TAL QUÍMICA – CAP. 09 – SAMILA BEZERRA

tal químicaÓ, mãe, ó mãe natureza,
Ela tem a beleza
Que a mãe natureza criou
Ó, mãe, ó mãe natureza,
Ela tem a pureza
Que todo moleque sonhou
Ai meu Deus,
Olha a beleza daquela menina,
Dançando descalça
Na areia ela nem imagina,
Que o tempo parou,
Naquele instante
Meu peito apertou
No meu coração
Que era pedra nasceu uma flor
(Mãe natureza-Armandinho)

Continuávamos esparramados no sofá assistindo ao filme da Matilda. Acho que eu já tinha decorado todas as falas. Sério! Aquele era um dos meus filmes favoritos. Ele estava quase no fim quando o meu celular começou a tocar. Mas, por estar tão envolvida com a estória nem escutei o toque.

-Isa, é impressão minha ou em algum lugar dessa casa estar tocando a música última cena do Manitu? –Bernardo me perguntou.

-Meu celular! –Praticamente eu dei um pulo e fui até o quarto onde eu tinha o deixado para carregar. Era meu pai quem estava ligando.

-Oi, pai.

-Isa os seus sobrinhos nasceram. –Pela voz percebi que ele estava emocionado. –São lindos!

-Pai, que noticia boa! Eu estou indo para o hospital imediatamente.

Eu fiquei tão feliz que fui gritando e pulando para a sala querendo desesperadamente contar a novidade.

-Bianquinha, você é oficialmente a irmã mais velha do momento! –Eu gritei. –Uhu!!!

Bernardo entrou no clima e foi logo colocando Bianca no braço a segurando como se ela fosse um troféu.

-Parabéns, Bianquinha! –Ele falou.

-Eu quero conhecer os meus irmãozinhos. –Ela foi logo dizendo. –Vamos para o hospital, tia Isa. –Não parou por aí. –Tio Bernardo, você também vai conhecer os meus irmãozinhos?

Ele me olhou e sorriu. –Eu posso, tia Isa? –Ele falou de um jeito todo carinhoso.

-Claro Bê. –Eu não conseguia disfarçar o sorriso que insistia em ficar no meu rosto.

-Eu levo vocês então. –Ele disse.

-Bê espera só um pouquinho, eu vou trocar a roupa da Bianca. –Eu falei. –Vem Bianquinha.

Se vocês acham que eu era exigente quando o assunto era moda é porque vocês não conhecem a Bianca. Ela fez questão de usar um vestido rodado vermelho que a minha mãe comprou para ela no natal. Bianca tinha colocado na cabeça que só o usaria em dias importantes. E sem dúvida nenhuma hoje era mais do que importante.

Fomos o caminho inteiro cantando várias músicas infantis, Bianca puxava o coro, mas o que realmente me surpreendeu foi que Bernardo sabia todas as letras. Eu não conseguia parar de rir, se somente com a Bianca a minha casa já vivia em festa, imagina com mais dois? Ela se pendurava em nós dois enquanto dava vários pulinhos. Tudo estava indo muito bem até que eu avistei a pessoa que eu menos queria ver: O Oscar.

Ele vinha em nossa direção, estava acompanhado da irmã (que era muito amiga de Letícia) Apesar de não querer falar com ele, precisei fazer isso por causa de alguns motivos. Primeiro a Bianca soltou a nossa mão e foi falar com eles. Segundo eu odiava o Oscar, mas a irmã dele, a Daniela, não poderia levar a culpa por causa das babaquices do irmão.

-Oi, Isa tudo bem? –Ela perguntou. Eu tenho certeza que aquela saia justíssima não era só minha.

-Oi, Dani tudo ótimo e com você? –Retribui a gentiliza.

-Estou ótima! Seus sobrinhos são lindos! –Ela estava meio sem graça.

Não sei o porquê, mas resolvi fazer todas as apresentações. –Dani e Oscar esse é o Bernardo e Bê esses são a Dani e o Oscar.

-Muito prazer. –Todos se cumprimentaram.

-É melhor a gente ir. –Disse Oscar. Mas antes abraçou a Bianca. –Tchau princesinha.

Assim que eles saíram segurei a mão do Bernardo que imediatamente entrelaçou seus dedos nos meus. Bianca, que era a felicidade em pessoa, foi andando em nossa frente. Mas assim que avistou a nossa família saiu correndo. Caio pegou a filha e a colocou no braço. Ele chorava horrores.

Eu e Bernardo admirávamos aquela cena quando do nada a minha mãe chegou.

-São tão lindos! –Ela não parava de admirar Bernardo. Eu sabia muito bem o que se passava na cabecinha da dona Elena.

-Mãe esse é o Bê.

-Fico muito feliz de conhecer o famoso Bernardo. –Ela teve o atrevimento de falar isso. O que fez com que aquele safado desse um sorrisinho.

-Eu que fico feliz de conhecer a senhora.

