A GAROTA DO TINDER – PARTE 1

A GAROTA DO TINDER-  QUALQUER COISA VIRA LATASer uma garota da geração Z é estar sempre conectada em todas as redes sociais, ser popular e manter o mesmo status na escola e nos grupos de amigos. Por favor, menos! Odeio essas definições. Eu não quero ser ” a popular” das redes, eu só quero ver o que está acontecendo com a galera através do Facebook, postar minhas fotos de borboletas ou de folhas secas com um filtro legal no Instagram, postar o que estou fazendo de legal no SnapChat e reclamar da minha mãe quando ela me fazer passar vergonha na frete dos meus crush – e ela tem pós graduação nesse assunto – no Twitter. Tá, eu sou a louca dos aplicativos.

A regra é clara: se tem espaço, baixe mais aplicativos. E foi então que começou toda a confusão, pois depois de ouvir várias amigas comentando sobre um novo aplicativo de relacionamento – e como eu estou, como posso dizer, encalhada? Ficando pra titia, como diz as gerações atrás – Eu resolvi baixar o tal do Tinder. E a regra era clara: vai aparecer várias pessoas que estão próximas a você. Deslizando o dedo para a direita na foto do sujeito você está dando like para o garoto, deslizando o dedo para a esquerda na foto do sujeito você quer esse garoto bem longe de você. Mas a louca aqui da falta de direção fez tudo ao contrário nas primeiras cinco fotos que surgiram em sua frente. E adivinha: a treta foi armada.

Já que eu estava na escola, os garotos que apareceram para mim foram os meninos do colégio. E com a  minha falta de direção de esquerda/direita eu acabei dando like na foto do namorado da menina mais ridícula e famosinha da escolha: a Danni. Ela é tipo aquelas meninas de filmes americano que quer toda atenção e você odeia, sabe? Até aí tudo bem, até porque ele nunca iria saber que eu tinha feito isso, e para o meu bem, melhor não.

Entretanto,  eu sou do tipo que sempre que faz alguma coisa errada coloco minha face de culpada e me entrego para todo mundo.

 – Está tudo bem com você? Que cara é essa menina? – Perguntou a Anna, minha melhor amiga.

– Cara? Que cara? Eu só tenho essa, esqueceu? Eu estou ótima! Olha só esse sorriso, alguém nervosa por fazer alguma coisa errada estaria com esse sorriso? – e eu só pesava: já acabou, Jéssica? CALA A BOCA, EDUARDA.

– Então, tá bem! – Disse a Anna fazendo a cara de sempre: eu sei que você fez alguma coisa, mocinha.

As aulas finalmente acabaram e o medo da burrice que eu tinha feito já tinha diminuído. PURA INOCÊNCIA MINHA! A vida só para quando ela vê lágrimas, dor e sofrimento. E foi quase isso que aconteceu quando eu joguei minha mochila no canto da cama e abri o Tinder. EU NÃO ACREDITO! Gritei escandalosamente. O namorado da ridícula também curtiu a minha foto e o chat privado agora tá liberado para nós dois. SO-COR-RO! Meu resto de dignidade naquela escola vai escorrer mais fácil que água. Eu não sei lidar com isso!

Quando eu pensei que estava no fundo do poço, o meu tinha um compartimento secreto ainda mais fundo, porque minha vida é dessas. O idiota do namorado da Danni mandou um “você?” no chat do Tinder. E o meu desespero só aumentou!

Corri para o grupo “É TUDO VACA” que mantenho com minhas melhoras amigas no WhatsApp e fui logo pedindo socorro. Primeiro tive que aguentar elas me zoarem para então receber alguma mensagem de apoio, e sim, nesse momento eu tenho certeza que são todas umas vacas, mas são as “MINHAS VACAS” <3 Chegamos a conclusão de que era melhor eu ficar na minha, porque do jeito que sou atrapalhada é bem capaz deu colocar lenha na fogueira e, no caso, quem se queimaria era eu.

No dia seguinte acordei pensando em como a noite passada pareceu eterna. Depois dos cincos alarmes programados despertarem, eu finalmente resolvi sair da cama. E tudo que eu queria era ter acordado com um gripe daquelas, com uma febre de 40º graus e em delírio, entretanto as doenças só são programadas para nos pegar em dias especiais para sua vida: tipo o aniversário de quinze anos da sua melhor amiga.

Banho tomado e mochila pronta, hora de encarar o que poderia ser o pior dia da minha. Coloquei minha playlist de autoestima, tipo: Lady Gagar, Katy Perry… E passei bem longe de “salva-me” do RBD, porque era capaz deu começar a chorar bem ali mesmo, no carro. Combinei com as “vacas” de encontrá-las na porta da escola, pois eu não saberia lidar com a situação caso a Danni já soubesse e estivesse me esperando na porta e quisesse me dar umas tapas bem ali. E surpresa, ao entrarmos na escola, encontramos a Danni e as “bajulacretes”, ou seja, suas amigas falsificadas. Pela primeira vez senti minhas mãos suarem, era um mistura de calafrio e o calor do sol ao mesmo tempo. Juro que consegui ouvi meu coração batendo muito mais acelerado. E a Danni foi se aproximando de mim e… Sorriso! Somente um sorriso. Não pode ser, pior que uns tapas, é um sorriso dessa garota. SO-COR-RO!

Alef Jordi
Alef Jordi

Estudante de Letras, criador do blog Qualquer Coisa Vira-lata,
Potterhead assumido e um sonhador sem limites. Sonha em publicar
um livro antes dos 30. E ama promover ações sociais.

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