A LISTA NEGRA | JENNIFER BROWN – GUTENBERG

Desmontei na cadeira. Todo o seu choro, seus pedidos, proibições, os jornais escondidos e arrastar-me ao doutor Hieler… tudo isso nunca foi para me proteger dos outros garotos e garotas. Foi para protegê-los de mim. Sempre temeu que eu fizesse mal a eles. Eu era a bandida. Não importava o que eu dissesse, não conseguiria fazer minha mãe pensar de outra forma. (Página 145)

Oi, tudo bem com vocês? A resenha de hoje será sobre um livro que eu estava maluca para ler, mas acabei não comprando. Eu o dei de presente para a minha irmã no aniversário dela. E quando eu o li pude ver o quanto ele é maravilhoso. Ah! Eu só fiquei com muita vontade de ler esse livro por causa da Pam Gonçalves, que é basicamente a embaixadora dele aqui no Brasil. Depois que eu li pude entender o porquê ela sempre o indica. Vou parar com essa enrolação e vou focar na resenha. Rsrs.

a lista negra - resenhaComo vocês devem ter reparado pelo título, o livro que eu vou resenhar hoje é o “A Lista Negra”, da talentosíssima Jennifer Brown. O livro conta a estória da Valerie, uma jovem que está no último ano do colegial. Ela sempre foi vítima de bullying no colégio, seus “colegas de turma” a apelidaram de irmã da morte. Durante muito tempo ela escutou diversas piadinhas, seu apoio sempre foi o Nick, seu namorado que também era vítima do bullying. Os dois resolveram criar uma lista onde colocariam o nome de todas as pessoas que de alguma forma tornavam os seus dias um inferno.

-É você tem razão. Mas eu poderia fazer isso. Poderia explodir essas pessoas. Não seria surpresa para ninguém. (Página 65)

Em mais um dia de aula, onde Valerie foi motivo de chacota da galera do colégio, ela procura Nick, a garota queria apenas alguém que a protegesse. O que ela não imaginava era que o seu namorado tinha resolvido matar todos aqueles que sempre zoaram eles. Valerie precisa lidar com a desconfiança que todos têm dela (inclusive os pais). Além disso, ela tenta entender como é que pode um menino tão doce que lia Shakespeare para ela, ser um assassino.

Eu soube que estava me apaixonando por ele, por aquele garoto de roupas surradas e mal-encarado, que sorria de um jeito tímido e citava Shakespeare de cor. (Página 87)

O que eu mais gostei desse livro foi o fato dele voltar no tempo. Conseguimos entender como era o dia-a-dia dela e do Nick. O porquê algumas pessoas tinham o nome na lista. Também gostei bastante da forma que a escritora trabalhou as cenas. Em determinado momento da leitura eu não estava entendendo o porquê o livro era tão intenso e bom como às pessoas falaram, mas ao longo da escrita a escritora vai te mostrando situações de revirar o estômago. Você sofre junto com a personagem. A vontade que dar é tirá-la do livro e abraçá-la.

Imediatamente, os dois vieram para cima de mim, segurava-me enquanto a enfermeira aproximou-se com uma injeção. Instintivamente, larguei-me na cadeira de rodas. Minhas muletas fizeram um barulho ao caírem no chão. Mamãe se curvou e as pegou. (Página 113)

Eu gostei bastante da forma que ela trabalhou a Valerie. Sempre que acontece um atentado em uma escola geralmente o atirador acaba morrendo e na maioria das vezes nós que estamos de fora vemos aquela notícia e logo depois esquecemos. Mas quem convivia com o atirador sempre será apontado como a pessoa que andava com determinada pessoa. E vai sempre haver perguntas do tipo: Será se ela (ou ele) também vai abrir fogo contra nós? Infelizmente as pessoas são apontadas durante muito tempo. Outra coisa que eu gostei na leitura foi justamente isso, a Jennifer quis nos mostrar que as pessoas são pessoas. A maioria delas não vai mudar (infelizmente) e na realidade isso ocorre. O livro é bem chocante, mas ele não foge da realidade. Ele serve como um alerta do que as piadinhas e brincadeiras de mau gosto são capazes de fazer com que uma pessoa se revolte.

Todos estavam olhando para mim. Seria impreciso dizer que nem todos os rostos expressavam simpatia. O certo seria dizer que nenhum expressava. Nem mesmo o da Jessica. Sua expressão estava mais para indiferente, como se estivesse conduzindo um prisioneiro à câmara da morte. (Página 148)

Sinceramente eu não sei o que pensar do Nick. Acho que o fato de mostrar como ele era antes do atentado nos da um panorama de como ele era um menino como qualquer outro. Ele não era mau, os fatos que ocorreram ao seu redor fizeram com que ele achasse que a morte seria uma forma de derrotar os outros. Não estou defendendo ele, mas será que todos os meninos que cometem atentados sempre foram maus? Tudo aquilo é fruto de anos e anos de revolta e incompreensão.

Leiam esse livro. Valeu Pam por divulgar bastante ele. A Lista Negra deveria ser leitura obrigatória para todas as pessoas. É sem dúvida, um livro que fala sobre bullying, tragédia e recomeço. Falando um pouquinho sobre a capa: eu amei! Mais uma vez a editora Gutenberg caprichou. Se vocês já leram “A Lista Negra” ou tem um livro tão bom quanto esse comenta aqui em baixo.

 VITRINE

A LISTA NEGRA – JENNIFER BROWN |  EDITORA: GUTENBERG  |  VALOR: R$ 29,37

Samila Bezerra
Samila Bezerra

Estudante de Arquitetura na Universidade Federal de Alagoas, é apaixonada por livros e quer conhecer o mundo...

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