TAL QUÍMICA – CAP. 2

tal químicaSalagadula mexegabula bibidi-bobidi-bu

Junte isso tudo e teremos então

Bibidi-Bobidi-Bu

Salagadula mexegabula bibidi-bobidi-bu

Isso é magia, acredites ou não

Bibidi-Bobidi-Bu

A salagadula é… nem eu entendo este angu

Mas a mágica se faz dizendo

Bibidi-Bobidi-Bu

Salagadula mexegabula bibidi-babidi-bu

Junte isso tudo e teremos então

Bibidi-Bobidi, bibidi-bobidi, bibidi-bobidi-bu

(“Bibidi-Bobidi-Bu”-Disney)

 

Algumas semanas já tinham se passado, isso significava que eu já estava atolada de trabalhos para entregar. Sempre fui uma pessoa diurna, mas desde que entrei no curso de arquitetura, passei a ficar parte das minhas madrugadas acordada. Hoje não tinha sido diferente, fiquei até às quatro da manhã fazendo um projeto arquitetônico. Faltava pouca coisa para terminar, mas o meu corpo não aguentava mais. Resolvi dormir até tarde. Entretanto, a minha amada família não permitiu.

Eram oito horas quando eu escutei o barulho de móveis sendo arrastados. Escutei também meu pai brigando com o meu irmão, que pelo visto não segurava o sofá direito. Fiquei bastante furiosa. Será que não dava para fazer menos barulho. Eu não estava na farra na noite passada, mas sim estudando. Como eu sabia que não conseguiria mais dormir, fui direto para o banheiro do meu quarto e tomei um bom banho. Lavei o cabelo, já que essa era uma das formas de libertar a preguiça que ainda dominava o meu corpo. Coloquei uma roupa leve e fui para a cozinha, eu estava morrendo de fome.

Eu jurava que ia encontra um bom pedaço de bolo que a minha mãe preparava maravilhosamente bem. Ou se não um bom pão. Mas não encontrei nada disso. Nem uma bolachinha tinha na cozinha.

-Cadê a comida? – Eu perguntei a minha mãe que estava colocando umas roupas na máquina de lavar.

-Comemos. Pensei que você só acordaria na hora do almoço. – Ela falou sem se importar com o fato de eu não ter comido nada.

-A intenção era essa. Mas vocês não deixaram com esse barulho todo. –Eu falei um pouco irritada.

-Isabelle, todos acordaram cedo para fazer algo de útil, já você queria ficar dormindo até meio dia. Tenha santa paciência. – Falou o meu irmão, que se achou no direito de se meter na conversa.

-Acontece, Caio, que eu não fiquei acordada até tarde por passar a madrugada conversando no whatsapp ou por ficar atualizando os meus status no facebook, eu estava estudando.

Não estava com cabeça para aguentar o meu irmão tão cedo. Não que eu não gostasse dele, eu o amava. Mas às vezes ele achava que só o seu emprego era importante.

-Filha, eu preparo um sanduiche para você, deve ter sobrado algum pão na geladeira. – Disse minha mãe.

-Não precisa. Eu como qualquer coisa.

-Ela gosta de fazer doce, mãe. – Caio falou.

-Caio, deixe a sua irmã em paz.

Eu peguei uma maçã e me tranquei no quarto. Acho que a raiva me deixou mais determinada a terminar logo o projeto. Não faltava muita coisa, tinha que escurecer algumas partes da planta e nomear os ambientes.

Assim que terminei de fazer essa parte resolvi arrumar a estante de livros. Aproveitei a ida para Minas e comprei vários livros que eu namorava há um tempo. Sempre fui fascinada pelo mundo da leitura, minha mãe até tinha uma livraria, mas ela estava em reforma. Eu gostava de organizar meus livros por autor. Já que eu tinha comprado dois livros da Carina Rissi, foi necessário mover os livros da Kiera Cass para a prateleira de baixo, pois os livros da Carina eram bem grossos. Quando terminei de arrumar, escutei leves batidinhas na porta.

-Tia Isa, eu posso entrar? – Perguntou Bianca, minha sobrinha que tinha apenas quatro anos.

Imediatamente abri a porta. Assim que me viu ela abriu o maior e mais lindo sorriso que poderia existir. – Bianquinha, que saudades de você. –Eu a coloquei no braço.

-Tia Isa, eu estava morrendo de saudades. Por que você demorou tanto? Não viaja mais, por favor. – Ela disse com os olhinhos marejados.