Ele soltou minha mão para cumprimentar minha mãe. A sensação de não ter a mão dele na minha era bastante estranha. Minha mãe fez questão de nos acompanhar até o berçário. Mas, não ficou lá conosco já que seu celular começou a vibrar.

Assim que vi os meus sobrinhos eu comecei a chorar. Eles eram tão fofos e delicados. Davi e Pedro eram os meninos mais lindos da maternidade. Os dois tinham os cabelos bem preto, igual ao do meu irmão. Minha mãe antes de nos deixar ali sozinhos nos disse que eles tinham mãos imensas, provavelmente tinham puxado as de Letícia. Se eu pudesse passaria todo o meu tempo admirando os dois. Só de pensar que aqueles dois iriam passar por todo o estágio que eu pude acompanhar quando foi a vez da Bianca, de ver os primeiros sorrisos, escutar as primeiras palavras, vê-los andar e ainda mais me chamar de tia Isa fez com que eu chorasse mais ainda.

Percebendo o meu estado Bernardo me puxou para um abraço e deu um beijo em minha testa. –Parabéns titia, seus sobrinhos são lindos! –Ele falou praticamente no meu ouvido.

-Bê, até ontem eu era a menininha da casa. –Eu fiz beicinho. –Agora eu tenho três sobrinhos.

Bernardo não conteve o riso e me abraçou mais forte ainda. Ficamos naquela posição durante um bom tempo até que quando olhei para o corredor vi Marcelinha se aproximando. Ela me deu um sorrisinho cumplice.

-Marcelinha, eles são tão lindos. –Eu falei quando ela chegou até onde nós estávamos.

Own Meu Deus, eles são tão lindos! –Ela falou com uma voz fofa. –Sua sortuda os terá no quarto ao lado.

-Pode ficar com eles eu não ligo. –Eu falei brincando, imagina se eu me separaria deles.

Cecília, Vinícius, Gael, Vic, André e Alice também foram visitar os meus sobrinhos. Aqueles dois eram muito sortudos. Além de receber tantas visitas, ganharam presentes da galera que fizeram questão de comprar ursinho e outros bichinhos fofos de pelúcia.

Eram dez horas da noite quando nós resolvemos ir até uma pizzaria. Além de aproveitar a sexta-feira, iríamos comemorar o nascimento dos meninos. Minha mãe e meu pai levaram Bianca para casa, Caio seria o único a dormir no hospital.

A pizzaria como previsto estava cheia, mas conseguimos uma mesa que comportasse todo mundo. Não sei se foi pelo fato de passarmos a tarde inteira juntos, mas fiz questão de sentar ao lado do Bernardo, do meu lado esquerdo sentou Marcela. Nós conversávamos sobre as provas, os resultados do futebol do meio da rodada, até que entramos no assunto feriado.

-O que nós iremos fazer no dia 27 de agosto? –Perguntou Vinícius.

-É feriado nesse dia? –Perguntou Cecília.

-É sim. É dia da Padroeira de Maceió. –Eu falei. –O bom é que cai em uma quinta feira e segundo informações quase tudo certo para imprensar na faculdade.

-Vai imprensar sim. –Comemorou Vic. –Já me informei.

-Só acho que deveríamos ir à praia. –Disse Gael. –Estou com saudade do nosso litoral.

-Ótima ideia Gael. –Disse Marcela.

Os únicos que pelo visto não iriam nos fazer companhia seria a Alice e o André que aproveitariam para descansar na chácara da família dele. Em certo momento Bernardo que estava com o braço na minha cadeira, resolveu apoiá-lo em mim. Ele fazia movimentos circulares no meu ombro e eu juro aquela sensação era maravilhosa. Não me contive e acabei encostando a minha cabeça em seu peito. Notei que Gael não disfarçava os olhares que direcionava para mim.

Fomos embora por volta de meia noite, mais uma vez naquele dia Bernardo me deu uma carona. Antes de entrar em casa ficamos um tempinho conversando no carro.

-Bê, muito obrigada pela companhia do dia de hoje e pelas caronas.

-Eu que agradeço por você ter me deixado fazer parte de um dia tão bom como foi esse. –Ele sorriu me hipnotizando com aquelas covinhas e olhos de cor verde intenso.

-É melhor eu entrar, mais uma vez muito obrigada. –Eu falei sem vontade nenhuma de deixar aquele carro.

-Tenha uma boa noite e se precisar de qualquer coisa pode ligar para mim.

-Você também pode me ligar. –Eu o abracei. –Boa noite. –Quando já estava saindo ele me puxou de novo e me deu um beijo longo só que na minha bochecha.

-Boa noite, menina linda. –Sério foi difícil descer daquele carro depois de escutar ele me chamando novamente daquele jeito. Eu parecia uma adolescente fiquei repassando aquele beijo e aquelas palavras enquanto estava deitada na minha cama. Não via a hora de ter a companhia do Bê de novo.

Samila Bezerra
Samila Bezerra

Estudante de Arquitetura na Universidade Federal de Alagoas, é apaixonada por livros e quer conhecer o mundo...

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