DESISTIMOS A CADA 40 SEGUNDOS

FOTO: reprodução da internet
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A cada 40 segundos uma pessoa desiste de viver. A cada 40 segundos nós desistimos de uma pessoa. E mesmo querendo, muitas vezes, ser uma dessas pessoas, nós procuramos fazê-las entender que isso não é o certo a se fazer. E talvez não seja o justo. Não seja o justo consigo, não seja o justo para com quem estar ao lado. E, sim, eu sei o que é se sentir tão pra baixo que sentimos uma falta de ar agoniante e que para os médicos não fazem nenhum sentido, porque seus exames mostraram que está tudo perfeitamente normal. Sim, eu sei o que é se sentir desmotivado mesmo tudo estando aparentemente bem. Eu sei também o que é saber e entender quais são todos os motivos para não desistir, mas ser levado a desistir. Eu sei o que nos leva a nos fechar em um mundo exclusivamente nosso, porque esses outros mundos que tentam nos mostrar não nos cabem, não nos pertencem e não nos fazem felizes.

Dizem que desistir é desnecessário, para quem está do outro lado isso é verdade, entretanto,  para que desistiu, isso era a única saída que lhe parecia existir.

Desistir me parece injusto. Pois entendam:

Semana passada uns amigos meus estavam bastante tristes, estavam chorosos. Eu não estava tão bem, porém estava suficientemente bem para conseguir tirar algumas risadas deles.

Outro dia qualquer, conheci uma menina na aula de espanhol e entre uma conversa e outra a aconselhei a fazer parte de alguns projetos da faculdade, pois a ajudaria a desenvolver sua prática, criaria um currículo etc. Semanas depois, ela me procurou para pedir ajuda com sua carta de intenção, pois seria candidata a uma bolsa de pesquisa.

Certo dia, resolvi convidar e aceitar pessoas desconhecidas no Facebook, entre essas pessoas estava um cara que me incentivou a participar de um projeto social, desde então já ajudamos mais de duzentas pessoas.

Certo dia, resolvi visitar um lar de idosos com umas amigas. Ao chegar lá, me deparei com uma senhora no corredor que logo me puxou para seu quarto para me mostrar algo, ela se sentou em sua cadeira que ficava ao lado da cama, em seguida, pediu que eu sentasse ao lado dela. A senhora começou a contar algumas histórias e em um determinado momento perguntou se a moça que estava ao meu lado era minha esposa, quase infartei de susto, confesso, e virei o rosto bem devagar torcendo para não ter ninguém ali ao meu lado, e claro que não tinha, mas em um segundo eu consegui pensar que para aquela senhora tudo era real, e eu não estava no meu mundo, mas sim, no dela, por isso dei um belo sorriso e confirmei que aquela mulher que supostamente estava ao meu lado era minha esposa, com  a qual tive três filhos, dois meninos e uma menina. E tivemos uma longa conversa sobre como é difícil a vida de casado.

E mesmo querendo desistir várias vezes, eu percebi que seria injusto com todas essas pessoas. Seria injusto se eu tivesse desistido e não estivesse aqui para fazer meus amigos sorrirem quando precisavam, seria injusto  se eu tivesse desistido e não aconselhasse a minha amiga a procurar ir mais longe na faculdade, seria injusto se eu tivesse desistido e não ajudasse a melhorar a vida de mais de duzentas pessoas, seria injusto se eu tivesse desistido e não tivesse feito o dia passar mais rápido para aquela senhora.

Então eu percebi que seria injusto se eu tivesse desistido e não me permitisse sentir tudo que senti. Seria injusto não ter esperado o tempo certo para entender que vale a pena continuar.  Seria mais injusto ainda terminar falando sobre o que é ou não é justo, porque vai muito além disso.

Eu não desisti de mim, e não quero desistir de você. E quando você pensar em desistir, lembre-se que você já conseguiu chegar até aqui, então lembre de cada motivo que te trouxe ao hoje.

contato@qualquercoisaviralata.com.br

Alef Jordi
Alef Jordi

Estudante de Letras, criador do blog Qualquer Coisa Vira-lata,
Potterhead assumido e um sonhador sem limites. Sonha em publicar
um livro antes dos 30. E ama promover ações sociais.

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