-Desculpa princesa. A tia não vai mais embora. Agora eu só quero fazer muitas cosquinhas na senhorita. – Bianca começou a rir.

Estávamos deitadas assistindo a um filme da Disney quando Letícia entrou no quarto.

-Meninas, o almoço está pronto. – Letícia falou. – Ela caprichou especialmente para você, Isa.

Eu sabia que a minha mãe tinha ficado com peso na consciência. –Valeu, Letícia. Vamos comer, Bianquinha?

O almoço tinha sido caprichado. Mamãe preparou arroz com feijão e bife com batata frita. Eu e Bianca não resistíamos às comidas que a minha mãe fazia. Estávamos de volta ao quarto, voltamos a assistir ao filme. Mais uma vez Letícia veio falar conosco.

-Bianca, precisamos voltar para o apartamento. Ainda tem muita coisa para trazer.

-Eu não quero ir.

-Deixa ela aqui comigo.

-Certeza que ela não vai te atrapalhar? – Minha cunhada perguntou.

-Desde quando a Bianca atrapalha. – Eu falei. – Se você permitir, eu estava pensando em levá-la ao cinema.

-Deixa, mamãe. – Bianca implorou.

-Tudo bem. Mas comporte-se. – Ela falou. – Isa, não se deixe seduzir por todas as vontades dessa pimentinha.

-Pode deixar. – Eu sorri.

Eu e minha sobrinha fomos nos arrumar. Estava passando a releitura da Cinderela no cinema, essa era a minha princesa favorita e pelo visto também era a da minha sobrinha. Bianca colocou um vestido azul lindo, que Letícia tinha deixado no meu guarda-roupa. Eu coloquei uma saia longa, uma blusa fininha amarela, por cima joguei um cardigã rosa com pequenos corações pretos.

Apesar de ser sábado o shopping não estava lotado, vai ver as pessoas ficaram com preguiça de sair de casa já que chovia bastante. Eu estava na bilheteria do cinema pagando os ingressos quando Bianca soltou a minha mão e correu. Nem contei se o troco que a vendedora tinha me dado estava certo, eu só queria saber para onde a minha sobrinha tinha ido. Assim que eu me virei eu percebi qual era, ou melhor, quem era o motivo de tanta felicidade.

-Então foi por sua causa, dona Cecília, que essa pimentinha saiu correndo. – Eu falei enquanto apertava de leve o nariz de Bianca que já estava bem instalada no braço da minha amiga.

-O que eu posso fazer se a Bianquinha me ama. – Começamos a rir.

-Você veio com a galera da faculdade? – Eu perguntei.

-Sim, com a Lorena, o Matheus que você já conhece; e com aqueles dois. – Ela acenou para dois meninos que vinham em nossa direção.

-Isa, esses são o Vinícius e o Bernardo, eles estão estudando comigo. E meninos essa é a minha amiga Isa e essa princesinha é a sobrinha dela, a Bianca.

-Oi, muito prazer. – Eu disse.

-Oi, Isa. – Disse Vinícius quando me abraçou, ele era alto, moreno claro e tinha os cabelos um pouco ondulados.

-O prazer é nosso. – Bernardo me abraçou. Ele era mais alto que Vinícius, o cabelo era castanho claro e seus olhos eram bem verdes. Quando eu pensei que ele me soltaria, ele disparou: então você é a famosa Isa!

Olhei para Cecília tentando entender, mas minha amiga não tinha escutado o que ele tinha falado. Enquanto isso Bernardo já estava conversando com Bianca. Faltava pouco para o filme começar e eu ainda precisava comprar a pipoca.

-Foi bom ver vocês, mas temos que ir, o filme já vai começar.

-Vocês também vão assistir a Cinderela? – Perguntou Bianca.

-Não Bi, vamos ver Os vingadores 2. – Respondeu Cecília.

-Eu achava melhor ver o da Cinderela, deve ser mais divertido. – Disse Bernardo que não parava de rir para a minha sobrinha mostrando, assim, as suas covinhas.

-Tchau, gente. – Eu abracei Cecília. – Vamos Bi.

O filme estava praticamente na metade, minha sobrinha estava bastante compenetrada não tirando os olhinhos da tela do cinema. Apesar de também estar prestando atenção ora ou outra eu me pegava pensando o porquê eu seria a famosa “Isa” segundo o Bernardo.

Samila Bezerra
Samila Bezerra

Estudante de Arquitetura na Universidade Federal de Alagoas, é apaixonada por livros e quer conhecer o mundo...

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