade de trazer mais uma pessoa, mais um mundo, mais algumas possibilidades de aprender e vivenciar o novo.

E se o tempo  nos faz mudar, que ele nos faça entender que há inúmeras maneiras de fazermos a nossa melhor amiga-irmã feliz, por exemplo. E que o tempo nos ensine uma nova palavra de ordem: COEXISTIR. Que nada mais é do que perceber que para existirmos precisamos que o outro exista. Que para amarmos precisamos que o outro saiba o que é o amor. Que para minha felicidade existir, seja fundamentada em também fazer o mundo feliz. Que para o arrependimento existir, é necessário que o perdão parta de mim.

Eu só existo porque você existe.

Alef Jordi
Alef Jordi

Estudante de Letras, criador do blog Qualquer Coisa Vira-lata,
Potterhead assumido e um sonhador sem limites. Sonha em publicar
um livro antes dos 30. E ama promover ações sociais.

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